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As viagens dos Vs

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Pais & Filhos | Mãe, vamos cortar o cabelo?

25.08.15 | Vera Dias Pinheiro
Lembram-se de quando cortaram o cabelo, pela primeira vez, aos vossos filhos?

Por aqui, foi por volta dos oito meses e porque tinha mesmo que ser. Na minha opinião, não existe uma altura certa ou ideal para se cortar o cabelo, pela primeira vez, aos bebés. Tudo vai depender da quantidade que cada um tem, sem esquecer que, os bebés perdem muito cabelo nos primeiros meses de vida - alguns chegam inclusivamente a ficar sem cabelo - e essa queda só diminui entre o 6º e o 8º mês. A partir daí, e de acordo com o crescimento do cabelo de cada um, pode ser uma boa altura para nos estrearmos nestas andanças.

Das primeiras vezes, com alguma paciência - e jeito - e o assunto pode ser resolvido, em casa, por nós. Com o Vicente foi mesmo assim: sempre antes do banho, com a própria tesoura de lhe cortar as unhas e um pente fino e ali estávamos "horas" a tentar que o resultado final não fosse muito mau - e não era - durante um bom tempo não foi preciso ir com ele a um cabeleireiro - até porque, em Bruxelas, eu não me sentia com confiança para o levar a um salão, com receio da criança sair de lá com o cabelo rapado ou com um corte à máquina. 

No entanto, a partir do ano de idade - um ano e meio - começa a ficar complicado dar conta do recado, chega a uma altura em que o cabelo precisa de um corte a sério, sobretudo sendo um rapaz. No entanto, é precisamente a partir dessa idade que as coisas se começam a complicar em termos de comportamento. Se com um bebé é relativamente fácil mantê-lo sossegado e cooperante, uma vez que não se apercebe muito bem do que se está a passar e, por isso, não se assusta. Com esta idade, já não é bem assim, só entrar no salão de cabeleireiro pode ser motivo para começar a choradeira; ver uma pessoa estranha com um tesoura na mão a pedir que não se mexa, que vire a cabeça para um lado e depois para o outro; que olhe para o chão; etc, são tudo mais que bons motivos para que, nas primeiras vezes, as coisas não corram muito bem.  


E o Vicente não fugiu à regra, quer dizer, em bom rigor, apenas da primeira vez é que as coisas não correram bem: ele chorou; tanto ele como eu ficamos submersos em cabelos, que se infiltravam por todo o lado, dando um comichão danado, mas na segunda vez, e nas sucessivas, as coisas foram correndo francamente melhor - embora sempre ao meu colo e sempre colado a mim.

Mas já pensamos por que é que cortar o cabelo pode ser um drama para os mais pequenos?! Eles já são crescidos para o fazer, mas ainda muito pequenos para compreender que nada daquilo faz mal, no entanto, a verdade é que aquilo que imaginam é que cortar o cabelo dói ou que lhes vão retirar uma parte do seu corpo - e visto desta forma, até eu teria medo!

Solução: 
- Explicar-lhes o que vão fazer.
- Fazê-los sentirem-se à vontade naquele ambiente estranho, mostrando as coisas, deixando-os mexer em noutras, apresentado-o à pessoa que lhe vai cortar o cabelo.
- Passar-lhes confiança, afim de minimizar a tensão.
- Mostrar-se receptivo às suas angústias e nunca forçar a situação.


Dicas:
- Evitar que a criança esteja muito tempo à espera para cortar o cabelo no salão - pode começar a ficar impaciente, mostrando-se irritada e pouco (ou nada) colaborante na hora de cortar.
- Evitem que coincida com as alturas em que a criança esteja com fome ou com sono - isso é sinónimo de birra!
- Procuram locais onde as crianças sejam bem recebidas e onde sejam tratadas como aquilo que elas são: CRIANÇAS. Não tem que necessariamente ir a um salão específico para elas, pode ser, por exemplo, o salão da vossa rua, onde recebem o vosso filho de sorriso na cara, sem comentários do género: "vamos cortar o cabelo sossegados, não é?"; ou então, "não vieste para aqui para chorar, pois não?!", entre outras, que são o suficiente para deixarem a criança em stress
- Levem qualquer coisa que eles gostem e os que os acalme e/ou distraia.
- Brinquem, em casa, aos cabeleireiros.



Nós temos muita sorte, o Vicente corta o cabelo no mesmo sitio onde eu também vou. É um salão mesmo ao lado de casa, onde arranjam sempre um jeito de lhe cortar o cabelo sempre que lá aparecemos sem marcação. Para além disso,  quando o Vicente - ou outra criança - lá chega, é sempre recebido com um sorriso por todos e, independentemente, de estar cheio ou vazio, mudam o canal de televisão se for preciso para um de desenhos animados e até já emprestaram um ipad ao Vicente. E nunca. mas nunca sai de lá, sem o responsável do salão ver ser o corte ficou mesmo bem! E, desta última vez, tivemos o maior progresso de todos: sentou-se sozinho na cadeira para cortar! 
Não tenho dúvidas que o facto de se sentir à vontade ali, de já conhecer as pessoas e de nós conversarmos sempre muito sobre o que vamos ou não fazer, foi determinante, no Vicente, para chegarmos aqui por sua própria iniciativa. 

E o meu menino está cada vez mais crescido...