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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

De volta ao meu foco e ao tempo para mim. Voltei ao ginásio!

07.08.19 | Vera Dias Pinheiro

praticar exercício físico

 

 

Hoje completei o terceiro treino desta semana, a primeira semana nos últimos… dois meses, será?! Mais coisa menos coisas, não estarei muito longe. Foi o meu período mais longo sem praticar qualquer tipo de exercício físico e por mais que eu seja uma pessoa activa, que ande bastante a pé ou que opte pelas escadas invés do elevador, a verdade é que não é de todo a mesma coisa.

Nas últimas semanas comecei mesmo a sentir-me uma pessoa sedentária e percebi que isso me estava a fazer mal.

 

Sempre pratiquei exercício físico, a mal ou a bem, sempre andei inscrita num ginásio fosse ele mais XPTO ou não. Correr é que nunca foi bem a minha praia, contudo, nos últimos tempos, à falta de alternativa, atirava para a estrada – não no sentido literal da palavra – para me manter activa.

 

Tinha contruído a minha rotina, e vocês sabem que é difícil, e instituído o exercício físico como uma prioridade no meu dia a par com tudo o resto. E por mais que me custasse, não houve um dia que eu me tenha arrependido de ir ao ginásio. No final, o bem-estar compensava tudo o resto.

 

Para além disso, há todo um ritual que envolve a ida ao ginásio e que acaba por ser terapêutico, pelo menos para mim. Sejam 30 minutos, 50 minutos ou uma hora de exercício, é um tempo em que estou apenas comigo própria. Se levar uns phones e tiver a minha própria música, fico completamente alheada de tudo o resto: pessoas, barulhos, etc. Para mais, acabo sempre por distrair dos meus problemas ou preocupações, entro num outro mundo e estou ali presente no exercício de início ao fim.

 

E a verdade é que eu podia esperar pelo mês de setembro, quando os miúdos entrassem na escola e eu recuperasse o controlo do meu dia. Contudo, seria apenas arranjar desculpas e entrar numa espiral de sedentarismo que iria tornar o regresso mais difícil para mim. E é preciso saber reconhecer quando estamos a entrar num ciclo vicioso, que só nos fará mal, e saber travá-lo! Neste momento, tenho todas as condições para retomar o exercício e não havia porquê não o fazer.

 

Aliás, desde que parei que fisicamente ando pior: mais inchada, voltei a deixar de ir à casa de banho com a regularidade de antes, tenho menos energia durante o dia, para não falar do facto de sentir efectivamente o meu corpo mais flácido. A massa muscular não é coisa que seja um dado adquirido para vida, infelizmente. É um trabalho continuo, porém, com o tempo e a prática regular do exercício, chegamos a uma fase em que é só manter - mas para tal é preciso ir regularmente ao ginásio e voltamos sempre ao mesmo.

Andava triste, acreditem, e com a dose extra de problemas, acumulei tanta energia negativa que para fazer qualquer coisa era um esforço enorme.

 

Talvez seja mais fácil convencer-vos de que é praticar exercício físico é importante se vos disser que, hoje em dia, a minha grande inspiração é a minha mãe, com 62 anos, que diariamente caminha cerca de 4,5 km. A minha mãe é uma doente oncológica em fase de tratamentos que percebeu que, se os tratamentos ficam para os médicos, a ela cabe-lhe cuidar do seu corpo e do seu organismo para vencer esta batalha. Diria que desde que conheço a minha mãe, nunca a vi cuidar tão bem de si como agora.

 

E após tantas conversas com médicos, terapeutas, nutricionistas e mesmo outros doentes oncológicos, se há algo que é comum a todos é precisamente a importância do estado nutricional e físico do doente. Ajuda muito quando as pessoas estão fortes fisicamente, saudáveis nutricionalmente e com boa massa muscular não apenas para aguentar o próprio efeito da doença, como também os efeitos secundários dos tratamentos.

 

Não controlamos tudo, infelizmente, mas há ainda uma margem muito grande de coisas que podemos fazer por nós sem baixar os braços perante as dificuldades e, como vêm, há dificuldades que se assemelham a montanhas impossíveis de serem atravessadas. O mais importante é mesmo sermos capazes de mudar o mindset, dessa forma torna-se tudo mais fácil e deixamos de fazer as coisas por obrigação – isso é o ideal e a meta, mas há sempre um caminho mais difícil e que faz parte. E aí precisa muito de haver determinação para não desistir.

Pois, a alternativa é termos estas surpresas da vida que nos colocam literalmente entre a vida e a morte e, imagino, que nenhum de nós coloca sequer a hipótese de se imaginar nesse papel.

 

P.s: Encontrei um ginásio de que gosto e no qual me sinto bem, agora falta o Pilates que quero e preciso mesmo manter por uma questão mesmo de saúde. E esse sim, virá apenas em setembro. Para já, o importante é voltar a entrar no ritmo dos treinos de ginásio tal e qual estava antes.

 

Tome conta do seu corpo, pois é sua melhor armadura ou escudo de protecção!

 

Boa noite!

 

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Um fim-de-semana divertido com Crianças em Bruxelas | O que não pode perder!

06.08.19 | Vera Dias Pinheiro

Bruxelas o que fazer com crianças

 

Bruxelas é uma cidade catita para se viver, mas não só, para quem vai de passagem, é um destino interessante para descobrir e completamente kids-friendly. Quando falo de Bruxelas fico sempre com a sensação de que, quem não gosto, não parou por lá o tempo suficiente para a descobrir, porque não é apenas das do parlamento europeu e nem tão pouco a cidade “dormitório” para quem quer explorar aquela zona da europa, nomeadamente cidades como Bruges, Antuérpia ou Gent.

Bruxelas tem encantos próprios que podem e devem ser visitados e com crianças, se for o caso. É uma cidade pequena e plana, portanto carrinhos de bebé e de passeio são bem-vindos, podem apanhar um tempo chatinho, mas se tiverem a sorte de ter nem que seja um dia de sol, vão perceber a sua beleza natural com tanto verde à vossa volta.

 

Sendo assim, e aproveitando o “pedido” de uma seguidora através do Instagram, vou deixar-vos aqui um MINI ROTEIRO para quem visita Bruxelas com crianças. Entretanto, é possível que nos próximos tempos venha a actualizar este post com outros locais – novidades – que irei descobrindo com o tempo que vamos estar por cá. Mas manter-vos-ei actualizados naturalmente.

 

  • Ar Livre/Cultura:

- Picnic no Parc Du Cinquatenaire ou no Parque Bois de La Cambre.

O primeiro fica inserido na cidade e tem alguns museus e monumentos inseridos no parque e que valem a pena ser visitado, nomeadamente o Museus Autoworld, o Museu de Arte e História e ainda o Museu Real das Forças Armadas e da História Real.

O segundo, é um parque enorme, um autêntico bosque, com espaço para lazer, caminhadas, tudo aquilo que seja propício fazer ao ar livro. No meio deste bosque encontram um restaurante/salão de chá, o qual é apenas acessível através de um barco que faz a pequena travessia entre as margens.

- Museu de Banda Desenhada

- Museu dos Instrumentos Musicais

- Museu de Ciências e História Natural (de referir que já no final da visita a este Museu encontrar uma parte interactiva com jogos e experiências para os mais pequenos).

 

  • Shopping:

- Pipelettes & Galopin

- Boucle d’ Or

- Grasshopper (no centro da cidade e, assim, aproveitam o passeio na zona história de Bruxelas: Grand Place, Manneken Pis e Bourgmestre de Bruxelles).

 

  • Cafés/Restaurantes:

- Leopold Café Press

- Le Pain Quotidian

- Cook & Book

- Chez Léon, porque têm que ter a experiência e provas as tradicionais moules (as minhas preferidas são as marinadas).

 

  • A não perder também:

- Mini Europa

- Atomium

- Parlamentarium

 

  • Informações extra que eu gostava que me dessem:

Táxi 2 Brussels

Trata-se de uma aplicação que vai facilitar muito a vossa vida nos trajectos aeroporto-cidade e vice-versa. Como funciona? Preencher o formulário com os vossos dados, crianças sim ou não e se precisam de cadeiras e também com o número do vosso voo, pois à chegada terão alguém à vossa espera. Desta forma, estão a assegura que têm automaticamente transporte à vossa à chegada, com espaço para as malas e carrinhos, assim como, com as cadeiras de transporte adequadas. E, para além disso, poupam alguns (muitos) euros, pois o valor é fixo:

  • Cidade - Aeroporto: 35€
  • Aeroporto - Cidade: 37€ (acresce o valor do parque).

 

É de confiança e nós, pela nossa própria experiência, recomendamos MUITO!

 

Espero que gostem, sobretudo, que tenham ficado com vontade de nos fazer uma visita. E qualquer coisa, avisem. Cá estarei para ajudar a esclarecer dúvidas e/ou responder às vossas perguntas, sim?

 

Boa noite!

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A Vida Não Pára: Sê Resiliente… E Pragmática!

05.08.19 | Vera Dias Pinheiro

regressar a casa

 


(Finamente) Em casa!

 

Estamos em Bruxelas há mais ou menos um mês e esta é já, sem dúvida, a nossa casa. Não me perguntem como é que isso se faz, porque eu não sei. Talvez, ter trazido as nossas coisas ajuda, ou talvez, foi ter tido a sorte de encontrar “a” casa, aquela que estava destinada para nós. Não faço ideia, o que eu sei é que regressamos agora de férias e sentimos todos que estávamos a regressa à nossa casa com tudo o que essa sensação tem de boa.  



Contudo, após a viagem atribulada - os atrasos, o cancelamento do voo, passar uma noite num hotel sem nada para além da roupa do corpo, o cansaço e outros imprevistos - regresso uma pessoa diferente. Confesso que ainda não percebo bem a dimensão de tudo o que está a acontecer e que aconteceu na semana que passou, todavia mexeu bem cá dentro de mim. Há quem diga que sou de aço, porém o que eu acho é que encontrei uma serenidade para aceitar as dificuldades que antes não tinha. E falo abertamente sobre isso, perguntem à minha mãe. 



Antes vivia tudo intensamente, especialmente as injustiças. Bloqueava no “porquê eu!”, na revolta e na injustiça. E, com isso, criava um muro à minha volta. Recusava-me a aceitar a realidade, foi assim com a separação dos meus pais e outras quantas histórias após esse momento. 

Pensando bem e olhando para o passado, talvez tenha tudo feito parte do processo, o processo de crescimento. Primeiro a revolta; depois a aprendizagem e, por fim, alcançar o estado a seguir, isto se aprendermos a lição. 



Eu levei anos a aprender, na minha juventude achava que tudo o que me acontecia era uma tremenda injustiça, pois tudo travava e bloqueava um momento tão importante como o começar de uma vida adulta: fim da faculdade, início de carreira e o sonho ter que dar lugar ao prático: trabalhar para ganhar dinheiro e pagar as minhas contas e, se possível, permitir-me jantar fora uma vez ou outra, beber um copo com os amigos ou ir ao cinema.



Entretanto, os anos foram passando e eu fui levando a vida sempre até à próxima provação. Até que houve um dia em que fiz diferente: travei a revolta e escolhi enfrentar e resolver o problema. E, no final, tudo se resolveu por bem (para mim) e em tempo recorde. Foi, então, que pensei que talvez não fosse assim tão difícil.

Contudo, quando vivemos uma fase boa ou, pelo menos, tranquila, sentimo-nos confortáveis, sussurramos aquele “ufa” para nós mesmas. Mas a vida lá sabe o que faz e há sempre uma forma nova de nos colocar à prova.



Da bagagem trouxe a serenidade: ok! Aceito e sigo em frente. Agora quando sentes que a vida que está a brindar com uma situação completamente anti-natura e fora de tudo, uma pessoa fica tipo barata tonta sem conseguir perceber como é que chegamos até aqui. Hoje, eu (ainda) penso muitas vezes que não vou ser capaz, que é completamente fora de tudo pedirem-me tal coisa.

 


Mas a vida não pára, disseram-me! E a verdade é que a vida adulta exige que sejamos pragmáticos e racionais. No fundo, é aprender a viver com uma objectividade para a qual não vimos preparados, pois somos feitos de sentimentos e emoções. Mas é assim e não há volta a dar.

 

Por isso, regressei a Bruxelas, à nossa casa lutando contra o meu sentimento de culpa por estar longe de quem precisa, por ter que delegar os cuidados a outra pessoa, por ter que me concentrar na minha família que começa nos meus filhos e que precisam muito de mim e vão precisar ainda mais.

 

A vida é pragmática e objectiva, mas o ser humano não é e eu só espero conseguir andar pelo meio-termo. Porém, se conseguir sossegar a minha cabeça num lugar só já dou graças a Deus.  

 

Boa semana!

 

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O amor também cura | O remédio que não vem prescrito pelos médicos

02.08.19 | Vera Dias Pinheiro

o amor também cura

O amor não é uma ciência exacta e nem existem estudos científicos ou resultados estatísticos sobre o mesmo, porém eu acredito que o amor também cura. Acredito que melhora o bem-estar do doente, liberta a produção de endorfinas e, assim, a sua energia canaliza-se para as coisas boas - e o bom atrai “mais bom”.

 

Estou a horas de regressar a Bruxelas e, desta vez, vou com o meu coração apertado e com uma tristeza com a qual terei que aprender a lidar daqui para a frente. Terei sobretudo que aprender a transformá-la em outro tipo de sentimento, seja ele qual for. Contudo, se há coisa que o cancro tem de bom é o “abre olhos” para a noção do tempo. Sim, esse mesmo, o tempo que passamos a vida a desperdiçar como se fosse algo que recuperamos facilmente.

 

E eu decidi que quero aproveitar este tempo. Eu recuso-me a ser daquelas pessoas que chora e se lamenta “se tivesse feito isto ou aquilo” ou “se tivesse aproveitado mais ou feito mais aquilo”. Nada disso! Todos os dias contam, sejam semanas, meses ou anos. Mas neste momento, nada disso importa mais, não me importa mais quantos anos viverei. Importa-me saber como aproveitei o meu tempo.

A objectividade dos médicos é assustadora, contudo, se calhar, precisamos todos de levar um abanão de vez em quando. 

 

Portanto estes dias, que eu achava serem muito poucos, acabaram por ter permitido fazer coisas que antes pensava serem impossíveis. Vou triste, é verdade, mas vou de coração cheio por não ter desperdiçado um só segundo de cada dia. 

Ri, chorei, abracei, beijei, dei amor e recebi muito amor, rezei, senti-me forte e fraca ao mesmo tempo, dei a mão, dei o meu tempo para ouvir os desabafos, sentei-me, conversei sem pressa ou distracções, estive em silêncio com alguém e foi reconfortante, cresci e parto sentindo-me uma pessoa muito mais adulta. 

 

Contudo, acima de tudo, sei que consegui fazer alguém feliz, sei que dei um pouco de cura, aquela que não é prescrita pelos médicos, mas cujos efeitos secundários (e principais) são bem melhores do que os da radioterapia e da quimioterapia. O amor pode não vir numa receita médica, mas nestes dias senti que pode ajudar a curar e isso é tudo aquilo que me importa agora, porque desse medicamento eu tenho aos “montes” e movo montanhas para o fazer chegar a quem precisa.

 

Estes dias, intensos e dolorosos, em Portugal chegam ao fim com doses de amor redobradas, uma casa cheia de crianças e uma família que tem o coração no lugar certo unindo-se quando é preciso e que sabe pôr as diferenças para trás. Aliás, já nem fazem qualquer sentido... o amor de sangue tem esta vantagem acrescida.

 

Ontem fiz cerca de 300 km para ir buscar a minha família ao Algarve e outros 300 km para regressar - eles um dia mais cedo do que o previsto. Desta forma, é possível terminar as férias num lugar especial: a casa da avó, onde tudo é possível! 

 

Na casa da minha avó, chegavam a estar seis netos, eu era (e sou) a mais nova, sempre a tentar acompanhar os outros, até nos filmes de terror, o que, às vezes, não corria lá muito bem. Mas a casa dos meus avós era mágica, onde tudo acontecia e onde os nossos desejos eram satisfeitos. Às vezes, éramos chamados a atenção, mas a alegria nos olhos do “vô” e da avó denunciava o amor incondicional e cheio de mel pelos netos.

 

E foi esse amor que fui rebuscar agora, afinal, os tempos que se vivem requerem medidas mais agressivas. Juntei os quatro netos num autêntico acampamento em casa da avó, que diz que nunca se sentiu tão feliz. Improvisou-se um cinema, houve pipocas, confusão, deitar fora de horas e cada um deles tinham um brilho especial no olhar. Estava a ser um dia único e uma noite espectacular para todos.

 

Deixo-os mais à vontade e deixei-os aproveitar cada segundo do momento para que fique gravado na memória tal como eu fiz há muitos anos atrás. 

 

Este pode não ser o remédio que vai salvar quem precisa, mas não me lixem.... porque é o amor incondicional e puro que nos dá força e nos torna inabaláveis - e sim, já escrevi isto antes.

 

Se pudesse mudava tudo, tirava a doença ou faria com que a distância Portugal-Bélgica não existisse, mas existe e não posso afundar-me na dor e na tristeza que vou sentir sempre. Ainda assim, o controlo do presente é meu e eu escolhi transformar cada um destes dias num dia memorável durante os quais coisas incríveis podem acontecer e aconteceram. 

Vivam as memórias em casa dos avós!

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