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Mudar de casa: levar tudo ou destralhar a fundo antes da mudança?

21.06.19 | Vera Dias Pinheiro

destralhar a casa

 

É uma boa questão e que, aliás, vocês mesmas me colocaram. No entanto, para mim a resposta é simples: destralhar (sempre!) antes de qualquer mudança. E avanço logo com a minha justificação: não encher a casa nova, uma espécie de tábua rasa cheia de potencial para boas energias, com objectos e coisas das quais não precisamos, as vezes, lixo mesmo (porque não temos coragem para deitar fora) ou outras coisas que vamos guardando sem qualquer sentido, por exemplo, lembrei-me agora dos cabos, fios e carregadores enfiados numa caixa sem qualquer tipo de utilização.

 

Portanto, alguns meses antes da mudança, comecei a remexer em todas as divisões da casa com o objectivo claro e praticamente implacável de apenas levar o essencial para a casa nova. O que não é uma tarefa fácil, diga-se de passagem. Esta “moda” do minimalismo, que eu defendo e tento aplicar ao máximo na minha vida, vem combater uma outra moda completamente oposta: o de acumular muita coisa. Vivemos praticamente com o sentido da necessidade e do consumo muito activo.

 

Contudo, na hora de me desfazer das coisas, eu já não fico sentimentalista e nem sou muito apegada às coisas. É fácil desfazer do que não preciso e, acima de tudo, tenho muita facilidade (e gosto) em dar, seja a amigas, pessoas conhecidas e, claro, aos “meus meninos" da Escolinha de Rubgy de São João da Talha.

 E desde que mudamos para esta nossa última casa, eu já fiz um esforço enorme para me focar no essencial, não pretendemos encher a casa de móveis, nem encher com demasiados “bibelôs”, nem levar connosco as coisas das quais não precisávamos. Mas o ser humano acumula e tem uma tendência exagerada para não se limitar a ter uma única coisa ou, então, vamos fazendo o up grade, mas mantendo o antigo lá num canto escondido do armário.

Enfim, de qualquer das formas, fazer uma mudança de casa é sempre um processo duro e, ao mesmo tempo, assustador, porque é sempre uma surpresa a quantidade de coisas que temos em casa, dá um trabalho imenso e, no final, as coisas pequeninas tornam-se um autêntico inferno na nossa vida.

Portanto, pela minha experiência: se mudam de casa, aproveitem para irem mais leves! Canalizem a oportunidade para se “desapegarem” das coisas que não vos fazem falta.

 

Mas vamos por partes para não darmos em doidas, afinal, precisamos canalizar a nossa energia para a mudança em si propriamente dita.

  • Por onde começar?

Eu selecciono o tipo de itens e divisão da casa. Faço uma separação entre o que fica, o que é lixo e o que é para dar.

Crianças

  • Brinquedos:
  1. Comecei por tirar todos os brinquedos que já estávamos fora da faixa etária dos dois e com os quais eles já não brincavam;
  2. Retirar jogos e brinquedos partidos ou nos quais faltam peças assim como objectos perdidos ao acaso.
  • Roupa:

Vistoria a toda a roupa, perceber o que ainda vestem ou não, o que já não está em condições para ser usado (e aproveitar para perceber se precisam de alguma coisa, porque estamos em entrar em época de saldos).

Cozinha/Despensa:

Aqui foi o meu inferno! Foi a divisão da casa que ficou para último e que me custou mais. Ainda assim, quando me mentalizei e já sob pressão da empresa de mudanças em casa:

  1. Loiça lascada ou com similar;
  2. Pequenos eletrodomésticos ou utensílios que nós simplesmente não usávamos ou sequer precisávamos realmente;
  3. Tachos, frigideiras e panelas… é aproveitar para deitar fora, por exemplo, aquela frigideira gasta que continuamos a aguardar sem saber muito bem o porquê, pois os ovos mexidos até ficam sempre agarrados no fundo.
  4. Sacos, saquinhos, bolsas, sacos termicos, aquelas coisas que somos capazes de 20 de cada e que rebemos e compramos também por nossa iníciativa, nas promoções do supermercado a achar que pode vir a dar jeito.

Foi este tipo de coisas que eu pus logo de lado.

  • Nas minhas coisas pessoais, foi basicamente o mesmo!

 

E sem saber explicar muito bem como, foi fácil livrar-me de mais algum excesso de coisas, sem remorsos ou sequer pena. Talvez por se tratar daquelas situações limite na nossa vida, mais extremistas, em que é preciso tomar decisões.

E, para além disso, uma casa nova, para mim, tem sempre esta coisa especial de recomeçar do zero e de podermos imputar à nossa casa e, por extensão, à nossa vida, uma nova energia, mais limpa e focada no que é realmente essencial.

 

Acreditem que, quanto mais mudamos, mais necessidade temos de ter menos coisas e, sobretudo, pensamos muito na necessidade de adquirir algo extra que não seja para cumprir uma função especifica, do género, a estante para guardar livros, os cestos para arrumar os fracos na cozinha, sei lá, coisas deste tipo.

 

Portanto, esta parte do “largar coisas” dá-me até algum prazer, a mim, pois para quem vive comigo, pode dar algum medo. 😉