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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

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A integração na escola: os receios, os sentimentos e as vossas partilhas!

06.09.18 | Vera Dias Pinheiro

entrada na creche

 

 

Neste processo de integração na escola acabo por me debater sempre com uma série de dúvidas. Se, por um lado, sou eu que melhor conheço os meus filhos, personalidade, hábitos, desenvolvimentos, sentimentos, etc… Por outro, são os profissionais educativos que têm as competências para avaliar uma criança em cada fase do seu crescimento. Apesar disso, como em tudo, existem exceções e nem sempre apenas a idade pode servir de indicador.

 

Neste processo de entrada da Laura tenho sido surpreendida com muitas coisas que vão muito além da questão da separação que, nestas idades mais avançadas, tem um reflexo gigante. O facto de terem já a completa percepção do que está a acontecer acentua o medo da separação, mas o choro é a única arma que têm para se expressar. Portanto, imaginem... E senti exactamente o mesmo com o Vicente, que foi praticamente com a mesma idade da irmã para escola. Havia choro todas as manhãs, porém, quando o ia buscar, encontrava um menino alegre e feliz. Completamente integrado nas brincadeiras.  Com a Laura aquilo que mais me tem inquietado o coração, é precisamente ver que a minha filha não é ela, que depois de passar o choro, ela fica na dela e que quando a vou buscar é nítido o alívio que sente.

 

São poucos dias, eu sei disso, mas conheço a Laura. Eu conheço os seus comportamentos, sei de que forma ela interage com outras crianças, sei o que ela gosta de conviver e de brincar. Sei os estímulos que o irmão lhe tem passado e sei também que ao seu redor, as crianças com as quais mais convive, são mais velhas. Como tal, a Laura é uma menina despachada, até independente e que, há muito tempo, mostrava muito interesse em ir para a escola.

 

Nunca se intimidou na escola do irmão, sempre teve curiosidade pelos meninos e inclusivamente pedia para lá ficar. Também fui dar com ela um dia a ir para a casa de banho e sentar-se na sanita para fazer xixi. No primeiro dia de escola, sei que ela ficou muito desiludida por não ir para o mesmo edifício do irmão e por ficar na creche. Numa sala com meninos mais novos que ela, outros de idade próxima, sinto que ela está ali deslocada. E isso inquieta-me!

 

Porém, durante estes dias, em que tenho partilhado este início escolar da Laura menos fácil, pelo Instastories, tenho recebido muitas mensagens de outras mães e tenho percebido que tudo pode acontecer. Tudo mesmo!

 

Aliás, tenho ouvido mães que estão a passar pelo mesmo devido ao período mais longo de férias. O tempo a mais com os pais nesse período faz com que agora seja novamente mais difícil a separação.

 

Depois, existem diferentes tipos de reações. Temos os bebés que não choram, mas que todos os dias, de manhã, resistem em ficar.

 

Outras mães desabafam que andam nessa adaptação há muito tempo (dois anos, disse uma). Neste caso em particular, a menina, que tem agora a idade da Laura, foi para a creche com 5 meses e meio e nunca gostou. Chega a ter fases mesmo complicadas que deixam a mãe de coração partido.

 

Existem igualmente, meninos e meninas que, como a Laura, apenas entram mais tarde, alguns já directamente para a pré-escola. Nestes casos, o choro da separação também era abundante. Uma mãe chegou inclusivamente a perguntar ao filho o que se passava, se havia alguma coisa da qual ele não gostava. A resposta foi simples e directa: “gosto dos amigos, da professora e da escola. Gosto de brincar, mas fico com muitas saudades da mãe.”

 

Na entrada para a creche também existem duas possibilidades. Há quem opte pela adaptação progressiva e há quem faça logo o horário normal. Uma seguidora, na mesma fase que eu, está precisamente a seguir a primeira opção – já eu, faço o horário normal (das 9h às 16h) – no primeiro dia foi fácil, pois ficou com a filha. No segundo dia, a ideia era passar a manhã sozinha. Embora não tenha chorado, a verdade é que se recusou a comer.

 

“Quando eu fiz o pedido de adaptação cada dia era mais difícil para mim. Ele tinha seis meses e eu saia de lá de coração partido”.

 

Entretanto, fica a solidariedade e a força de quem passa pelo mesmo e que, ainda que não tenha respostas para nós, têm uma palavra amiga:

 

“Quanto ao não querer ir para a escola, no nosso caso, infelizmente, mantém-se até hoje. Todos os dias ele diz o mesmo e levantá-lo de manhã é um desafio. Exige de mim um esforço tão grande que acabo, muitas vezes, a chorar na casa de banho. No primeiro dia de creche deste ano lectivo disse-me logo, assim que chegou, que já não queria ir mais. É ouvi-los e dar miminho”.

 

E a verdade é que “sobra” para nós uma tarefa difícil, que é a de controlar a nossa ansiedade, a de sabermos separar aquilo que são os nossos medos e aquilo que é, de facto, o receio da criança. Aos pais cabe o apoio, o mimo, a compreensão, mas essencialmente é importante conversar e explicar que vamos continuar ali para eles, mesmo que durante umas horas não estejamos juntos.

 

Mas se é fácil? Não é! Mas se somos capazes? Somos, sim! Mesmo que, no início, achemos que não iremos aguentar.

 

“Não sei se serei capaz de a deixar a chorar desesperadamente, não nos primeiros dias. Prefiro ficar para a fazer ver que é um sítio bom para ela”.

 

Soluções imediatas não acho que existam, depende de criança para criança e até de pais para pais. Mas existem estratégias e será sobre isso que amanhã, a psicóloga Tatiana Louro falará numa colaboração aqui no blog.

 

Boa noite.

 

Obrigada por todo o apoio e partilha. Saber que não estamos sozinhas e que, ao mesmo tempo, há alguém que entende o que estamos a viver, conforta e aquece o coração! 

 

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