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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

A rotina que mudou os meus dias e que me deixa mais feliz

17.12.18 | Vera Dias Pinheiro

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Então, quer dizer que falta uma semana para o natal é isso? Assim, de repente, muito de repente, olho para o calendário e vejo o fim de mais um ano, logo ali. E, pensando bem, até acho que já partilhei isto por aqui… Mas é, de facto, assustador. E, todos os anos, é a mesma coisa, chegamos às vésperas destes dias tão especiais e vai passar tudo a correr.

 

Este fim-de-semana que passou foi preciso repor as energias, organizar a casa e, mais uma vez, libertar a casa – e a vida – de coisas que se acumulam. E com crianças é inevitável. Há coisas e mais coisas, mas descobrir que fazer esta “reciclagem” com regularidade, dá-me uma certa tranquilidade, faz-me bem. Sinceramente, sinto que abro espaço e dou lugar para coisas novas, e aqui num sentido mais abstrato e não no material. É como que desse o meu contributo para a vida e a energia fluir, em nossa casa, mas também na nossa vida.

 

E é exactamente isso que sinto agora que o fim se aproxima. Foi um ano que fluiu naturalmente. As coisas foram se sucedendo e foram-me levando para um caminho. Mais do que constituir metas, é aprender a deixar fluir. Comigo, pelo menos, resulta. Claro que tenho medo, há alturas, quando me deito, em que fico a matutar nas coisas. Porém, é nesses instantes que crio problemas.

 

Naqueles instantes, penso demasiado e dou demasiada importância aos obstáculos, às coisas negativas. E eu já fui assim. Durante imenso tempo, vivia com insónias terríveis e quando dormia não era tranquila e em paz e, naturalmente, que o peso se mantinha ao acordar. E isso foi algo que claramente mudou em mim. Concentro-me no que posso fazer para mudar, não no problema. E quando não depende de mim, deixo ir (para longe, de preferência).

 

Não há truques para sermos felizes, mas há escolhas que fazemos e eu escolho sorrir, mais do que chorar. Escolho lidar com os problemas apenas quando é inevitável… e quando é realmente um problema. Caso contrário, faço tudo para o manter longe. E, nestes últimos dias, descobri que existe uma rotina que contribui muito para o meu bem-estar e para a minha alegria diária.

 

O facto de ter adaptado a minha rotina de exercício físico para imediatamente a seguir a deixar os meus filhos na escola, faz com que tudo o resto (o que possa haver de menos bom) desapareça e o dia, quando saio do ginásio, é uma página completamente em branco, mas não só. A minha própria percepção do problema transforma-se, ou seja, relativiza. As coisas negativas perdem grande parte da sua importância.

 

Desde o momento em que eu entro no ginásio, e atá sair, tenho a oportunidade de mudar e determinar o meu dia. Posso sorrir para as pessoas com quem me cruzo, falar com elas – regra geral, sobre coisas que nada tem a ver com nada – e é essa a minha escolha. Para além das endorfinas que o o exercício me traz, recebo coisas boas do ambiente à minha volta. E não são raras as vezes em que saiu de lá uma pessoa completamente diferente da que entrou. E eu sou grata por isso. Sou grata por todos os instantes em que eu consigo parar para me centrar de novo nas minhas prioridades e naquilo que, para mim, é importante.

 

E eu preciso desse meu tempo, dessa paragem, desse foco. Porque vivemos num mundo onde gastamos tempo - ainda que o tempo seja inesgotável… fiquei com isto na cabeça após o espectáculo Alice no País das Maravilhas no gelo. E a verdade é essa: nós fazemos com o tempo aquilo que nos queremos e é essa escolha que determina a nossa ansiedade no dia-a-dia.

 

Bonito de se ouvir, mas difícil de se implementar depois. Eu sei.

 

É preciso disciplina e é preciso gostarmos mais de nós do que dos outros, porque as pessoas não estão preparadas para lidar com uma pessoa assim, não há muitas pessoas com a capacidade de sorrir mais para a vida - em vez a culpar por tudo e por nada - e por não conseguirem libertar-se, criticam e julgam o outro. E normal, é preciso saber aceitar que cada pessoa tem o seu ritmo e que, falando numa óptica optimista, todos chegarão lá.

 

Contudo, convém ter tolerância para compreender que existe quem não seja simplesmente capaz de mudar o seu chip nunca e, nesse caso, também é preciso aprender a deixar ir e continuarmos o nosso caminho.

 

O fim do ano é sempre assim, mais introspectivo do que “prático”, ainda que a azáfama seja sempre muita e os compromissos também.

 

Boa semana, sim? 😊