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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Os Vs | Coisas de meninos (e não só)

16.09.15 | Vera Dias Pinheiro

Eagora…para um tema que não tem nada de conservador!

Ter uma menina -sinto eu – deve ser como ter uma continuação de nós próprias, em que tudo nos éfamiliar e as situações são e serão, mais ou menos, as mesmas pelas quais jápassamos. No entanto, ter um filho menino é ser transportada para uma realidadetotalmente diferente e, sobretudo, aprender a lidar com essa mesma realidade naperspectiva de mãe, de uma pessoa responsável por transmitir conhecimento esaber resolver as situações. E, na minha modesta opinião, apenas quando o nossobebé cresce e se torna num menino crescido, é que os verdadeiros desafios secomeçam a fazer sentir.

Está tudo bemenquanto o menino descobre os seus pés, as suas mãos, mas depois descobretambém a "pilinha"! E quando esse momento chega, a sua curiosidade éaguçada e a tendência é para explorar aquela novidade - que, afinal,até tem um formato engraçado e é facilmente alcançável. E, assim, começa-sea fase do puxar, esticar, voltar a puxar e a esticar, até perceber que existeuma relação de causa-efeito entre o mexer na "pilinha" e o factodesta ficar "grande". Ora, se para uma mãe, tudo isto é completamentenovo e diferente quando comparado com o que estava habituada - e até umbocadinho difícil de gerir - para aquele menino é apenas - e nada mais  -do que pura diversão (e, aliás, é perfeitamente normal nesta idade e faz partedo seu crescimento).
Confesso que,nestas situações, a única coisa que me ocorre é chamar o senhor meu marido naesperança que ele saiba melhor como lidar com a situação e que tenha umaconversa com o filho "de homem para homem". Um certo"constrangimento" apodera-se de mim, juntamente com alguma ausênciade reacção e, muitas vezes, limito-me a olhar, sem tentar demonstrar a minhaenorme vontade de rir!

Depois deparamoscom a questão da pele da "pilinha": afinal, devemos ou nãopuxar? A opinião dos pediatras pelos quais o Vicente já foi visto éunânime: não fazer nada! E assim tenho feito: nada!

(E sim... a mãe de um menino inevitavelmente dá por si a pensar em "pilinhas"... com alguma regularidade!)

Por outro lado, éprecisamente nesta fase, entre os 2 e os 3 anos, que as crianças em geralcomeçam a colocar os "pontos nos is", isto é, começam a categorizaras meninas de um lado e os meninos do outro, sendo que as meninas têm um"pipi" e os meninos uma "pilinha". Por aqui, digo-vos queforam algumas semanas nisto. Tanto eu como o senhor meu marido ouvíamos estaassociação com a mãe, com o pai, com a avó, etc... vezes sem conta e nas maisdiversas ocasiões.

Pois bem, todasestas situações - normais - requerem - penso eu -um comportamento, da nossa parte, o mais descontraído e natural possível. Noentanto, existem mensagens que devem começar a ser passadas. Estou a falar, porexemplo, do conceito de intimidade, deve ser explicado à criançaque não devemos ter certos comportamentos na presença de outras pessoas, que éalgo muito pessoal e que tem que guardar para si. E, depois, explicar as diferençasque existem entre os meninos e as meninas, que existem diferenças físicas eexistem coisas que não se podem fazer às meninas e outras que não se podemfazer aos meninos.

Mas é também nestaaltura que devemos ter atenção para não cair em estereótipos - mesmoque, por vezes, sejam inconscientes - entre aquilo que é ser menino eaquilo que é ser menina. A sociedade evoluiu bastante, independentementedaquilo que seja o ambiente e padrões familiares e as crenças de cada um. Omundo que hoje os espera é - e será - muito mais heterogéneo do que antes; o papel da mulher e do homem não é mais o mesmo; muitos tabuscaíram por terra; e muitas coisas que antes eram a excepção e muito poucocomuns fazem hoje parte do nosso dia-a-dia - e, sim, falo também dahomossexualidade e da evolução que houve. 

Quer queiramosquer não, esta é a realidade que nós - os pais - temos que aceitar eenfrentar: o mundo em que vivemos leva a que muitos dos nossos padrõestenham que ser revistos na hora de os passarmos aos nossos filhos. Masque isso nunca seja sinónimo de esquecer a importância dos grandes valores,nomeadamente o do respeito pelo outro. Da mesma forma que nunca nos devemosesquecer que grande parte da aprendizagem da criança é feita com base naimitação dos comportamentos que observa.

Porém - ecolocando agora de parte estas questões mais sérias - ser mãe de umrapaz é também enfrentar a dura realidade de ver roupa espalhada por todo olado, de ouvir gritos, de assistir a brincadeiras tontas, onde os saltos, osempurrões e os choques são o mais frequente. Afinal, talvez exista mesmo algode genético nos rapazes, que já nasce com eles e que faz de nós eternaslutadoras a tentar mudar os homens. :)



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