Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Haverá um momento certo para receber um irmão?

05.07.16 | Vera Dias Pinheiro
irmãos + amor de irmãos + diferença de idades entre irmãos + quando ter o segundo filho + preparar o filho mais velho para a chegada do irmão

Não tinha uma ideiaconcreta de quando seria mãe pela primeira vez, embora soubesse que, havendocondições para tal, gostava de ser mãe cedo - epor cedo, entenda-se, um pouco antes dos 30 anos (e acabei por ser mãe pelaprimeira vez aos 29 anos). Conseguirdar um irmão a esse meu primeiro filho era também uma vontade e um desejo, poiseu sempre soube que não teria um filho único, pois independentemente da relaçãoque exista entre ambos, acho importante haver este elo de irmãos. Idealmente,queria que fossem irmãos com idades muito próximas, para mim o ideal seriam osdois anos - o Vicente e aLaura acabaram por três anos de diferença, e, sim, não é o fim do mundo, foi sómais um bocadinho de espera. Mas,talvez a minha experiência com a minha irmã, de quem tenho cinco anos dediferença e com quem nunca tive uma grande cumplicidade, me tenha marcado.Afinal, estivemos sempre em fases de crescimento opostas, algo que só seatenuou numa fase mais adulta.

Acho que, quantomais cedo o nosso filho único tiver na sua vida um irmão, mais natural se tornao facto de o seu espaço ser divido com mais alguém. As memórias que terá dotempo em que era filho único acabam por não existir. E acho ainda que maisfacilmente, conseguiremos atenuar os possíveis efeitos que a chegada de umirmão acarreta: o sentimento de falta de atenção, a aceitação da partilha,entre outras coisas. E depois, quanto mais novo for o nosso filho mais velho,acho que menos tendência teremos para o rotular como: o mano crescido; o filhomais velho, e inconscientemente estarmos a passar uma responsabilidade para eleque ele não merece, pois continua a ser uma criança e a ter comportamentos decriança. Não podemos esperar que, de um dia para o outro, ele saiba o que écuidar de um bebé ou, até mesmo, que lhe seja confiada a enormeresponsabilidade de tomar conta de um.

Eu olho para oVicente e, embora as birras me tirem do sério, tenho consciência de que eu nãoposso exigir mais dele do que a forma como ele próprio tem reagido a todas asmudanças. Com o tempo, noto que começa a haver uma grande vontade em brincarcom a irmã - tenho queexplicar muito bem que a mana é ainda um bebé e que é muito frágil - noto que lhe custa perceber por queé que adormecemos a irmã e a ele não (mesmo que isso já não fosse preciso hámuito, muito tempo); que é muito importante dar-lhe a mão, enquanto empurro ocarrinho da irmã; e que para ele é difícil entender (e aceitar) que agora eulhe peça para esperar ou que eu não consigo dar de mamar e jogar à bola aomesmo tempo, por exemplo. 

Ter um irmão temque ser uma coisa boa, leve e feliz (pelo menos, na maioria das vezes), nãoquero que o Vicente sinta que o estamos a sacrificar e que, de repente, nãopossa fazer alguma coisa, "por causa" da irmã. Muito pelo contrário,as idades próximas têm a grande vantagem de permitir que ambos se acompanhemnos mesmos programas, nas mesmas actividades e até que falem uma mesmalinguagem entre eles. Acho que assim, se torna mais fácil aceitar presença do outro e olhar para ele como uma coisa boa na sua vida, semdemasiados melodramatismospelo meio.

No entanto,acredito igualmente que existam tantas outras vantagens quando se tem filhoscom uma maior diferença de idades. Acho que ter um irmão ou irmã, é sempre umacto de amor e o melhor presente que podemos dar aos nossos filhos.

P.s: Depois escrevereium outro post sobre o lado dos pais, dado que aí já nem sempre é assim tão levee feliz! Eheheheh :)