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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Ninguém cuida da nossa casa como nós!

04.09.18 | Vera Dias Pinheiro

cuidar da nossa casa

 

Por mais que tente delegar essa tarefa, mais eu me apercebo que o cuidado, mesmo com a falta de tempo, com que fazemos as coisas, só nós o temos. E, embora eu não seja a pessoa das grandes e profundas limpezas, gosto de, no dia-a-dia, ter tudo organizado. Sentir que controlo a minha casa e consigo, de segunda a sexta-feira, não me desviar das pequenas tarefas por mais básicas que sejam, como, por exemplo, arrumar os sapatos no seu devido lugar, é meio caminho andado para que tudo o resto corra bem.

 

Não sou a pessoas das grandes ementas semanais. Todavia, tenho mais ou menos uma ideia do que vou cozinhar durante a semana – alternando entre carne e peixe – e opto por refeições práticas. Entretanto, adianto algumas coisas, como a sopa, tenho batata doce sempre feita e garanto que o frigorífico tem tudo aquilo que eu preciso para aquela semana. As rotinas com eles são o mais importante e agora, que tenho que despachar dois filhos de manhã, deixo a roupa preparada de véspera e tento acordar antes deles para me despachar. Saímos sempre cheios de coisas, há pedido de colo e depois é deixar cada um na sua escola.

 

Tudo isto faz com que os dias sejam altamente programados e apressados, mas será essa programação – espero eu – que me irá permitir ter tempo para eles ao fim do dia, para quando os for buscar, dar-lhes a atenção que eles precisam. Para já, e só se passaram apenas dois dias, ainda estamos a acertar as melhores estratégias, ver como conseguimos ser mais rápidos, como consigo que ambos se sintam felizes e integrados agora que são os dois a fazer parte das rotinas.

 

Com a Laura ainda não posso dizer-vos como está a correr, mas sei que não está a correr fora do que seria esperado, embora a mim me custe horrores.  Hoje chorou quando a deixei e sei que as manhãs lhe custam mais, porém sei que acorda bem-disposta a seguir à sesta e se sente mais integrada. Hoje espreitei-a pela janela, à tarde. Estava sentada, sossegada, a seguir lá se levantou e foi para a “casinha” brincar. Nota-se que brinca timidamente e que ainda não se sente “em casa”. Tenho a certeza que o melhor do dia dela é o momento em que eu entro na sala para a ir buscar.

 

Tenho aproveitado para ir ao ginásio logo de seguida, faz-me bem, porque aquela tensão que fica acumulada quando a deixo para não transparecer a minha fragilidade, desaparece naquela hora que estou ali. Fico como nova e pronta para o meu dia. E é assim que no regresso a casa, penso como compensa aquela correria da manhã para deixar as camas feitas, a louça do pequeno almoço na máquina e tudo minimamente organizado.

 

Porque quando chego a casa posso me dedicar inteiramente a mim e às minhas coisas. É a minha parte do dia e aquela em que consigo ser realmente produtiva. O silêncio é, sem dúvida, um aliado à minha concentração. E esta é a parte mesmo boa de recomeço. É ter voltado a ter momentos de silencio à minha volta e não estar constantemente a ser solicitada para alguma coisa. Deixo de estar sempre na hora de providenciar alguma coisa para os outros. E isto é mesmo bom! Quando os vos buscar, sou novamente deles e da casa. Tento já deixar as coisas adiantadas para ter tempo para estar com eles, precioso nestes primeiros dias em que guardam toda a tensão para extravasar quando chegam a casa.

 

Os últimos dias antes do início de setembro foram passados em casa, a prepará-la para esta nova fase. Queríamos mais arrumação, queríamos menos margem para a desarrumação e mais espaço. As crianças ganharam uma casa de banho só para eles, definimos regras para os brinquedos que andam a circular pela casa, arejei o quarto deles e tento que ganhem responsabilidade pelas suas coisas, à medida da idade de cada um.

 

Sei que já o disse anteriormente, mas nunca me senti tão em casa como agora. Nunca senti encontrar o equilíbrio numa casa como agora – e isto é um projecto que já vem de longe e que finalmente começo a ver os resultados.

 

Espero que o cansaço não me trame e que, passadas algumas semanas, o caos esteja instalado por estes lados.

 

Mas ninguém cuida da nossa casa como nós e ainda bem. É a forma de pôr a cabeça em ordem, também ajuda a encontrar respostas e a reciclar energias. É por isso que não me aborrece tirar um dia ou parte dele para organizar, só assim consigo desbloquear aquilo que às vezes me impede de seguir em frente.

 

Por favor, partilhem comigo as vossas estratégias para gerir o dia-a-dia!

 

Boa noite.

O momento, pelo qual todos perguntavam, chegou. E agora?

03.09.18 | Vera Dias Pinheiro

a vida depois dos filhos

 

As mães são umas lameches e não devem pedir desculpa por isso. São umas lamechas porque durante nove meses geraram uma vida dentro de si, alimentaram e preocuparam-se com mil e umas coisas (consigo e com o seu corpo) para que aquele bebé viesse saudável. A seguir, acontece um turbilhão de sentimentos. Voltamos a ser apenas nós, o bebé passa a ser de tantas outras pessoas, mas a responsabilidade parece que permanece essencialmente na mãe. Aos poucos, o instinto de leoa vai abrandado e vamos conseguindo gerir melhor o crescimento e o desprendimento físico do bebé. Naturalmente, estou a falar de coisas que podem ser mais fáceis de lidar para umas e menos para outras.

 

Com o Vicente foi bastante difícil, o parto tinha sido complicado, a amamentação também não correu bem, não queria que se usurpassem do meu bebé. É estranho, mas acredito que a experiência do parto tenha tido bastante influência, para além de primeiro filho. Com a Laura foi tudo diferente, era a segunda, mas sobretudo, tinha sido O parto da minha vida, tal e qual eu imaginava – se é que isso é possível.

 

Mas, no entretanto, passaram-se cinco anos e meio da minha vida em que tive a maternidade como o principal foco. Fiz tudo com os meus filhos, tive aventuras e desventuras, mas eles estavam sempre lá e eu também estive, todos os dias, em todos os momentos – salvo as raras vezes em que me ausentei sem filhos.

 

Com o Vicente foram dois anos sem me separar um único dia dele, sem o partilhar com mais ninguém. Brincamos, choramos, dormimos, passeamos… fizemos tanta coisa em conjunto que, a primeira vez, que andei sem carrinho de bebé ou sem bebé ao colo, foi uma sensação muito, muito estranha. Tinha desaprendido o que fazer com as mãos.

 

Quando recomecei a trabalhar, era um regime diferente, em casa e eu fazia os meus horários. Não raras vezes, trabalhei madrugadas dentro porque os tinha a eles e não conseguia conciliar. Ao final, de cinco anos e meio, eles são o “background” e a minha referência, por vezes, acontecia não saber estar com só adultos e ser preciso tempo para desenferrujar as conversas.

 

O meu percurso com - e após -  a maternidade não terá sido nem mais fácil nem mais difícil do que o vosso. Tem as suas próprias características, foi muito intenso, foi muito profundo. Transformou-me, sem dúvida, numa pessoa diferente (da qual eu gosto mais também). Com isto tudo, não foi fácil conciliar o eu, mas nunca tive receio de como seria a minha vida após os filhos – tipo, neste preciso momento, em que estão os dois na escola. Não senti que deixei de ser menos “válida” na sociedade ou uma pessoa menos interessante. Aliás, acho que o facto de lidar com crianças me ensinou muito, sobretudo a voltar a ter um pouco da simplicidade que as caracteriza e a ser menos pessimista e menos conflituosa dos que os adultos em que nos tornamos. (Re) Aprendi a sorrir por nada, a agradecer as coisas simples da vida e descobri que, afinal, tudo o que eu preciso para ser feliz está à minha volta.

 

Contudo, o tal momento chegou. E não sei bem como explicar isto…, mas não existe uma continuidade do que era a minha vida antes – há muito deixou de haver, mas tinha a maternidade como “bengala”. Há uma fase nova, um recomeço e tenho um livro praticamente em branco diante de mim e isto não deixa de ser magnifico – com o tanto de assustador que possa ter, mas não é nisso que me quero focar.

 

Sei aquilo que eu gosto mais de fazer e é isto, estar aqui a escrever sobre sentimentos, sobre a vida, sobre a profundidade do ser humano, sei que ainda preciso de caminhar mais para ter a minha estabilidade, sei que não será fácil, todavia, acima de tudo, eu olho e vejo a beleza de poder escrever a minha história, com a vantagem de tudo o que já vivi e com tudo o que já aprendi.

 

E não, o desconhecido não é assustador. Nós é que construímos essa ideia e, por nossa própria culpa, deixamos progressivamente de arriscar, de sonhar e de correr atrás desses sonhos. Mas uma das coisas que eu quero ensinar aos meus filhos, desde cedo, é que sonhem muito, mas acima de tudo, que tenham a ousadia e que construam as ferramentas para correr atrás desses sonhos.

 

Hoje foi um dia estranho… porque as mães são pessoas lamechas, um dia que me fez reflectir na minha vida, em que me fez olhar bem para dentro e (tentar) descobrir os passos que se seguem. Aprendi tanto com os meus filhos que, respondendo há pergunta que mais me fizerem, eu não tenho medo da Vera que virá a seguir! A minha vida concentrou-se na maternidade, dei voltas e tomei decisões que só os filhos nos fazem ponderar e encontrei um lugar melhor para viver, uma pessoa melhor e um entendimento do mundo que está muito acima daquilo que nos impõe acreditar.

 

Hoje foi o primeiro dia da escola da Laura e o primeiro dia do resto da minha vida. Tenho 35 anos, um CV que pode deixar algumas pessoas confusas, porque nem sempre segui os meus sonhos, despedi-me de um emprego seguro e acredito que a vida não se resume a um só trabalho para a vida toda, que pode ter momentos de improviso, outros de autoconhecimento, de aventuras e, no final, de muitas descobertas e muitos encontros.

 

Foi um dia repleto de emoções, sentimentos, cheguei mesmo a fazer uma retrospectiva da minha vida, a ida para Bruxelas, o ser mãe a tempo inteiro, o regresso, as dúvidas…. Foi um dia que serviu de preparar a um setembro de acção e de novidades.

 

P.s: Sobre o balanço da entrada da Laura na creche falarei mais no final da semana, sim? Mas não, não houve choros no primeiro dia e isso mostrou a sua valentia e coragem! Mas cada dia é um dia e vou-lhe dar tempo para se habituar.

Creche: Aproxima-se o grande dia e eu fico um pouco ansiosa!

01.09.18 | Vera Dias Pinheiro

entrada na creche

 

A Laura vai começar a frequentar a creche já na segunda-feira. Ela tem dois anos e quase meio e, sem dúvida alguma, que é toda despachada e desenrascada. No dia-a-dia dá-nos muitas vezes a impressão de não precisar de nós para nada, embora seja capaz de nos derreter em doçura, nem que seja para conseguir o que ela quer.

 

Contrariamente aquilo que pensava, irá para a escola sem o desfralde feito. E eu que achava que iria ser mais fácil do que com o irmão e mais rápido, ela não esteve para aí virada. Tentamos várias vezes e de várias maneiras, quando queria as coisas corriam bem, mas a maior parte do tempo não quis, não lhe apeteceu ou simplesmente não estava preparada ainda. Em contrapartida, a Laura nunca usou chucha e nem sequer quis dar uma oportunidade ao biberão, sem o ter cuspido e empurrado de imediato. Recorre ao dedo, quando está muito cansada ou para dormir.

Por outro lado, anda bastante entusiasmada com a ideia de ir para a escola. Há dois dias que anda com a mochila para todo lado, vazia, somente com a sua caixinha de bolachas.

 

A Laura tem um temperamento difícil, por exemplo, não gosta de ajudar o próximo e amua com muita facilidade quando as coisas não lhe correm do jeito que quer. Também é bastante pespeneta quando alguma coisa não corre à maneira dela e sempre que tem uma reacção que eu reprovo, explico que, na escola, os meninos vão ficar triste com ela se ela o fizer. Resmunga muito e responde que “pode, pode” fazer o que ela quiser – seja o que Deus quiser!

 

É a filha que me deixa (quase) sem resposta, a que me fez quebrar (quase) todas as regras e que me fez engolir muitas das coisas que eu tinha quase a certeza que ficariam classificadas como “jamais”, “nunca” e “nem pensar”. Tive que reaprender muitas coisas para aprender a lidar com ela, tive que desistir de muitas teorias e até abdicar da forma que, para mim, era a certa. Tive que aceitar que ela é diferente e ceder mais do que impor, orientar mais do que obrigar.

 

Posto isto, aquilo que é eu pergunto é: “O que terei feito de errado?” Não fiz nada, simplesmente, há que aceitar que cada filho é um filho, com uma personalidade própria. No entanto, passamos demasiado tempo a julgar as outras mães. Tudo serve de motivo para condenar a outra mãe, por exemplo:

  • Porque o filho usou a chucha durante demasiado tempo;
  • Porque não fez o desfralde na “altura certa”;
  • Porque recorrer ao tablet ou o smartpohne para entreter os filhos;
  • Porque o filho faz birras no supermercado;
  • Porque o filho morde os colegas na escola;
  • Porque não quer dar de mamar ou porque amamenta em locais públicos sem se esconder, como se fosse um crime.

 

Enfim, tudo é motivo para “castigar” a mãe como se tudo fosse culpa sua, como se fosse sobre ela que caíssem todas as responsabilidades por ter sido ela a gerar aquela criança no seu ventre. As mães querem sossego e compreensão, querem espaço para serem elas próprias e tomarem as decisões que, no momento e em determinadas situações, sentem serem as mais adequadas. As mães não querem julgamentos em praça pública porque tem um filho aos berros num restaurante ou porque deu uma palmada ou teve uma atitude para tempestiva – Quem nunca chegou ao limite da sua sanidade mental que atire a primeira pedra!

 

Todas nós passamos pelos mesmos dilemas e, se não for com um filho, será com o próximo. Todas nós temos dúvidas, temos momentos de exaustão e de cansaço. Temos momentos em que não conseguimos sequer “somar um mais um” e tudo fazemos tudo o que estiver ao nosso alcance para termos só cinco minutos de paz e de silêncio.

 

Todas as mães que agem com amor estão a fazer a coisa certa para os seus filhos, não importa o que os olhos dos outros vejam ou o que as cabeça pensem. 

 

Menos julgamentos, mais amor!

 

laços para menina MOA

 Laço com Flamingos da MOA - Facebook

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