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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Tenho Muito Orgulho Nos Meus Filhos e Faço Questão Em Lhes Dizer!

26.09.19 | Vera Dias Pinheiro

orgulho no nossos filhos, mudar de país e adaptar a uma nova língua

 

Ser mãe (e pai) é talvez pecar (por defeito) em exigir sempre mais e em querer sempre mais. No fundo, queremos o melhor para eles, mas, lá no fundo, desejamos igualmente que eles sejam os melhores. Ao decidir voltar novamente para Bruxelas, o peso maior na balança foram eles, o Vicente e a Laura, e a experiência de vida que podemos proporcionar-lhes. Porque é disso que se trata, dar-lhes algo maior do que apenas a educação que recebem na escola, desenvolver neles outras ferramentas que não apenas a focada para terem as melhores notas.

 

Descobri que aquilo que eu lhes quero dar são asas para poderem voar, seja a que distância for, porque achar que vão viver para sempre connosco é só ingénuo da nossa parte e só tem graça agora que eles são pequenos. Imaginá-los adultos cá em casa, quando eu já preciso é de descanso… não é o desejado nem para os filhos nem para os pais.

 

Gostava que eles ganhassem armas e capacidades para saírem cedo de casa, para estudarem fora, fazerem voluntariado, cursos, o que seja. Gostava pelo menos que eles tivessem lá o bichinho da aventura e do desafio e nem precisa de ser necessariamente num outro país, pode ser bem mais perto. O importante é que eles cresçam com a progressiva autonomia, com a progressiva auto-confiança e até o espírito de auto-sobrevivência.  

 

É sempre mais fácil ficar do lado do confortável. É mais fácil continuar a fazer as pequeninas coisas por eles, do que perder um pouco mais tempo só a incentivar que tentem e que se esforcem. Mas vivo num dilema constante, porque este processo de entregar os nossos filhos ao mundo e de dar aquele empurrãozinho nas costas para seguirem em frente e nós ficarmos cá atrás apenas a observar custa muito. O nosso coração está ali (projectado naquelas pessoas pequeninas) e, afinal, o cordão umbilical passa para lá do físico e mantém-se para sempre, creio eu.

 

Ainda assim, tudo depende deles. Se eles aceitam as mudanças, se se adaptam, se se integram e agarram e dão o salto. E nestas matérias, os meus ricos filhos estão de parabéns, talvez seja sorte e ambos terem herdado o bichinho dos pais e simplesmente deixarem-se ir. Por outro lado, são pequenos e nós estamos todos juntos e nós fazemos questão de lhes mostrar todos os dias o porquê de estarmos aqui e também de lhes mostrar que nada se perdeu do que ficou em Portugal.

 

Tenho um orgulho do tamanho do mundo na facilidade com que aprendem esta língua emprestada e da forma tão à vontade com que já se vão expressando através dela.  Na facilidade com que fazem amigos e com que são maleáveis à mudança. Estava preparada para lidar com as dificuldades na integração na nova vida muito mais tempo, até meses, sei lá. Contava, lá para o natal, ter tudo mais ou menos estabilizado.

 

Porém, setembro ainda nem terminou e sinto-os bem, felizes e integrados – talvez de pazes feitas comigo por tê-los trazidos para estas novas escolas, uma porque não queria a escola em francês e o outro que não queria largar a saia da mãe e ser “obrigado” a fazer uma série de coisas sozinho.

 

Tenho muito orgulho nos meus filhos e tenho que o dizer. Quer dizer, acima de tudo, dizer-lhes a eles, os principais protagonistas desta história toda. Porque grande parte do trabalho é deles e da forma como um e outro absorvem estes eventos e o que fazem a seguir. E ver a alegria deles basta-me, ver os abraços que o Vicente dá aos amigos e os amigos que o receberem como um deles logo no primeiro dia. A Laura que se deixa abraçar pelas auxiliares e que diz com todas as letras que A-DO-RA a escola.

 

E nada disto invalida um certo sentimento de culpa da minha parte. Eu sou mãe e tomo as decisões, mas eles não pediram para estar aqui e mesmo sendo duas crianças pequenas não me sinto na obrigação de lhes exigir o que quer que seja.

 

Dizem que mãe sente as coisas, que mãe tem o tal instinto e talvez por isso tomamos as decisões que acabam por ser boas para eles, mas isso não os protege de tudo. Não lhes tira o medo e toda uma série de sentimentos estranhos que eles sentiram e sentem por estes dias.

 

Não preciso de agradecimentos nem deles nem de ninguém. Preciso sim de senti-los felizes, preciso de senti-los fortes e com a certeza de que o porto seguro deles não fugirá nunca, estejam eles mais perto ou mais longe.

 

Estou a entregar os meus filhos ao caminho deles. Sabia que seria assim e que, em certo momento, sentiria que estaria a alargar as minhas asas para os colocar um pouco mais fora do ninho. Para mim, foi agora e com isso senti aumentar também o meu sentimento de responsabilidade por eles. Agora depende muito deles e das ferramentas que lhes conseguimos ir passando.

 

Que sejam felizes nesta caminhada! Que nunca percam o norte de quem são e dos valores que lhes passamos. Que sejam honestos e respeitadores do próximo.

 

Amo-os por demais e são duas crianças incríveis!  

 

viver fora do país com filhos pequenos

 

viver fora do país com filhos pequenos

 

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