Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Mudar a perspectiva só depende de nós!

14.11.18 | Vera Dias Pinheiro

mudar a perspectiva só depende de nós, c&a

 

Estamos a um mês e meio do final do ano. Uma altura em que eu dou por mim, desde que me conheço por pessoa adulta com responsabilidades, a fazer balancos. A rever o bom e o menos bom e se, até há bem pouco tempo, a minha vida era previsível. Hoje em dia, os desafios são diários e constantes. A insegurança do trabalho de freelancer é algo a que tenho que me habituar, mas que, de alguma forma, também tento aprender como contornar e ter algumas certezas.

 

O instinto tem sido o meu melhor guia, o meu feeling, aquilo que a minha sensibilidade me aconselha. Não me perguntem porquê, nem como. E quando me pedem conselhos ou quando me perguntam como eu consegui chegar até aqui, bom, eu não tinha realmente um plano B, não tinha uma rede de apoio, que não fosse o apoio incondicional do meu marido, que mesmo não entendo nada desta sensibilidade, acreditou em mim. Mas a verdade é que nunca mais foi tão difícil como quando eu tive que tomar a decisão de me despedir.

 

Neste momento, a minha vida está completamente noutra página, a outra vida já saiu completamente do meu raio de visão ou lembrança, até porque o caminho faz-se em frente. E, a verdade é que este é talvez o primeiro ano em que estou menos ansiosa relativamente a 2019. Acho que alcancei uma certa maturidade, que me era precisa e também estou muito mais segura de mim mesma.

 

Contudo, falta um mês e meio para acabar o ano e continua a haver uma certa ansiedade dentro de mim. Há dias em que me sinto realmente incapaz de lidar com tudo, em que me atrapalho toda nas minhas rotinas e me sinto em pleno plano de emergência. Como prioridade estão o Vicente e a Laura, mas depois tudo o resto… marco e desmarco coisas, complico onde não existe motivo, enfim…

 

Na semana passada não fui dois dias ao ginásio, precisava realmente de produzir conteúdo, precisava de todo o tempo e concentração. Mas e a seguir? Porque raio, continuei sem ir até hoje? Este “bicho” é tramado, porque enquanto estamos certinhas, tudo corre bem, todavia, se alguma coisa interfere com a nossa rotina, porque raio é tão difícil retomar novamente?

 

Naturalmente que agora, tudo isto já se está a virar, por assim dizer, contra mim. Porque já começo a remoer e criticar-me. Afinal, eu já sei de antemão como é que se desenrolam estas fases. E isso acresce a ansiedade que tenho e na forma, tensa, como lido com tudo o resto. Depois, há um momento em que batemos literalmente no fundo, no meu caso, reflecte-se na casa. E, nesse momento, acordamos! Ou pelo menos devemos, porque a mudança só está em nós, a capacidade de mudar de perspectiva está cá dentro. E o importante é, quando estamos a atravessar uma fase assim, focar-nos na forma como nos levantamos (e não tanto na queda).

 

Talvez seja apenas a altura do ano, o efeito da mudança de hora, talvez seja apenas uma TPM ou o cansaço acumulado e a antevisão das nossas férias que estão quase aí. Talvez, amanhã quando acordar e retomar a vida normal, eu já nem me lembro que tinha um nó no meu peito e o coração acelerado. Talvez seja apenas o reflexo do instinto humano de querer apressar o que não é para ser apressado. Talvez seja o ascendente e a lua a terem efeitos no meu signo. Ou, talvez, seja apenas a falta de um chocolate de leite com avelãs ou amêndoas tostadas… Talvez! O importante é não adiar mais e contrariar este ciclo!

 

Os (meus) erros de principiante | Diário de um Peixe #5

13.11.18 | Vera Dias Pinheiro

os erros que podemos cometer com os peixes de estimação

 

Seria incorrecto da minha parte se vos dissesse que para ter este aquário bonito em casa bastam três coisas essenciais: não esquecer de dar comida, ver o nível da água salgada todos os dias e fazer as trocas parciais de água salgada uma vez por semana. Aliás, na teoria é realmente apenas isto. Sem qualquer dificuldade até para a pessoa mais amadora, como eu, e que só quer ter um aquário pelo lado divertido.

 

Estou há sensivelmente quatro meses com os peixes em casa e, se aquilo que mais me perturbava eram as ausências com as férias, foi ainda antes disso que se deu a minha primeira preocupação a sério. Na véspera de irmos para fora, encontro o camarão falecido no aquário e tive ali ainda algum tempo até perceber que era real. Fiquei imediatamente inquieta, com medo de falhar. Mas, ao mesmo tempo, não estava a conseguir entender como era possível, uma vez que eu picava os itens todos, conforme a listinha que me tinham deixado. Afinal, onde estava o erro?

 

O erro é, de certa forma, olharmos para um aquário e não o encarar com a devida complexidade. Não perceber que estamos perante um ecossistema e que tudo, mesmo tudo, está ali dentro por um motivo. Até o camarão tinha uma função muito particular, os corais, as luzes, etc… Ou seja, entender que não é só para ser bonito, mas que existe um sentido e que quanto mais informados estivermos, melhor para todos.

 

Falando com os especialistas no assunto, percebi que o camarão estava bem, mas a água não. É essencial fazer as mudas de água “como manda a lei”, porque um pequeno deslize pode ser fatal – como foi! Alguns problemas com a água fizeram com que ficasse demasiado tóxica e o camarão, que na muda de casca fica mais sensível, não aguentou.

 

E, por isso, o meu conselho mantém-se: desloquem-se sempre a uma loja especializada. Estas lojas não se destinam apenas a aficionados e a vantagem é que vão estar sempre a falar com alguém que percebe tudo sobre o assunto e que será capaz de responder a todas as dúvidas até as mais insignificantes. Cabe-nos a nós saber onde nos queremos posicionar. No meu caso, eu não quero aumentar a complexidade do meu aquário. O meu objectivo é manter-me exactamente tal e qual como estou agora. Todavia, quero (e preciso, sem dúvida), mais informação, preciso de saber mais e de ser o melhor possível para este ecossistema.  

 

No meu caso, dirigi-me à loja especializada Aquaplante, em Benfica, e percebi de imediato que se tivesse lá ido mais cedo comprar comida, mais cedo teria descomplexado tudo. Porque resume-se apenas a isso: precisamos de comida ou de sal ou de outra coisa qualquer e é naqueles instantes que podemos antecipar ou resolver um problema.

 

A sensação de impotência e total desconhecimento perante alguma coisa, sobretudo, um ser vivo, não me deixa nada confortável. Não me senti nada bem com a morte do camarão e tive quase a desistir porque não queria lidar com mais nenhuma perda.

O sentimento de responsabilidade também existe aqui, é real e, se dúvidas houvessem, eu já perdi as minhas!

 

Portanto, em resumo:

O truque:

  • Ser consistente e metódico nas rotinas. Fazer as coisas certas no timing certo.

No meu caso: bastou-me não lavar o filtro na primeira semana para ter comprometido a eficiente limpeza do mesmo nas trocas parciais de água.

  • Não perder o entusiasmo quando algo não correr bem.

No meu caso: quis desistir nas primeiras dificuldades. Eu própria comecei a criar obstáculos.

  • Falar com quem tem mais experiência que nós, mesmo quando se trata apenas de um

No meu caso: já sei que tenho uma porta aberta naquela loja para me esclarecerem caso necessite de alguma coisa. Também sei que vão sempre indicar-me o melhor porque, no meu caso, eu não tenho qualquer referência. Eu espero que me seja dada a melhor informação e o melhor conselho.

  • Não se acomodarem: não ter preguiça e fazer mesmo tudo certinho, especialmente, após os primeiros dias.

No meu caso: talvez tenha havido um dia ou outro que tenha apenas dado comida, em vez de repor também a água salgada. Desvalorizei - assumo por completo - a questão das luzes. Aliás, não posso dizer que foi desvalorizar, foi desconhecer o tal impacto de “tudo no todo” e que existe uma função subjacente a cada tipo de luz e ao número de horas que estão ligadas.

 

peixe para animal de estimação

peixe para animal de estimação

Mas que este post não sirva para enfatizar erros, mas sim aprendizagens e valorizar que eu, amadora assumida no aquarofilismo, me atirei de cabeça para um aquário de água salgada, tenho a minha crew de peixinhos em franco crescimento e felizes no meio aquático onde estão. Ainda assim, falar desta experiência sem mencionar os aspectos menos positivos não era ser sincera.

 

E para quem quiser acompanhar esta aventura desde o início, podem ler também:

A chegada dos novos amigos | Diário de um Peixe #1

Porquê um Peixe para animal de estimação | Diário de um Peixe #2

Os primeiros tempos e a habituação | Diário de um Peixe #3

Os cuidados que os peixes exigem de nós | Diário de um Peixe #4

 

Reviver os almoços de família aos domingos com vista para Lisboa

12.11.18 | Vera Dias Pinheiro

almoço de domingo sheraton

O verão de S. Martinho trocou-nos as voltas ou não andasse o S. Pedro empenhado em nos alertar para o verdadeiro estado do nosso planeta. O fim-de-semana foi passado debaixo de chuva forte e nada convidativo a passeios. À partida, o cenário perfeito para ficar em casa, mas fechar duas crianças em casa, no pleno fulgor da sua tenra idade, pode não ser a melhor receita para desfrutar destes dias.

 

Assim, ainda bem que tinha reservado o domingo para conhecer o conceito dos Almoços de Domingo do restaurante Panorama no último andar do Hotel Sheraton Lisboa. E, convenhamos, o conforto de um hotel como o Sheraton torna qualquer saída, por pior que esteja o tempo, numa experiência que vale a pena.

restaurante Panorama, Hotel Sheraton

restaurante Panorama, Hotel Sheraton

Os Almoços de Domingo foram pensados para as famílias, por isso, não tenham receio em levar as vossas crianças independentemente da idade. O conceito é, no fundo, permitir às famílias desfrutar de um brunch sem terem que se levantar dos seus lugares. Existe um menu para os adultos e outro pensado para os mais pequenos. Assim, tranquilamente, iniciam a vossa degustação com as entradas, passando aos pratos principais (um de carne e outro de peixe), finalizando com as sobremesas e café, chá, o que mais seja do vosso agrado. Além de tudo isto, o atendimento é altamente personalizado em cada mesa, o que torna a experiência única e com um serviço de altíssima qualidade.

 

No caso, os pratos do dia foram: Polvo à Lagareiro e Feijoada.

  • Fotografias em galeria:

 

Para as crianças, está pensado que um dos pratos principais possa ser confecionado por elas. Estou a falar da pizza, que, devo dizer, foi um grande sucesso com o Vicente, que acabou por preparar a dele e a da irmã, que não se quis meter nessas coisas…. A paciência do pizzaiolo César e a sua simpatia contribuem para que seja realmente uma coisa engraçada e divertida. A cozinha é aberta para a sala de refeições, o que permite uma maior interacção com os pais.

restaurante Panorama, Hotel Sheraton

Para além disso, podem contar a presença de uma animadora que entretém os vossos filhos com jogos de mesa, plasticinas e pinturas. Que, juntamente, com uma mesa de apoio, bem acessível aos mais pequenos, com sobremesas do seu agrado, o sucesso está garantido.

 

Na verdade, tudo isto nos permite desfrutar convenientemente de uma refeição em família. Com tempo para beber uma taça de vinho e contemplar a vista do restaurante-bar, Panorama, do topo do Sheraton, que, mesmo num dia cinzento e cheio de nuvens como o de ontem, tem um efeito relaxante. É, sem dúvida, uma vista privilegiada sobre a cidade de Lisboa.

 

Tenho falado com amigos e, a verdade é que é cada vez mais difícil encontrar locais onde se possa desfrutar de uma refeição em família de forma confortável, mas em que as crianças se sintam “integradas” e bem-recebidas. E que o preço que pagamos reflita a qualidade dos pratos, o espaço, o serviço e também o descanso de podermos reservar uma mesa e simplesmente estar. É difícil manter as crianças entretidas durante muito tempo no mesmo espaço, contudo ali conseguimos estar cerca de três horas, abrigados da chuva, desfrutar de um brunch e ter qualidade de tempo em família. Sendo que a família é recebida como um todo, crianças incluídas! 😊

welcome drink

Não sendo uma cliente muito assídua deste tipo de ofertas, refiro-me ao conceito hotel, começo a achar que poderá ser, sem dúvida, o escape perfeito para quem vive na cidade, actualmente muito massificada e onde começa a ser difícil encontrar um sítio para sair assim, em família (e amigos). Acho que é uma oferta que, neste momento, vem ao encontro das necessidades de pessoas como eu e vocês. Que acabam por preferir um pouco mais de qualidade, mesmo que fazendo menos vezes, e sentir que estão a pagar por algo de que realmente estão a usufruir em pleno.

 

Caso tenham ficado interessados, poderão consultar toda a informação sobre os Almoços de Domingo no restaurante Panorama do Hotel Sheraton, aqui.

 

 

Ser melhor a desenrascar-me e menos exigente em ser perfeita!

09.11.18 | Vera Dias Pinheiro

tempo dos filhos

 

 

Uma das melhores coisas que fiz por mim, foi saber quando estou a chegar ao limite e parar antes da queda! Vivi no meu limite, hummm, talvez um ano um ano e meio. Sei, no meu caso, o que foi chegar ao limite, e eu sei que não quero voltar a repetir a experiência. Mas como m? Se no dia a dia somos impelidos a fazer tudo! Se todos os dias há tarefas e outras que se acumulam se não forem feitas naquele preciso momento.

 

Bom, acho que aprendi a impor-me um basta! Selecionar tarefas e dentro delas as prioritárias. Aprendi a dizer não, não posso, não consigo, agradeço, mas ser-me-á impossível ou simplesmente não quero! Muito importante foi igualmente não me punir por achar que com esforço tudo era fazível. Seria, mas mais importante é o meu equilíbrio e eu sentir que, ao fim, do dia não são os meus filhos a levar com o meu mau feitio ou a minha frustração.

 

Esta semana foi um bom exemplo.

 

Iniciei a segunda-feira como normal, deixei os miúdos e fui para o ginásio, regressei e comecei o meu dia de trabalho. A verdade é que com algum cansaço acumulado dos últimos dias. E não fui lá grande coisa de produtiva. No dia seguinte, optei por alterar as prioridades, coloquei todo o trabalho que tinha em mãos à frente de tudo para conseguir atingir algum ritmo de produtividade com resultados efectivos. O cansaço físico dos filhos tem alturas que me deixa completamente de rastos. Escada acima, escada abaixo, sempre com uma lapa alojada numa das ancas. Os dias de chuva, e o “tira e põe” de cada um na sua escola, os banhos, o deitar, enfim… há alturas em que tenho que rentabilizar todo o tempo que tenho num outro sentido e foi preciso dar uma pausa no exercício.

 

E, no fundo, foi uma semana decisiva para quem, deste lado, está em contagem decrescente para as férias de natal. O nosso presente está comprado e os dias que faltam já são poucos. Mas ir e levar a pressão do trabalho e das coisas inacabadas quando o tempo nos foge completamente ao controlo, é demasiado stressante. Já não estou aí, agora obrigo-me a desfrutar e absorver a energias dos lugares. Sim, iremos novamente à aventura. Os quatro e vou ter que pensar na logística do Vicente, penso que já não existem carrinhos para o peso dele… verdade? Antes disso, ainda temos mais um período sem o pai. Já sei que irei bem perto do meu limite, porém quando vemos avistamos uma coisa muito boa, ganhamos forças extras.

 

Eu compreendo que não seja fácil ter uma rotina sempre perfeita, compreendo que é preciso dar descanso ao corpo, porque isso é tão fundamental quanto exercita-lo, compreendo que a sobrecarga familiar é grande, especialmente para nós, e compreendo a batalha que é tentar empreender, ao mesmo tempo, que temos que dar, não uma, mas sim, duas mãozinhas nos filhos e na casa. Todavia, o importante é perceber que esses momentos devem ser bem menos do que os restantes, em que estamos mais activas e enérgicas para fazer tudo. Para além disso, é preciso gostarmos muito de nós, porque assim não vamos cair no erro de nos culpar ou nos exigir que estejamos sempre em todas as frentes.

 

No fundo, a única coisa que quero é encontrar a paz dentro de mim, sem estar sempre com ansiedade ou sentir que tenho que desempenhar mil tarefas ao mesmo tempo. Mas para isso, vou tentando aprender a fechar os olhos e ser melhor a desenrascar-me e menos exigente em ser perfeita!

 

Boa noite!

Corrigir o rosto sem transformar | O meu antes e depois

07.11.18 | Vera Dias Pinheiro

aumento de lábios, dermatologia estética

 

Eu já sou do tempo, por assim dizer, do preconceito em torno da toxina botulínica e do ácido hialurónico. Dizia-se, talvez porque apenas são realmente visíveis os casos mais drásticos e radicais, que os efeitos deixam as pessoas completamente diferentes daquilo que eram e sem expressão. Tanto assim era que, eu desde que me lembro, que falo em corrigir os meus lábios, por serem demasiado finos e sem qualquer definição, queria muito ter um pouco mais de volume. Porém, sempre que falava nisso era olhada de lado, como se a alternativa fosse ficar com uma boca tipo Kylie Jenner (se não estão a ver bem quem é, carreguem no link), quando não era de todo esse o meu objectivo.

 

Contudo, e por ser uma área que me interessa e porque agora, em ambiente de trabalho, tenho acesso a muita informação e conhecimento do que é outro lado. Tenho a possibilidade de falar com as pessoas e posso tirar todas as minhas dúvidas. E foi assim que percebi que há um gap de informação qualitativa acerca de certos procedimentos estéticos e que talvez até afaste as pessoas apenas por medo. E podem estar a fechar a porta a uma alternativa segura para contornar certos problemas, sejam eles puramente estéticos ou algo mais concreto que interfira com a saúde.

 

Podemos estar a falar, por um lado, da marca de uma queimadura, uma depressão na pele, da marca de uma dentada de um cão, o excesso de transpiração que incomoda tantas pessoas, sem mencionar as marcas de acne. Como podemos estar a falar, por outro lado, de remodelação de lábios, de corrigir o sorriso “gengival” e até de atenuar alguns traços mais vincados no rosto. Enfim, a panóplia de coisas que a toxina botulínica e o ácido hialurónico podem ajudar a resolver é muito abrangente.

 

Mas eu quero insistir na estética, porque a tendência é achar tudo muito supérfluo. Não é um bem de primeira necessidade, isso não é, porém não é de todo supérfluo. A autoestima, a postura, a autoconfiança são factores determinantes na nossa vida e até decisivos em alguns momentos e estou a lembrar-me, por exemplo, das entrevistas de emprego. Uma jovem mulher ou um jovem homem que vá à sua primeira entrevista de emprego e que tenha passado por uma puberdade que tenha deixado bastantes marcas, certamente que irá muito mais confiante se essas marcas não existissem. Mesmo a nível profissional, a credibilidade pode ser outra. Da mesma forma, que me estou a lembrar do sorriso “gengival”, sei, por pessoas próximas, que é algo condicionante nas suas vidas. Sei que é algo que pode impedir muitas pessoas de sorrirem e de se expressarem com naturalidade, estando constantemente a contrariar um movimento no rosto.

 

No meu caso, eram os meus lábios. Não me sentia completamente à vontade a tirar fotografias ao rosto, ou de perfil ou num plano muito fechado. Se vivia bem com isso? Claro! Não deixei de fazer a minha vida e nem me neguei às câmaras, mas a vontade esteve sempre lá e à primeira oportunidade séria que tive, arrisquei.

 

Sim, tive receio do impacto a seguir, sim, não queria de todo que as pessoas, de repente, notassem algo de diferente em mim. Não era nada esse o meu intuito. Mas o impacto quando fiz a primeira vez foi de não querer largar o espelho, porque estava realmente feliz. Porém, não correu bem! Os resultados não foram os desejados e senti uma enorme frustração por tudo, quer pela expectativa, quer pelo investimento.

 

E aqui chegamos a um outro aspecto muito importante: o da escolha do profissional de saúde. Acima de tudo, temos que ter presente que estamos a falar do nosso rosto, das nossas expressões e da nossa identidade, portanto, é preciso que sintam o “click” com o médico que têm à vossa frente. Têm que sentir que fluem em sintonia. Ou seja, ele está lá para ir ao encontro daquilo que vocês desejam, porém, o bom senso do médico é importante para nos chamar à realidade e perceber o que é que em cada pessoa funciona, porque nunca é igual.

 

Bom, então, eu ganhei coragem para tentar só mais uma vez e se não resultasse, paciência. Colocava de parte o assunto. Por meio do meu trabalho, conheci a Dra. Ana Silva Guerra e, primeiro, falamos muito acerca das muitas cirurgias que faz de plástica reconstrutiva e, claro, falamos muito do cancro de mama. E só depois percebi que abrir a sua Clínica Estética, que tem o seu nome, foi como criar um escape, onde as coisas bonitas acontecem, mas, acima de tudo, o que impera é a sensibilidade para que as pessoas melhorem sem apagar, no entanto, o que já têm de bonito, incluindo certos traços.

 

Marquei a minha consulta de avaliação e, com grande confiança, dei a segunda oportunidade, agora com a Dra. Ana. Já percebi que, de facto, o meu lábio é um paciente difícil e que não vale pena ter medo que a mudança nunca vai ser drástica. Estamos a trabalhar para definir e dar um pouco de volume e mesmo assim com muita paciência por parte da Dra. E, desta vez, eu sou acompanhada em contínuo, vamos medindo os passos com cautela e tudo o venha a mudar vai acabar por ser já mais natural para os outros, porque é tudo gradual. 

 

E, no final, fico com a certeza que se tratam de substâncias que, passado algum tempo, são absorvidas pelo nosso organismo e acabam por desaparecer.

 

Mas sobre isto, falo, num próximo post, com uma entrevista que fiz à Dra. Ana Silva Guerra com o intuito de desmistificar um pouco mais estes temas, talvez com uma abordagem um pouco diferente daquele a que estamos mais habituados a ouvir.

 

E cá está o antes e depois (sendo que o "depois" são passado 15 dias, quando já se consegue avaliar o efeito real, sem qualquer inchaço):

 

 

 

“Daqui a pouco tem três anos e ainda usa fralda!” | Desfralde

06.11.18 | Vera Dias Pinheiro

desfralde

 

Como sabem e já contei aqui, eu estava convencidíssima de que o assunto desfralde com a Laura iria ser “canja”. Com a esperteza dela, a vontade em ser como o irmão e a própria incapacidade que ela mesma tem em ser ver com a sua idade, tudo isto, julgava eu, estava a jogar a nosso favor.

 

O tempo aqueceu, comprei as primeiras cuecas, fez uma festa e sem qualquer pressão fomos tentando. Cheguei a comprar o redutor e um bacio, não usou nem uma coisa nem outra. Para ser é a sério e vai directa à sanita. Mas as coisas não correram nada, nada bem e eu desisti de apressar as coisas. Ela lá daria os sinais e se há coisa que ela é, é bem esperta. Ela sabe exactamente o que é para fazer, só que… não tem vontade.

 

Entretanto, na escola, passado o drama e o horror do primeiro mês e meio, quando a ia buscar à tarde, já estava sem fralda, dormia a sesta sem fralda, tudo muito bem. Até que a própria educadora falou comigo e a Laura começou a ir já de cueca para a escola. Estava tudo a correr, vá, praticamente bem. Chegamos a ter uma saída de um dia inteiro e correu tudo muito bem.

 

Entretanto, diz-me a minha experiencia, que o tempo frio não funciona a favor, muito pelo contrario. Os meus invernos com o Vicente eram de entrar em desespero com xixis na cama várias vezes numa só noite e chegava a acontecer em várias camas diferentes… enfim, nem quero lembrar-me disso! Mas ia eu a contar que com o frio, há uns dias a Laura começou a ter uns descuidos e, como se apercebeu disso, e ficava incomodada, agora não quer cueca. E agora voltamos à fralda.

 

E agora, todas as manhãs chega de novo à escola de fralda e quando está em casa quer fralda…  E se as crianças parecem ter a lição bem estudada e, na cabeça dela, isto terá uma logica qualquer, na minha fica tudo confuso. Por um lado, não quero que ela se reprima nem que crie nenhum anticorpo com a cueca e se quer a fralda, mesmo após falarmos com ela, eu cedo. Mas por outro, ceder, não é voltar ao início?

 

O que eu sei é que, no meio de tudo isto, já me tinha esquecido desta fase do saquinho da roupa molhada todo o santo dia na mochila, dos descuidos, dos tapetes que fica com xixi, das vezes que temos que trocar de roupa, os lençóis. É roupa por todo lado, em todos os cantos há uma cueca, uma calça... Ainda esta manhã, estavam já despachados - e um descuido nocturno resolvido (pelo menos em parte) - e ouço o Vicente a chamar por mim… a Laura estava a fazer um grande xixi. Onde? No tapete, claro! Ela achou graça, eu fiquei possessa, mas querendo ser pacífica e dando um reforço positivo naquele momento.

 

“Daqui a pouco tem três anos e ainda usa fralda!”

 

Não estou a condicionar-me por isto, juro que não, porém, vivemos com estas doutrinas tão enraizadas que, por vezes, é algo que me passa pela cabeça. Mesmo sabendo que eu não posso (e nem quero) obrigá-la e que, com toda a certeza, ela sabe estar sem fralda e, com ainda mais certeza, só irá acontecer quando ela quiser.

 

E assim andamos! Quando pensamos que demos um passo realmente em frente, logo a seguir estamos a recuar dois ou três. Pelo menos é essa a sensação que fica a seguir e isso deixa-nos confusos e até com um certo sentimento de frustração à mistura.

 

Contudo, eu volto a repetir, enquanto os filhos parecem já trazer a lição estudada, os pais, por sua vez, andam, muitas vezes, baralhados e completamente à nora com o que é suposto ser o melhor a fazer.

Mini-férias a sós com filhos | O que aprendi e não quero esquecer

05.11.18 | Vera Dias Pinheiro

dolce campo real, torres vedras

 

 

No balanço destes quatro dias de “´férias” a três, posso dizer que, embora, o cansaço que senti esta manhã, foram dias muito bons. Permitiram-me recuperar realmente tempo de qualidade com os meus filhos, como há algum tempo não acontecia. Tempo em que estivemos apenas uns para os outros, em que fizemos programas e saímos da nossa rotina. Na verdade, eu só queria que eles sentissem o passar do tempo mais rápido e que o choro de fim do dia a chamar pelo pai acontecesse o menos vezes possível.

 

Mas sem querer, tivemos tempo exclusivo, eles só com a mãe e eu só com eles. Acredito que a minha viagem sozinha a Barcelona de dois dias tenha contribuído positivamente. Com o tempo de qualidade que tive somente para mim, poder-se-á dizer que estava, emocionalmente, de baterias carregadas. Sentia-me bem e, após, um mês de outubro muito sobrecarregado de trabalho, senti que tinha andado menos disponível para eles. Foi, no fundo, um encontro de boas oportunidades, as quais eu não deixei escapar!

 

Obviamente que nada disto coloca em causa o bom que é a vida a quatro, as férias em família e todo o tempo que passamos juntos. Aliás, nem o Vicente nem a Laura supõe-me que existem crianças que vivem com pais separados. Para eles, é assim! Contudo, é importa reforçar que é importante que a vida, de certa forma, continue, de cada vez que alguém tem que se ausentar. E que, para além disso, o tempo de qualidade que se passa individualmente com cada membro da família e sozinho é essencial e só traz benefícios.

 

E, à medida que a Laura e o Vicente crescem, vai sendo cada vez mais fácil fazer programas com eles e com cada vez menos limitações. E não seria por causa da viagem do pai que se iria “desperdiçar” um fim-de-semana de quatro dias.

 

Eu sempre conheci esta relação como vivida a distância. E embora não acho que seja o ideal para um casal ou família, tanto assim foi que decidimos estar juntos assim que o Vicente nasceu, mas o que quer dizer é que me habituei à ausência. Habituei-me a contar sempre comigo em primeiro lugar e habituei-me a desenrascar sozinha e depois com o Vicente. No fundo, nem a ausência do marido e nem o bebé eram sinal de limitação para a minha vida em geral.

 

Mas agora é realmente mais fácil, a todos os níveis e estou realmente contente por termos feito tantas coisas diferentes juntos e também por não ter sentido “desasada” sem o meu marido, optando por ficar na zona de conforto. Descobri que tenho duas companhias excepcionais, os meus filhos. Duas seres humanos que já têm muito assunto de conversa, que se interessam pelas coisas e que divertem comigo e entre eles. Sem dúvida que estes momentos são o melhor presente que podemos dar aos nossos filhos. O brilho no olhar quando percebem que somos deles por inteiro, não tem preço. E nós, só assim, conseguiremos ganhar a confiança deles, estreitar laços e colher os frutos no futuro, assim espero, pelo menos, de uma relação tão próxima vivida com os pais desde que nasceram.

 

dolce campo real, torres vedras

 

 

E devo dizer que estive bastante atenta ao Vicente, sobretudo, e que ele me ensinou muita coisa, até me corrigiu e fez observações muito acertadas. Já a Laura repete tudo o que ouve de toda a gente, incluindo as expressões que dizemos e que achamos passarem despercebidas...

 

No fundo, andamos sempre à volta do mesmo, do tempo! Tempo, tempo, tempo! Para nós, para os filhos, para tudo. Mas essencialmente, tempo para ouvir. Podemos não conseguir estar, mas desde que saibamos ouvir… acho que é fundamental.

 

Pág. 1/2