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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Tivemos a nossa primeira despedida…

17.06.19 | Vera Dias Pinheiro

peixe de água salgada, tropical marine center

 

Por esta altura, sentimos já que estamos ou a fazer as coisas pela última vez ou a dizer adeus a alguma coisa ou a alguém. E neste processo profundo de mudança e em que decidimos ir literalmente com a casa às costas – bom, não assim tão literal, porque a casa vai bem acomodada dentro de um camião e nós, descansados, dentro do avião. Mas ia eu a dizer, nesta mudança, houve desde logo algo que soubemos que seria muito difícil levarmos connosco… o nosso aquário, mais propriamente, os nossos peixinhos.

 

Curiosamente, está quase a fazer um ano que os recebemos, num misto entre entusiasmo e também muito medo, pois eu não fazia a mínima ideia onde me estava a meter. Era uma experiência completamente nova a de ter um aquário de água salgada em casa com um casal de peixe-palhaços lá dentro e tudo isto, volto a dizer, na nossa sala.

peixe de água salgada, tropical marine center

peixe de água salgada, tropical marine center

 

A reacção dos miúdos foi tipo “WOW” e de todas as crianças que vinham cá a casa. Mas a beleza não vinha apenas dos peixinhos coloridos, todo o ambiente e decoração trouxeram ainda mais conforto à nossa casa e sinceramente, olhar neste momento para aquele canto vazio dá-me uma certa tristeza.

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Foi praticamente um ano – e muitos me deram os parabéns, pois foi notável para alguém completamente amadora, como eu, ter entrado de cabeça nisto, sem saber nada e ter conseguido manter todos os peixinhos VIVOS, o próprio aquário a funcionar e tudo isso.

 

Contudo, a verdade é que eu apenas fiz aquilo que qualquer um de nós, que quer iniciar-se em algo do qual não percebe nada, que foi ir buscar a informação a quem a têm. E embora eu saiba que serei apenas e só uma amadora na aquariofilia, conheci pessoas que amam os peixes e que dominam o assunto como experts que são e foi uma experiência fantástica. Aprendi imenso, fiquei desperta para assuntos que me passavam ao lado e desfiz mitos acerta dos peixes de estimação.

Como tal, naturalmente que não poderia deixar de referir a Tropical Marine Centre (TMC), onde foi a minha vez de me sentir tipo “WOW” e o André Corga, a pessoa responsável, que me explicou sempre tudo, respondia às minhas mensagens e a quem eu não conseguia contar o sucedido ao camarão por estar cheia de remorsos e a achar que tinha sido culpa minha.

Esse momento foi, sem dúvida, o mais complicado, mas quando ultrapassei os tais erros de principiante, senti-me muito mais à vontade com o meu aquário. E se eu alguma vez duvidei de que os peixinhos não são resistentes e que são animais de estimação que curta duração, desenganem-se, é o oposto!

 

Porém, como qualquer animal de estimação, é preciso conhecer e perceber o que precisam para os instalarmos em nossa casa, o que precisam enquanto estiverem em nossa casa e toda a manutenção associada, no caso a limpeza e a alimentação são as duas coisas fundamentais. Por isso, se um dia decidirem ter um peixe de água salgada em vossa casa não hesitem, basta que se desloquem à loja certa e, nesse caso, aconselho sempre a consultarem a lista de lojas que trabalham directamente com a TMC, no seu próprio site.

 

Resta-me agora saber que foram adoptados por dois amantes, daqueles mesmo à séria, de peixes de água salgada e que ficaram felizes quando a oportunidade surgiu. Tive a grande sorte de serem eles a tratar do transporte dos quatro peixinhos… senão ia ser um estado de nervos para mim!

 

Entretanto, passadas poucas horas recebi logo novidades….

peixe de água salgada, tropical marine center

 

O Carlos e o Nuno têm um projecto/plataforma que se chama FRAGROOM que pretende ser uma plataforma dinâmica de troca de informações para os entusiastas da aquariofilia de água salgada. Podem encontrá-los no Instagram e Youtube e eu, no caso, já estou a segui-los para conseguir “sacar” notícias dos meus peixinhos, claro!

 

Qualquer animal de estimação exige de nós uma atitude consciente e responsável, seja na hora de os trazermos para nossa casa, seja no momento em que percebemos que não temos mais condições para os termos. Não é apenas uma brincadeira de um determinado momento, é uma responsabilidade que esperamos que dure durante muito tempo. E

 

Portanto, este era assunto que me estava a causar alguma ansiedade, pois queria, o quanto antes, encontrar-lhes um novo lar para não chegar ao ponto de colocar em causa o cuidado e o seu bem-estar.

E, no final, houve um Final Feliz para eles!

 

Não foi bem assim que imaginei os nossos últimos dias em Portugal...

16.06.19 | Vera Dias Pinheiro

últimos dias em bruxelas, emigrar com crianças

 

Sem Santos Populares, sem Feira do Livro e sem outras pequenas coisas às quais tive que dizer não ou mesmo cancelar, porque a verdade é que foi preciso abrandar o ritmo no meio do caos da mudança.


Estava tudo controlado e havia tempo para tudo, mesmo que sempre a correr de um lado para o outro. Porém, de um momento para o outro, fui obrigada a parar e a recomeçar com calma. E nesse processo tive que ganhar forças para definir prioridades, escolher o devo ou não fazer e, acima de tudo, perceber em que medida é que em determinadas situações estava ou não a agir mais prol dos outros do que de mim mesma.

É que eu sou esse tipo de pessoa. Sou aquela pessoa que facilmente dá por si a fazer as coisas mais pelos outros do que por si mesma. E sem coragem para dizer um não!

 

Contudo, nesta recuperação, sou constantemente alertada para a necessidade de dosear os esforços e a intensidade com que faço as coisas. Mas há coisas das quais eu não posso fugir, nomeadamente cuidar dos meus dois filhos, que só isso já é trabalho suficiente; o meu trabalho e toda a transição necessária de ser feita e, por fim, e não menos importante a mudança. E assim percebi com clareza que estas são as minhas prioridades e onde devo investir as minhas forças.

E uma mudança deste género, quem já passou por isso saberá, não é feita de animo leve, não se trata apenas de colocar tudo em caixar e pronto! Comecei cedo a planear, organizar e também a destralhar. O que, por um lado, foi a melhor ideia que podia ter tido, mas, por outro, tem vindo a tornar a nossa vida cá em casa cada vez mais caótica, desarrumada e confusa. E não é fácil lidar com isso, nunca é, mas nesta recta final, começo a sentir-me mais nervosa e ansiosa.

Mas não sou apenas eu, o Vicente e a Laura também. Os dois passam os dias a brincar aos aviões e a perguntar quando vamos no “avião para Bruxelas” ou, por exemplo, quantos dias ainda vão estar na escola. Ai!!! É muita pressão! Muita mesmo!

 

A esta altura do campeonato, já não existe propriamente vontade de estar nesta casa e contam-se os dias para que comecem a encaixotar e levar coisas daqui. O trabalho que temos pela frente é ainda muito, porque as coisas parece que se multiplicam, tanto as que são para destralhar, como as que são para levar. Torna-se desesperante não conseguir colocar uma ordem, um início é um fim. É tudo um caos!

Entrentanto, os dias passam-se, a data aproxima-se rapidamente e fica, no entanto, uma certa pena por não ter aproveitado os últimos dias por aqui tal como tinha planeado. Para além disso, tive que deixar de treinar, algo que me faz tão bem a cabeça e a tudo; os encontros que tive desmarcar; o arraial de Santo António onde queria levar os miúdos; a Feira do Livro, uma paragem obrigatória todos os anos...

Vejo-me apenas rodeada de caixas e mais caixas, de coisas fora do sítio e sempre em grande esforço para manter a calma, todos os dias, de manhã à noite. Contudo, a recta final custa sempre mais, não é verdade? Pelo menos sempre ouvi dizer que sim.

Houve alguém que comentou o seguinte:

“Por vezes, há momentos em que sentimos que a nossa vida está sem “suspenso”. Quando finalmente, chegarem a Bruxelas a vida volta a fazer play e recomeçam do ponto onde estavam antes de tomar a decisão da mudança. E vida volta a girar e as rotinas voltam ao dia-a-dia. E a nova casa “volta” a ser a vossa casa/lar.” Uma seguidora nesta fotografia.


E, talvez, seja mesmo isso, porque, neste momento, vivemos dividimos entre cá e lá. Despedir-nos de cá e instalar-nos lá, e sim, esta parte envolve muita burocracia, desde documentos, de assuntos relacionados com a casa e com as escolas. E, desta vez, vou com outras preocupações, afinal, agora vou com duas crianças crescidas e não podemos cair lá de para-quedas. Se há coisa que quero garantir é que sintam em todo este processo segurança, tanto quanto possível nesta primeira fase. Por isso, temos feito todos os esforços para ter tudo tratado antes de chegarmos com eles e tem sido uma loucura.


Mas agora estamos mesmo quase! Estamos a poucos dias, pouquinhos mesmo de se dar o tal “click” e as coisas voltarem a engrenar. Ainda não consigo respirar de alívio, contudo já vislumbro uma luz ténue ao fundo do túnel.

 

Invisalign: O meu primeiro check-up!

14.06.19 | Vera Dias Pinheiro

invisalign, clínica do marquês

Tenho o Invisalign há cerca de um mês e vou no quarto alinhador. Neste período, comecei logo por viajar para Bruxelas, ainda alguns dias – literalmente no dia seguinte - e foi um grande desafio, porque, como em tudo, é preciso um tempo de adaptação, sobretudo quando é preciso o nosso organismo adaptar-se a objectos estranhos.

 

Dei o meu melhor, sem desistir e nem sequer ficar acanhada com o “tira e põe” do Invisalign de cada vez que havia uma refeição ou que nos sentávamos para tomar algo. E agora, recentemente, a operação, que na verdade foi o de menos, porque sem comer não houve necessidade de tirar o aparelho (apenas durante a operação, porém, assim que entrei no quarto pedi logo).

 

Portanto, estava um pouco expectante relativamente à consulta de hoje, porque o resultado do tratamento com o Invisalign depende, acima de tudo, de nós. Como tal, numa refeição mais prolongada esticamos mais um pouco o tempo sem o aparelho e, no final do dia, estamos sempre a fazer conta aos minutos que estivemos sem o Invisalign.

Ou talvez, seja apenas o meu lado exigente e controlador a falar e colocar pressão em cima de mim. Já sabem como é que eu sou.

 

Chego confiante, mas ansiosa para que a Dra. Rose me pusesse o seu olhar clínico em cima. E Dra. Rose é das pessoas mais simpáticas e afectuosas que eu conheço, é daquele tipo de pessoa que, sem qualquer tipo de afinidade ou confiança para tal, já nos apetece abraçar. Entendem?

Como tal, cheguei e fui logo recebida com um grande sorriso e sem hesitações, pois o tratamento, ainda muito no seu início, está a seguir o caminho traçado. Não existe propriamente um antes e um depois, nem diferenças que sejam relevantes mostrar agora.

Pese embora, eu tenha dado conta da alteração substancial, que foi o espaçamento mais acentuado entre alguns dentes.

Cada paciente tem um tratamento específico e, no início, é muito importante este acompanhamento em consulta, para perceber como está a correr, quais as principais dificuldades, etc.

Um dos factores que pesou muito na minha decisão final em avançar com o Invisalign foi precisamente a autonomia, ou seja, a possibilidade de ir fazer o tratamento sem consultas regulares no dentista.

 

Uma das primeiras coisas que referi foi o facto de irmos mudar para Bruxelas e que esse foi um dos motivos pelos quais, da primeira vez, não conclui o tempo certo e nem tive o acompanhamento devido no final. Era importante esclarecer se, neste caso, o facto de morar no estrangeiro seria igualmente uma dificuldade.

O que não é! Por um lado, e como já disse, o sucesso do Invisalign depende muito do nosso compromisso com o tratamento.  Como, por outro, a sua grande vantagem é que o Invisalign estuda todo o nosso tratamento, do início ao fim, ao detalhe de cada alinhador e com tudo o que é preciso e eu já sei como vão ficar os meus dentes.

Não nos podemos esquecer que nada disto é produzido em Portugal e, como tal, vem tudo num “pacote” para o nosso dentista e será, em diálogo com cada paciente, que será determinada a frequência com que serão dados os novos alinhadores.

Como eu vou agora para Bruxelas, onde irei ficar um mês, até voltar de férias, já tenho o número certo de alinhadores até à próxima consulta. E, nessa altura, vamos ajustar em função da minha próxima vinda a Lisboa e assim sucessivamente.

 

À medida que o tempo passa, estou 100% convencida com este tratamento, especialmente por me esquecer por completo de que uso aparelho, ao ponto de muitas vezes começar a comer e só aí me lembrar que não o tirei. É super cómodo e encaixar os alinhadores vai sendo cada vez mais natural, assim como os nossos truques para nos adaptarmos à logística no dia-a-dia.

Não podia ter tomado melhor decisão nesta fase e sei que muito rapidamente entraremos numa fase em que vou poder ver (finalmente) os dentes a endireitar e aí, então, estarei ainda mais feliz!

 

 

Boa noite!

Como foi partilhar a mudança (para Bruxelas) com o Vicente e a Laura?

11.06.19 | Vera Dias Pinheiro

partilhar a mudança de país com os filhos

 

Em primeiro lugar, tenho a dizer que tenho uma abordagem muito aberta com os meus filhos. Conversamos sobre tudo e, desde muito cedo, que eu lhes explico as coisas sem histórias ou outros disfarces apenas porque são muito novos.

Claro que não são conversas de adulto e que a informação é doseada em função daquilo que a idade deles lhes permite absorver e até entender.

 

E, em segundo lugar, o assunto Bruxelas nunca foi um tabu cá em casa, pelo contrário, foi sempre algo que quis manter presente no Vicente. E mesmo tendo regressado a Portugal com cerca de dois anos, ele próprio sempre fez muitas perguntas e tinha muita curiosidade sobre a casa em que viveu, por exemplo.

 

Neste sentido, quando Bruxelas se tornou uma certeza na vida de todos, a primeira coisa que decidimos fazer foi falar com o Vicente - com a Laura também, mas é muito pequena ainda para perceber. E a primeira abordagem foi uma espécie de sondagem, meio insegura da nossa parte, é certo, a tentar medir a reação do Vicente, que logicamente não foi a melhor. Mostrou-se de imediato muito emotivo e choroso.

 

Foi nesse momento, que eu e o meu marido, sem experiência neste assunto, conversamos sobre esta mudança nas nossas vidas e que para acontecer, ambos teríamos que falar do tema como a melhor coisa que pode acontecer na nossa família e, consequentemente, na vida deles também.

 

E esta passou, então, a nossa segunda abordagem. Mais confiante, assertiva e positiva. Pois, se eles sentirem a nossa segurança, sentir-se-ão igualmente seguros e se eles sentirem o nosso entusiasmo e felicidades, serão igualmente contagiados por esses sentimentos.

 

Ora, não havendo fórmulas certas ou erradas, a melhor opção pareceu-me ser seguir o meu instinto de mãe e aquilo que eu conheço dos meus filhos. E este é um assunto longe de estar fechado. Eles ainda não conhecem a cidade ou a casa e, depois, em setembro teremos toda a adaptação à nova escola, ambiente, língua, etc… de ambos.

 

Não vou mentir dizendo que não se trata de um assunto delicado, porque é, contudo, tem igualmente vindo a ganhar consistência à medida que o tempo vai passando, que nós nos deslocados até Bruxelas para ir tratando da burocracia à medida que ia sendo necessário e que se se aproxima a data e eles estão acompanhar tudo desde o inicio, desde o mais stressante até finalmente estarmos todos instalados.

 

A minha escolha foi fazermos tudo em conjunto e inclui-los nesta fase da mudança, dando-lhes a possibilidade de escolherem as coisas que querem levar (e não) e lá, as novas coisas que farão parte do seu quarto e dos espaços.

 

Nas nossas viagens a Bruxelas, enviávamos fotografias, contávamos coisas sobre as escolas e sobre os futuros amigos que terão lá e a procura das casas. Sempre sorridentes e optimista de quem está a procura do melhor para ambos. Afinal, é disso mesmo que se tratar, dar-lhes uma experiência de vida que irá torna-los miúdos com horizontes mais alargados, com conhecimento de, pelo menos, mais uma língua estrangeira e tudo mais.

Como mãe essa é a minha motivação maior e sei que as crianças têm uma capacidade de adaptação enorme, especialmente sendo tão novos. Mas não deixo de estar atenta a alguns sinais que, como mãe, me deixam inquieta.

 

Aos seis anos, sinto que o Vicente entrou precisamente na fase de se ligar aos amigos e a um grupo, muito coeso por sinal. E vê-lo lidar com o medo da perda desses amigos é o que custa mais, admito. Custa-me tirá-lo do seu grupo de amigos de infância.

Para além disso, na cabecinha dele, o tempo é relativo e ele acha que lá para janeiro regressa para junto dos amigos a tempo da festa de Aniversário.

 

São estes os momentos em que o meu coração fica um pouco mais apertado.

Portanto, há coisas que só ao tempo dizem respeito. Por agora, temos conversado sobre tudo o que os espera, temos visto fotografias e lido livros.

O que temos cá, temos fortalecido laços e aprendido que os amigos do coração vão connosco para todo o lado, porque no coração não existem fronteiras.

 

E, como tal, passar tempo com os nossos amigos e família e com os amigos deles tem sido uma prioridade. E temos aproveitado muito e eles também, para que, sobretudo o Vicente perceba que os amigos não se resumem à escola, pois quando são amigos de verdade, não faltam oportunidades para estarem juntos e passar tempo em brincadeiras.

 

Mas como disse, há coisas que só ao tempo dizem respeito e prefiro deixar fluir. Vou doseando a informação à medida que é preciso, minimizando a ansiedade e fazendo com que, enquanto estamos cá, aproveitemos ao máximo.

 

P.s: E para quem perguntou se o Vicente e a Laura falam francês, não, ainda não falam, embora digam umas palavras a soltas aqui e ali.

 

Boa noite!

 

Uma cirurgia de urgência e a vida virada do avesso!

08.06.19 | Vera Dias Pinheiro

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Tudo, rigorosamente tudo, pode mudar de uma hora para a outra. Nem eu, nem você, posso achar que controlo tudo na nossa vida. E se existem momentos em que o fazemos, rapidamente somos surpreendidos pela vida com formas, regra geral, não muito simpáticas de nos chamar a atenção, ora quando estamos a abusar, ora quando damos uma de controladores.

Lição de vida n.1: Aprendida

O meu mês de junho estava, e está ainda, completamente cheio, programado, com datas fechadas para muitas coisas acontecerem, muitas delas que determinam TO-DA a nossa vida. A data da mudança (o próprio camião, fechado com todas as nossas coisas, que tem que seguir num dia certo) e os bilhetes de avião comprados, são assim algumas das coisas.

Estava tudo programado para correr dentro do calendário, sem esquecer as despedidas! Ai... as despedidas!

Portanto, quando o mês de junho chegou, eu entrei literalmente em modo piloto-automático sem margem para que algo corresse mal ou para que houvessem deslizes.

 

Mas, na vida, as coisas não funcionam assim e curiosamente, no dia seguinte a ter partilhar uma fotografia em que me sentia optimista e positiva e vos incentivava a:

Tirarem uma fotografia vossa nos vossos dias bons, naqueles em que se sentem bem seja fisicamente, seja, porque motivo for. No meu caso, falava da minha barriga, esse never-ending projecto de a manter bem. Mas, acrescentava que esse resisto servia para me mimar no dia mau, para não me castigar, mas sim, incentivar a não desistir, porque eu consegui estar ali.

Ora, precisamente no dia seguinte, dou entrada nas urgências com uma suspeita, e mais tarde confirmada, apendicite aguda.

 

Gerir a situação do problema em si não foi o difícil, mas foi pela inexistência de um plano de emergência ou sequer de uma situação deste género ter sido equacionada. O meu marido ia viajar em trabalho no dia seguinte, o Vicente tinha a última, e tão importante, Festa de Finalistas, sendo que o pai já não ia estar e eu naquela situação, já não controlava nada.

 

Para além disso, a recuperação, que implica não fazer esforços, e toda uma mudança marcada. Era o pior cenário de todos! O pior! Pois o desgaste físico nesta fase em que entramos vai ser grande.

 

Contudo, não houvo sequer tempo para que a frustração desse lugar, porque foi tudo muito rápido e, no hospital dos Lusíadas, foram todos impecáveis comigo e até com a minha fragilidade emocional, a lidar com tudo aquilo, ali sozinha.

Lição de vida n.2: Olhar o copo meio cheio.

 

O facto de não ter acontecido em Bruxelas, foi de longe o primeiro motivo pelo qual eu agradeci logo estar ali e a resolver já este assunto. Não teria uma rede de apoio e em que confio a 100% como tenho cá, e isso será sempre o pior de viver fora. Mas serviu de alerta, pois uma das coisas que irei tratar é de construir uma rede de suporte, sobretudo ter quem se assegure das crianças em caso de emergência.

 

O pai, a quem eu não quis preocupar e deixei viajar, cumpriu o objectivo da sua viagem, mas antecipou o regresso e, no final, o Vicente acabou por ter pai e mãe na primeira fila e notou-se a felicidade estampada no seu olhar.  Porque tive alta e tive a compreensão de que eu, como mãe, não podia ficar-me pelos vídeos e as fotografias. Eu tinha que lá estar, ele tinha que me ver e sentir que somos estamos junto aqui e na próxima fase da nossa vida.

 

Amor de mãe é assim. Apodera-se de nós e nós movemos montanhas para fazermos o que achamos que temos que fazer. E foi esse amor que serviu de analgésico para as minhas dores.

 

Quanto ao resto… bom, a vida vai seguir na mesma, as datas estão marcadas e há coisas realmente inadiáveis. Foi bom ter começado a planear tudo mais cedo, pois agora não me sinto demasiado ansiosa e depois, vou delegar mais na empresa de mudanças, ao invés de ser tão eficiente e facilitadora do trabalho… dos outros!

 

Este episódio menos feliz, foi também a prova de todo o amor que temos à nossa volta. Das pessoas que, elas próprias alteram a sua vida com este imprevisto, para não me deixarem sozinha. Até vocês que se ofereceram para um pratinho de canja, que eu irei cobrar (eheh), às partilhas sobre o processo de recuperação e até a piadas que me fizeram rir.

 

E, por fim, perceber que tudo se faz, seja de costas ou de barriga. E que na verdade podemos ser pessoas mais relaxadas, até porque se exageramos, lá recebemos o nosso aviso! Podemos ser mais brandos connosco próprios, sem colocar demasiada pressão nos nossos ombros e sem querer demasiado perfeccionista.

 

E eu sou assim e isso não faz de mim melhor profissional, mãe, pessoa, mulher. Fez me entrar em brunout e, se é preciso parar, está apendicite aguda veio lembrar-me disso!

 

Boa noite! 

A minha sorte por ter desse lado pessoas tão boas! Obrigada!

04.06.19 | Vera Dias Pinheiro

emigrar com crianças

 

É normal termos altos e baixos na nossa vida! Todos temos fases em que progredimos e em que sentimos que estamos a crescer e outras, pelo contrário, que parece que não vamos a lado algum. Contudo, para mim, o pior é sentir que não tenho nada de diferente para dar, talvez pela minha própria saturação do que consumo diariamente.

São fases importantes por mais que nos sintamos desanimados. É nestes momentos que devemos continuar sem baixar os braços por mais que pensemos, será este o caminho?

 

Pois bem, era um pouco assim que eu própria me vinha a sentir nos últimos meses, mais concretamente, desde o final do ano e contrariamente ao que muitas faziam, perguntando ao seu público o que esperavam delas e dos seus conteúdos, eu não estava a conseguir. Para outras tinha chegado o seu momento de crescimento, com projectos e ideias muito boas, a identidade e a certeza da mensagem que queriam passar. E vi coisas muito bonitas a acontecer. Mas eu não estava aí.

 

Sentia-me à deriva, sem a capacidade para vos perguntar o que queriam com medo de não conseguir corresponder. Talvez e, coincidência ou não, é desde o fim do ano que a mudança para Bruxelas tem vindo a ser planeada, com mil cuidados, a escolha de escolas, de casa, organizar os timings, encaixar as viagens, gerir os sentimentos e as emoções dos meninos, as burocracias e a própria mudança em si!

 

Talvez tivesse sido mais fácil tendo partilhado e vocês acompanhado, mais ou menos em tempo real, mas até aqui as minhas prioridades eram a minha família, o Vicente e a Laura. Era conseguir a melhor escola, uma casa confortável, tentar que eles não percam nada de cá, mas ainda assim que não caiam de para-quedas na nova vida, nomeadamente na vida escolar. Depois, tudo isto iria assumir uma dimensão real, com as perguntas e as curiosidades normais e eu não estaria preparada para tal ainda.

 

Portanto, tenho vivido com um certo nó na garganta, alguma indefinição quanto ao meu futuro, porque se para vocês eu sou a Vera, para as marcas somos apenas um número, que tem que obrigatoriamente crescer grandiosamente e eu também não sei quão grandiosa eu quero ser, se quero estar constantemente a pressionar a minha persona virtual. E também não era aí que eu estava ou estou, porque o que eu tenho para vos dar neste momento é maioritariamente isto: esta nossa vivência, a mudança e tudo o que daí a advém.

Ando meia perdida, ou melhor, com o tempo muito contado nestes dias, em que todos os minutos que sobram são aproveitados para arrumar alguma coisa, para preparar a festa de finalistas e, em bom rigor, já vivo entre Bruxelas e Lisboa há alguns meses.

 

E, assim, esclarecido todo o contexto, as vossas mensagens ente ontem e hoje lembraram do porquê de tudo isto, de como começou e de há realmente um sentido nos conteúdos e nas partilhas. Senti que uma pessoa que não conheço e que não me conheço a mim, leu o meu post de ontem e que chorou por ter sentido que uma pessoa próxima vai para longe. Ou que se emocionou, porque eu estive presente numa fase difícil da sua vida ou por ter ajudado a ultrapassar o estigma da mãe a tempo inteiro.

 

Foram tantas as coisas que li e que mexem muito comigo, sabem? Sinto uma enorme responsabilidade porque eu ligo-me a pessoas de verdade, que se dão e dão-se a uma pessoa desconhecida, eu! E, no meio das emoções que já se vivem à flor da pele, as lágrimas caíram e o coração cresceu, afinal, há qualquer coisa que faço com sentido e com sentido para quem está desse lado.

 

Nunca vos disso, vocês não estavam aqui em 2013, quando este blog nasceu, mas foi ele que me manteve à tona muitas vezes, foi uma catarse, fez-me sentir acompanhada. Sei quem foi a primeira pessoa a interagir comigo, uma seguida portuguesa a viver (ainda) em Bruxelas, na altura gostava de ver as coisas bonitas que eu partilhava sobre a cidade e o país ao qual ela chegava também com um filho pequeno. E hoje são tantas de vós com quem troco mensagens regularmente sobre tantos assuntos e curiosidades.

 

Ontem senti o vosso carinho tão genuíno e sincero e foi o suficiente para me levantar para cima, para me dar seguranças nas minhas incertezas e para hoje ter tido mais motivação para pega no meu projecto e continuar a acreditar nele além-fronteiras.  

 

Disseram muitas vezes que sou uma mãe-coragem. Sim, tenho muita coragem dentro de mim, mas, por vezes, pessoa como eu sentem-se sozinhas nesta forma de levar a vida, tão certa em determinadas coisas e tão desprendida de outras, se é que me entendem…

Ainda assim, houve uma seguidora que se disponibilizou para me fazer terapia à distância – e sei que falava a sério - caso eu venha a precisar. Portanto, eu vou, mas, desta vez, vou com todas vocês a meu lado e não estarei sozinha.

 

Obrigada. Mesmo.

Vamos abraçar um novo desafio na nossa vida...

03.06.19 | Vera Dias Pinheiro

viver fora do país com filhos pequenos

 

Pensei muitas vezes em como escreveria este post, mas sem nunca encontrar as palavras certas ou sem nunca deixar de sentir o medo (natural) de quem está prestes a mudar e abraçar uma grande mudança na sua vida. Pois, embora me considere uma pessoa aventureira, com o espírito e a determinação para mudar, porque mudar faz bem, a mudança, por mais que se goste ou não, vem sempre com uma boa dose de ansiedade, insegurança e… medo (do desconhecido).

 

Faz quase cinco anos que regressei de Bruxelas, onde vivi praticamente dois anos, os dois anos mais importantes da minha vida. Tinha sido mãe pela primeira vez, profissionalmente estava a passar uma fase difícil e a única coisa que, naquele momento, me guiou foi o facto de não querer ter uma família separada, sobretudo numa altura tão importante: o primeiro filho. E fui, de malas e bagagens e com uma enorme pressão da família, dos amigos e da sociedade, porque enfrentava o estereótipo da mulher que deixava o trabalho para ficar em casa a cuidar do filho, com a agravante de ficar mais vulnerável perante o seu marido. Eu sabia que não iria ser assim, mas os outros não.

 

Nestes (quase) cinco anos, passei por altos e baixos, mas continuei a tomar decisões muito importantes, mas também muito orientada para a família e para os filhos. E também neste período, as coisas nem sempre foram fáceis, nem sempre consegui estar a altura dos meus desafios, porque em casa as exigências são grandes e tive muitas crises existenciais. Contudo, olhando para trás, nunca me arrependi por um segundo de ter ido, de ter mudado e de ter arriscado. Senti que cresci imenso como pessoa, que aprendi a lidar comigo e a gostar de mim (depois de ter tirado todos os meus esqueletos do armário e ter enfrentado tudo aquilo que, no dia-a-dia, tentamos pôr para o lado e fingir que não existe, porque tinha tempo e não havia como fugir disso).

Portanto, se me pedir para descrever esse período da minha vida, foi como se tivesse feito todo o processo para reiniciar num caminho, creio e acredito eu, mais próximo daquele que me está destinado. E porquê? Simplesmente porque eu sinto isso, sinto mais ligada nas coisas que faço, porque posso dar-me a 200% tal como sou.

 

Mas o tempo passa e por forças maiores do que nós, acomodamo-nos, criamos rotinas, hábitos e eu encontrei a minha forma de equilíbrio entre o meu lado pessoal, a minha presença na família e a minha realização profissional. Estava bem, finalmente estava bem, sentia-me bem e, acima de tudo, que conseguia picar todos os itens necessários e ainda ter tempo para mim, com a cabeça e o corpo são.

 

E foi precisamente nesse momento que a mudança nos bate novamente à porta. Uma mudança desejada, mas ao mesmo tempo, abafada com a forma como nos sentimos confortáveis na rotina e a segurança de quem finalmente tem tudo “oleado” e a funcionar bem. Desde a escola dos miúdos, à nossa casa, a primeira na qual nos sentimos verdadeiramente em casa, a própria logística, aos amigos… enfim, sentíamo-nos todos confortáveis e, por isso, felizes e agradecidos.

 

Mas quando a mudança bateu à porta, acordou o bichinho que adormecemos nestes (quase) cinco anos. Lembramos rapidamente de tudo aquilo que vivemos como expatriados, a forma como uniu a nossa família, nos fez crescer, as experiências que nos proporcionou, os lugares e culturas diferentes que descobrirmos e a própria superação de quem vive emigrado, sem a rede de apoio a que se habitua. Olhamos para os nossos filhos e pensamos que era a oportunidade da vida deles, para aprender uma outra língua e viver num ambiente internacional que lhe abrirá os horizontes e com isso as oportunidades ao longo da vida. E com o Vicente a entrar, em setembro, na primeira classe, era o momento certo.

 

E este é o cenário base e aquele em que acreditamos e, no qual eu, acima de tudo acredito, porque volto a ter que organizar toda a minha vida em prol da família. Dito assim de forma muito simples e pratica, é isso – claro que não será apenas isso, claro que vou arregaçar as mangas e tenho ideias e projectos e oportunidades, mas à data de hoje, não tenho nada garantido a não ser a minha forte perseverança e crença de que “quem muda, Deus ajuda”.

 

E assim tomamos a decisão de regressar a Bruxelas para viver uma experiência de vida que, de certa forma, já conhecemos, todavia agora terá outras nuances, vamos a quatro e com novas exigências, pois vamos ter dois filhos na escola e é precisamente aqui que chegamos ao tema que fará parte da segunda parte deste post: como é lidar com todos os medos e inseguranças quando se muda de país, e de tudo, com dois filhos que já nos perguntam muitas coisas e sentem muitas mais?

 

Bom… de certa forma, este blog vai regressar à sua origem, pois foi em Bruxelas que foi pensado e que nasceu. Espero que continue desse lado e acompanhe mais uma viagem dos Vs.