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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Living Abroad | It's Too Soon To Make A Balance Yet

24.10.19 | Vera Dias Pinheiro

avenue louise-bruxelas

 

Das duas uma: ou vocês pedem-me sugestões de locais para visitar, para comer, para fazer compras, etc… ou estão a pedir-me para vos mostrar mais o lado do “lifestyle” de quem mora aqui e não de quem está propriamente em turismo.

E a verdade é que desta vez senti um grande peso com a questão da adaptação e, consequentemente, coisas a tratar e a agilizar, primeiro com a instalação e depois com o início das escolas. Portanto, assumir um conjunto de rotinas novas que eu própria não sabia muito bem como iriam correr.

 

Na minha primeira vez (em Bruxelas) eu gozava em pleno a minha licença de maternidade e foi uma regabofe de palminhar as ruas, de conhecer as lojas, os restaurantes, o lado cultural, os jardins, os parques e por aí a fora. Aos fins-de-semana saiamos muito da cidade também. Mas acontece agora que, com os filhos crescidos, as responsabilidades deles são igualmente diferentes, sobretudo quando temos um filho que entra para o primeiro ano da escola primária. Acabaram-se as férias quando dá jeito ou as visitas ao pai quando este viaja em trabalho – é agora que a pessoa diz: “devíamos era ter aproveitado mais!”.

 

Eles próprios precisaram do seu tempo para se habituar à casa, ao bairro, ao novo parque, à nova dinâmica e apressar tudo isso com o propósito de correr atrás de todos os locais novos que tenho vindo a guardar numa lista para conhecer e outros antigos que gostava de rever não tem sido uma prioridade.  

 

A parte disto, há uma outra situação - e desta parte fala-se pouco, creio eu – a da pressão grande para que, em alturas de férias, se vá para Portugal, se visite a família e os amigos. Mas a verdade é que é, nesta conjuntura que vivemos, que a sensação de férias acaba para dar lugar à de correria. À correria de visitar o máximo de pessoas possível e sempre com a injusta sensação de ter deixado alguém para trás, mas é humanamente impossível chegar a todo o lado. Pelo contrário, é sobejamente recompensador perceber quem são realmente as nossas pessoas e afunilar o nosso círculo especial de família e amigos.

 

E falo disto neste preciso momento porque aproxima-se a altura de voltar a Portugal pelos dias que nos são possível, sejam muitos ou poucos - e eu acuso já alguma ansiedade, confesso! Olho para a minha agenda e vejo os compromissos que já marquei; o tempo para as avós, que estão a morrer de saudades dos netos, e que eu não lhes posso roubar; eu, que quero muito ver uma ou outra amiga, aquelas pessoas que estão sempre lá para mim, não importa a que distância e eu devo-lhes isso; e, ao mesmo tempo, estou a antecipar o “struggle” interior de ouvir “estás cá e não dizes nada!” ou então “Vieste a Portugal e nem te vi!”

 

E, por fim, há que gerir as expectativas das crianças para quem a noção do tempo e do que é humanamente possível fazer-se simplesmente não existe! E esta vai ser a primeira viagem de avião sozinha com os dois.

 

Mudar desta forma de vida acarreta um período de adaptação que é longo, há certas coisas que levam mais tempo que outras; outras mais burocráticas; outras mais prioritárias e, portanto, viver uma vida normal é algo que leva o seu tempo – segundo a minha experiência, tanto de Erasmus, como expatriada – o mínimo são seis meses a gerir esta parte. Tenho na minha cabeça o deadline do final deste ano.

 

Depois disso, é altura é tempo de abraçar de vez esta nova vida, nesta nova cidade, descobrir o que tem de novo desde a nossa última vez cá e tudo o que de novo, entretanto, surgiu. Uma coisa é certa, é um bom destino para quem viver fora e, acima de tudo, Bruxelas, com todas as suas particularidades, é uma cidade muito boa para se educar os filhos.

 

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Fiquem por aí! Boa noite.

avenue-louise-bruxelles-tram

 

Place-Du-Châtelain-Bruxelles

 

(Muito) Tempo Extra Com Os Filhos? Imaginação Precisa-se!

23.10.19 | Vera Dias Pinheiro

receitas halloween

 

Desde que estamos em Bruxelas e após o início do ano escolar, a expectativa de passar a ter mais tempo para mim tornou-se uma utopia! Não sei como, nem porquê, mas a verdade é que, por estes lados, as crianças não passam muito tempo na escola. Ou seja, passam muito tempo com os pais ou com as babysitters. No caso, o Vicente e a Laura passam muito tempo comigo. Tem dias em que nem sequer dá para sentir a falta dos dois, nomeadamente às quartas-feiras em que o tempo, entre os deixar e os ir buscar, dá para ir ao ginásio e tomar o pequeno-almoço, de um modo geral.

 

E é aqui que entram as actividades extra-curriculares, uma boa forma de os manter mais tempo na escola, os dois têm actividades todos os dias excepto quartas-feiras – e o Vicente às terças-feiras. E assim garanto mais uma hora ou duas para mim e que são efectivamente as mais produtivas. E mesmo nesses dias a hora de saída é às 16h30 não mais do que isso e, às quartas-feiras, a Laura sai às 11h50 e o Vicente um pouco mais tarde.

 

Optamos neste primeiro ano por concentrar tudo na escola, evitam-se mais deslocações, o ambiente é conhecido e os amigos também. Para além disso, é neste período que sinto que o Vicente tem melhorado bastante o seu francês, ou seja, na dinâmica com as outras crianças de outros países e cuja língua “oficial” para comunicarem entre si é o francês. E não, não sou nada adepta de que eles aqui só aprendem o inglês, como aliás, já perceberam.

 

Contudo, continua a haver um bom bocado de tempo que passam comigo e em casa, o que de certa forma me tem levado a puxar pela imaginação para os entreter com coisas novas. Com o avançar dos dias, o tempo vai piorando e nós vamos acabar por passar cada vez mais tempo em casa. Neste sentido, para evitar as crises e a saturação, é preciso entretê-los e mantê-los entusiasmados… ainda que isto seja, por vezes, bastante desmotivante, pois tem dias em que por mais que façamos, nada os satisfaz – nesses dias, resta-me só mesmo contar os minutos até chegar a hora de irem para a cama.

 

Contudo, as quartas-feiras, em particular, são dias bons e, ao mesmo tempo, não tão bons. São bons porque almoçamos juntos, há tempo para fazer os trabalhos de casa, para lanchar uma coisa diferente ou, se o tempo ajudar, ir ao mercado de Châtelain comprar frutas e gaufres acabadinhas de fazer. Todavia, é um dia, para a Laura particularmente cansativo! Corta-lhe o ritmo por completo, pois não faz a sesta habitual, como ainda faz nos outros dias de escola, e, como tal, há muitos amuos, muitas birras, muitos conflitos com o irmão e comigo. Lá para o fim-do-dia, acaba mesmo por haver gritos e comportamentos mais excessivos – vale-me as doses de paciência extra e saber que nesse dia, indo para a cama a horas, ela vai adormecer rapidamente.

 

Portanto, hoje foi mesmo assim! Depois de uma manhã de festa (Halloween) na escola da Laura, com direito a chocolates e outros doces – fui logo prevenida na véspera de que eles iriam comer todas essas coisas – por entre as suas birras e os seus amuos não me demovi em lhes preparar uma surpresa.

festa de halloween

 

Preparei um jantar temático alusivo ao Halloween, comprei umas minis pizzas em formato de fantasmas e abóboras; preparei wraps; ovo mexido e arroz de cenoura para lembrar as cores das abóboras. Achava eu que eles iam ficar entusiasmados, mas as reacções foram mais para o indiferente. Hoje nem assim os demovi e voltei ao plano inicial: deitá-los cedo!

 

--- Imagens Em Galeria ---

 

Obs: As mini-pizzas de Halloween comprei numa loja francesa de congelados: PICARD.

 

Por estes dias, eles comandam muitas vezes o barco e eu preciso, outras vezes, de soltar um pouco a rédea das coisas. Precisam de mimos, precisam de tempo individualizado com um e com outro, precisam de doses industriais de calma e paciência para conversarmos muito até conseguirmos que eles nos contem determinadas coisas.

 

E no que me toca a mim pessoalmente, o que eu sinto é que preciso abraçar a educação deles com ainda mais tempo, disponibilidade, atenção e dedicação! Preciso de individualizar tempo para isso, preciso de acompanhar o Vicente com a escola, sem retirar a atenção da Laura. Preciso ainda colmatar as ausências do pais, que são muitas, e que nos momentos mais tensos é o rastilho para rebentar o caos.

 

As coisas correm bem de uma forma geral, é certo, mas correm também porque dei mais de mim neste papel e eles passaram a exigir ainda mais de mim. Um compromisso traiçoeiro, porque, neste momento, voltou-se um bocadinho à dependência da mãe e ter a mãe mesmo ali à mão de semear.

 

 

Boa noite.

A Escola dos Nossos Filhos: Pequeno Desabafo Sobre As Escolhas

22.10.19 | Vera Dias Pinheiro

adaptação-a-uma-nova-escola-escoa-primária

 

Quando o meu papel, enquanto mãe, se desdobra nas suas ínfimas funções para além do de cuidadora, a coisa complica-se! As decisões que tomamos passam a um outro nível e, embora o princípio de tudo seja o bem e o melhor que queremos para os nossos filhos, não temos certezas absolutas de nada. Mais! Estamos a lidar com um ser humano com personalidade própria e, como tal, a margem da surpresa aumenta para o nosso lado, porque a reacção pode ser diferente da esperada.

 

Em termos escolares, já vos falei por aqui acerta do processo de escolha de escola e da diferente que existe entre a escola do Vicente e a da Laura. Se na escola oficial belga sinto que a autonomia e levada ao extremo e que no inicio isso choco-me um pouco, pois vi a Laura completamente suja do almoço porque ninguém ajudou a comer, pedir-me um casaco que consiga abotoar sozinha, para não ficar com frio ou, mesmo no lanche, pedir para comprar determinados purés de frutas por serem aqueles que ela consegue abrir sozinha. Neste momento, com dois meses de escola, a Laura apanhou completamente o ritmo e se já era bastante autónoma e independente, imaginem agora, que não permite que ninguém faça nada por ela…

 

Em contrapartida, aquilo que me angustia na escola do Vicente é a dimensão e o excesso de alunos face a capacidade da escola e dos próprios recursos humanos. Nunca tive feeling com aquela escola e por instinto, a minha opção seria a mesma escola que a da irmã. Porém, foi mais uma vez esmagada pelo que é suposto fazer-se, pelo que é normal, pelo facto do ensino ser em português, apesar do ambiente francófono. Mas o meu coração não estava descansado e não fosse ter sido tão bem recebido por todos os colegas e querer-me parecer que já tem ali bons companheiros de brincadeiras, acho que já tinha assumido um arrependimento por ter declino a outra vaga.

 

A exposição do vicente perante uma escola que vai desde o infantário até ao secundário, tudo misturado, e a um certo ambiente fechado, onde se deixam andar as coisas como estão, ao invés de se tentar mudar o mínimo que seja, mesmo com todas as dificuldades, não é algo que ele tenha maturidade para.

 

Eu sei que quero o melhor para os meus filhos e estar aqui foi uma decisão que tomei 99% com base nisso. Sim! Estou cá por eles e pela oportunidade que esta experiência pode terna vida deles e na sua estrutura como pessoa. Mas as dificuldades são muitas, assim como o desconhecido! Conhecer a cidade é uma coisa, outra bastante diferente é olhar para esta cidade e aferir qual a melhor escola, qual a melhor zona para viver, qual o melhor compromisso entre uma coisa e outra. São demasiadas decisões e todas elas com um grande impacto.

 

Encontrar o equilíbrio perfeito leva tempo, tempo que não temos com os timings definidos para tomar as decisões e para agir. E, depois, no final, quando a poeira assenta e começamos a focarmos nos detalhes, onde é que temos margem para pensar que talvez podeseemps não ter tomado a melhor decisão? Só ter essa sensação já é o suficiente para me tirar o sono e trazer aquele sentimento de culpa que invariavelmente sentimos quando os nossos filhos sofrem consequências de decisões que nós tomamos por eles.

O Vicente está feliz com estes colegas, mas o Vicente preferia a escola de Portugal e, melhor ainda, aqueles amigos também. As saudades estão lá sempre, contudo mais ainda quando se sente ameaçado ou passa por situações menos boas!

 

A questão que me coloco é, fundamentalmente, como conseguir ajudá-lo numa escola com aquela dimensão? Como ajudá-lo a defender-se sem ser igual aos meninos que se portam de forma incorrecta com ele e com outros, por vezes, os mais pequenos, os mais novos, os mais indefesos e os mais frágeis?

 

Não falo de bullying (ainda), falo de situações que acontecem – que eu desejava que fossem, contudo, um pouco mais tarde e que aos seis anos estivesse um pouco mais protegido de um ambiente assim – essas situações, aos meus olhos demasiado graves, mas talvez comuns – mas volto a dizer, não para uma criança de seis anos, talvez lá para o secundário.

Eu sei que lhes quero dar o mundo, mas podia ser o mundo faseado e não todo assim de uma vez… só para variar um pouco da forma como as coisas acontecem na minha vida!

 

E só por mais esta "pequenina" coisa, o meu orgulho nos meus filhos é ainda maior. 

 

Boa noite!

As Minhas Preocupações Actuais Com A Alimentação Dos Meus Filhos

17.10.19 | Vera Dias Pinheiro

alimentação crianças receita pão de banana

 

Numa semana em que se assinala o Dia Mundial da Alimentação e, mesmo sendo um tema sobre o qual falo sem grande profundidade, pois não me considero uma especialista, é uma assunto que me interessa muito. No meu caso, quando precisei de ajuda neste campo procurei um nutricionista especializado que não me passou qualquer plano alimentar sem que antes lhe mostrasse todas as análises que me tinha pedido. Portanto, é certo que todos, a partida a maioria, sabem mais ou menos os princípios e os pilares de uma alimentação equilibrada e qual deverá ser a apresentação de um prato, as porções de proteína, legumes e hidratos de carbono. No entanto, a complexidade do corpo humano leva-nos, por vezes, a ter que ir mais além, porque se aveia é saudável, digo-vos já que foi uma das primeiras coisas a sair da minha alimentação, juntamente com a chia.

Vejam só? Tinham-se acabado as papas de aveia e os pudins de chia tão afamados como os melhores amigos de um regime saudável.

 

Da mesma forma que não aderi ao movimento #setembrosemcarne, porque a carne faz parte da nossa alimentação. Eu lá vou reduzindo, uma vez que, não de todo o alimento que mais de satisfaça. Porém, mas abolir é um patamar que espero chegar um dia, mas não no presente. Para além disso, tudo seria mais fácil se o meu organismo se desse bem com leguminosas, uma alternativa à proteína animal, mas nem por aí. Foi também um sector a pôr de lado.

 

E a verdade é que por mais que eu achasse estranho ou não, o meu organismo agradeceu todas aquelas mudanças e nunca mais regredimos ao ponto em que eu estava e em que tive que pedir ajuda. Nesse sentido, fui naturalmente dando a mão à palmatória e concordar que tinha encontrado o meu caminho.

 

Mas falar de alimentação é, acima de tudo, falar de saúde e só depois de perda de peso, menos celulite, abdominais definidos e por aí a fora. Falar de alimentação é falar de prevenção de doenças, algumas delas bem sacanas, como o maldito cancro. E reagir é bem diferente do que prevenir.

 

Consequentemente, como mãe e pessoa desperta para estes assuntos, preocupo-me com a alimentação dos meus filhos. Educar a este nível é também um desafio enorme, porque os aliciantes são muitos e a verdade é que mesmo não querendo privar de nada, como é o nosso caso, limitar o consumo excessivo parece já uma tarefa complicada. Fala-se tanto em alimentação saudável e, ao mesmo tempo, pouco ou nada se faz para mudar os menus das cantinas e isto é um problema real.

 

Nas escolas anteriores, do Vicente e da Laura, no fundo pertenciam à mesma, mas em pólos diferentes, como o ambiente era pequeno e a comunicação se fazia de forma fácil, havendo margem para pequenos ajustes, não privei, mas controlava-se. Neste momento, sinto que, em casa, tenho que fazer um trabalho gigante para combater a “desgraça” que é a alimentação nas cantinas na escola de ambos. O Vicente diz que na cantina dele não há fruta e diz-me que recusa sempre que lhe oferecem ketchup (?!). E já nem vou falar dos pratos principais. A Laura, por sua vez, recusa-se a almoçar na escola, pelo que iremos voltar ao plano inicial e ela volta a levar o almoço de casa.

 

Mas permitem-se bolos com chocolate no infantário e quer-se instaurar um sistema de recompensa nos alunos de 5 e 6 anos por meio de reboçados. A alimentação na Bélgica não é exemplar, o que parece um pouco contraditório face ao facto de o acesso aos produtos biológicos e orgânicos ser muito mais acessível e estar muito mais democratizado para todos assim como a quantidade de lojas e supermercados bio e a granel que existem espalhados por toda a cidade. Tudo isto funciona mesmo muito bem e associado a um conceito de consumo sustentável, de reciclagem e de reutilização.

 

Mas fora disso, os miúdos estão entregues aos hambúrgueres, salsichas, batatas fritas ou bolonhesa, mais raro, se queremos ir a um restaurante e nem sempre vamos ponderar a sopa, porque simplesmente não existe! E daí passamos para escola, onde não se espera nada de diferente.

 

Face a tudo isto dou por mim a pensar muito mais se abro uma excepção em casa, se encomendo pizza ou hambúrgueres para o jantar de sexta-feira ou se comem doces ao fim-de-semana, afinal, hoje em dia, as excepções são mais do que muitas, mas é preciso que se mantenham aí mesmo: no âmbito da excepção, da não regra. O diálogo passou a ser mais, as explicações também, porque impor só porque sim acaba por ter o efeito contrário. Mas o que é certo é que eles também pedem muito mais coisas não saudáveis porque experimentam muito mais.

 

Ainda assim, o objectivo continua a ser o mesmo: o do equilíbrio e da razoabilidade! 

 

receita pão de banana saudável a pitada do pai

Na imagem, o nosso Pão de Banana Saudável, uma receita da autoria do Rui - A Pitada do Pai - bem simples e saborosa.

 

O que pensa sobre este assunto? 

 

Boa noite.

 

Monday has been cancelled | Fazer reset a esta semana

15.10.19 | Vera Dias Pinheiro

viver fora do país com filhos pequenos

 

Para mim hoje foi segunda-feira com o pequeno senão de que amanhã já é quarta-feira e, tanto o Vicente como a Laura, terminam a escola às 12h sem almoço. E depois, passa-se quinta e sexta-feira e, se setembro foi um mês longo, outubro está a passar a voar.

 

O fim-de-semana foi intenso, daqueles em que, quem vê de fora, vê uma família super cool, mas essa família está a todo o momento a gerir um momento de tensão qualquer: ou são as birras sem motivo algum; os pedidos a cada cinco segundos; as implicâncias entre irmãos e não menos fácil, a tensão que inevitavelmente se gera entre o casal. Há sempre um que tenta abafar as birras para se ter uma refeição em paz e há sempre outro que uma opinião divergente. É normal, faz parte, é assim todos os dias, diria é assim com 98% dos casais, mas há alturas em que causa um pouco mais de fricção.

 

E é neste campo que a vida de expatriados nos pesa em particular. Não temos com quem dividir o tempo, não há uma avó por perto, não há outra rede de apoio. Para qualquer situação, somos nós os quatro que nos temos que valer uns aos outros para o bem e para o mau, mesmo quando precisamos do nosso espaço (face aos restantes).

 

E era neste ponto a que tinha chegado na segunda-feira. No ponto em que me programei até ao momento em que os deixava na escola e que depois ficaria (finalmente) sozinha! Porém, quis o destino ou o Mercúrio que está a assumir a sua posição retrograda” a manifestar-se. Escola da Laura fechada – lapso meu que não me lembrei que tinha sido havida que naquele dia teria que a deixar num outro edifício – e com o apertar das horas para deixar o Vicente e o trânsito a seguir, regressei a casa não sozinha, mas com a Laura – ela feliz da vida!

 

Contudo, se esta miúda nos tinha dado um fim-de-semana dos horrores, estava divertida e bem-disposta, a corroborar a teoria de que eles, quando estão sozinhos, portam-se sempre melhor.  E assim foi, mas foi também um dia em que anulei tudo o resto, em que não teimei que tinha que fazer tudo o que tinha em mente mesmo com ela ali por perto. Dei-lhe atenção e sobretudo, deixei-me ir naquela boa onda dela que é coisa tão rara.

Soube-me bem ter a minha filha bem-disposta e querida comigo. Soube mesmo!

 

Em Bruxelas a vida está de facto orientada de outra forma e os filhos são uma prioridade. Ainda não sei bem como a maioria das famílias se organizada, mas a verdade é que à hora de saída os portões das escolas estão cheios de pais à espera dos filhos. Os parques estão cheios de crianças e na cidade, grande parte em bicicletas, veem-se mais pais e filhos a andar de um lado para o outro.

 

Há minha volta vejo uma coisa que para mim era raro. Vejo muitos pais e filhos por todo o lado a qualquer hora do dia. Ainda não descobri o segredo para esta gestão familiar ou talvez não seja segredo, é assim, sempre foi. E tão natural que ninguém estranha se as quartas -feiras a escola encerra as 12h e nos restantes dias as 15h20. A sensação que eu tenho é que estou sempre com os meus filhos, passamos realmente muito tempo juntos e fazemos muitas coisas em conjunto seja as aborrecidas como as idas ao supermercado, seja as mais divertidas como ir ao parque ou as lojas do bairro que eles mais gostam.

 

A minha grande dificuldade é mudar este chip que em “apenas cinco anos” ganhei nessa pressão de ter que ser a mulher que tem que provar que é mãe mas tem que ser boa profissional e vice versa. É ok ter momentos da nossa vida em que temos que dar prioridade a outras coisas, em que vida muda e com isso temos que nos dedicar aos reajustes e a adaptação. É ok porque ser uma mãe ou pai presente, de tal modo que deixa de ter uma ocupação profissional convencional, é um papel exigente e totalmente absorvente, pelo menos foi dessa forma que eu, por um conjunto de factores e acontecimentos da vida, escolhi desempenhar este papel.

 

Passam-me mil e um pensamentos pela cabeça, mas podia dizer que tenho mil e uma ideias e projectos na gaveta, mas não tenho! Não tenho numa carta a sair da manga nem agora nem no futuro mais imediato. Sou muito grata por todas as oportunidades que vêm ao meu encontro e desempenho-as com todo o brio profissional que tenho e mais houvessem, contudo não tenho margem para ser mais proactiva do que aquilo que sou agora. E sabem? Também é ok estar assim, é ok viver estas fases, porque eu acredito que são momentos importantes para o que virá no futuro, porque estamos a trabalhar o nosso eu, estamos numa bolha de reflexão e isso muda-nos quer queiramos quer não.

 

Já me tinha esquecido do quão intensa é vida de expatriado, do quão profunda é a vivência interior, os dilemas, os medos, a ansiedade! É tudo isto, é verdade, mas desta vez eu já sei que vou ser levada para um outro patamar da minha essência, da forma como eu olho para mim, mas também da forma como eu encaro o mudo à minha volta. E isso é bom. Traz-me um desprendimento que me permite ser mais feliz e mais livre (de preconceitos, estereótipo, amarras, pressões...).

 

Boa noite.

Os sentimentos que (involuntariamente) se plantam em nós!

11.10.19 | Vera Dias Pinheiro

os efeitos das redes sociais

 

 

Há poucas semanas atrás, num grupo de pais, gerou-se o alerta em torno de certos comportamentos (mais agressivos) entre as crianças ou por parte de determinadas crianças. Como consequência, interrogaram-se crianças de seis anos, culparam-se outras, utilizaram-se termos como agressor, vítima e bullying. E, no espaço de poucas horas, faziam-se ameaças, dando margem para a dúvida, o medo, para a inquietação e rapidamente esquecemo-nos do mais importante: as crianças. 

 

E este é apenas (mais um) exemplo da forma como eu sinto que as relações entre as pessoas são geridas hoje em dia, seja com pessoas que conhecemos, sejam com desconhecidos. Usamos a impulsividade ou centramos demasiado as coisas no nosso umbigo ou sentimo-nos do direito de dizer tudo aquilo que devemos e não devemos – podemos pensar muita coisa, mas será que devemos dizer tudo aquilo que nos passa pela cabeça?

 

Talvez se colham os frutos da emergência e da importância que damos às redes socias e do dar voz a todo e qualquer individuo. Talvez se tenha confundido a liberdade de expressão com o falar só por falar, com o opinar superficialmente, com o agredir como arma de mostrar a alguém que não concordamos com determinada coisa. Deparo-me diariamente com agressões verbais, muitas delas bastante graves, nas redes sociais, nos comentários às notícias e aos vídeos.

O que seria do azul, se todos gostássemos do amarelo, não é verdade? Mas daqui a verbalizarmos coisas tão negativas e más em relação a outra pessoa vai uma enorme distância.

 

E, neste rol de reacções e do disque-disse, acabamos todos por ficar confusos e permeáveis a certo de tipo de sentimentos que nós não queremos sentir e que não sentiríamos se não estivemos expostos desta maneira. Sentimo-nos aguçados e ofendidos com demasiada facilidade. Será que se perdeu de vez a capacidade de pensar antes de falar e passamos todos a estar em constante julgamento do outro?

 

Quando é que perdermos a nossa naturalidade? Quando é deixamos ir a nossa inocência para passarmos a estar em constante ataque e à procura de responsáveis às vezes para nada?

 

As redes sociais inundam-se de comentários, do envio de farpas e de críticas e de condenações. Supostamente há sempre alguém que sabe fazer mais e melhor do que o outro, contudo, continuamos a ser um país com uma taxa de abstenção em eleições particamente nos 50%. Não deixa de ser curioso, não acham? Onde é que está o sentido de tudo isto?

 

Afinal, onde andam todas essas pessoas que criticam e apontam o dedo, que se queixam e se lamentam e que até fazem comparações? Onde andam todos no momento em que podem manifestar de forma eficaz as suas opiniões, de exercer o seu direito ao voto e de poder ser um agente de mudança para si e para a sociedade?

 

“Actualmente, as pessoas não votam porque não querem” … ouvia-se na passada noite de domingo na televisão. É assustador! A quem entregamos o nosso futuro se nós não nos importamos com ele? Que tipo de cidadão seremos nós e que direitos podemos nós reivindicar? Que sociedade estamos a deixar para as próximas gerações se esta consciência cívica se perder?

 

Desde que me conheço que sempre acompanhei os meus pais na ida às urnas, presenciava as conversas, ouvia as discussões sobre as previsões e as opiniões, mas tinha havido a intenção! Falavam com conhecimento por serem pessoas interessadas e envolvidas nas decisões que outros tomariam por eles e que teriam impacto directo na vida deles, no trabalho e consequentemente na nossa.

 

Hoje em dia tenho a sensação que banalizamos tudo, incluindo o respeito que temos uns pelos outros. Hoje em dia banalizamos as relações, as pessoas e até a nossa vida. Somos superficiais, mandam-se bitaites, ao mesmo tempo, que se foge à responsabilidade.

 

Sabem? Não me acho nem mais nem melhor do que ninguém, não tenho por hábito envolver-me nas polémicas ou sequer alimentá-las, mas preocupam-me sim o legado que deixo aos meus filhos e aos adultos que serão um dia. E na minha humilde existência, sei que não lhes posso pedir nada se o exemplo que lhes der for o oposto. Entendem?

 

E é isso que me ajuda a ser mais ponderada e a reflectir um pouco mais sobre o impacto e efeito de determinadas atitudes. E desta forma sinto que estou a fazer a minha parte para o futuro que lhes quero dar.  

 

All You Need | Looking For The Best Puffer Jacket

09.10.19 | Vera Dias Pinheiro

PUFFER JACKET

 

Moro em Bruxelas, um pouco mais ao centro da Europa e o clima daqui tem uma particularidade muito sua: chove muito. Aliás, chove muito e muitos dias seguidos. E não é algo que se consiga ignorar, porque quando está a chover, chove a sério, e se enquanto turista, embora não seja agradável, mas lá conseguimos dar a volta, quando moramos cá é preciso que o nosso guarda-roupa faça face às nossas necessidades.

 

Se por ventura pensam em morar fora, mas desejam também estar num local onde possam facilmente fazer uma fotografia de “OOTD” (outfit of the day) na rua, não equacionem Bruxelas. Aqui é preciso sair à rua de forma prática e confortável e, acima de tudo, que seja resistente à água e ao frio - que também é muito.

 

Portanto, numa altura em que o Outono já se sente perfeitamente em casa e em que o cinzento é a cor predominante dos nossos dias, com muita chuva e já algum frio, a única opção válida para uma pessoa andar na rua é de Kispo! Actualmente, usamos a denomincação puffer jackt ou casaco acolchoado para ser mais simpático que a palavra Kispo.

 

  • Onde e como se inspirar - Imagens em Galeria - 

 

 

Já agora, quem é que gostava de vestir kispo na altura dos kispos? Ninguém! Até vir viver para Bruxelas a primeira vez, em 2013, esses tipos de casacos faziam apenas parte das memórias da minha infância.

 

Mas os tempos mudam e quando já posso se inventa, reinventa-se e os puffer jackets desfilam inclusivamente nas mais reconhecidas passerelles das semanas de moda internacionais.

 

  • O que há para saber sobre este tipo de casacos:

O puffer jacket é um casaco ultra-prático e resistente à água que transforma por completa a sua experiência com os dias cinzentos e chuvosos de inverno. Mas, afinal, de onde surgiu esta moda? Em 2016, na primeira colecção de Demna Gvsalia para a Balenciaga, onde surgiu na passerelle um casaco acolchoado vermelho que chamou a atenção de todos.

balenciaga puffer jacket

 

A partir daí, o modelo rapidamente passou para as colecções da Topshop e da Urban Outfitters e, hoje em dia, desafio-a a tentar descobrir uma marca que não tenha um modelo de puffer jacket. Os modelos vão variando e os preços também e o que é certo é que a probabilidade de adquirir um puffer jacket este outono-inverno é elevada. Além de prático, quente e resistente tornou-se bastante versátil, o que permite adaptar-se a um estilo quer casual, quer mais formal.

Eu conto com três no meu armário, os primeiros contam com seis anos e continuam impecáveis, o terceiro comprei já nesta estação. E o que é certo é que desde então passei a usar muito menos qualquer outro tipo de casacos, ou talvez, a principal razão seja realmente por não me sentir tão quente nos dias de inverno como quando estou a usar um puffer jacket. 

 

Mas mesmo que não fosse, eu preciso de uma kispo bom, resistente, quente, mas que não seja demasiado pesado e também não demasiado grande e claro que tenha capuz! Ninguém sobrevive com um aspecto decente nesta cidade nesta altura do ano se não tiver um casaco com capuz. Quer dizer, para mim é pratico e evita menos uma logística do tira e poe dos miúdos no carro, na pressa, nas idas ao supermercado, nos momentos em que carrego tudo e mais alguma coisa nas mãos.

 

Chove muito, mas a vida não pára! Cancelar o dia não é uma opcção e nem tão pouco ficar em casa.

 

  • Sugestões:

puffer jacket

Opção 1: Nordstorm

Opção 2: Arket - Este é o modelo que eu escolhi para mim e é feito com material reciclado.

puffer jacket

Opção 3: Topshop - Em SALDOS

Opção 4: Zara

puffer jacket

Opção 5: HM

Opção 6: &Other Stories

Opção 7: ASOS

 

Acham interessante este tipo de conteúdo? Gostariam de ver uma versão "kids"? 

 

Boa noite.

 

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