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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

O que eu entendo (e aprendi) sobre as pessoas felizes!

19.02.19 | Vera Dias Pinheiro

praia de montegordo, algarve

 

Digam o que disseram, aquilo que aprendi foi que apenas podemos ser bons para os outros quando nos amamos a nós próprios em primeiro lugar. E pegando nisto e em algumas trocas de mensagens com seguidoras a propósito do meu post de ontem, eu hoje consigo ter a destreza mental para perceber que, na minha fase pior, eu era uma “shit” de pessoa. Sentia-me revoltada com tudo, com os outros, mas sobretudo comigo. Sentia-me a pior pessoa no mundo e tudo o que de mal de diziam, atingia-me que nem um raio!

Naquela altura, sim, o efeito era o desejado: eu ficava mal e reagia de acordo com os sentimentos negativos que tinha dentro de mim.

 

Portanto, houve momentos em que eu não soube estar à altura, hoje, olhando para trás, acho mesmo que não tive a capacidade de ser amiga, mulher, companheira... e só não digo mãe porque foram eles que me transformaram e que deram sentido à minha vida. De alguma forma, foram os meus filhos, cada uma à sua vez e com o seu papel, que contribuíram para que a minha vida ganhasse uma outra forma. Afinal, haviam pessoas a depender literalmente de mim, não dava para não estar presente, para não estar foçada ou ser 100% capaz de desempenhar o meu papel.

Os meus filhos foram o rastilho para que eu procurasse novamente os bons sentimentos dentro de mim, para me cuidasse de mim e gostasse de mim.

 

Foi assim que comecei a olhar mais para dentro, que comecei a apanhar os cacos e tentar montar alguma coisa com sentido e perceber o que era bom e o que precisava ser trabalhado. Se foi fácil?! Não! Foi duro! Chorei muito nos primeiros dois anos de vida do Vicente, ou seja, no período em que vivi em Bruxelas, que foi óptimo. Ainda assim, foi a minha maior provação pessoal… e essa também a tempo inteiro.

Na vida de expatriados, uma das coisas boas – e más – é que só podemos contar connosco para tudo. No caso, erámos três pessoas que dependiam inteiramente umas das outras, eu não podia cruzar os braços. É muito exigente, sobretudo porque não existem as ajudas, contudo, é aí que o caminho interior se abre, numa descoberta dura, todavia – e a seu tempo – cada vez mais recompensadora.

E, neste sentido, naturalmente que hoje estou muito mais próxima da pessoa que eu acredito ser. Descobrir que tenho um bom fundo, fiz as pazes com o espelho, aprendia a não me deixar ficar para trás, a não ter medo e assumir as minhas qualidades e a ter uma opinião. Contudo, sem tudo aquilo que ficou traz, estar hoje neste patamar teria sido impossível. Foi necessário todo aquele sofrimento para que as feridas fossem saradas e, consequentemente, fosse possível virar páginas na minha vida.

Todavia, quem é o “louco” que quer sofrer? Ninguém quer, certo? Temos todos muitos medos dessa fase de “escuridão”, contudo, a alternativa é como que passar ao lado da nossa própria vida, tocando as coisas ao de leve para não sofrer. Fugimos a olhar com grande profundidade para dentro de nós e, como tal, tentamos passar o menos tempo possível sozinhos.

 

Afinal, aquilo que queremos é estar bem, estar bem o máximo de tempo possível. Eu também quero, mas quero ainda mais estar nisto – a vida – a sério, sem abdicar dos meus sonhos, nutrindo quem sou para conseguir aproximar aqueles que estão ao meu redor.

 

Boa noite!

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