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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Fugir daquilo que é o mais fácil

14.10.16 | Vera Dias Pinheiro

Não tenho dois filhos iguais, como acredito que ninguém terá. Também não queria ter dois filhos iguais, senão onde estaria a graça? No entanto, a verdade é que nos acomodamos habituamos às coisas boas do primeiro filho - as menos boas esquecemos - e que inconscientemente achamos que com o segundo também vai ser igual e também inconscientemente vamos ter tendência para compará-los. Nem que seja porque as pessoas à nossa volta gostam muito de perguntar como eram as coisas com o irmão ou irmã mais velho - mas nós sabemos que isso não é possível, pois já dentro da nossa barriga os comportamentos mostram as personalidades distintas de cada um. 
É um bocadinho como as parecenças. Há, desde cedo, uma necessidade enorme de "catalogar" o bebé e de associá-lo ou ao pai ou à mãe - quando não chega ao tetra-avô,ao tio de um prima, etc... São tudo coisas que fazemos "sem intenção" mas, no fundo, comentários ou perguntas deste género, por mais ingénuas que sejam, acabam por condicionar as próprias crianças.

A Laura é, em muitas coisas diferente do irmão: numas coisas, é mais difícil - não dorme uma noite inteira e é "chatinha" para adormecer - e noutras, mais fácil - por exemplo, é perfeitamente possível fazer uma viagem com ela de carro, sem ficarmos com os ouvidos dormentes. 

Ora, cair no comum erro da comparação entre os filhos é limitar-nos na nossa capacidade como pais, pois não nos permite olhar para cada filho à luz daquilo que ele realmente representa e, desta forma, encontrar as respostas certas para cada um e para dar a volta a determinadas situações. Eu sei que a Laura precisa dormir - tal como o irmão na idade dela - no entanto, tenho que perceber que ela, ao contrário do irmão, tem que se adaptar a toda uma logística que já existia, precisamente porque não é filha única. Não posso "culpar" a miúda pelas birras gigantescas na hora de dormir se à tarde, por exemplo. quando ela quer descansar, eu estou a pegar nela, pois temos que ir buscar o Vicente à escola e, claro, depois é impossível que adormeça com ele por perto.  

Também não posso/podemos cair no comum erro da comparação quando se trata das habilidades que aprendem e quando as aprendem: quando se sentam pela primeira vez, quando rebolam, quando dizem a primeira palavra e, por aí a fora. Para além de - e repito - cada bebé ser um bebé, as capacidades são aprendidas também de acordo com o meio ambiente em que se inserem. A Laura ainda não se senta - o Vicente por esta altura já se sentava -  mas com ele havia toda uma dedicação exclusiva a ensinar-lhe as coisas, muito tempo só para ele e, com a Laura já não é assim, mas tenho quase a certeza que muito provavelmente ela irá falar mais cedo que o irmão, tal são os estímulos à sua volta. Ou então, até não!

Eu acredito piamente que o nosso trabalho enquanto pais, fica mais fácil se nos desprendermos de todas essas coisas e nos concentrarmos em cada filho e tentarmos responder às necessidades de cada um; se respeitarmos as diferenças entre eles; se celebrarmos as vitórias e as conquistas de cada um de forma sempre genuína e, sobretudo, se os deixarmos ser quem eles realmente são!

Fica a nota mental para continuarmos as nossas noites atribuladas com muita calma e paciência! :)

Boa noite!