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5 Conselhos para quem gostaria (ou pensa) de abraçar a vida de expatriado

11.11.19 | Vera Dias Pinheiro

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Falar em conselhos pode parecer um pouco pretensioso da minha parte e não é de todo essa a minha intenção. Até porque as experiências têm a ver com pessoas e as pessoas são todas elas diferentes umas das outras.

Portanto, no fundo, trata-se apenas da partilha de algumas das coisas que para mim têm feito mais sentido nestas experiências, fora do meu país, por um período de tempo prolongado.

 

Na verdade, foi um bichinho que começou com a minha estadia em Toronto, depois o Erasmus e, mais tarde, Bruxelas, que é já a segunda vez aqui. E se há algo de positivo a registar é o facto de nos sentirmos em casa nesta cidade, para mim fundamental. Não seria capaz de viver tanto tempo, ter a minha família, ter que ter a minha vida numa cidade se me sentisse estranha, se não a conhecesse verdadeiramente para além do turístico, da casa dos amigos com a mesma nacionalidade, etc… Por isso só por si não chega… pelo menos para mim. Eu preciso desenvolver rotinas, ter hábitos e ter caras que se tornam conhecidas do meu dia-a-dia, com quem se acaba por trocar um “bom dia/boa tarde”, acompanhado por um sorriso.

 

Ponto n.º1
Não podemos viver numa bolha. Se, por um lado, a experiência e óptima para fortalecer os laços da família nuclear, por outro, é preciso abrir espaço ao mundo que nos rodeia - sob pena de se fartarem uns dos outros, dos dias começarem e acabarem sempre com as mesmas caras à nossa volta.


Ponto n.º2
É preciso ter espírito aberto à possibilidade de fazer novos amigos em idade adulta. Porque é possível, aliás, os expatriados estão todos na mesma situação, no fundo, com disponibilidade de espírito para deixar que pessoas novas entrem na sua vida. Temos que aprender a dar um pouco mais de nós a pessoas que acabamos de conhecer de forma a criar oportunidades de criarmos relações que nos permitirão depois socializar.


Ponto n.º3
Não ter medo de andar sozinho. É preciso ter vontade própria para se aventurar na cidade. Ter iniciativa para explorar locais do seu interesse, cafés, lojas ou simplesmente passear pelas ruas e descobrir a cidade tal como ela é verdadeiramente – passamos a sentir-nos em casa quando saímos dos circuitos mais turísticos.


Quando vivemos numa cidade acredito que não queremos passar a vida nas ruas mais movimentadas pelos turistas ou envolvidos na confusão. Penso que queremos alguma paz e através disso encontrar refúgios que façam nascer a ligação afectiva com a cidade.


Ponto n.4

A língua não pode ser uma barreira. Aliás, aprender a língua do país é uma condição essencial (para mim). Em adultos ganhamos mais resistências e até um certo constrangimento por falar em público uma língua estrangeira que não dominamos, mas para viver fora do seu país é também preciso ter alguma dose de “sem vergonha” e ponha de lado esses preconceitos acerca de nós mesmos. Fale o mais que puder e em todas as circunstâncias.

E se tiverem filhos, acho ainda mais importante, afinal vão querer estar ao nível deles ou, pelo menos, conseguir acompanhar até chegar o momento em que são eles que o irão corrigir - ahahah.

 

Ser expatriado é sinónimo de ter algum espírito de aventura, ainda que a ideia seja criar relações afectivas com a cidade que o acolhe e não ser uma espécie de turista com residência mais prolongada. No nosso caso, optamos por viver sempre em zonas mais ricas em termos de vida social, bairros com vida própria, com pessoas a circular seja a que dia for. Não há nada nos falta assim que saímos do nosso prédio e tudo a distâncias alcançadas facilmente a pé. Não falta nada mesmo. Foi uma escolha e já falei aqui sobre a dificuldade em escolher casa e tudo aquilo que temos que colocar na balança e estabelecer como prioritário.


Chegado o momento em ter que fazer uma escolha, optamos pela casa em detrimento da localização! De certa forma, foi muito bom para a tal ligação afectiva, pois não moramos nos subúrbios nem numa zona maioritariamente residencial. E, embora a distância para a escola, eu não queria que o ponto central da nossa vida fosse a escola ou o trabalho do meu marido. Vivemos numa zona “isenta” que transforma os nossos dias a partir do momento em que entramos em casa.

Ponto n.º 5

Não se restringir à comunidade do seu país. É um enorme apoio ter amigos portugueses por cá, partilham-se contactos, conhecimentos e, em bom rigor, comunicar na nossa língua será, sem dúvida, sempre mais fácil.

Mas não acho positivo ser-se fechado e não criar amizades com pessoas de outras nacionalidades, especialmente quando é tão fácil e tão benéfico.

No que toca a nós, é algo que fazemos questão, o facto de estar com pessoas de outras nacionalidades e nutrir relações. Aprendemos tanto, as conversas são diferentes e eu sinto que fico sempre um pouco mais “rica” interiormente.

Entretanto, é natural que existam diferenças entre a minha experiência em 2013 e agora. Contudo, aquilo que prevalece é essa capacidade de sermos os nossos melhores amigos e a auto-confiança que nos permite ultrapassar a barreira do desconhecido. Almoço sozinha, vou às compras sozinha e não tenho mesmo problemas com isso. Também já fiquei horas a falar com pessoas desconhecidas como se fossem amigas de longa data. Já almocei, tomamos pequeno-almoço e fiz outros programas, abri inclusivamente a porta da minha casa para receber pessoas que, em bom rigor, conheço há muito pouco tempo. Saio da minha zona de conforto por opção própria

Não é de todo uma experiência fácil. E acredito que é preciso ter-se o bichinho/a vontade para o fazer. Não sou da opinião de que estas experiências sejam para ser vividas numa bolha ou pela metade. Viemos à descoberta de novas oportunidades, num sítio novo com tudo por descobrir.

 

O tempo é sempre curto e é sempre intenso. Mas isso é válido tanto para o menos bom como para o positivo, que passa a ser muito, muito bom.

São escolhas de vida. É uma questão de espírito. Mas, no fundo, é um livro aberto para novas oportunidade e experiências e somos nós que decidimos de que forma o iremos colorir.

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