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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Quando nos tornamos mães todos os sentimentos são aceitáveis!

06.03.19 | Vera Dias Pinheiro

quando nos tornamos mães

 

Todos os sentimentos são possíveis e aceitáveis para uma mulher que acabou de ser mãe. Tal como, por inerência à natureza humana, a crítica (dos outros) é igualmente possível.

O tumultuoso caminho que se faz a seguir ao parto e aqueles primeiros meses em que somos só deles e eles só nossos e, posteriormente, quando temos que fazer o desapego quando a licença de maternidade termina, é mais complexo do que podemos imaginar ou sequer “julgar”.  Fora da bolha da maternidade, há toda uma vida à nossa espera, há um trabalho, há um casamento/relacionamento, existem as relações com os outros e há a relação connosco mesmas.

Talvez esta última a mais difícil de recuperar e a que mais impactos tem em todos os outros níveis da nossa vida. Restabelecer a ligação com um corpo que, entretanto, deixou de ser só nosso, não é fácil para nenhuma de nós. Digo com quase toda a segurança que todas nós já nos sentimos no chão, já nos sentimos a pior mãe do mundo, a pior mulher e já nos revoltamos com a mudança que nos é imposta - porque sim, ela existe, não vale a pena passar por cima disso.

O nosso corpo deu ninho a um filho que cresceu dentro de nós, sofremos todas as mutações necessárias ao seu desenvolvimento e preparou-se para o parto. A seguir, e sem falar na recuperação desse momento do parto – quer física, quer psicológico – o nosso corpo continua em mudança e em adaptação. Agora, impõe-se alimentar, pois independentemente da decisão de amamentar ou não, há coisas que mudam no nosso corpo. E tudo isto, configurado com uma enorme incapacidade de gerir tudo e de cuidar de nós.

 

É verdade que, salvo a devidas excepções, uma gravidez não é doença e nem ser mãe nos impede de chegarmos onde queremos a qualquer nível. Mas muda (a nós e à nossa vida), exigindo de nós uma maior disponibilidade para outras coisas. Exige que, no nosso dia, haja um pensamento paralelo, um pensamento que tem que tratar de outras coisas que antes não eram precisas. Há um cuidado e uma preocupação que, quer queiramos, quer não, existe!

Ainda assim há lugar e espaço para todas nós – que embora sejamos mães, somos feitas de histórias, personalidades, contextos e vivências totalmente diferentes. Há lugar para a mãe que quer amamentar e para a que não quer; para a que quer ficar com o seu filho em casa e acompanhá-lo por mais tempo e para aquela que vai à luta pela carreira.

Só não existe espaço para o silêncio, para a apatia ou para o sentimento de culpa. Não pode haver lugar para nos sentirmos seres estranhos, autênticos ETs, de um momento para o outro. Não há lugar para deixar para segundo plano aquilo que sentimos e, consequentemente, não procurarmos a nossa “cura”, por meio de altos e baixos, com mais incertezas do que certezas, mais dúvidas do que alguma vez imaginaríamos ter.

Porque a maternidade é dura! Todavia, é dura não pelo trabalho extra e o cansaço que inevitavelmente os filhos acarretam. O duro é conseguir lidar com todas as nossas mudanças, lidar, muitas vezes, com uma pessoa diferente, com objectivos diferentes e que precisa, acima de tudo, aceitar-se em primeiro lugar.

 

A maternidade é tudo isto e muito mais. É muito mais do que fraldas, choros, birras, roupas bolsadas, noites sem dormir... A maternidade é lidar com coisas mais objectivas como as maminhas que ficam vazias, com a flacidez, mas também com as mais abstractas, como a mudança de postura perante a nossa vida, como nos projectamos a partir dali, porque essa mudança é legítima.

É Legítimo mudar ou descobrir que queremos algo diferente para a nossa vida ou que simplesmente já não dá para ser exactamente como antes.

 

Se tiveram Netflix, não deixem de ver a série Supermães (link: https://bit.ly/2H1WAL7). Nunca mais se sentirão incompreendidas ou terão sentimentos de culpa com a forma como se sentem perante certas situações. 

 

 

Boa noite.

 

Todas as mudanças são precedidas de um pouco de caos!

04.03.19 | Vera Dias Pinheiro

as mudanças e o mercúrio retrógrado

 

Não se iludam, pois, o perfeito é apenas uma ilusão que criamos na nossa cabeça e que, de certa forma, nos guia e nos inspira a alcançar os nossos objectivos – certos de que a tal perfeição é inalcançável.

Neste sentido, digo-vos que não existe mudança – pelo menos que eu conheça ou tenha vivido – que não seja antecedida de algum caos. E hoje, alguém acrescentava, de um pouco de depressão também. E asseguro-vos que, aquela pessoa sempre pronta a mudar, a aventurar-se e a desafiar-se, também passa por este momento de depressão antes da grande mudança.

 

De certa forma, ansiamos muito com o desfecho das coisas, pensamos muito sobre o como será que vai ser de coisas que ainda não fazem parte do nosso presente, mas que acabam por condicioná-lo. Os momentos em que as coisas ainda só acontecem na nossa cabeça e na forma como projectamos e estruturamos tudo, são difíceis. Sim, eu já sei como tudo se processo, mas cada mudança tem as suas próprias características e as suas próprias especificidades.

E são essas particularidades que determinam também a nossa vontade de querer, acima de tudo e antes de qualquer coisa, proteger os nossos, proteger os mais susceptíveis aos efeitos dessa mudança. Tentamos ainda assim manter a rotina normal, viver o presente, mas a sombra da mudança já se apoderou de nós e nós já só queremos que ela aconteça, porque – lá está – estamos ansiosos para saber como é que ela vai correr, como é que cada um vai lidar com ela e como é que – eu – o ponto onde todos convergem, me aguento.

 

Muito provavelmente não percebem nada do que eu estou para aqui a dizer e se pudessem gritavam desse lado: “Desembucha mulher! Mas que raio de mudança é essa assim tão grande que te anda a condicionar?!” Contudo, a resposta, neste momento, é tão somente, a seu tempo saberão. Permitam-me apenas desabafar.

Por outro lado, chegamos a março, a iminência da primavera e talvez aquela fase em que todas as nossas reservas de vitamina D se estão a esgotar, em que olhamos no espelho e já nos apercebemos da nossa palidez de inverno e em que ao mínimo sinal de um dia mais ameno, já temos vontade de deixar o casaco em casa, mesmo que o mesmo ainda seja preciso, porque o tempo não está certo.

 

O terceiro efeito é um sintoma de falta de paciência que se apodera de nós. Diria que noto uma menor tolerância, sobretudo com as minicidades inerentes a quem tem filhos. Talvez por acharmos que, com o crescimento, há coisas que não voltam atrás, que não regridem. Por exemplo, que, quando começam a dormir bem, não voltam a dormir mal, que quando comem sozinhos, não voltam a implorar por ajuda, que depois de conversarmos e explicar alguma coisa, eles não se esquecem passados poucos minutos. Acumulamos um cansaço em relação aos filhos que eu achava difícil, porque bastava uma noite em paz para recuperar. Contudo, quando todos estamos menos tolerantes, as situações agudizam-se, entre os filhos, cuja relação começa a passar por muitas e repetidas fases de conflitos. A desarrumação sucessiva, face a qual sentimos estar a ceder demasiado espaço e a uma vontade (gigante) de que seja possível que as coisas aconteçam por si, como se fosse possível usar uma varinha mágica.

 

Entretanto, é bem possível que tudo isto se resuma apenas a isto: Mercúrio Retrógrado. Que, para os mais distraídos, começa amanhã e vai até ao dia 28 de março. Muita calma, paciência e nada de decisões precipitadas. Estejam preparados para os imprevistos, para os atrasos e para um certo impasse relacionado com decisões que posso estar à espera.

 

Boa semana e bom Carnaval!

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