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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Segunda volta em Itália, em família, Não foi fácil, mas chegamos!

03.12.18 | Vera Dias Pinheiro

viajar com crianças

 

Estamos de férias! Não são as primeiras do ano, contudo são aquelas que verdadeiramente nos fazem mais sonhar. É a nossa viagem em família, sempre nesta altura do ano tão especial, e é uma lufada de ar fresco nas nossas vidas.

 

Há alguns dias que me sentia em modo “piloto automático” e sem grande inspiração para escrever. Sentia-me igualmente com fraca criatividade e cansada. Depois, olhei para o calendário e percebi que seria normal.

 

Afinal, e embora até há pouco tempo a ficha tinha demorado a cair, estamos a poucas semanas do final de mais um ano. É normal que, na nossa cabeça, ressoe o balanço e a introspecção. No final de cada ano, há sempre um momento mais marcante da nossa, algo que acabou por determinar e condicionar muito o balanço que fazemos dele. E o que eu sinto - depois da evolução pessoal e profissional e um momento familiar marcante – é que agora é importante ajustar a mecânica filhos e trabalho. Diria, consolidar ambas as coisas. Por um lado, já não tenho bebés em casa, e sim, isso traz me um certo alívio e, por outro, o trabalho assume novos caminhos. Não se tratam de ciclos que se fecham, mas antes de degraus que subimos, de alguma complexidade que juntamos a vários níveis.

 

No final, olho para mim, e a imagem de miúda de antes, que parecia inalterada, está agora um pouco mais distante, reconheço um amadurecimento. O que é bom, atenção. Sinto-me mais segura de mim, mais realizada e isso acho que acaba por se reflectir à minha volta. Nesta altura do ano, com mudanças no horizonte, estas férias sabem a “pause” na vida. Reflectir prioridades e focar numa vida mais equilibrada e com mais qualidade. Mais tempo!!!!

 

Mas chegar aqui não foi fácil, nos últimos dias senti bem os efeitos do mercúrio retrógrado. Uma intoxicação alimentar de surpresa na véspera de viajar, as coisas de última hora que ficaram por fazer e que me relembram o quão importante é não deixar para amanhã. Depois, um voo que se atrasou, bem mais do seria de esperar, com tudo o que isso acarreta em nós, mas em especial nas crianças e uma aterragem complicada devido ao mau tempo.

 

É quase como testar a nossa resiliência e a nossa resistência. E a prova foi superada mais uma vez. Agora, é deixar ir, sem grandes planos, porque os astros ainda não estão a nosso favor, aproveitando aquilo que vamos recebendo à nossa volta. Voltamos a Itália e eu volto a duas cidades, nas quais estive há cerca de 14 anos atrás.  Vivia em pleno espírito do Erasmus, percorria as cidades que o escasso orçamento permitia, mas em que também a vontade de ir superava tudo o resto. Regresso, agora, com dois filhos, que andam e se expressam como gente crescida, todavia eu ainda consigo ver restos da miúda daqueles tempos, cheia de sonhos e a quem a vida mostrou que se acreditarmos sempre, esses sonhos concretizam-se… mesmo que demore.

 

Se bem que eu não trocava as “peripécias” da vida para ter encontrado um caminho mais rápido. E quanto mais o tempo passa mais eu me apercebo que o melhor é deixar que tudo aconteça a seu tempo… no tempo certo para acontecerem.

 

Boa noite!