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Os Pais | A responsabilidade de serem "O" exemplo a seguir

04.08.15 | Vera Dias Pinheiro

Quando digo que ter filhos representa a oportunidade que a vida nos dá de sermos melhores enquanto seres humanos, isso torna-se bastante real quando assumimos que somos o exemplo para eles 24 horas por dia. Se pensarmos bem, os pais são a primeira referência comportamental que as crianças têm, é deles que copiam a forma de andar e de falar, como também as atitudes e os hábitos de vida!

Se a responsabilidade em ser pai e/ou mãe já era grande, enquanto responsável pela vida de um ser humano, acabado de chegar ao mundo, quando realizamos que somos igualmente o modelo a seguir para eles, aí, precisamente aí, essa responsabilidade torna-se assustadora. A tendência será, à partida, para tentarmos controlar e premeditar as nossas atitudes e as nossas palavras - tornamo-nos uns autênticos robôzinhos atentos a tudo! Mas será que deve ser mesmo assim? Não será preferível que os nossos filhos nos vejam como nós realmente somos? Que como qualquer outro ser humano também erramos, mas que, nessas alturas, sabemos assumir o nosso erro e conseguimos pedir desculpa, se for caso disso?

Recuando à minha infância, recordo que ouvia, muitas vezes, o meu pai dizer-me: "Faz o que eu digo e não faças o que faço!" e se, com todo o respeito que tive - e tenho - por ele, à medida que ia crescendo e ia ouvindo sempre aquela mesma frase, as coisas não faziam sentido na minha cabeça. Porque haveria ele de me pedir a perfeição, quando aquilo que via à minha frente, era precisamente o oposto?!

Ser pai e/ou ser mãe é muito mais do que saber debitar os grandes valores da humanidade e saber dizer o que está certo ou errado; ser pai e/ou ser mãe é ser o exemplo, é ver os nossos filhos crescerem, formarem a sua personalidade e tornarem-se adultos responsáveis, a partir do exemplo dos seus pais e daquilo que era hábito verem nas suas casas.

Eu não posso ensinar ao Vicente que se deve atravessar na passadeira, alertando para todos os perigos que existem caso não o faço, se ele me vê fazer o contrário. E, às vezes, bem que pode custar ter que dar uma volta maior para o fazer, mas faço! Eu não posso dizer ao Vicente que não deve, em momento algum, tirar o cinto de segurança (mania que teve durante um bom tempo e que muito me irritava), se me vê a fazer o contrário! E o mesmo acontece com os gritos; com as palavras feias; com tudo!

E, com a idade do Vicente, eu já sou bem capaz de ouvir uma "repreensão" quando faço alguma coisa fora daquilo que lhe ensino! Por exemplo, já vou avisada que andava a falar muito alto (e com razão e eu pedi-lhe desculpa); que tinha posto o carro a trabalhar e não tinha ainda o cinto de segurança (ok! de um completo avesso ao uso do dito, ele passou a obcecado e não pára de dizer que é perigoso andar sem cinto!); etc... E, digo-vos com toda a sinceridade, são estes momentos que me fazem pensar em mim, no Vicente e na verdadeira importância que tem o nosso papel enquanto educadores!

Na minha opinião, só sendo verdadeiros e transparentes, é que nós conseguimos manter-nos ligados aos valores que estão presentes no nosso dia-a-dia e que, de forma natural e, por vezes, inconsciente os passamos aos nossos filhos! As crianças são muito observadoras, mais do que imaginamos, e é muitas vezes nessa observação que fazem de nós, em silêncio, sem nos apercebermos que ela captam as informações que lhes passamos, seja em coisas tão simples como aquilo que comemos, os hábitos que temos, desporto ou hobbies! Quando tratamos bem as pessoas que nos são queridas e quando somos educados com os desconhecidos é, dessa forma, que os nossos filhos recebem a informação de que esta é a forma como as pessoas devem ser tratadas.

É justamente neste caminho - o de sermos verdadeiros e conscientes de que somos também aprendizes - que vamos crescendo e melhorando como pai e/ou mãe e, no fundo, como pessoas. Ajustando, conhecendo e mudando sempre que for necessário.