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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Preciso(amos) de mudar o chip! Renovar os dias, a casa e o armário!!!

04.10.18 | Vera Dias Pinheiro

outono e renovação

 

Vamos lá por partes…. Porque eu gostava de conseguir explicar-vos a forma como eu me relaciono com a passagem do tempo. A meu ver, um pouco ansiosa demais. Talvez haja um nome para esta síndrome, mas é como se sofresse já com antecipação com a passagem do tempo com o revés de achar que não tenho tempo para tudo o que preciso fazer.

 

Para além disso e sempre que existem decisões para tomar – sejam elas mais complexas ou mais banais, como por exemplo, decidir cortar o cabelo – eu sou aquele género de pessoa que não fica a aguardar pacientemente. Tenho que resolver de imediato, de preferência para ontem. Mesmo que a pressa se vira tantas vezes contra nós. Para estar bem, tinha que resolver logo todos os problemas, como se isso significasse chegar a um ponto de tranquilidade da minha vida. No fundo, ter uma vida banalíssima sem problemas e dificuldades que, de vez em quando, pairam em cima de nós e que nos tiram o sono.

 

Posto isto, tanto fico ansiosa pelo tempo que passa rápido demais, como pelo tempo que demora a passar quando é preciso resolver algo. Difícil isto, não é?!

 

 

Depois, permitam-me que seja franca com vocês. As escolhas que, aos olhos dos outros, parecem ser perfeitas, são, no fundo, escolhas. Escolhas que fazemos em detrimento de outras coisas.

 

A escolha de ser mãe presente e de trabalhar em casa, fazendo os meus horários, permitindo aos nossos filhos ter sempre proximidade com um dos progenitores e que a vida deles seja pautada pela presença constante da família, faz com que, no dia-a-dia, eu assuma outras tarefas menos glamourosas. Em casa, eu sou igualmente muito mais presente e, sim, refiro-me exactamente a coisas como a limpeza e a organização da casa, o cuidar da roupa (a parte que eu detesto, admito!), fazer de mim o ponto central a que todos recorrem para saber (e assegurar) os eventos das escolas, os dias das actividades, que as manhãs e os finais do dia sejam minhas.  

 

Se bem que eu rezo muito para que o pai chegue sempre a horas de pelo menos estar connosco para jantar e deitar para que a minha já falta de paciência não prejudique um momento do dia em que se requer mais calma e… muita paciência.

 

 

Também é certo que aterramos sem para-quedas na terrível fase dos dois, a caminho dos três anos, a juntar a uma fase ainda delicada de adaptação à creche da Laura. E já percebi que a minha filha é aquele tipo de criança que nos vai moer o juízo para conseguir sempre aquilo que quer. Ela recorrer a todas as armas que tem ao seu alcance para nos vencer pelo cansaço, nem que seja. As dores aqui e ali, o facto de não poder andar, aquela conversa matinal de que não gosta da escola, ou que não vai comer ou que só vai um pouco ou, então, que a mãe não a vai buscar!!! Over and over!!!!

 

 

E se a isto juntarmos a esperteza que ela tem para já apanhar certas conversas e saídas, próprias de quem começou a frequentar a escola e a conviver diariamente com outras crianças… temos uma menina ainda mais fresca do que já era e com a personalidade ainda mais vincado do que já tinha… Sem contar com as explosões pós-escola resultado do cansaço.

 

Sinto-me mal - nem sei bem porquê - em vos dizer que luto para não voltar para a cama depois de os deixar na escola. Tenho dias em que só tomo banho depois dele dormirem e em que passo o dia com a roupa de ginásio.

 

Imaginem, o que é que eu farei um dia inteiro em casa para não ter tempo para tomar banho, ou para não ter o jantar pronto a horas ou a cozinha arrumada.

 

No fundo, acho que luto para conseguir fazer alguma coisa por mim. Sei lá, há dias em que o que quero mesmo é deitar-me cedo; tento ir ao ginásio como rotina; quero ler, quero informar-me e pesquisar coisas novas sobre os temas com os quais trabalho; procuro ter horários (para os outros e para mim); tento, no fundo, contrariar o tal burnout seja profissional, seja social.

 

Quero não me preocupar tanto e quero não ser tão ansiosa. Não sei para onde irei, mas sei que comecei a viver quando sai da minha zona de conforto. Quando deixei uma vida segura e tive que me fazer a vida com contornos que eu, ainda hoje, não domino a cem por cento.

 

Com tudo isso, andei a braços com algumas dificuldades em termos de saúde, talvez tenha reprimido demais o meu baby blues e talvez, por isso, quando estou mais cansada luto para me manter activa mas não entrar na espiral que se vira contra mim.

 

Se acham que é fácil a vida dos outros, não se iludam. Todos temos as nossas pedras no caminho, não é mais fácil para ninguém. É uma luta interna para nos mantermos no foco. No caminho que escolhemos e que sabemos ser o melhor.

 

Quando fico sem escrever alguns dias é precisamente por tudo isto, por toda esta bola de neve ou ciclos (altos e baixos). Depois, há um grande entrega no que escrever. A maioria das vezes são o reflexo do que sinto, dos momentos e há momentos que nos sugam toa a energia.

 

Outras vezes, apetece-me apenas estar fora dos “holofotes”. Quero apenas a vida banalíssima e permitindo somente a entrega das tarefas que todos nós temos que fazer (vá.... uns mais do que outros eheheh). A meu favor tenho o facto de me sentir muito bem na minha casa. É, sem dúvida, aquilo que me dá alento, que me faz ficar na boa entre o fazer as camas, as máquinas de roupa para fazer (e estender), o responder a e-mails, ainda com a roupa do ginásio, trabalhar com o relógio sempre por perto e o correr para ir buscar os filhos à escola e voltar a fazer tudo em loop.

 

A minha casa é o meu porto seguro. Habituei-me à desarrumação, que não consigo dominar tanto quanto queria nesta fase; ao “vai-se fazendo”, dando preferência ao balanço em equilíbrio em vez de um sacrifico.

 

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Agora, por favor, que venha daí o outono. Muito a sério, já não aguento este calor. Preciso(amos) de mudar o chip, renovar os nossos dias, a nossa casa e o nosso armário!!!

 

Afinal, eu acho que está tudo interligado, e vocês?

 

Bom Dia!