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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

A (minha) liberdade, que devia ser um direito de todos os pais!

09.04.19 | Vera Dias Pinheiro

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Se, quando estamos em casa, falamos da facilidade com que ficamos assoberbadas com o nosso trabalho, os recados dos outros para “quando tivermos tempo”, as tarefas de casa e todas as outras pequenas coisas que vão aparecendo diariamente, é também importante referir a rapidez com que vamos à escola buscar um dos nossos filhos, seja a que hora for, porque nos ligam inesperadamente a avisar que está com 39 de febre.

Se, no dia-a-dia, nos debatemos pela gestão de horários, pela rotina e organização do tempo que parece muito, mas que, no fundo, dá para meia dúzia de coisas, temos uma liberdade que faz com que, nos dias seguintes, se for necessário, fiquemos com eles em casa, só regressando à escola quando o “bicho” passar.

Eu chamo-lhe liberdade, mas a verdade é que deveria ser um direito de todos os pais. Um direito sem penalização no vencimento no final do mês e nem represálias por termos os filhos doentes.

 

É uma liberdade que protege igualmente as nossas crianças, e as dos outros, de adoecerem, de se banalizar a toma de medicamentos, de os expor aos vírus quando estão debilitados – ou de expor os filhos dos outros aos vírus dos nossos.

A liberdade de lhes poder dar o melhor medicamento do mundo – o do amor e do mimo, o da atenção e do carinho – dando-lhes o nosso tempo, o tempo mais bem investido que podemos ter. Nesta liberdade, a cura não se apressa, as horas não contam e os dias de assistência à família não têm limites.

 

Claro que há uma vida que fica em suspenso, claro que altera a rotina e, como tal, destabiliza um pouco aquela normalidade dos dias. Porém, gerimos apenas o nosso stress e a nossa preocupação, que, como pais, estamos sujeitos a estas doenças que não são graves, mas que precisam, à mesma, de cuidados.

Hoje foi assim, uma febre que apareceu do nada – e que do nada deverá desaparecer – fez com que passássemos todos (o Vicente incluído pois calhou ter a aula de judo cancelada) a tarde em casa, enrolados no sofá, entre mimos, beijinhos e pedidos especiais.

 

O Vicente teve uma dose de mimo de mãe extra e a Laura teve o melhor remédio de todos, a atenção e os cuidados da mãe. E eu? Eu agradeci silenciosamente, uma vez mais, a minha liberdade e a forma como isso se reflecte no meu papel de mãe.

Amanhã ainda não sei como será. Porém, e por uma questão de segurança, mantem-se a agenda em branco sem saídas ou combinações, se calhar também não irei ao ginásio, paciência, daremos o litro nos restantes dias, se calhar, vou voltar a ter a casa no caos, porém tenho a liberdade que devia ser um direito e, infelizmente, não o é!

Gerir uma família, os filhos, ser profissional, eficiente e mostrar aos outros que isso é possível, havendo a tal liberdade, ainda é um processo! A sociedade formatou-nos para dar prioridade a tudo o resto e gerir o essencial como der…

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