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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Responder às perguntas difíceis dos nossos filhos.

05.04.19 | Vera Dias Pinheiro

responder às perguntas difíceis dos filhos

 

Quando é que as pessoas morrem, mãe? É que eu não quero esquecer-me nunca de ti…”

Na minha cabeça formam-se as respostas, mas ao mesmo tempo sinto-me completa tonta porque nós os adultos complicamos as coisas porque racionalizamos demais. Falamos demais e perdemos a capacidade de falar directamente ao coração, perdemos no fundo a simplicidade.

Bastava eu dizer-lhe que nunca nos esquecemos das pessoas que gostamos, pois, o coração tem a memória do tamanho de um elefante.

No final, aposto que acabaríamos os dois a rir!

Pelo contrário, deixei-me ir pela emoção. Então, expliquei que não há uma idade para morrer e que, infelizmente, não se morre apenas quando ficamos muito velhinhos. Remediei o assunto, para não ficar demasiado pesado, explicado também o quão poderoso é o nosso coração e que sempre que o sentirmos apertado, podemos conversar com as pessoas de quem sentimos saudades mesmo quando elas não estão por perto.

Para além disso, pais e filhos, irmãos, avós e netos, têm uma ligação especial que não se vê mas está lá, como se estivéssemos sempre juntos!

Mas a verdade é que eu tenho 36 anos e também não quero esquercer-me da minha mãe ...portanto, eu percebo a sua angústia.

Para mim, as perguntas difíceis de uma criança não são aquelas que têm a ver com “como se fazem os bebés ou como é que eles nascem. Aqui, resumo tudo à anatomia, a sexualização é a nossa mente que assim está formatada. Mas isto, dará com certeza um outro post.

O difícil é lidar com estas emoções que começam a surgir, nesta idade, com a verbalização das mesmas. Com estes sentimentos que, nós adultos, sabemos que custam, já sabemos que as pessoas não são imortais, sabemos o que é a saudade, a tristeza e que cm o tempo fomos aprendendo a lidar com cada uma delas.

Agora, chegou a nossa vez de acompanhar os nossos filhos nessa descoberta, tal como os nossos pais fizeram connosco.

E esta parte custa, o de saber que não os podemos proteger de tudo. Percebemos que o cordão umbilical estiva um pouco e a isto, creio, chamamos de crescimento. Verdade?

Sinto que, nesta fase da minha vida, muita coisa está a acontecer. Os meus filhos estão a passar para uma nova etapa, o vicente vai começar a escola primária em setembro, a Laura a pré-escola e eu… eu olho-me no espelho e vejo uma mulher, com as devidas marcas da idade, vários cabelos brancos, algumas rugas.

É curioso como o meu padrão já não são as “miúdas” de 20 ou 30 anos. Parte da minha motivação, por exemplo quando vou ao ginásio, são aquelas senhoras mais velhas do que eu, impecáveis e que se cuidam e se exercitam diariamente. Eu já olho para a frente e penso, “quando chegar aquela idade, quero estar assim”.

Ainda assim, a aceitar o número da nossa idade a crescer e aproximar-se de um certo patamar, não é pacifico. Tenho amigas que vão entrar agora nos 40 e vejo reações diferentes, mas todas a que lá chegaram, só dizem maravilhas 😊

 

Boa noite.