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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Até quando vão adormecer os vossos filhos?

07.10.18 | Vera Dias Pinheiro

adormecer os filhos

 

 

É, e não é, um assunto polémico. Na minha opinião, é demasiado pessoal e íntimo a cada família. Tem a ver com tantas particularidades de cada um, que, na minha opinião, julgar um pai ou uma mãe por tomar determinadas decisões, é totalmente injusto. Especialmente, sendo o sono um assunto tão importante e basilar para o equilíbrio de todos nós.

 

Por aqui, já tivemos diferentes fases, desde a mais privilegiada (e desejado) por todos, até aos momentos de privação do sono e, agora, parece que estamos reféns dos nossos filhos, a partir de, certa hora do dia. Por fase privilegiada entenda-se que tive um filho que bastava colocar na cama, aconchegar e que adormecia por ele. E foi sempre assim: adormecia cedo e havia tempo para tudo, para os pais, para as coisas do pais e era um importante equilíbrio de todos.

 

Depois, chegou a Laura e com a amamentação nocturna e a carência de sono, rendemo-nos ao co-sleeping como única alternativa para que se descansasse o mais possível durante a noite. Foi um ano de privação do sono, algo que eu não desejo a ninguém!!! Foi uma fase muito boa da maternidade, mas bati no fundo com a incapacidade de dar a volta a tantas noites seguidas (e acumuladas) sem dormir decentemente. Neste processo, o Vicente também mostrou a sua carência (de pai e mãe) e passou a exigir companhia para adormecer.

 

Assim, durante este período, pai e mãe adormeciam, cada um, com um filho, até ao dia seguinte. Não era sistema, especialmente com o fim da amamentação, com o quarto partilhado e a necessidade de se encontrar uma rotina de família que permitisse o tal equílibro.

 

A nova solução foi mudar a cama, permitindo adormecer os dois no mesmo quarto, do jeito que cada um queria e, na esperança, que se habituassem um ao outro. Uma parte estava resolvida. Contudo, continuou, e continua, a faltar uma outra muito importante: a do equilíbrio dos pais. É natural que ceda e adormeça os meus filhos, mas quando isso significa que, todos os dias, o pai ou mãe terminam os seus dias invariavelmente às 20h30, começa a faltar alguma coisa.

 

O Vicente adormece super-rápido, mas a Laura pode levar horas e, nessas horas, vamos perdendo a resistência e quando damos por nós, só acordamos com o despertador do dia seguinte. Para trás, ficaram coisas por fazer, seja da casa, seja da nossa vida, seja até do importante tempo para que o casal converse sobre as coisas do dia-a-dia. E os dias passam-se e vamos remoendo cada vez mais neste assunto e até deixando que uma certa contrariedade se instale.

 

Aguardei pacientemente pela entrada da Laura na escola. Queria ver como é que ela se adaptava à sesta, sem ninguém por perto ou em exclusivo para ela. É também uma das coisas mais complicadas e aquela que ela refere não gostar. O "mimir na escola” não é fixe. Porém, lá se vai habituando a adormecer sem a presença de alguém mesmo ali ao lado, pode acontecer que haja outro menino ou menina a chorar e ela tem que conseguir adormecer sozinha.

 

De certa forma, espero conseguir apanhar a onda e fazer com que, à noite, as coisas, a seu tempo, se vão alterando e que deixemos de sentir que vivemos numa espécie de prisão -é que, ao mesmo tempo, é injusto para eles. Mas, desde sempre, que foi importante haver esta separação, no sentido, em que seria possível desligar a ficha da maternidade a partir do momento em que deitássemos os filhos. Que fosse possível ligar outro chip e aproveitar o que resta daquele dia.

 

Não está a acontecer e isso foi algo que fragilizou a nossa família. De alguma forma interfere com o nosso bem-estar. Damos o nosso melhor, mas… percebem?

 

Com a entrada na escola e com, de alguma forma, uma maior maturidade por parte da Laura, quero, aos poucos, ir aproveitando a oportunidade para que percebem que está tudo bem e que não precisam dormir todas as noites com a mãe. Contudo, acho que é um momento tão importante que não consigo tê-los a chorar. Por isso, vai ser um processo lento, mas consistente, espero eu. Sem retrocessos e com muitos progressos. Fazer este “desmame” não é fácil, fazê-los compreender que não estão a ser abandonados também, até porque, quando aparecem na cama a meio da noite, são acolhidos sempre!

 

Entro e saio do quarto, levam mais tempo a adormecer os dois, sento-me na ponta da cama. E repito vezes sem conta este processo. Faço-me de forte, perco a paciência, respiro fundo, peço-lhes compreensão e tranquilizo-os de que continuam a ser os maiores amores da minha vida.

 

Todavia, se tiverem dicas, partilhem! Estariam a contribuir muito para o bem-estar desta família neste momento, que nos deixa a todos já reticentes e, pior, a ver quem é se escapa ao exilio naquela noite!

 

Obrigada!

 

 

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