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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Como fazem a distribuição do vosso tempo?

27.06.18 | Vera Dias Pinheiro

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Faço uma pausa em Monsaraz para vos dizer como me sinto nesta fase da maternidade. Escrevia que viva uma fase de cruzeiro, é verdade, mas sinto, ao mesmo tempo, que o meu tempo com eles é incompatível com qualquer outra coisa. Tenho a impressão que o meu tempo vai reduzindo significativamente à medida que os meus filhos vão crescendo. Torna-se cada vez mais difícil, por exemplo, fazer as mesmas coisas de sempre, que normalmente fazia sozinha, sem ajuda, ou, então, para conseguir que o dia-a-dia corra normalmente tenho que fechar os olhos a outras, que normalmente não acontecei. Por exemplo, habituar-me que nem sempre consigo arrumar tudo o que é desarrumado num dia, que para fazer umas coisas, tenho que deixar outras para trás, que é importante saber escolher as prioridades e parar com essa mania da perfeição, porque sinceramente ninguém quer saber disso, tão pouco os nossos filhos que ansiam sempre por mais atenção, mais cuidado, mais dedicação… mais de tudo.

A atenção que exigem é maior e mais constante e, se antes, eu ia de fim-de-semana ou de férias, e levava o computador, conseguindo dar um jeito para conciliar tudo. Actualmente isso é uma tarefa praticamente impossível. Aliás, eu já nem penso nisso para não sentir a pressão de mais um lado e ter aquele sentimento (injusto) de frustração por não estar a conseguir fazer as coisas. Sobretudo se estivermos a falar de dois ou três dias, como o fim-de-semana que passamos em Monsaraz, em que a intensidade com que se vivem os dias, não deixa tempo para nada mais. Todas as atenções são para eles.

E será que precisa mesmo de outra forma? Será que precisamos mesmo de andar sempre com a nossa atenção difusa em vários pontos ao mesmo tempo?

Ao mesmo tempo, difícil explicar, pois eu pensava que seria precisamente o contrário. Para mim, um bebé representaria toda a nossa dedicação e atenção. E sim, é verdade, mas agora não me sobra tempo para nada e sinto que há sempre alguém à espera que eu faça alguma coisa, que eu responda a uma pergunta, que eu trate do lanche, da roupa, que brinque, que conversa, que explique, que avise, que tenha atenção ao que estão a fazer e a forma como se estão a comportar e quando dou por mim, estamos já no final do dia ou, então. passou-se um fim-de-semana inteiro. Fim-de-semana esse que tudo o que eu tinha de lado para fazer, continua no mesmo sítio, sem que eu sequer tivesse tido oportunidade de lhe chegar perto.

E talvez não tenha que se de outra forma, talvez o tempo em família tenha que ser realmente para a família. Talvez tudo o resto possa esperar quando tenho a oportunidade de estar com os nossos. Talvez a pressa esteja do lado errado, a pressa tem que ser no sentido de nos fazer aproximar da família e dos filhos, dos momentos de lazer que, no fundo, nos permitem ter energia para enfrentar tudo o resto. Talvez seja bom pararmos para pensar um pouco como são vividos os nossos dias, de que forma distribuímos o nosso tempo e de que forma usufruímos do tempo que temos para nós e para a família. Talvez haja uma certa pressão para nos desviar do que é verdadeiramente essencial na nossa vida, talvez tudo o resto seja um meio para… e não o inverso. Talvez, não é verdade?

Boa noite!