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As viagens dos Vs

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A Vida Não Pára: Sê Resiliente… E Pragmática!

05.08.19 | Vera Dias Pinheiro

regressar a casa

 


(Finamente) Em casa!

 

Estamos em Bruxelas há mais ou menos um mês e esta é já, sem dúvida, a nossa casa. Não me perguntem como é que isso se faz, porque eu não sei. Talvez, ter trazido as nossas coisas ajuda, ou talvez, foi ter tido a sorte de encontrar “a” casa, aquela que estava destinada para nós. Não faço ideia, o que eu sei é que regressamos agora de férias e sentimos todos que estávamos a regressa à nossa casa com tudo o que essa sensação tem de boa.  



Contudo, após a viagem atribulada - os atrasos, o cancelamento do voo, passar uma noite num hotel sem nada para além da roupa do corpo, o cansaço e outros imprevistos - regresso uma pessoa diferente. Confesso que ainda não percebo bem a dimensão de tudo o que está a acontecer e que aconteceu na semana que passou, todavia mexeu bem cá dentro de mim. Há quem diga que sou de aço, porém o que eu acho é que encontrei uma serenidade para aceitar as dificuldades que antes não tinha. E falo abertamente sobre isso, perguntem à minha mãe. 



Antes vivia tudo intensamente, especialmente as injustiças. Bloqueava no “porquê eu!”, na revolta e na injustiça. E, com isso, criava um muro à minha volta. Recusava-me a aceitar a realidade, foi assim com a separação dos meus pais e outras quantas histórias após esse momento. 

Pensando bem e olhando para o passado, talvez tenha tudo feito parte do processo, o processo de crescimento. Primeiro a revolta; depois a aprendizagem e, por fim, alcançar o estado a seguir, isto se aprendermos a lição. 



Eu levei anos a aprender, na minha juventude achava que tudo o que me acontecia era uma tremenda injustiça, pois tudo travava e bloqueava um momento tão importante como o começar de uma vida adulta: fim da faculdade, início de carreira e o sonho ter que dar lugar ao prático: trabalhar para ganhar dinheiro e pagar as minhas contas e, se possível, permitir-me jantar fora uma vez ou outra, beber um copo com os amigos ou ir ao cinema.



Entretanto, os anos foram passando e eu fui levando a vida sempre até à próxima provação. Até que houve um dia em que fiz diferente: travei a revolta e escolhi enfrentar e resolver o problema. E, no final, tudo se resolveu por bem (para mim) e em tempo recorde. Foi, então, que pensei que talvez não fosse assim tão difícil.

Contudo, quando vivemos uma fase boa ou, pelo menos, tranquila, sentimo-nos confortáveis, sussurramos aquele “ufa” para nós mesmas. Mas a vida lá sabe o que faz e há sempre uma forma nova de nos colocar à prova.



Da bagagem trouxe a serenidade: ok! Aceito e sigo em frente. Agora quando sentes que a vida que está a brindar com uma situação completamente anti-natura e fora de tudo, uma pessoa fica tipo barata tonta sem conseguir perceber como é que chegamos até aqui. Hoje, eu (ainda) penso muitas vezes que não vou ser capaz, que é completamente fora de tudo pedirem-me tal coisa.

 


Mas a vida não pára, disseram-me! E a verdade é que a vida adulta exige que sejamos pragmáticos e racionais. No fundo, é aprender a viver com uma objectividade para a qual não vimos preparados, pois somos feitos de sentimentos e emoções. Mas é assim e não há volta a dar.

 

Por isso, regressei a Bruxelas, à nossa casa lutando contra o meu sentimento de culpa por estar longe de quem precisa, por ter que delegar os cuidados a outra pessoa, por ter que me concentrar na minha família que começa nos meus filhos e que precisam muito de mim e vão precisar ainda mais.

 

A vida é pragmática e objectiva, mas o ser humano não é e eu só espero conseguir andar pelo meio-termo. Porém, se conseguir sossegar a minha cabeça num lugar só já dou graças a Deus.  

 

Boa semana!

 

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