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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Será já a idade dos "porquês"?!

16.07.15 | Vera Dias Pinheiro
Haverá alguma coisa mais fascinante do que ver uma criança a crescer?! Não deve haver... E todas as fases pelas quais passam são maravilhosas, intensas e lançam-nos muitos desafios. Mas quando chega aquela altura em que o nosso filho começa a fazer-nos companhia, começa a conversar connosco e a ter as suas próprias opiniões é muito engraçado e somos como que "obrigados" a aceitar que o nosso filho não vai ser sempre bebé, que um dia vai crescer e que esse dia chegou!

O Vicente deu um grande salto no seu desenvolvimento e, de repente, vejo-o com comportamentos e linguagem que me fazem esquecer, por momentos, que ele ainda SÓ tem dois anos e meio. Sou confrontada com respostas e conversas para as quais ainda não estava preparada. No fundo, tentava não racionalizar que o meu bebé, de bebé já não tinha nada. E eu já lhe disse que "a culpa" é da mãe (ou seja, minha), que se pôs com ideias, a achar que o Vicente ia sentir-se muito aborrecido na sala do 1 aos 2 anos, porque era já um menino muito desenvolvido e esperto. Falei com a educadora, que no final da primeira semana de creche, já era da mesma opinião e lá foi ele para a sala dos finalistas, a sala dos crescidos!!! Em bom rigor, fui eu que o empurrei para esta espécie de pré adolescência infantil... para esta certa forma de emancipação (que, na minha opinião de mãe, é muito precoce) . O que me vale é que, como bom filho rapazinho que é, ele idolatra a sua mãe e anda agarrado a mim a dar-me muitos beijinhos (mas, mesmo assim, também já andou mais....).

Eu própria, penso que mesmo o Vicente está aprender a lidar com o facto de começar a conseguir verbalizar praticamente tudo aquilo que lhe passa pela cabeça e.... apanha todos os nossos tiques! Na ordem do dia temos: "Diz mãe?" "Diz pai?" "Diz mãe?" "Diz pai?" "Diz mãe?" "Diz pai?" "Diz mãe?""Diz pai?" "Diz mãe?". Esta é a expressão que ele repete incessantemente, sem sequer parecer interessado nas nossas respostas. Repete! Repete! E repete o dia todo! E repete a toda a hora! Às vezes, torna-se até cansativo e quando as perguntas se amontoam é necessário ir às reservas da nossa paciência, para continuar a responder sempre e de forma calma. Mas há mais, entram para o top também: "Oh mãe onde tu'tás?", "Oh mãe estás a fazer o quê?".

Durante esta fase, que deve ser já um pré teste à idade dos "porquês", tento não me esquecer que se trata de um processo do seu desenvolvimento pessoal e que se o travarmos, no momento das perguntas, o Vicente poderá sentir-se desvalorizado, deixando de o fazer. E porque se olhar para ele com atenção nesses momentos, consigo perceber um certo orgulho e felicidade no seu rosto, o que me deixa também de coração cheio e feliz. 
Na realidade, ele está, finalmente, a conseguir verbalizar a sua curiosidade, curiosidade essa que já andava a saltitar na sua cabeça, desde o momento em que viu o mundo pela primeira vez. 

Meu rico filho, como deve ser fascinante viver o que estás a viver neste momento! 



Como devemos nós acompanhar a fase dos "porquês"?
Uma boa estratégia será colocarmo-nos no papel dos nossos filhos e perceber que tipo de atitude eles esperam dos adultos.

Dicas: 
Por mais saturados que estejam, não ignorem as perguntas e tentem ouvir a criança com atenção;
Procurem dar respostas adequadas à sua idade/maturidade (demasiado simples não a satisfazem e demasiado complexas só a confundem);
Se não souberam que resposta dar, digam que não sabem, que vão pensar e que quando tiverem a resposta certa, lhe dirão. E cumpram!!!
Não forneçam as respostas antes da criança fazer as perguntas. Respeitem o seu ritmo;
Segurem-se para conseguir evitar dar repostas incorrectas ou fantasiosas apenas "para arrumar o assunto". Quando a criança descobrir a verdade, vai perder parte da confiança que tem em si.

Boa sorte papás!!!