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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Será que sou uma melhor mãe agora?

07.06.16 | Vera Dias Pinheiro
Foto credits to Lovetography
Ter mais um filho pode não parecer nada de mais, afinal, há quem tenha mais dois, três ou quatro! Aliás, este fim-de-semana conheci um casal com cinco filhos, casal esse que estava com um ar super sereno e bem disposto, num programa em família, muito mais do que eu e o senhor meu marido com apenas dois - faz-me pensar que talvez, a partir do segundo seja tudo mais fácil.

Mas ter mais "um" filho, muda muita coisa, muda rotinas, logística, formas de estar e também me mudou a mim. Para não falar do "recomeçar" que ter mais "um" filho implica: voltar a dormir pouco, voltar a lidar com o choro do bebé, as cólicas, as fraldas, voltar a ter a nossa vida totalmente controlada pelos seus horários e voltar a privar-nos de algumas coisas. Porém, se enquanto mulher, sinto-me mais cansada, com falta de paciência, fiquei até muito sensível ao barulho - os décibéis do Vicente, para mim, estão sempre no máximo, o que às vezes, me faz alguma confusão. Isto também vos aconteceu? - o facto de dormir pouco, deixa-me de mau humor, não conseguir gerir o tempo entre os dois e entre eles e o tempo para mim, deixa-me ansiosa. Enquanto mãe, as coisas passam-se um bocadinho de forma diferente, pois sinto-me uma mãe mais serena e mais paciente - em 70% das vezes, vá - o que se tem reflectido especialmente na forma como tenho agido com o Vicente. 

Amamentar a Laura tem-me colocado numa posição, muitas vezes, de retaguarda e, enquanto estou a dar de mamar, tenho tempo para ouvir as coisas que o Vicente diz e pensar sobre elas; tenho tempo para compreender certos comportamentos sem estar a reagir a quente; e tenho ainda tempo para analisar os nossos próprios comportamentos e como isso determina algumas reacções nele. No fundo, consigo fazer aquilo que nós, os pais, nunca conseguimos fazer: ter tempo para pensar sobre o que está a acontecer, sem desencadear uma reacção mecânica, muitas vezes, pouco pedagógica, face as certas atitudes que nos deixam com os nervos em franja. 

Ser mãe e ser pai não é uma tarefa fácil e não é apenas para quando os nossos filhos se portam bem e fazem tudo o que lhes pedimos! Ser mãe e ser pai é uma tarefa que nos coloca constantemente à prova - eu sinto que tenho por obrigação ser melhor todos os dias, que tenho que saber gerir as coisas e dar a volta ao Vicente sem recorrer aos argumentos mais fáceis, mas nem por isso, mais eficazes. Por isso é que amamentar a Laura tem tido este outro lado tão bom e que me tem permitido saber gerir melhor os sentimentos - muitas vezes, contraditórios - do Vicente e a nossa relação não tem sido abalada com o nascimento da irmã. Muito pelo contrário, são muitos os momentos que passamos a dois ou a três a dar beijinhos, a dormir a sesta, a dar e a receber miminhos. O Vicente é um menino de afectos, ele precisa que tenhamos tempo para ele, somente para ele, por isso, se sentir que no seu dia-a-dia ter uma irmã não lhe retira nada desse tempo, tudo corre lindamente. Quando assim não é, temos que explicar-lhe o que está a acontecer, por exemplo, quando a mana tem fome, a prioridade é dar-lhe leitinho, assim como, se está a chorar muito, temos que acalmá-la, ou se tem a fralda suja, temos que a mudar. Mas que depois de tudo isso, voltamos ao que estávamos a fazer: a brincar com os carros; a fazer o puzzle; ou qualquer outra coisa.

Continuo a ter os momentos em que me passo completamente, nomeadamente quando estão os dois a chorar ao mesmo tempo; ou quando estou a dar de mamar e há uma birra mesmo à minha frente só para marcar posição e sem qualquer motivo; mas pensar entre o que está a acontecer e o que eu vou fazer, está a tornar-me melhor mãe, mais compreensiva e com mais tempo para olhar para o meu filho crescido sobre a perspectiva dele. E, na verdade, as situação mais tensas acontecem quando eu estou mais concentrada na irmão, porque é naquelas alturas que ele precisam sentir que não está em segundo plano. Um abraço ou um beijinho são, muitas vezes, o suficiente para resolver "as crises".

E isto é o que acontece em 70% do nosso tempo, nos outros 30%... bom, nos outros 30%... a nossa casa parece uma casa de malucos, com cada um a berrar para seu lado e as fazer as suas exigências! :)

Bom Dia.

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