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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

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Uma fada dos bebés (que toca muita mães com o seu dom)

11.04.15 | Vera Dias Pinheiro
Hoje, na Fnac do Chiado, assisti ao lançamento do livro "Os bebés também querem dormir", de Constança Cordeiro Ferreira. Para muitos, ela é a fada dos bebés, é uma conselheira de mães e de bebés, que ajuda a compreender sinais.
Para mim, a Constança tem um dom natural para nos falar ao coração, para nos acalmar a alma ao fazer-nos perceber que todas as angústias de mãe são normais, que há todo um processo de aceitação de nós mesmas e de nos fazer acreditar que tudo aquilo que nós precisamos está dentro de nós e que, para isso, basta conseguirmos encontrar o nosso espaço de tranquilidade. O Vicente nasceu de uma cesariana não desejada. Eu queria um parto normal, eu tinha feito tudo para ter um parto normal, estive durante horas em trabalho de parto, num desespero por me estar a aperceber onde tudo aquilo iria acabar. Entrei em pânico quando ouvi que tinha que ser com anestesia geral (porque não podiam esperar mais), por não saber o que iriam fazer ao meu bebé assim que ele saísse de dentro de mim, por não saber se iriam esperar que eu acordasse para lhe oferecer a minha mama. Não estava preparada para a dor física e para a incapacidade que iria sentir após aquela operação.
Tive que aprender a lidar com a minha frustração em silêncio, porque afinal estávamos todos bem, afinal o mais importante é ter nos braços um bebé com saúde (e ninguém dúvida que é, de facto, o mais importante). No entanto, nada daquilo acalmava o meu coração e a dor que sentia. Vivi os primeiros meses da maternidade numa dualidade de sentimentos, oscilava entre a excitação de ter sido mãe e uma enorme tristeza. Não conseguia encaixar tudo aquilo que sentia com todos os comentários, opiniões, conselhos que ouvia. 
Quando nasce um bebé uma das primeiras coisas que aprendemos é que toda a gente, nomeadamente as outras mulheres-mães, sabem cuidar melhor do nosso bebé que nós mesmas. Todas elas sabem melhor quando o nosso bebé quer dormir ou comer ou porque chora ou como deve dormir as suas sestas... E tudo isto leva-nos à dispersão, impede-nos de ouvir os nossos instintos (estamos muito concentradas em fazer tudo bem e tudo bem significa ter que obedecer a padrões), mas, sobretudo, dificulta a nossa comunicação com o bebé. Sim, porque uma mãe consegue conversar com o seu filho.
A Constança ajudou-me a parar e, precisamente, a ouvir-me e a ouvir o Vicente. A conseguir olhar para ele e só para ele e a não deixar que nada de fora interferisse nessa relação. Eu digo, muitas vezes, que, se hoje sou a mãe que sou, é graças à minha Constança. E, se me perguntarem porquê, eu respondo, porque me ouviu quando eu mais precisei. Porque disse-me que tudo aquilo que estava a sentir era normal, que existe um lado da maternidade que fica escondido, guardado dentro de cada mãe e que ninguém mais conhece. Porém, tinha à minha frente o meu bebé e era nele que iria encontrar todas as respostas. Para a Constança não há certo ou errado, nós somos os melhores pais para os nossos filhos e, acima de tudo, não devemos ter receio de o amar, de o agarrar, de dormir com ele, de dar colo, de o confortar, enfim, não devemos ter receio em ouvi-lo e dar-lhe aquilo que ele mais precisa. Os bebés precisam de alguém que lhes dedique tempo, que tente perceber o porquê de chorarem ou, simplesmente, que fique ali, junto deles, até se acalmarem (porque um bebé também chora... aliás chora muito por tudo e por nada).
Por todos estes motivos e muitos outros, eu quis estar presente no lançamento do seu livro, quis dizer-lhe o quanto a admiro e o quanto estou grata por nos termos cruzado nesta vida.

"Alguém que chega de novo (um bebé), é uma oportunidade de vermos a vida de outra maneira", Constança Ferreira




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