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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

A minha sorte por ter desse lado pessoas tão boas! Obrigada!

04.06.19 | Vera Dias Pinheiro

emigrar com crianças

 

É normal termos altos e baixos na nossa vida! Todos temos fases em que progredimos e em que sentimos que estamos a crescer e outras, pelo contrário, que parece que não vamos a lado algum. Contudo, para mim, o pior é sentir que não tenho nada de diferente para dar, talvez pela minha própria saturação do que consumo diariamente.

São fases importantes por mais que nos sintamos desanimados. É nestes momentos que devemos continuar sem baixar os braços por mais que pensemos, será este o caminho?

 

Pois bem, era um pouco assim que eu própria me vinha a sentir nos últimos meses, mais concretamente, desde o final do ano e contrariamente ao que muitas faziam, perguntando ao seu público o que esperavam delas e dos seus conteúdos, eu não estava a conseguir. Para outras tinha chegado o seu momento de crescimento, com projectos e ideias muito boas, a identidade e a certeza da mensagem que queriam passar. E vi coisas muito bonitas a acontecer. Mas eu não estava aí.

 

Sentia-me à deriva, sem a capacidade para vos perguntar o que queriam com medo de não conseguir corresponder. Talvez e, coincidência ou não, é desde o fim do ano que a mudança para Bruxelas tem vindo a ser planeada, com mil cuidados, a escolha de escolas, de casa, organizar os timings, encaixar as viagens, gerir os sentimentos e as emoções dos meninos, as burocracias e a própria mudança em si!

 

Talvez tivesse sido mais fácil tendo partilhado e vocês acompanhado, mais ou menos em tempo real, mas até aqui as minhas prioridades eram a minha família, o Vicente e a Laura. Era conseguir a melhor escola, uma casa confortável, tentar que eles não percam nada de cá, mas ainda assim que não caiam de para-quedas na nova vida, nomeadamente na vida escolar. Depois, tudo isto iria assumir uma dimensão real, com as perguntas e as curiosidades normais e eu não estaria preparada para tal ainda.

 

Portanto, tenho vivido com um certo nó na garganta, alguma indefinição quanto ao meu futuro, porque se para vocês eu sou a Vera, para as marcas somos apenas um número, que tem que obrigatoriamente crescer grandiosamente e eu também não sei quão grandiosa eu quero ser, se quero estar constantemente a pressionar a minha persona virtual. E também não era aí que eu estava ou estou, porque o que eu tenho para vos dar neste momento é maioritariamente isto: esta nossa vivência, a mudança e tudo o que daí a advém.

Ando meia perdida, ou melhor, com o tempo muito contado nestes dias, em que todos os minutos que sobram são aproveitados para arrumar alguma coisa, para preparar a festa de finalistas e, em bom rigor, já vivo entre Bruxelas e Lisboa há alguns meses.

 

E, assim, esclarecido todo o contexto, as vossas mensagens ente ontem e hoje lembraram do porquê de tudo isto, de como começou e de há realmente um sentido nos conteúdos e nas partilhas. Senti que uma pessoa que não conheço e que não me conheço a mim, leu o meu post de ontem e que chorou por ter sentido que uma pessoa próxima vai para longe. Ou que se emocionou, porque eu estive presente numa fase difícil da sua vida ou por ter ajudado a ultrapassar o estigma da mãe a tempo inteiro.

 

Foram tantas as coisas que li e que mexem muito comigo, sabem? Sinto uma enorme responsabilidade porque eu ligo-me a pessoas de verdade, que se dão e dão-se a uma pessoa desconhecida, eu! E, no meio das emoções que já se vivem à flor da pele, as lágrimas caíram e o coração cresceu, afinal, há qualquer coisa que faço com sentido e com sentido para quem está desse lado.

 

Nunca vos disso, vocês não estavam aqui em 2013, quando este blog nasceu, mas foi ele que me manteve à tona muitas vezes, foi uma catarse, fez-me sentir acompanhada. Sei quem foi a primeira pessoa a interagir comigo, uma seguida portuguesa a viver (ainda) em Bruxelas, na altura gostava de ver as coisas bonitas que eu partilhava sobre a cidade e o país ao qual ela chegava também com um filho pequeno. E hoje são tantas de vós com quem troco mensagens regularmente sobre tantos assuntos e curiosidades.

 

Ontem senti o vosso carinho tão genuíno e sincero e foi o suficiente para me levantar para cima, para me dar seguranças nas minhas incertezas e para hoje ter tido mais motivação para pega no meu projecto e continuar a acreditar nele além-fronteiras.  

 

Disseram muitas vezes que sou uma mãe-coragem. Sim, tenho muita coragem dentro de mim, mas, por vezes, pessoa como eu sentem-se sozinhas nesta forma de levar a vida, tão certa em determinadas coisas e tão desprendida de outras, se é que me entendem…

Ainda assim, houve uma seguidora que se disponibilizou para me fazer terapia à distância – e sei que falava a sério - caso eu venha a precisar. Portanto, eu vou, mas, desta vez, vou com todas vocês a meu lado e não estarei sozinha.

 

Obrigada. Mesmo.