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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

O papel do Pai [para que não se esqueça como é especial]

19.03.16 | Vera Dias Pinheiro

dia do pai

 
Falar em ser mãe parece sempre mais fácil, mais instintivo ou até mais natural. Tornar-se pai pode não ser instantâneo e não vem definitivamente com um manual de instruções - ser mãe também não, mas é um bocadinho diferente. O homem tenta encontrar o seu lugar num novo papel, o papel do pai, para ele totalmente desconhecido, quando percebe que vai ser pai.
 
 
O desafio começa logo por tentar perceber o que são aquelas mudanças todas que a sua mulher vai sentido a partir do momento em que fica grávida. Perceber que realmente existe um fenómeno hormonal capaz de nos fazer mudar de estado de espírito e de humor, de vontades e de opiniões, em poucos segundos, não é de certeza uma tarefa fácil. Tal como não deve ser fácil estar no papel de acompanhante da sua mulher no momento em que está a parir, perceber o que ela espera dele, tentar ler sinais, tentar decifrar o que ela pode estar a precisar, se é o momento de dar a mão,  de lhe dizer para respirar, ou então, se será oportuno dizer-lhe que está tudo bem; também é preciso ter poder de encaixe, nomeadamente para as palavras menos simpáticas que podem surgir; e, claro, aguentar ver o sofrimento da sua mulher ao trazer ao mundo aquela vida tão importante para os dois. Encontrar-se, no meio de tudo isto, não deve ser uma tarefa nada fácil.
 
 
Depois, o passo seguinte é conectar-se com o seu filho, perceber onde se pode encaixar ao ver a sua mulher a proteger imediatamente a sua cria, a alimentá-la e viver aqueles primeiros tempos tão intensamente e, muitas vezes, o pai não sabe qual é o seu papel, o que é esperado dele, qual o momento em que deve interferir. Mas a vontade é tanta em SER PAI, tal como a da mulher em SER MÃE. Afinal, é um filho a dois, um filho igualmente amado pelo seu pai, tal como pela sua mãe.
 
 
Eu sou uma verdadeira mãe coruja, sou daquelas mulheres a quem custou muito ver aquele ser que passou tanto tempo dentro dela, de repente passar a ser de tanta gente. Levei tempo a fazer o meu desapego e isso, de certa forma, intimidou o nosso pai, a distância a que vivíamos também não ajudou. E durante algum tempo a falta de confiança e, por conseguinte, o receio em poder não estar à altura de algo que seria exigido ao pai, fez que, em certos momentos, até achasse que o Vicente pudesse gostar mais de mim do que dele. No entanto, eu, mesmo sendo uma mãe coruja assumida, sabia que não era assim. Eu sinto e percebo que o pai e a mãe têm lugares distintos e igualmente amados no coração dos seus filhos, sei que não deve existir jamais uma disputa, mas sim uma partilha entre os dois.
 
 
Seremos sempre os melhores pais (e mães), sempre que colocarmos o nosso amor em tudo aquilo que fazemos - não fazemos sempre tudo certo, não, nem o pai, nem a mãe... Mas juntos somos a referência dos nossos filhos, é para nós que eles olham em primeiro lugar em busca de um exemplo, de uma solução, de um incentivo...
 
 
E a verdade é que o pai tem um papel fundamental e, muitas vezes, tem que ser ele a assumir o papel de "comandante das tropas". Nos primeiros dias a seguir ao nascimento do Vicente, em que eu não me conseguia mexer, foi o nosso pai que fez tudo: deu banho, desengasgou, vestiu, andou a correr atrás dos enfermeiros enquanto eu pedia mais comprimidos para as dores; foi sempre ele que andou à minha frente - de certeza que muitas vezes, sem saber o que fazer, mas fez, fez porque esse é o instinto que existe dentro de um pai, que sabe é preciso tomar uma decisão.
 
 
Uma mãe pode fazer tudo, no entanto, nunca vai conseguir assumir o papel de referência do pai. E nenhum homem deveria abdicar de assumir realmente esse papel junto dos seus filhos. Há coisas que só ele pode ensinar. O pai faz falta sim! O pai não traz um filho ao mundo, nem pode amamentar, mas poderá ser o seu exemplo e motivo de orgulho ao longo de uma vida inteira.
 
 
Feliz Dia do Pai a TODOS os pais!
 
E para o nosso pai, um agradecimento ainda mais especial - um pai que eu sei está ansioso por descobrir o que é ser pai de uma menina, a sua, tal como eu sei que ele adora, cada vez mais, a cumplicidade e a relação que tem vindo a desenvolver com o seu "companheirinho". E, se por algum motivo, por algum dia, puderes (sequer) achar que estás a fazer tudo mal, lembrar-te somente da alegria e da felicidade com que o Vicente corre para a porta assim que te vê chegar a casa ao final do dia, a gritar: "PAPÁ!!!!"