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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Fim-de-semana... passaste e eu mal dei por ti!

19.11.17 | Vera Dias Pinheiro

 

Tenho saudades dos tempos em estar em casa era sinónimo de descansar e de realmente usufruir dela sem ser com coisas para fazer. Noutros tempos, estar em casa era sinónimo de, entre outras coisas, sentar-me no sofá, ver um filme, ter tempo para mim ou, mesmo agora, que tenho filhos, sentir que estou em casa para aproveitar o que isso tem de bom, que é sentirmo-nos no nosso ninho e aproveitar a companhia uns dos outros.

 

Mas não, contrariamente a tudo isso, ficar em casa quer dizer que estamos a precisar de tempo, que não temos durante a semana, para fazer alguma coisa. Regra geral, decidimos ficar em casa porque queremos pôr em marcha algumas tarefas que fomos deixando acumular ainda que, mesmo ingenuamente, achamos que fazemos isso somente nos intervalos das outras coisas. Não é verdade! Assim que metemos na cabeça que queremos fazer determinadas coisas, só descansamos quando as damos por terminadas.

 

Este mês de Novembro tem sido particularmente exigente, felizmente tem sido um mês de muitos desbloqueios - que podemos encarar como muito bom sinal - no entanto, tem sido tudo à conta de muito suar e até de algumas lágrimas. E embora as semanas passem a voar, está a ser um mês demasiado longo. O tempo voa, mas o dia 30 nunca mais chega!

 

Por isso, os fins-de-semana têm sido um misto entre o querer aproveitar e a necessidade de descansar. Durante a semana não dá para fazer rigorosamente mais nada para além do essencial. E se no sábado, acabamos por passar o dia todo fora, hoje optamos por ficar em casa e nem por isso posso dizer que foi um domingo relaxante.

 

No sábado começamos o dia com o pequeno-almoço de Natal da Lego, no Hotel Fortaleza do Guincho. E, na verdade, nem que fosse na China, se envolve Lego, nós temos que arranjar forma de conseguir ir. É brincadeira preferida do Vicente e também da Laura. No menu desse pequeno-almoço, o “lego à descrição” era realmente o “prato” mais apetecível por todos.


Contudo, valeu a ida até ao Guincho, para onde vou tão poucas vezes, para ver o mar e sentir este sol ainda tão forte de Novembro a bater-nos no rosto. Comemos ainda um bom peixe num dos restaurantes dali, com vista para o oceano e antes de regressar a casa. Regressar não foi bem assim. Tive que fazer mais um reforço de roupa para o Vicente e para a Laura - este ano está a sair-me caro em roupa, pois é tipo “ano zero" para ambos. Não viemos embora sem antes apanhar um belo susto com a Laura, que não sei que voltas deu, mas caiu do sofá onde estava sentada, direta ao chão e com um aparato à nossa volta que me fez sentir a pior mãe do mundo e arredores ao ter deixado que tal tivesse acontecido. Em segundos, enquanto pai e filho tinham ido a casa de banho e sem que me fosse possível travar a queda, já ela estava no chão, aos berros e com a testa já a inchar. Valeu-me a perspicácia de uma mãe que me ofereceu imediatamente o stick de arnica – e se essa mãe me estiver a ler, mais uma vez obrigada <3

 

E uma pessoa que é mãe e que tem coração de mãe passa o resto do tempo a remoer-se por dentro e numa pilha de nervos sem explicação. Eu sei! Acontece, é normal! Eu sei disso tudo!

 

E hoje - domingo - supostamente íamos passar o dia todo por aqui, entre a nossa casa e o parque aqui do lado. Não estava a contar, claro, que tivesse que acordar às 6h20 da manhã com o Vicente a dizer que tinha feito xixi na cama - chega o inverno e lá voltamos nós aos descuidos - a partir daí nem ele nem eu dormimos mais. E por muito que lhe dissesse "vicente, a mãe ainda está a dormir, a mãe não está a conseguir sequer abrir os olhos" isso não valia de nada. Continuava a pedir as suas coisas insistentemente. Ainda fomos ao parque, brincaram, regressamos a casa, almoçaram, a Laura dormiu a sesta e o vicente ligado á corrente - numa versão completamente oposta à minha.

 

Meti na cabeça que me faria bem arrumar os armários e as gavetas do meu quarto, na tentativa de encontrar alguma boa disposição tendo um ambiente à minha volta organizado e clean. Parei à pouco, mas já com menos peso nas costas e muito contente com o resultado. Sobrou tempo para fazer um lego em conjunto com o Vicente quando a minha ideia era termos passado o dia a fazer mais coisas juntos e menos nos deveres.

 

Se me tivessem avisado que a vida adulta seria assim, juro que teria pensado duas vezes na hipótese de crescer e fazer parte dela ou não! Supostamente deveria ter mais tempo, mas a verdade é que ando literalmente a correr de um lado para o outro e como se isso não bastasse, os dias passam a voar! Sinto saudades desse tempo de qualidade em casa, de sentir que me sento sem ter que levantar minutos a seguir, sem ter alguém a chamar por mim, sem ouvir o aviso sonoro da máquina de lavar roupa a avisar que terminou ou de ter que arrumar ou apanhar alguma coisa do chão.

 

Actualmente ter um dia para não fazer nada é sinónimo de ignorar todo um conjunto de coisas, algumas delas bastante irritantes. Por exemplo, de fazer labirintos pela casa e ignorar tudo o que fica espalhado pelo chão, de contrariar o instinto para não começar a fazer uma tarefa que vai consumir logo uma ou duas horas do meu tempo... enfim!

 

Foi um fim-de-semana bom. Mas lá está, digo isto porque sinto que risquei algumas coisas da minha to do list e não tanto porque aproveitei o tempo que tinha idealizado em família.

 

E o vosso fim-de-semana, como foi? Preparados para mais uma semana? :)

 

Boa noite.