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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Afinal, o que é que vocês gostam de ler aqui?

23.11.17 | Vera Dias Pinheiro

Há um ano atrás estava eu sob a adrenalina de me ter despedido. Uma loucura, um salto para o desconhecido e para o incerto. A verdade é que, na prática, não havia exactamente um plano B. A única segurança era só mesmo a força com que eu me agarrei a tudo o que estava a sentir e como, fisicamente, o meu próprio corpo estava a rejeitar tudo aquilo. Mas independentemente disso, tive - e tenho - também os meus receios. Tenho principalmente medo de me arrepender - agora cada vez menos, mas acho que é mesmo o pior sentimento que podemos ter após uma grande decisão que tenhamos tomado.


As nossas crenças e a nossa espiritualidade nem sempre têm a força suficiente para nos fazer romper com todos os paradigmas sociais pré-instituídos. Mas aquilo que a minha espiritualidade me diz é quando queremos muito uma coisa e o universo nos coloca perante a escolha, devemos aceitar. E que se assim for, o universo fará o resto. Com a grande recompensa de alcançarmos um estado de felicidade connosco próprios que talvez nunca antes tenhamos conhecido.


Começar uma vida do zero, fora da zona de conforto e sem qualquer segurança não é fácil. Já escrevi aqui que não fiz propriamente o trabalho de casa, não preparei muito bem esta coisa de criar o meu próprio emprego, de como aprender a vender a minha imagem e a valorizar o meu trabalho - pois mais ninguém o fará por mim. No fundo, tudo aquilo que eu faço é quase aprendido na hora, e tudo fruto de uma enorme vontade de vencer e de me realizar profissionalmente numa área da qual eu realmente gosto. E também de muitas horas de sono sacrificadas em busca desse tal conhecimento.


Neste último ano aprendi muito, sem dúvida. E nem tudo o que fiz, fiz da forma mais correcta, mas tudo aquilo que alcancei deixa-me orgulhosa. Olhar para trás e ver de onde vim, que foi tudo conquistado por mim, sem nunca passar por cima de ninguém e com integridade e respeito pelos outros, é de uma grande satisfação.


Porém, no último ano, percebi que ser freelancer é um trabalho solitário e a sua energia, inspiração e criatividade se vai buscar nas mais variadas coisas. Uma delas é, sem dúvida, às pessoas das quais nos fazemos rodear. É importante saber que não vamos agradar a toda a gente, da mesma forma que não nos interessa estar próximo de toda a gente. Alias, há pessoas verdadeiramente tóxicas que, muitas vezes, sem sabermos bem porquê, nos deixam em baixo, irritadas ou até mesmo frustradas.


Procuro estar com pessoas com as quais eu sinto que estou a aprender alguma coisa, que tenham histórias inspiradoras para contar, que de alguma forma representem um pouco daquilo que eu procuro ser. No fundo, procuro que o efeito sobre mim seja positivo e que me preencham o espirito - em vez de me deixarem vazia.


Nas semanas em que passo mais tempo sozinha ou em que não me cruzo com pessoas assim, é mais difícil escrever. Às vezes, dou por mim horas nos grupos dos quais faço parte, simplesmente a ver as partilhas, a observar os comportamentos, a sentir os problemas, as inquietações, as alegrias dos outros. Na realidade, procuro sentir aquilo que os outros sentem.


Também me é mais difícil escrever quando passo mais tempo em casa, porque efectivamente é preciso para conseguir escrever, responder a e-mails, etc, etc.. Mas falta-me o "ar puro", o observar do que se passa à minha volta, o simples deambular na rua e ver pessoas. Descobrir sítios novos, comer uma coisa diferente, visitar um museu ou simplesmente passear.


E, depois, há momentos em que a nossa vida pessoal está cheinha de coisinhas que nos tiram o sono, que nos dão trabalho para resolver, que nos absorvem por completo. Nesses momentos, “cadê” a inspiração para escrever? E eu agora estou assim, num ciclo que está prestes, prestes a terminar - finalmente!


E também não podemos esquecer o factor tempo (meteorológico), dias como o de hoje que parecem vir carregados de uma energia meio estranha que nos deita abaixo, nos deixa melancólicos e esquisitos.


Sinceramente, às vezes, não sei bem o que escrever, ando com as ideias demasiados soltas, uma para cada lado! Tenho uma série de coisas a resolver até ao dia 30 deste mês e, como tal, tenho uma sensação qualquer de bloqueio. Quero que os dias passem a voar e que esse dia chegue logo.


E vocês, onde é que se inspiram? Onde é que vão renovar as vossas energias? Ou isto é uma coisa só minha?


E, já agora,  afinal, o que é vos traz aqui todos os dias? :)


 

Boa noite!