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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

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Os Vs | O balanço desta semana sem o pai!

27.11.15 | Vera Dias Pinheiro

Passar dias e até semanas sem o pai por pertonão é novidade para mim, nem tão pouco para o Vicente. Desde que ele nasceu, sempre assimfoi, primeiro só estávamos juntos aos fins-de-semana, mais tarde, quando nosjuntamos os três em Bruxelas, já eram mais os dias que passávamos juntos, massempre com muitas viagens e ausências pelo meio.

No fundo, até achávamos alguma piada à nossavida de viajantes: com os aeroportos, as viagens de carro, as malas para fazer (edesfazer), mas, sem dúvida alguma que é muito... bastante cansativo e quandoregressámos a Lisboa e recuperámos alguma estabilidade, os primeiros temposforam para desfrutar disso mesmo e arrumar as malas por uns bons tempos. Noentanto, parece que nos é destinado esta forma de viver assim um pouco atípicasem saber muito bem o que nos reserva o dia de amanhã e continuamos sempre como pai entre cá e lá.

Porém, este mês foi o mais atípico de todosdesde que chegamos, o pai passou metade cá e metade lá e a conjuntura sendooutra (a gravidez e o convívio com um toddler em fase de rebeldia) foi umverdadeiro teste à minha resistência física e mental. Se na primeira semanaainda conseguimos fazer a nossa vida normalmente e eu mantive as minhasrotinas, esta segunda semana foi passada praticamente na reserva da minha energia e nos últimosdias, as saídas de casa foram as estritamente necessárias. Quando é o nossopróprio corpo a emitir sinais de que realmente não consegue mais, é precisosaber ouvi-lo e abrandar - sem nunca realmente abrandar, pois é aí que umasegunda gravidez difere muito da primeira.

E talvez por ele próprio, o Vicente, agora que está maiscrescido, sentir a falta do pai, facto é que praticamente todos os diasdesta semana fez xixi na sesta da escola, todos os dias tive lençóis e roupa para pôr alavar. Também houve dias que foi à janela esperar o pai e ontem no banho achouque o pai estava a chegar e quis fazer a brincadeira das escondidas, como fazemos todos os dias quando pai chega a casa. Mas ele sabe onde o pai está e sabe que é normal. 

Também houve dias - muitos dias - emque saía de casa para a escola aos berros e regressava para casa aos berros,aquele som não me saia da cabeça e as minhas reacções tornavam-se fruto dostress e só quando ele me via realmente triste e chateada é que vinha pedir-medesculpa e dar um beijinho - ainda que no minuto a seguinte estivesse a fazer exactamente amesma coisa.

Valeram-me os últimos dois dias sem birras esoube-me pela vida ter o meu homenzinho pequenino a acordar-me todas as manhãs combeijinhos e a ficar enroscado comigo até termos mesmo que sair da cama. E se aofinal do dia, acabo, por vezes, muito arreliada com ele: com as birras, o maufeitio, o não querer fazer nada, os berros e os gritos... quando acordo, soudespertada para o melhor dos mundos que é o abraço e o aconchego daqueles,ainda pequeninos, braços que se prendem com a força de um crescido ao meupescoço.

Sobrevivemos, eu e ele, penso que até sabemos- e conseguimos - gerir bem estas ausências em família, mas agora precisamosque o pai regresse a casa e que ele se desmultiplique também numa fada do lar e que cuide de nós. 



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