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“Mãe, os peixes também dormem?” | Diário de um peixe #7

26.02.19 | Vera Dias Pinheiro

peixe de água salgada

 

Vicente: “Mãe, os peixes também dormem?”

Eu: “Sim.”

Vicente: “Mas dormem de olhos fechados como nós?”

Eu: “Não filho, dormem de olhos abertos.”

Vicente: “Então, se calhar dormem escondidos nas pedras para não verem a luz!”

Eu: “Sim, é verdade que alguns peixes fazem autênticas caminhas para dormir.”

 

Esta foi a pergunta que o Vicente me incumbiu de levar até à Tropical Marine Centre (TMC). Esta temática dos hábitos dos peixinhos é algo que intrigou o Vicente desde o primeiro momento em que adquirimos o nosso aquário. E a mim, foram muitas as dúvidas e as perguntas que surgiram desde que adquirimos o nosso aquário de água salgada. E foi precisamente a partir da pergunta do Vicente que comecei a minha conversa com o André Corga, um dos responsáveis da TMC.

andré corga, Tropical Marine Center

 

Os peixes são talvez dos mistérios do reino dos animais de estimação mais difíceis de decifrar. Por um lado, “sou do tempo” em que nós, enquanto crianças, pedíamos peixes aos nossos pais e queríamos ter um aquário em casa, por outro, era o animal mais difícil de manter, aquele que morria com mais rapidez.

Neste sentido, conseguir falar com a Tropical Marine Centre foi sinónimo de descobrir um mundo novo e de perceber que efectivamente a maioria de nós, que procura apenas ter um peixe de estimação, não percebe nada do assunto, nem tão pouco os mínimos para garantir a sobrevivência dos animais.

Disclamer:

A Tropical Marine Centre é um fornecedor, deste modo, junto deles é possível “beber informação” acerca da aquariofilia de água salgada e é, acima de tudo, um exemplo de práticas muito respeitadoras dos peixinhos. O mesmo acontece com as lojas especializadas que trabalham com a TMC (que podem encontrar no site da própria TMC), que são nos devemos dirigir, ou através de mensagens nas redes sociais ou site também.

 

Os peixinhos de água salgada, em particular, são uma parcela muito pequena dentro daquilo que é a aquariofilia e ainda mais complexo é perceber que o importante é ter a curiosidade para saber quem são os fornecedores que levam os peixes até às lojas, porque esse é um factor muito importante. Não só nos diz muito acerca da potencial longevidade do peixe, como ainda das normas de cuidado e segurança que são tidas a priori na captura dos animais no seu habitat.

Neste sentido, sabiam que existem duas formas de trazer os animais da sua origem, dos países tropicais?

  1. Importação local: Os peixes são preparados na origem e enviados para um fornecedor no país de destino, onde os animais são aclimatizados, quarentenados quando necessário e alimentados. Apenas quando estão em perfeitas condições são disponibilizados para que as lojas os possam comprar.
  2. Transhipping: um fornecedor sem instalações de manutenção de animais, recebe os pedidos, organiza grupos e passa os pedidos directamente à origem. Estes animais são imediatamente enviados para a a loja muitas vezes sem passar por uma aclimatação ou quarentena.E este foi, sem dúvida, o ponto da nossa conversa que mais captou o meu interesse e sobre o qual eu quis saber mais.

 

Sem dúvida que a TMC tem tido um importante papel na dinamização das melhores práticas para a captura destes peixes, assim como no seu transporte. E o reflexo desse trabalho acaba por ser a baixa taxa de mortalidade que regista. Mas como é que isso é possível?Por exemplo, com uma pessoa destacada para viajar pelo mundo, visitando todos os produtores com os quais a TMC trabalha - Não nos esqueçamos de que estamos a falar, muitas vezes, de países de terceiro mundo e de pessoas sem capacidade, quer financeiras quer de know-how que, mesmo querendo fazer o melhor, não são capazes sem ajuda.

É essa ajuda que a TMC presta, pois é a única forma de garantir que o produto final tem qualidade. Afinal, não haverá nada mais frustrante do que fazer todo um investimento num aquário, meter lá os peixinhos e eles morrerem daqui a pouco tempo. Certo?...

Realmente, são questões que nos deixam a pensar em todo o “mito” de que os peixes não duram nada!

 

Asseguro-vos que aquilo que tenho aprendido, ao longo desta experiência, é que, independentemente do animal de estimação, há uma responsabilidade da nossa parte em procurar a informação certa, em querer saber mais para conseguirmos ter os conhecimentos que assegurem o cuidado diário com os animais. Desta forma, o nosso papel é realmente procurar ajuda e informação especializada em vez de nos acomodarmos no lugar comum de que os peixes, e falando neste caso em particular, não duram muito!

É que, além de tudo, é realmente uma ideia desfasada e que se prende tão somente com a escassez da informação e porque a aquariofilia encontra-se ainda muito confinada no âmbito daqueles que praticam este hobby – um hobby que é também só por si muito recente.

No fundo, tudo se resume a tratarmos bem os nossos animais, vê-los crescer e participar nessa evolução. E os peixes são um animal de estimação como qualquer outro, no caso, o único animal de estimação possível de termos em casa.

 

E se, no geral, ainda há muito para aprender sobre este hobby, na aquariofilia de água salgada o desconhecimento é ainda maior. Na verdade, ao contrário do que pensamos, é bastante fácil de ter em casa, a manutenção é acessível e, se estivermos preocupados com uma questão de espaço, é perfeitamente possível ter um aquário de água salgada a partir dos 30 litros.

No fundo, com um pouco de investimento inicial e um pouco de trabalho – porém, não mais do que as rotinas normais para quem tem um animal de estimação - é possível ter um aquário de água salgada em casa.

A título de curiosidade, o André tem em sua casa um casal de peixes-palhaço com cerca de 18 anos.

 

E vemos a paixão genuína e verdadeira de quem trabalha por respeito e amor aos animais, quando são capazes de nos passar esse excitamento e essa vontade de termos também um peixe de água salgada. Mas o que gostaria de referir aqui é que, a relação com os peixes também existe e é natural, a preocupação surge e nunca olhei para o nosso aquário como mais uma peça de decoração da sala. Fico muito feliz por perceber que crescem, que andam desinibidos e que são bem tratados.

 

Toda a nova aventura com os peixinho de estimação:

Diário de um Peixe Ep.6 | A nossa melhor aquisição de 2018

Diário de um Peixe Ep.5 | Os erros de principiante

Diário de um Peixe Ep.4 | Os cuidados que exigem de nós

Diário de um Peixe Ep.3 | Os primeiros tempos e a habituação

Diário de um Peixe Ep.2 | O porquê de um peixe para animal de estimação

Diário de um Peixe Ep.1 | A chegada dos novos amigos

 

 

*Quero deixo um agradecimento especial à Tropical Marine Centre pelo apoio e por ter possibilitado a escrita deste artigo.