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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Nova Cor De Cabelo E A Minha Cronologia Capilar

27.11.19 | Vera Dias Pinheiro

cabelo-madeixas-ombre-balayage

 

Depois de muita hesitação – apesar da vontade de voltar rapidamente à “minha cor” de cabelo – lá me decidi e ontem fui ao cabeleireiro tratar da cor e cortar as pontas. Foi uma decisão muito ponderada, envolveu muita pesquisa no Instagram e incluiu ainda uma visita prévia ao salão para falar com a cabeleireira.

 

Pois, não é exagero algum se vos disser que a grande maioria das expats portuguesas, em Bruxelas, prefere esperar por uma ida a Portugal para arranjar o cabelo, a meter-se nas mãos de um cabeleiro por terra belgas. E podia ser apenas uma questão de preço, porque é mais caro do que em Portugal, é um facto, mas o grande problema é mesmo a questão da qualidade.

E que isto nos sirva de lembrete de que nós, portugueses, somos muito bons tecnicamente e, por isso, temos motivos para nos valorizar seja no nosso país, seja fora.

 

Contudo, antes de passar ao resultado final de ontem, decidi fazer uma pequena retrospectiva ao meu cabelo nos últimos anos, mais concretamente desde 2016. Foi nesse ano, o mesmo em que a Laura nasceu, que tive um dos meus dois grandes dissabores com cabeleireiros – sim, também acontece em Portugal. Estava a Laura prestes a nascer e eu a precisar sentir-me bonita e decidi cortar o cabelo, apenas um pouco, achava eu, mas sai de lá com o cabelo mais curto que tive nos últimos tempos. Tão curto que não dava para apanhar, tão curto e curtado por dentro para não ter volume, um mero engano, pois quando começa a crescer, o volume quase que triplica. Nessa altura, esticava o mais que podia o cabelo com a prancha para ganhar todos os milímetros extra que fossem possíveis.

 

 

Depois, seguiu-se a fase do deixar crescer e crescer sem lhe mexer. Porque a vontade de fazer experiências há muito tempo que faz parte do passado. Aliás, em 2013/14 consegui a proeza de ter o meu cabelo virgem, sem qualquer tipo de tintas e a verdade é que nunca o senti tão brilhante e saudável como naquela altura. Mas foi com uma espécie de condição, pois também eu não arriscaria o meu cabelo aqui em Bruxelas.

 

Entretanto, voltei a Portugal, apareceram os primeiros brancos a sério e com isso, a necessidade de voltar às tintas. Mas sempre o mais natural possível e preservando o meu tom natural o mais possível. Aclarei o cabelo, ao mesmo tempo que continuei a deixá-lo comprido.

Porém, e na melhor fase do meu cabelo – após um botox capilar e uma coloração mesmo ao meu gosto – eis que volto a ser alvo um erro quase fatal no meu cabelo - o segundo – já falei disso por aqui, por isso caso seja do vosso interesse podem ler ou reler este post.

 

  • Fase Boa

botox-capilar

  • Fase Má - mas em rescontrução com a ajuda do Cronograma Capilar, que faz milagres:

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Novamente, entrei eu na fase de recuperação, de ganhar comprimento e de voltar à “minha cor”. De todas as formas, a que gosto mais são os tons mais claros, pois mesmo que vocês digam que o mais escuro me fica bem, não é de todo a forma como me sinto mais eu e a mais confortável para mim. E, para além disso, prefiro igualmente os tons quentes aos frios.

  • Tom mais Quente:

cabelo-madeixas-ombre-balayage

 

  • Tom mais Frio:

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Contudo, e mais uma vez sem culpa minha, em agosto foi preciso fazer um gloss para disfarçar de novo os cabelos brancos e sai de lá com o meu cabelo praticamente preto, mas preto acobreado, não sei se estão a ver o género! Fiquei sem reacção e em choque. Pois quem faz outras técnicas com o cabelo, do género balayage ou ombre, sabe o que demora até acertar nos tons, o tempo que lá passamos e também (sim!) o dinheiro que investimos. Posto isto, não foi nada agrável, depois de tudo o que tinha passado, ver o meu cabelo arruinado em meia hora, uma hora.

cabelo-coloração

 

Ainda assim, aguentei-me estoicamente até ontem. Esperei que o suposto gloss saísse o mais possível do meu cabelo e o que restou foi um ruivo que…. eu detestava!

 

Portanto, neste momento e, depois de 5h30 no cabeleireiro, recuperei o meu cabelo, mas mais do que isso, ganhei um cabeleireiro aqui em Bruxelas – Emmaria Hair.

  • Antes:

cabelo-madeixas-ombre-balayage

  • Depois:

cabelo-madeixas-ombre-balayage

 

E a boa nova é que continuo a conseguir enganar os cabelos brancos com umas madeixas do meu tom de cabelo e o tom, bom, ainda não lavei e mexi eu própria no cabelo, mas é assim que me sinto “em casa” e, agora, é coisa para repetir só lá para o ano, o tom mais loiro, já que os brancos devem exigir mais manutenção. 

 

 

 

O que acham do resultado? São “team cabelo escuro” ou “team cabelo mais claro”?

Boa noite.

Nova Cor De Cabelo E A Minha Cronologia Capilar

27.11.19 | Vera Dias Pinheiro

cabelo-madeixas-ombre-balayage

 

Depois de muita hesitação – apesar da vontade de voltar rapidamente à “minha cor” de cabelo – lá me decidi e ontem fui ao cabeleireiro tratar da cor e cortar as pontas. Foi uma decisão muito ponderada, envolveu muita pesquisa no Instagram e incluiu ainda uma visita prévia ao salão para falar com a cabeleireira.

 

Pois, não é exagero algum se vos disser que a grande maioria das expats portuguesas, em Bruxelas, prefere esperar por uma ida a Portugal para arranjar o cabelo, a meter-se nas mãos de um cabeleiro por terra belgas. E podia ser apenas uma questão de preço, porque é mais caro do que em Portugal, é um facto, mas o grande problema é mesmo a questão da qualidade.

E que isto nos sirva de lembrete de que nós, portugueses, somos muito bons tecnicamente e, por isso, temos motivos para nos valorizar seja no nosso país, seja fora.

 

Contudo, antes de passar ao resultado final de ontem, decidi fazer uma pequena retrospectiva ao meu cabelo nos últimos anos, mais concretamente desde 2016. Foi nesse ano, o mesmo em que a Laura nasceu, que tive um dos meus dois grandes dissabores com cabeleireiros – sim, também acontece em Portugal. Estava a Laura prestes a nascer e eu a precisar sentir-me bonita e decidi cortar o cabelo, apenas um pouco, achava eu, mas sai de lá com o cabelo mais curto que tive nos últimos tempos. Tão curto que não dava para apanhar, tão curto e curtado por dentro para não ter volume, um mero engano, pois quando começa a crescer, o volume quase que triplica. Nessa altura, esticava o mais que podia o cabelo com a prancha para ganhar todos os milímetros extra que fossem possíveis.

 

 

Depois, seguiu-se a fase do deixar crescer e crescer sem lhe mexer. Porque a vontade de fazer experiências há muito tempo que faz parte do passado. Aliás, em 2013/14 consegui a proeza de ter o meu cabelo virgem, sem qualquer tipo de tintas e a verdade é que nunca o senti tão brilhante e saudável como naquela altura. Mas foi com uma espécie de condição, pois também eu não arriscaria o meu cabelo aqui em Bruxelas.

 

Entretanto, voltei a Portugal, apareceram os primeiros brancos a sério e com isso, a necessidade de voltar às tintas. Mas sempre o mais natural possível e preservando o meu tom natural o mais possível. Aclarei o cabelo, ao mesmo tempo que continuei a deixá-lo comprido.

Porém, e na melhor fase do meu cabelo – após um botox capilar e uma coloração mesmo ao meu gosto – eis que volto a ser alvo um erro quase fatal no meu cabelo - o segundo – já falei disso por aqui, por isso caso seja do vosso interesse podem ler ou reler este post.

 

  • Fase Boa

botox-capilar

  • Fase Má - mas em rescontrução com a ajuda do Cronograma Capilar, que faz milagres:

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Novamente, entrei eu na fase de recuperação, de ganhar comprimento e de voltar à “minha cor”. De todas as formas, a que gosto mais são os tons mais claros, pois mesmo que vocês digam que o mais escuro me fica bem, não é de todo a forma como me sinto mais eu e a mais confortável para mim. E, para além disso, prefiro igualmente os tons quentes aos frios.

  • Tom mais Quente:

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  • Tom mais Frio:

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Contudo, e mais uma vez sem culpa minha, em agosto foi preciso fazer um gloss para disfarçar de novo os cabelos brancos e sai de lá com o meu cabelo praticamente preto, mas preto acobreado, não sei se estão a ver o género! Fiquei sem reacção e em choque. Pois quem faz outras técnicas com o cabelo, do género balayage ou ombre, sabe o que demora até acertar nos tons, o tempo que lá passamos e também (sim!) o dinheiro que investimos. Posto isto, não foi nada agrável, depois de tudo o que tinha passado, ver o meu cabelo arruinado em meia hora, uma hora.

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Ainda assim, aguentei-me estoicamente até ontem. Esperei que o suposto gloss saísse o mais possível do meu cabelo e o que restou foi um ruivo que…. eu detestava!

 

Portanto, neste momento e, depois de 5h30 no cabeleireiro, recuperei o meu cabelo, mas mais do que isso, ganhei um cabeleireiro aqui em Bruxelas – Emmaria Hair.

  • Antes:

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  • Depois:

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E a boa nova é que continuo a conseguir enganar os cabelos brancos com umas madeixas do meu tom de cabelo e o tom, bom, ainda não lavei e mexi eu própria no cabelo, mas é assim que me sinto “em casa” e, agora, é coisa para repetir só lá para o ano, o tom mais loiro, já que os brancos devem exigir mais manutenção. 

 

 

 

O que acham do resultado? São “team cabelo escuro” ou “team cabelo mais claro”?

Boa noite.

Spa Caudalie | Votre petit moment de bien-être au coeur de la ville

25.11.19 | Vera Dias Pinheiro

*Scroll Down For French.

resveratrol-lift-caudalie

 

Ouço com alguma frequência mulheres que dizem sentirem-se mal com o facto de tirar tempo para cuidar de ti. Na verdade, como se não fossem merecedoras de momentos de escape para se cuidarem, seja ir ao ginásio, fazer uma massagem ou qualquer outra coisa que contribua para o seu bem-estar. Algumas acrescentam ainda tratar-se de algo fúteis/supérfluo para que, no meio do pouco tempo que têm (entre trabalho, casa, filhos, trânsito, supermercado e tudo o resto) faça sentido reservar meia hora ou uma hora para si.

 

E percebo… ando neste processo de gostar de mim verdadeiramente ao ponto de permitir dar-me aquilo que me faz bem e ter tempo para cuidar de mim há cerca de sete anos. E sabem quando começou? Precisamente quando tirei a minha licença sem vencimento e vim para Bruxelas, em 2013, com um filho de três meses e… tempo para ele, para a família e também para mim. Levou bastante tempo até mudar o chip e perceber que "é ok" usufruir deste direito, em primeiro lugar, e que com isso vem toda uma mudança de paradigma da nossa forma de estar na vida e da forma como encaramos as coisas. Mas, por esse mesmo motivo, ouvi muitas vezes que apenas ia ao ginásio porque tinha tempo, que me arranjava todos os dias, mesmo com um bebé pequeno, porque tinha tempo e por aí a fora.

 

A resposta do meu inconsciente foi sentir-me culpada por ter tempo que os outros não tinham e como tal, não era merecedora desse tempo e nem tão pouco de cuidar de mim. Todavia, esse mesmo tempo levou-me também à reflexão mais profunda, à passagem por momentos menos bons e dos quais para me levantar tive que aprender progressivamente a cuidar de mim e a ter amor por mim. 

 

Portanto, de uma forma geral, ter tempo para nós e fazer com ele o que realmente nos apetece parece quase uma afronta numa sociedade que nos formata para usar todo o nosso tempo em prol de tudo o resto, excepto de nós mesmos. Porém, quando entramos no caminho da autoconsciência que nos ensina que, em primeiro lugar, o mais importante somos nós, torna-se mais fácil e até determinante reservar tempo para nós!

 

Neste sentido, sim, eu valorizo o tempo para mim e mais do que isso, eu valorizo que é importante gostar de mim com tudo o que isso implica: cuidar de mim! A questão do bem-estar está muito além, prende-se com o facto de sabermos que o nosso bem-estar físico e mental é fundamental para a forma como lidamos com tudo o resto à nossa volta.

Muitas vezes, na nossa vida, há coisas que não correm bem e não é por culpa dos outros, mas sim de nós mesmo! Isto faz sentido para vocês?

 

Ora, inicialmente, quando cheguei a Bruxelas agora em 2019 tive um pouco de receio, pois sabendo como funcionam as coisas por aqui e a exigência da vida familiar, achei que, para além do ginásio, não seria fácil encontrar outros escapes de bem-estar tal como acontecia em Lisboa. Todavia, isso era, desde logo, uma prioridade para mim e não descansei enquanto não construi a minha rotina e as minhas referências.

 

Para além do exercício físico e das massagens, manter os cuidados completares com o rosto são coisas que eu vlaorizo bastante. Do meu ponto de vista, trata-se de manter bons hábitos que levam ao envelhecimento de forma mais calma e mais suave. Já falei por aqui, por exemplo, de botox, de tratamentos laser para as manchas do rosto, de mesoterapia e de limpezas de pele. Experimento diferentes marcas de cremes, contudo, há marcas às quais sou fiéis e que defendo e uma delas é, sem dúvida, a Caudalie- tenho quase a certeza que quem experimenta pela primeira vez dificilmente terá uma má experiência.

 

  • 5 Dos Meus Produtos Favoritos Da Caudalie:
  1. Mousse Nettoyante Fleur de Vigne
  2. Eau de Beauté
  3. Vinopure Lotion Purificante Peau Nette
  4. Sérum Vinoperfect Éclat Anti-taches
  5. Premier Cru L’Huile Précieuse

https://be.caudalie.com/premier-cru-l-huile-precieuse.html

 

 Todavia, eu nunca tinha estado numa loja exclusiva da marca. Nunca tinha entrado a 100% no universo Caudalie que está muito para além dos cremes, chega a ser uma experiência sensorial que activa vários dos nossos sentidos e, cujo efeito final, é sempre de uma sensação de bem-estar e de relaxamento.

 

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Portanto, se eu já gostava da marca, depois ter tido a experiência na Spa-Boutique de Bruxelas com um tratamento de rosto, os seus produtos dificilmente deixarão de fazer parte do meu cantinho de cuidados de rosto diários.

Esta loja situa-se no Quartier Louise, em Bruxelas, é verdade, mas com esperança que em Portugal possam igualmente vir a desfrutar desta experiência. Até lá, se passarem por uma Spa-Boutique Caudalie num destino de viagem vosso, entrem e desfrutem. É só o que vos posso dizer!

Eu optei por uma massagem de rosto anti-rugas e firmeza – Resveratrol Lift – manual. Depois de uma “viagem” através de sensações diferentes e de uma massagem modeladora, o rosto fica como remodelado e as linhas finas suavizadas.

 

-- Imagens Em Galeria --

 

Em casa, aproveitei para complementar com toda a gama Resveratrol Lift. O resveratrol é um poderoso antioxidante que protege da acção dos radicais livres, essencial para completar a rotina anti-idade de cuidados com a pele e assim prevenir rugas, linhas de expressão, flacidez, manchas e outros sinais. Mas para que os cremes façam o seu efeito, é essencial não saltar o primeiro passo de todos: LIMPEZA DA PELE com produtos adequados ao vosso tipo de pele e garantindo que a pele está em condições de absorver os nutrientes dos cremes devidamente.

 

resveratrol-lift-caudalie

 

 _______________________ FRANÇAIS _______________________

 

Dans le quartier Louise, à Bruxelles, precisèment dans la Rue de Jean Stas 13, vous trouverez l'excuse idéale pour échapper au stress et vous réfugier dans un espace totalement pensé pour votre bien-être. Je parle du Spa-Boutique de Caudalie, evidémment.

 

Caudalie est plus qu'une simple marque de cosmétique: elle est soucieuse de l'environnement, elle choisit avec soin les ingrédients les plus naturels possible, sans oublier les besoins des femmes en matière de beauté.

Et le résultat c'est une offre équilibrée entre efficacité, naturalité et sensorialité.

 

  • Mes 5 produits de Caudalie préférés:
  1. Mousse Nettoyante Fleur de Vigne
  2. Eau de Beauté
  3. Vinopure Lotion Purificante Peau Nette
  4. Sérum Vinoperfect Éclat Anti-taches
  5. Premier Cru L’Huile Précieuse

 

Dans le Spa-Boutique à Bruxelles j’ai eu l'occasion d'essayer un soin de Visage Anti-Ride e fermeté – Resveratrol Lift. Le resvératrol est un puissant antioxydant qui protège contre l'action des radicaux libres, indispensable pour compléter la routine de soins anti-âge de la peau afin de prévenir les rides, les ridules, l'affaissement, les imperfections et autres signes.

À la maison, j’améliore les résultats de ce massage avec la gamme complète de produits Resveratrol Lift.

 

Escuta-te Mas Te Demores Na Tua Solidão... Eu Falo-Vos Da Minha!

20.11.19 | Vera Dias Pinheiro

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Dei por mim, nestes últimos dias, a pensar na quantidade de tempo que passo sozinho e, por conseguinte, em silêncio. Tudo começou num dia em que estava em casa e, de repente, foi como se tivesse tido uma tomada de consciência do presente: era só e unicamente silêncio à minha volta, nem na minha cabeça ecoavam outros pensamentos. Eu não ouvia rigorosamente nada. Nem da rua, nem dentro de casa, nem um vizinho.

 

Olhei à minha volta e intencionalmente continuei assim mais uns instantes, apenas contemplativa do silêncio. E foi bom, foi especialmente bom porque eu não fiquei inquieta, nada, foi como se naqueles instantes eu tivesse conseguido dar-me um abraço, ter passado a mão pela minha cabeça – como faço tantas e tantas vezes com os outros – num gesto de quem diz “está tudo bem!”, “vai ficar tudo bem, confia!”.

 

No entanto, não se iludam, pois nem sempre foi assim tão “fácil” abraçar o silêncio que anda, lado a lado, com um lado tão solitário, de quem passa muito tempo sozinha. Uma solidão que eu não conhecia antes de ser mãe, ou, então, simplesmente passava despercebida. É esta mesma solidão que faz com que todos os dias eu me debata com várias conversas sobre vários assuntos comigo mesma. No início era fácil, pois começou por ser as conversas vagas de quem pergunta a si mesma as coisas que perguntaria se estivesse com alguém ao lado. Porém, com o tempo, as coisas foram assumindo outras proporções e passaram a ser autênticas divagações sobre nós mesmos – o tipo de assunto que nós passamos a vida a tentar chutar para canta, fingindo que não existe, estão a ver, não estão?

 

No dia-a-dia, no meio da confusão e do ritmo acelerado das rotinas familiares, o barulho e confusão do trânsito, as conversas e o ruído no local de trabalho e por aí a fora. Vivemos constantemente rodeados de distrações da nossa mente. Temos pouco tempo para prestar atenção aos detalhes, para reflectir sobre determinadas atitudes connosco e com os outros, temos pouco tempo para nos conhecermos a nós mesmos e, a partir daí, relacionarmo-nos com o mundo à nossa volta.

 

Na maternidade, esta solidão é bastante sofrida e cheia de altos e baixos. Tanto estamos cheias de adrenalina, esbanjamos amor e alegria, como a seguir podemos estar a chorar que nem uma perdida, podemos descarregar em que está mais ao nosso lado, podemos sentir-nos em baixo com todas as mazelas físicas que ficam após o parto, etc, etc, etc… O nosso interlocutor, um bebé recém-nascido, que só se faz comunicar através do choro - e uns choram muito e mais alto do que outros - não ajuda propriamente a mantermos a serenidade. Está tudo amplificado muito graças às (malditas) hormonas.

 

No meu caso, essa solidão – e, atenção, que quando falo em solidão não é com conotação negativa, não estou sozinha no sentido literal da palavra - foi-se prolongando no tempo. Os filhos acabaram por ir para a escola, mas não existem colegas de trabalho e nem a confusão de fora.

 

À instabilidade hormonal, seguiu-se uma certa paz, mas só consigo dizer isso agora, depois de ter feito as pazes comigo mesma e de me aceitar. Era importante perceber - findo o pós-parto - quem é, afinal, a Vera. Porque não é a mesma pessoa, embora com os mesmos traços de personalidade, a Vera mudou e eu própria comecei a olhar-me no espelho e a ver, lá no fundo dos meus olhos, uma outra pessoa. Mais serena e mais segura de si mesma. Mais assertiva em dizer aos outros o que não quer e a saber identificar aquilo que é realmente um problema e aquilo a que nem sequer vale a pena dar importância.

 

Talvez tenha envelhecido ou amadurecido. Eu acho que acabei por ser forçada a conversar demasiado tempo comigo mesma e a escutar demasiado os meus pensamentos. Consigo entregar me mais facilmente a quem eu sou, consigo, pelo menos, perceber a fronteira entre aquilo que eu faço e acrescenta valor a minha vida e o vice-versa.

 

Ainda assim, é preciso perceber quando é que esta solidão passa de algo saudável a algo que nos faz mal. Não é fácil, por vezes, resvalamos nas depressões e ansiedade e é preciso ser teimosa para encontrar as ferramentas para trazer algum “barulho” para dentro da nossa cabeça e só nos perdermos por lá o tempo estritamente necessário.

 

Tenho vindo a descobrir o gosto pelos podcasts e desenvolvido o interesse pelo tal mindfulness - pelos princípios do aqui e agora. Sem pressões, mas com força suficiente para colocar a mão na minha auto-consciência. Agora que fiz todo o caminho solitário do auto-conhecimento, está na hora de ter amor por mim e de ter a capacidade de olhar para mim com um ser humano como todos os outros a quem eu presto atenção, ajuda e carinho.

 

Não devemos ter medo da solidão, porque ela é importante, mas é preciso aprender a saber o que fazer com ela, tirar as coisas boas e afastar as outras. Entendem? 😊

Como Foi A Primeira Viagem De Avião Com Crianças | O Vosso Feedback | Outras Dicas

18.11.19 | Vera Dias Pinheiro

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Há alguns dias atrás lancei uma pull através do Instagramstories para perceber qual a vossa relação com as viagens de avião e as crianças a propósito deste artigo que escrevi. E a minha curiosidade deve-se ao facto de este ser um dos assuntos que mais pedidos de dicas e conselhos levanta sempre que é falado ou partilhado. Contudo, a minha experiência vale o que vale e é muito baseada na própria personalidade de cada um dos meus filhos. Ainda assim existem sempre “bengalas” que podemos usar para captar a atenção deles e distraí-los na esperança que não se apercebem do tempo que têm que estar sentados naquele lugar estreito, muitas vezes pouco agradável, seja pelo ar condicionado, pelo facto de não dar jeito nenhuma para dormir e ainda pelas regras a cumprir na hora de levantar e de aterrar.

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São Miguel, Açores, 2016

 

Ainda assim, quando perguntei se já tinham andado de avião com os vossos filhos, a grande maioria de vós (81%) respondeu SIM, contra apenas 19% do lado do NÃO. E para além disso, dentro deste 81%, a maioria afirmou ter feito a primeira viagem de avião com filhos ainda antes destes completarem um ano de idade – sendo que a média anda ali entre os 4 e 5 meses de vida. Nada mal! 😊

Eu faço igualmente parte desta maioria. O Vicente fez a primeira viagem com três meses, precisamente para Bruxelas, e a Laura com 6 meses para a ilha de São Miguel nos Açores. E as primeiras viagens de ambos foram bastante pacíficas.

 

Algo que vocês confirmaram também na mesma pull:

  • “Amo viajar com eles. Peanuts!”
  • “Super tranquilo. Dormiu desde que o avião levantou até que aterrou.”
  • “Espectacular. Adorou e repetiu uns meses depois.”
  • “Top! Correm sempre bem. Ou dormem ou vão entretidos a brincar.”
  • “Tranquilo. Na época, tinha o peito que era o melhor calmante e sonífero! Kkkkk”

 

Por contrapartida, quando não corre bem…não corre! E eu também cheguei a ter dessas viagens.

  • “É sempre interessante!”
  • “O meu filho tinha na altura perto de dois anos e a viagem de ida foi a chorar até se deixar dormir…”
  • “A primeira vez com 9 meses chorou a viagem toda. Os outros passageiros não estavam muito felizes.”
  • “Terrível, chorou durante 1h”

 

lago do como, itália, viajar com crianças

Lago do Como, Itália 2017

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Milão, 2017

Portanto, se os vossos filhos gostam de andar de avião, aproveitem e tirem partido dessa experiência sempre que possam. Porém, se não corre bem, o problema não será do vosso filho. Acontece! O importante é não terem receio, não se deixarem afectar pelo facto de estarem eventualmente a incomodar todos os outros passageiros, porque são crianças e tudo como eles tem sempre uma parte que nós não controlamos.

 

Entretanto, aproveito mote do tema para deixar aqui algumas informações gerais importantes e que acabam por responder às perguntas mais comuns:

  1. Se viajar com um bebé (com idade inferior a um ano) tem embarque prioritário;
  2. Os carrinhos de bebé podem ir até à porta do avião e recolhem, à chegada, no mesmo local.
  3. Na bagagem de mão podem levar toda a comida (do bebé) necessária para aquela viagem, tendo em conta a sua duração – inclui boiões e sopas.
  4. Até aos dois anos de idade, as crianças viagem ao colo com um cinto especial preso no do progenitor que viajar com o bebé.

 

Passamos agora às dicas mais objectivas para a primeira viagem, já que é aquela que representa um maior tabu para os pais – depois vão-se acostumando:

  1. Prepare a viagem de véspera e leve uma mochila com tudo aquilo que precisa, desde necessaire à alimentação, o melhor é ter tudo sempre à mão. Se o bebé gostar de marsúpio ou pano, aconselho a usarem também, é a forma de manterem aos mãos livres e levarem menos coisas possíveis para a zona de embarque;
  2. Sempre que possível, tente conciliar os horários dos voos com os do seu bebé – por exemplo, se for uma viagem de longo curso, recomenda-se que optem por fazer um voo nocturno.
  3. Quando o tema é como evitar as dores de ouvidos, o consenso é que se deve oferecer alguma coisa que o bebé consiga e goste de chupar – por exemplo, a chucha, o bibebrão ou a mama. É o movimento de sucção que vai ajudar a evitar as dores de ouvidos, especialmente durante a descolagem e a aterragem.
  4. Levem consigo alguns brinquedos, por aqui resultam muito bem os livros de colorir e os livros de autocolantes, fora isso, sim, é imprescindível um tablet com muitas apps de jogos, episódios de desenhos animados que gostam, porque esse recurso acaba sempre por ter uma elevada taxa de sucesso, sobretudo quando já nenhuma outra coisa funciona.

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Ostende, Bélgica, 2019

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Ostende, Bélgica, 2019

 

Posto isto, facto parece ser que noutra época, os nossos pais não tiveram que se preocupar com nada disto, porque segundo a mesma pull, percebi que os nossos filhos viajam muito mais cedo de avião por comparação connosco. No meu caso (e do meu marido) é igualmente algo que se confirma. No meu caso, a minha primeira viagem de avião, já era eu moça de faculdade, foi para Toronto, no Canadá. Fui sozinha e foi uma grande aventura! Era a primeira da família a andar de avião, imaginem lá? E olhem que de viagens não nos pedíamos queixar, descobrimos Espanha e todo o nosso Portugal, eu e a minha irmã, ao longo da nossa infância e adolescência e tenho memórias que irei guardar para sempre.  

E, desse lado, que memória guardam da vossa primeira viagem de avião? 

 

Boa noite.

Violência Doméstica: O Que Falha? | Testemunhos Reais #7

13.11.19 | Vera Dias Pinheiro

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Muito se tem falado sobre os crimes de violência doméstica: o que se deve fazer, como e a quem denunciar os casos, bem como o apoio que deve ser dado às vítimas deste crime público.

Parece, à partida, que tudo é muito fácil e acessível a quem passa por uma situação destas, mas a realidade é bem diferente.

 

Enquanto vítima de violência doméstica, e na qualidade de cidadã bastante informada, posso falar na primeira pessoa de que existem muitas falhas no que respeita ao apoio prestado às vítimas, começando, por exemplo, pelas próprias autoridades, associações de apoio à vítima e, por último, na justiça. É que existem ideias preconcebidas de que as vítimas de violência doméstica pertencem, sobretudo, a estratos sociais mais baixos desvalorizando por completo o testemunho e os relatos de vítimas que não se enquadram naquela “classe”.

 

De uma forma geral, posso garantir que os agentes das forças segurança de uma esquadra não estão preparados para atender um telefonema de uma pessoa em apuros. Das várias vezes em que liguei para a PSP, quando senti que a minha vida estava em risco estando eu na minha própria casa, trancada num quarto a relatar o que estava a acontecer a resposta foi a seguinte: “tenha calma, onde é que a senhora está? Está alguém consigo?” e repetem estas questões vezes sem fim enquanto eu apenas pedia por ajuda. Bem sei que existem muitos telefonemas falsos, mas tendo em conta que uma pessoa assim que liga logo se apresenta com nome, morada e relata a situação, bem que os senhores agentes podiam passar para o ponto seguinte. Quando questionava se me podiam ajudar voltavam a perguntar: “onde é que a senhora está? E está alguém consigo?”. Lá voltava a repetir tudo e pedia por tudo que me ajudassem. A resposta era esta: “o carro patrulha agora não está nessa zona e não temos ninguém para ir aí agora, mas ligamos mais tarde para saber como está?”. Tive a sorte (?) de o agressor ter fugido da minha casa quando percebeu que eu tinha ligado para a polícia. Nas outras vezes, em que era vítima de assédio (perseguição) e ficava encurralada na minha própria casa respondiam: “não abra a porta”. Ao que eu respondia que não podia ficar ali o dia todo porque tinha que ir trabalhar.

 

O mesmo registo é seguido por várias das associações de apoio à vítima, que existem na nossa praça. O único apoio que tive foi por telefone e quando me desloquei, pessoalmente, a uma delegação de uma dessas associações e repeti a minha história, vezes sem conta, a resposta que tive foi a de que nada serviria fazer uma queixa na polícia, pois de nada valeria. Fazem-nos ainda um questionário muito simples e avaliam assim “do pé para a mão” de que o risco é mínimo. Como se o facto de ser vítima de agressões físicas, psicológicas e verbais, e o facto de estar grávida, viver sozinha e, por isso mesmo, estar a pedir ajuda não pesasse rigorosamente nada na balança.

 

Só após muita insistência da parte da vítima, familiares, amigos e testemunhas, é que se poderá vislumbrar uma luz muito ténue ao fundo do túnel. Aí eu questiono: então e as mulheres que não têm este apoio, esta rede de apoio próxima ou facilidade económica e financeira o que fazem? 

 

Os números que vemos nos media são assustadores. Em 2019 já contamos com 30 vítimas mortais, incluindo crianças. Mas não são números que temos que combater. São pessoas que temos de proteger, de cuidar, de salvar. Falta o quê, então? O que podemos fazer? Gritamos por justiça, mas ela não nos ouve! Faltam redes de apoio? Talvez. Falta formação aos agentes e às autoridades? Falta! Faltam leis? Talvez não, mas falta formação aos magistrados, que muitas vezes aplicam leis baseados nas suas convicções e crenças pessoais.

 

É preciso ouvir as testemunhas e não descredibilizá-las! Precisamos de magistrados conscientes e capazes de se colocarem na pele das vítimas e tentarem perceber o flagelo pelo qual passaram sem olhar apenas a provas e a factos. Porque uma coisa é certa: o crime da violência doméstica acontece, sobretudo, dentro de quatro paredes, onde normalmente estão apenas a vítima (ou vítimas se existirem filhos presentes) e o agressor. Certo é, que a vizinhança, os familiares e os amigos poderão testemunhar algo suspeito, mas nunca poderão ser precisos, pois não estavam no local do crime. Sendo assim, não basta pedir bom senso. É preciso praticá-lo. É urgente agir com precisão e celeridade e impedir que este número, tão assustador, continue a aumentar, como se de feijões se tratasse.

 

                                                                                                                                                                                          {Obrigada}

 

 

Outros Testemunhos:

#1 "Mãe, porque é que eu sou gorda?

#2 Cancro: "A mãe está doente!"

#3 No Papel Da Madrasta

#4 A Minha Experiência Num Retiro Espiritual

#5 Quando O Cancro Bate À Nossa Porta

#6 Conviver Com Uma Doença Inflamatória Do Intestino

 

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5 Conselhos para quem gostaria (ou pensa) de abraçar a vida de expatriado

11.11.19 | Vera Dias Pinheiro

guia para expatriados-conselhos-grand-place-bruxelas

 

Falar em conselhos pode parecer um pouco pretensioso da minha parte e não é de todo essa a minha intenção. Até porque as experiências têm a ver com pessoas e as pessoas são todas elas diferentes umas das outras.

Portanto, no fundo, trata-se apenas da partilha de algumas das coisas que para mim têm feito mais sentido nestas experiências, fora do meu país, por um período de tempo prolongado.

 

Na verdade, foi um bichinho que começou com a minha estadia em Toronto, depois o Erasmus e, mais tarde, Bruxelas, que é já a segunda vez aqui. E se há algo de positivo a registar é o facto de nos sentirmos em casa nesta cidade, para mim fundamental. Não seria capaz de viver tanto tempo, ter a minha família, ter que ter a minha vida numa cidade se me sentisse estranha, se não a conhecesse verdadeiramente para além do turístico, da casa dos amigos com a mesma nacionalidade, etc… Por isso só por si não chega… pelo menos para mim. Eu preciso desenvolver rotinas, ter hábitos e ter caras que se tornam conhecidas do meu dia-a-dia, com quem se acaba por trocar um “bom dia/boa tarde”, acompanhado por um sorriso.

 

Ponto n.º1
Não podemos viver numa bolha. Se, por um lado, a experiência e óptima para fortalecer os laços da família nuclear, por outro, é preciso abrir espaço ao mundo que nos rodeia - sob pena de se fartarem uns dos outros, dos dias começarem e acabarem sempre com as mesmas caras à nossa volta.


Ponto n.º2
É preciso ter espírito aberto à possibilidade de fazer novos amigos em idade adulta. Porque é possível, aliás, os expatriados estão todos na mesma situação, no fundo, com disponibilidade de espírito para deixar que pessoas novas entrem na sua vida. Temos que aprender a dar um pouco mais de nós a pessoas que acabamos de conhecer de forma a criar oportunidades de criarmos relações que nos permitirão depois socializar.


Ponto n.º3
Não ter medo de andar sozinho. É preciso ter vontade própria para se aventurar na cidade. Ter iniciativa para explorar locais do seu interesse, cafés, lojas ou simplesmente passear pelas ruas e descobrir a cidade tal como ela é verdadeiramente – passamos a sentir-nos em casa quando saímos dos circuitos mais turísticos.


Quando vivemos numa cidade acredito que não queremos passar a vida nas ruas mais movimentadas pelos turistas ou envolvidos na confusão. Penso que queremos alguma paz e através disso encontrar refúgios que façam nascer a ligação afectiva com a cidade.


Ponto n.4

A língua não pode ser uma barreira. Aliás, aprender a língua do país é uma condição essencial (para mim). Em adultos ganhamos mais resistências e até um certo constrangimento por falar em público uma língua estrangeira que não dominamos, mas para viver fora do seu país é também preciso ter alguma dose de “sem vergonha” e ponha de lado esses preconceitos acerca de nós mesmos. Fale o mais que puder e em todas as circunstâncias.

E se tiverem filhos, acho ainda mais importante, afinal vão querer estar ao nível deles ou, pelo menos, conseguir acompanhar até chegar o momento em que são eles que o irão corrigir - ahahah.

 

Ser expatriado é sinónimo de ter algum espírito de aventura, ainda que a ideia seja criar relações afectivas com a cidade que o acolhe e não ser uma espécie de turista com residência mais prolongada. No nosso caso, optamos por viver sempre em zonas mais ricas em termos de vida social, bairros com vida própria, com pessoas a circular seja a que dia for. Não há nada nos falta assim que saímos do nosso prédio e tudo a distâncias alcançadas facilmente a pé. Não falta nada mesmo. Foi uma escolha e já falei aqui sobre a dificuldade em escolher casa e tudo aquilo que temos que colocar na balança e estabelecer como prioritário.


Chegado o momento em ter que fazer uma escolha, optamos pela casa em detrimento da localização! De certa forma, foi muito bom para a tal ligação afectiva, pois não moramos nos subúrbios nem numa zona maioritariamente residencial. E, embora a distância para a escola, eu não queria que o ponto central da nossa vida fosse a escola ou o trabalho do meu marido. Vivemos numa zona “isenta” que transforma os nossos dias a partir do momento em que entramos em casa.

Ponto n.º 5

Não se restringir à comunidade do seu país. É um enorme apoio ter amigos portugueses por cá, partilham-se contactos, conhecimentos e, em bom rigor, comunicar na nossa língua será, sem dúvida, sempre mais fácil.

Mas não acho positivo ser-se fechado e não criar amizades com pessoas de outras nacionalidades, especialmente quando é tão fácil e tão benéfico.

No que toca a nós, é algo que fazemos questão, o facto de estar com pessoas de outras nacionalidades e nutrir relações. Aprendemos tanto, as conversas são diferentes e eu sinto que fico sempre um pouco mais “rica” interiormente.

Entretanto, é natural que existam diferenças entre a minha experiência em 2013 e agora. Contudo, aquilo que prevalece é essa capacidade de sermos os nossos melhores amigos e a auto-confiança que nos permite ultrapassar a barreira do desconhecido. Almoço sozinha, vou às compras sozinha e não tenho mesmo problemas com isso. Também já fiquei horas a falar com pessoas desconhecidas como se fossem amigas de longa data. Já almocei, tomamos pequeno-almoço e fiz outros programas, abri inclusivamente a porta da minha casa para receber pessoas que, em bom rigor, conheço há muito pouco tempo. Saio da minha zona de conforto por opção própria

Não é de todo uma experiência fácil. E acredito que é preciso ter-se o bichinho/a vontade para o fazer. Não sou da opinião de que estas experiências sejam para ser vividas numa bolha ou pela metade. Viemos à descoberta de novas oportunidades, num sítio novo com tudo por descobrir.

 

O tempo é sempre curto e é sempre intenso. Mas isso é válido tanto para o menos bom como para o positivo, que passa a ser muito, muito bom.

São escolhas de vida. É uma questão de espírito. Mas, no fundo, é um livro aberto para novas oportunidade e experiências e somos nós que decidimos de que forma o iremos colorir.

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