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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Doses of calm : Não devemos lutar contra os factos!

18.07.19 | Vera Dias Pinheiro

doses of calm

 

Não vou ao ginásio há mais de um mês, como também já não faço as minhas massagens drenantes. E ainda que a nossa casa tenha escadas, o meu exercício diário tem sido basicamente correr atrás do Vicente e da Laura e correr atrás dos pedidos e das necessidades e das tarefas domésticas.

 

Neste sentido e só para que tenham uma pequena ideia do estado da pessoa, ontem acabei de arrumar a cozinha do jantar com a sensação de, muito em breve, já ali estava de novo para preparar o pequeno-almoço. Realmente, é essa a sensação que tenho: de dormir depressinha entre uma tarefa e outra.

 

Portanto, a massa muscular que tanta luta me deu para ganhar, já se foi há muito e os glúteos já disseram adeus assim como a tonificação da barriga que, como se não bastasse, ainda teve direito a uma episiotomia. Tudo certo!

 

Há dois dias que, entre brincadeiras “parvas” (não têm outro nome) típicas de crianças e na picardia entre eles, a Laura acaba por fazer xixi no chão, ora do quarto ora das escadas. Da mesma forma que, em dois dias e devido às mesmas brincadeiras “parvas”, os meus dois filhos já caíram das escadas. Imaginem o susto!

 

Para além disso, em todos os espaços da casa conseguem ter brinquedos espalhados, mas o pior mesmo nem é isso. O pior mesmo é encontrar, em cada cesto ou mala ou caixa, mais não sei quantos bonecos, peças de lego, carros e outras coisas, como se os brinquedos sofressem do milagre da multiplicação.

 

Consegui, nestas poucas semanas, encontrar quem me ajude com a limpeza da casa e com o passar a ferro, ainda assim já perdi a conta às refeições, aos lanches e às idas ao supermercado que faço todas as semanas para alimentar “apenas” duas crianças pequenas.

 

A parte disso, a roupa que, numa família de quatro, mais parece haver roupa de 20. Entre as nódoas da sopa e das tintas das canetas, e das quedas na rua e das brincadeiras no parque, são pilhas de roupa para lavar, secar, dobrar e arrumar – e eu não passo a roupa, disse eu logo no início.

 

Também não limpo a casa – como já disse - mas já perdi a contas às vezes que varri e apanhei migalhas do chão, que arrumo e desarrumo a máquina da loiça, que faço camas e apanho coisas várias espalhadas e não me posso esquecer de regar as plantas.

 

Entretanto, é nestas alturas que penso, sorte a dos peixinhos que foram adoptados, pois eu não sei como seria encaixar um animal de estimação a exigir também ele cuidados nesta fase.

 

Já nesta correria, não me posso esquecer de que tenho duas crianças de férias e, como tal, aumenta-se o ritmo dessa correria para conseguir encaixar as saídas e os programas para eles sem esquecer o lanche, a água, os chapéus e negociar a quantidade absurda de brinquedos que a Laura quer levar sempre para a rua, o carrinho do bebé (dela), a trotinete e o carrinho dela mesmo porque daí a segundos já está a dizer que está cansada.

E mesmo assim, inevitavelmente, acabo sempre por ter que a carregar a ela e às coisas dela.

 

Entre os bocadinhos de tempo que mal sobram tento encaixar o trabalho, mas com a sensação (nada boa) de que estou a deixar muita coisa para traz e não quero e nem posso. Mas lá se escolhem umas actividades para eles por perto de mim e eu lá vou tentando eliminar algum item da minha lista (já longa) de coisas para fazer.

 

Estamos a dias de visitar Portugal e passar por lá alguns dias de férias e eu ainda nem consegui ter a roupa toda em dia da mudança. Enquanto isso, eu já estou a pensar nas malas para fazer.

 

E neste rol já longo de lamúrias do dia-a-dia, desculpem lá, mas essa coisa de que nós não nos podemos queixar não faz grande sentido, porque a alternativa é passarmos todos a fingir que temos as vidas perfeitas. Mas como ia eu a dizer, tive que, pela primeira vez, tomar uma decisão importante e por isso irei fazer uma paragem para dar apoio a alguém muito importante que precisa muito de apoio numa fase difícil. Ou seja, vou ter que abdicar das minhas férias de verão e eles vão com o pai. É o que tem que ser feito!

 

Ainda não fui à praia este ano e não vejo isso a acontecer tão cedo. Estou pálida, magra e com cabelos brancos. Felizmente tive tempo de fazer o botox e das rugas não me posso queixar, mas bolas... se é isto a vida adulta, eu voltava bem para o útero da minha mãe e ficava por lá uns tempos até me recompor.

 

Aquilo que vejo à minha frente é um turbilhão de coisas a acontecer, algumas eu simplesmente não controlo, e eu a escalar para não ficar para trás, aliás, para ficar à frente porque é aí que eu preciso estar.

 

E nisto, passa-se o mês de agosto num instante e em setembro temos o choque (novamente) do regresso à escola: tudo novo, amigos, espaço e língua.

 

Respiro fundo e deixo ir, não há hipótese!