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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

As noites, por aqui, continuam a ser um problema!

17.01.19 | Vera Dias Pinheiro

as noites difíceis dos filhos

 

 

Não são as noites propriamente ditas, é, sim, o adormecer. Um processo difícil para todos, com tudo o que de menos bom isso implica. Estaria a mentir se, entretanto, vos dissesse que tinha encontrado a “receita milagrosa”. Longe disso, parece que, com a Laura, nada funciona, a não ser a sua vontade intransigente e cheia de teimosia.

 

Passa uma hora, passam duas e, às vezes mais, até que ela adormeça. Tentamos várias coisas, contudo ela consegue sempre inventar mais umas quantas para resistir. A fome, a sede, o cocó, o xixi, o brinquedo, a dor de barriga, uma dor numa parte incerta, a comichão, a vontade de ir para a cama da mãe… às vezes, chega a enfiar na sua cama todos os brinquedos que consegue, ao ponto de ter que nos vir chamar, a seguir, para tirar as coisas, pois já nem sequer consegue ter um espaço para se deitar.

 

Levanta-se, senta-se, deita-se. E repete-se tudo isto vezes sem conta. Ou tantas vezes até nos fazer perder a cabeça. Ignoramos, chamos à atenção, explicamos como é importante dormir, pedimos que fique em silêncio por causa do irmão, que já dorme. Vamos, ficamos e voltamos a sair. Ficamos e ela brinca, rebola, refila, geme. Ficaria por aqui horas a explicar-vos tudo o que acontece naquele tempo até que finalmente adormeça.

 

É cansativo, continua a ser desesperante e a tocar no nosso botão que acciona a irritabilidade e a falta de paciência. Respiramos fundo! Ao fim de alguns minutos em silêncio, começamos a respirar de alívio. Todavia, ainda não é desta, ainda se houve a música do boneco, que já nos irrita só de olhar para ele.

 

É assim todas as noites, mesmo aquelas em que não dorme a sesta à tarde. Não fazemos uma festa, nem celebramos quando adormece bem uma ou duas noites (ou até três) seguidas. Pois, invariavelmente, este cenário volta a repetir-se.

 

No entanto, eu acredito que possa ser uma fase e que, embora, claramente não tenha os padrões de sono semelhantes aos do irmão, com o tempo ela vai acalmar, ou, pelo menos, será mais fácil a comunicação e fazê-la perceber que, mesmo sem sono, tem que ficar deitada até que o sono chegue. Dormir é importante!

 

Resumindo e concluindo, não vale a pena deitarmos foguetes e levantarmos as mãos ao céu por termos um filho tão bonzinho. O segundo, o terceiro, podem vir e mudar tudo. Podem vir acabar com o vosso sossego e retirar qualquer tipo de “bom senso" às vossas teorias acerca dos filhos e da maternidade em si. Podem dar por vocês, completamente a zeros, sem saber o que fazer ou como lidar, exactamente nas mesmas situações, mas um outro filho.

 

Já recorri ao "Spray Anti-Monstros", ao leite morno, ao leite normo com mel, à história, ao Anjinho da Guarda, aos beijnhos, às palavras ditas em surdina... Já ignorei, já mandei um berro, já ameaçei também, vejam só... Ainda assim, o que resulta mesmo é manter-me serena, ignorar, mais do que valorizar, certas chamadas de atenção. Ser clara e directa na hora de dormir e, por fim, rezar para que seja o mais rápido e tranquilo possível.