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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Entre o fim das férias e o regresso à escola, tiveram o melhor presente de todos!

30.08.18 | Vera Dias Pinheiro

regresso às aulas

 

Chego ao fim destas férias grandes com a certeza de que dei o melhor presente ao Vicente e à Laura. Tenho quase a certeza que eles nem deram por isso, mas eu sei que o melhor das férias não foi a piscina, ou a praia ou os passeios a seguir ao jantar fora da rotina. O melhor das férias foi o tempo que eles tiveram a oportunidade de passar juntos desde quando acordavam até que se deitavam.

 

 

Não sei se existe uma diferença certa/ideal de idades entre irmãos. O momento ideal para um próximo filho depende de tantas coisas e nem sempre apenas da nossa vontade. E, talvez, outros pais achem o mesmo que eu, ou seja, que a diferença dos seus filhos foi a certa! É que para mim, os três anos que separam o Vicente e a Laura acabaram por ser perfeitos para eles e para nós.

 

Com uma diferença de cinco anos da minha irmã, com quem senti ser sempre muito complicada a cumplicidade e a aproximação, só mais tarde, na idade adulta, é que encontramos a sintonia e as coisas se simplificaram. Mas com esta minha experiência, a minha vontade, se dependesse apenas de mim, era que os meus filhos tivessem uma diferença ali pelos dois anos.

 

Na prática, acabamos por ter de esperar mais um ano pela chegada da mana mais nova, contudo, desde início senti que facilitava bastante o nosso dia-a-dia e a gestão dos dois, o Vicente estar numa fase já mais amadurecida, em que a comunicação era mais fácil e explícita e em que ele próprio era já bastante desenrascado – estava precisamente na fase de querer autonomia e de se sentir capaz de sozinho fazer muitas coisas. Isso ajudou, porque pedir-lhe que fosse buscar o seu próprio iogurte, porque eu estava a dar de mamar, não era motivo de ciúme mas sim sinal de confiança da minha parte.

 

 

Para além disso, rapidamente a Laura deu um pulo de crescimento e agora, ela com dois e ele com cinco anos, são capazes de passar muito tempo a brincar um com o outro. Conversam e entendem-se muito bem – aliás, é o irmão que consegue decifrar e que traduz tudo o que a irmã diz e que alguém não entende à primeira.

 

Todavia, o caminho até aqui não foi sempre harmonioso e em paz. Aliás, à medida que ela ia crescendo e intervindo mais em casa e connosco, foi-se notando no Vicente os tais ciúmes que em bebé tinham passado despercebidos. O Vicente gostava da irmã, mas estar com ela só ao fim do dia e aos fins-de-semana não era suficiente para que ele soubesse o que fazer com a irmã, para que percebesse efectivamente que ela ainda é pequenina e que não tem a noção nem entende tantas coisas como ele. Consequentemente, eram cada vez mais os gritos, as implicâncias, os choros e as birras. E, claro, sobrava aqui para a “je” a necessidade de intervir, de tentar ter bom senso, sem desculpar demasiado um ou outro, de pensar duas vezes antes de chamar o Vicente, pois por ser mais velho a tendência é chamá-lo primeiro a ele… enfim… estava a ser desafiante, mas também um pouco frustrante.

 

Entretanto, com o aproximar dos meses de verão e de férias, o Vicente acabou por ficar em casa logo desde o início de julho e eu não me importei. Ficou, mas as primeiras semanas foram longas e penosas (para mim). Foi difícil o compromisso entre ambos, a cumplicidade necessária para saber aceitar o outro e respeitá-lo, para se conhecerem e até saberem como se relacionar 24 horas por dia. Foi duro, mas compensador por cada minuto a mais que estavam juntos, que conversavam, que se mimavam e que se uniam para fazer traquinices. Foi duro, mas foi necessário para se aceitarem no mesmo espaço, para perceberem que podem brincar juntos, que ninguém faz nada por mal. Foi tão compensador ao ponto de ter visto nascer no Vicente um sentimento protector e de preocupação com a irmã. Foi tão compensador para vê-los como os vejo hoje, aqui em casa, e em que passam a maior parte do tempo bem.

Dir-me-ão que são fases, eu sei e acredito que haverão sempre fases, umas melhores outras nem por isso. Mas eu sinto que ambos precisavam deste tempo só para eles, para que, entre a individualidade de cada um, se abrisse um espaço de união e de cumplicidade.

 

E este meu filho crescido que vai agora para o último ano da pré-escola e que me apetece sugá-lo cada segundo deste último ano – mas que, por ele, ia já para a primaria – cresceu demasiado sem que eu me apercebesse. Cresceu ao ponto de ser um irmão mais velho com consciência disso e com comportamentos como tal. Também cresceu e tornou-se mais caprichoso com a forma como se veste e até se penteia. Tanto assim é que já começou a ter dois guarda-roupas, um para a escola e outro de fim-de-semana. Não só porque eu acho que já compensa o investimento em roupa de qualidade e um pouco mais cara, como também é verdade que, actualmente, o Vicente estraga imensa roupa na escola – no último ano perdi a conta às calças que apareceram rasgadas a seguir a um dia de escola.

Atenção, que isto é um óptimo sinal! É mesmo isso que se quer: calças rasgadas e joelhos arranhados.

 

E se há marca que eu gosto bastante e que acho que assenta perfeitamente no estilo do Vicente é a Timberland, já aqui vos falei da marca outras vezes - uma delas foi precisamente sobre essenciais de outono para rapaz - e agora foi altura de aproveitar o regresso às aulas para trazer para o guarda-roupa de fim-de-semana umas peças novas para a nova estação.

Sim, eu sou do tempo em que o regresso às aulas era igualmente sinónimo de entrada numa nova estação e em que já não se fazia sentir o calor abrasador que se sente por estes dias.

 

 

 

E o que não pode faltar num guarda-roupa de um rapaz, seja qual for o dia da semana, na próxima estação, são as  T-shirts long sleeve e as sweatshirts, na minha opinião! 

 

Deixem nos comentários as vossas marcas preferidas para rapaz. Pode ser?

 

 

E esta última semana de agosto que nunca mais acaba, ou é impressão minha?

29.08.18 | Vera Dias Pinheiro

agosto

 

Acredito que não seja a única, mas eu estou a contar os dias – bem baixinho, como se tivesse receio de me sentir culpada por isso - para o regresso às rotinas da nossa família. Pois, se por um lado, a minha família é a minha razão de viver e é graças a nós que eu fiz todas estas boas mudanças a nível pessoal, ao mesmo tempo, que foram eles (os filhos) os responsáveis por me ensinarem a separar o realmente importante do acessório. Por outro, todos nós precisamos de escapes, de momentos só nossos, precisamos de espaço para sermos quem somos sem estar a desempenhar nenhum papel.

 

E se analisar bem a minha/nossa evolução, quer individual, quer em conjunto, os momentos “a sós” foram igualmente importantes para a nossa união, como os momentos que passamos intensamente juntos 24h por dia 365 dias por ano. A individualidade não é sinónimo de egoísmo, é, pelo contrário, sinal de evoluímos saudavelmente na nossa existência e que garantimos que as convivências e as relações também evoluem de forma saudável e duradoura.

 

Contudo, não mudava nada até aqui, não retirava um segundo sequer ao tempo que dedico à família, a energia que ela me retira e a forma como ela depende de mim. Mas são ciclos que precisam de renovação. No dia-a-dia, o meu escape são as idas ao ginásio, que me fazem um bem danado e que ajudam a colocar tudo no devido lugar (por dentro e por fora). Mas, às vezes, é preciso mais do um escape, é preciso mais de um par de horas fora de casa, é preciso realmente tempo para reciclar e renovar quem somos, para nos alimentarmos e podermos alimentar quem está ao nosso redor.

 

E, para além, da viagem a Estocolmo que fizemos à relativamente pouco tempo, sem filhos – e, já agora, relembro as dicas daquela cidade que vale mesmo a pena conhecer – temos tido alguns jantares fora, umas idas ao supermercado sem filhos (esse luxo, embora parece uma coisa banal) e um (um único) fim-de-semana fora – no maravilhoso Douro, ter no horizonte próximo a possibilidade de recuperar o meu tempo durante o dia, confesso, é algo que me agrada muito e pelo qual anseio muito! Sentir que posso deixar de andar pela metade em tudo o que faço, que posso até passar a andar menos nervosa e apressada, que tentar separar melhor o tempo e conseguir gerir melhor cada coisa, é algo que me deixa feliz.

 

Já vos falei por aqui do que representa, para mim, a barreira dos dois anos de idade num filho, na diferença que faz em tudo passar de um para dois filhos e de como ser trabalhadora por conta própria e um desafio permanente e que, com o tempo, vai exigindo cada vez mais de mim e do meu tempo, assim como também já vos falei do que representam as férias para eles e para mim.

 

Ter filhos é mais um trabalho, sendo o mais franca possível. Claro que é um trabalho compensado com um amor inexplicável e para toda a vida e que a sua presença nas nossas vidas compensa largamente os aspectos menos bons. Mas… é mais responsabilidade, é mais rotinas e mais tarefas que temos. É estar ligado 24 horas por dia e ouvir chamar por nós constantemente. E isso tens consequências que se acabam por reflectir na acumulação dos dias e na relação com o nosso parceiro. 

 

Ora, então, como é que se gere tudo isto?! Com o tempo. Aquele safado que anda sempre a correr, que desparece sem darmos conta e que é essencial para todos nós. Gerimos com tempo para sermos indivíduos, para sermos casal, para sermos profissionais e para sermos pais. Tempo! Tempo! Tempo!

 

Eu preciso dele! Precisamos todos! E só com uma grande racionalidade é que não nos afundamos numa só coisa. Às vezes, na lida de casa, digo para mim, basta! “Agora vais parar e fazer outra coisa”. Porque quando dou mim, estou completamente embrenhada num rol de tarefas urgentes e que se surgem em catadupa.

 

E por falar nisso, lembrei-me que ainda tenho máquinas com roupa das férias para fazer e a que estendi já deve estar seca… Depois de terminar este texto é isso que irei fazer e de caminho tiro já alguma coisa para descongelar para o jantar.

 

E é desta forma que se resumem os nossos dias: sempre a fazer coisas, umas atrás das outras, mas depois falta o tempo de qualidade para nós. Por exemplo, para me dar ao luxo de me sentar no sofá ou de ler um livro do início ao fim ou de me deitar cedo ou, então, porque não para simplesmente não fazer nada?

 

Por isso, e ingénua ou não, conto os dias para que chegue segunda-feira, mesmo que daí a dias o tempo já me falte novamente – porque esse é a lei da vida. Contudo, eu sou assim. Sou uma pessoa que precisa de novos ciclos a acontecer de quando em quando, como este novo que se avizinha com a ida a Laura para a cresce e que me permitirá de novo dedicar-me apenas a mim uma boa parte do tempo.

 

Eu ainda me lembro de quando deixei pela primeira vez o Vicente na creche, de como foi estranho não ter ninguém no banco de trás do carro, nem companhia para ir o supermercado, nem as obrigações ao longo do dia com os horários e as suas rotinas. Foi estranho, mas soube-me bem logo de imediato, tal como foi bom ter o friozinho na barriga, à tarde, quando o fui buscar.

Enfim... não é que me canse das rotinas - ou talvez até sim - mas preciso de novidade e de liberdade para que os outros recebem o melhor de mim e quem realmente sou.

 

Antes do verão, fiquei mesmo cansada, optei por estar mais presente em casa e com eles porque era uma fase muito exigente, respeitava os compromissos de trabalhos, mas só isso. Mas a longo prazo esse bocadinho a mais, faz me falta porque lá está, traz-me a novidade, o elemento diferente aos meus dias e até essencial à minha inspiração.

 

Não sei se me faço entender.... faço?!

 

Boa noite!

Férias: Afinal, foi fácil fazer os dias esticarem | Como? |

27.08.18 | Vera Dias Pinheiro

Tiramos uns dias de férias para aproveitar a família e a companhia uns dos outros. Durante estes dias não houve obrigações para nada a não ser de partilhar o que me apetecesse quando tivesse vontade. Alugamos uma “casa-hotel”, como lhe chamou o Vicente, que é como quem diz, um apartamento que pertencia a um hotel. Estacionamos o carro no primeiro dia para não voltar a mexer, trouxemos os bens essenciais para fugir dos supermercados tanto quanto possível e dedicamo-nos a dar o máximo de nós naqueles dias.

 

Tivemos uma grande sorte com o tempo e com a temperatura da água, já que uns dias antes estava gelada, deixamo-nos de cerimónias com as indumentárias para andarmos o mais confortável possível e até conseguimos (mais eu, talvez) deixar os horários rígidos de lado, para que fosse uma semana de férias a sério para todos. De manhã, acordaram mais tarde que o normal, talvez porque todos os dias, na noite anterior, havia passeio nocturno com direito a matraquilhos e carrosséis. Houve praia e piscina para satisfação de todos os membros da família e, na “casa-hotel”, a mãe cozinhou todos os dias, preocupou-se com as arrumações, o suficiente para se viver bem durante aquela semana, e ambos – mãe e pai – esforçaram-se para atender aos pedidos (exigentes) dos mais pequenos, Vicente e Laura.

 

Não foi uma semana de férias para nós, pelo menos não foi uma semana sem as exigências básicas do dia-a-dia de uma família, mas isso não me incomodou. Acho que ficamos todos a ganhar com a convivência em família nestes dias, em que todos temos que fazer algo pelos outros. Porém, era preciso ganhar tempo para poder gozar férias, era preciso poupar em alguma coisa para observar os meus filhos com toda a minha atenção – afinal, eles crescem tão rápido e especialmente no verão – era preciso economizar em tudo o que era acessório para me dar ao luxo de dormir as sestas com eles sempre que tinha vontade, para ficar na varanda a beber um copo de vinho numa pausa de fim do dia antes de todo o ritual familiar. E, já agora, se possível, folhear uma revista daquelas sem grande profundidade e adiantar algumas páginas dos livros que comprei e que ainda não consegui terminar.

 

Contudo, a pergunta que se imponha era: como fazer os dias esticarem? Como fazer com que aquela semana fosse capaz de resumir as nossas férias grandes e fosse o espelho do nosso verão? Como agarrar o tempo com unhas e dentes para poder criar memórias felizes na cabeça e no coração deles e eu poder gozar-me mais um pouco da sua companhia enquanto ainda são tão pintainhos da sua mãe?

 

dias de férias com filhos

 

Talvez… esquecendo-me do computador que foi comigo e tornar o telefone no objecto mais acessório do meu/nosso verão. Contrariamente ao que seria esperado, as redes sociais não foram as primeiras a registar os momentos, os e-mails esperaram mais do que o esperado para serem respondidos, deixei passar alguns aniversários, cujas notificações do Facebook não vi ou vi tarde de mais, assim como, não raras vezes, ficaram likes e comentários por fazer nas partilhas das pessoas que eu gosto. Mas se esta é a condição, que seja, afinal, que receio devemos ter se não estivermos sempre presentes no online, se não respondermos no imediato e se não formos pessoas activas nas redes sociais? Deixam de saber quem eu sou? Desapareço? Deixo de ter trabalho?!

 

Como é que funciona, afinal, a sociedade digital dos dias de hoje? E até que ponto somos escravos da mesma?

 

O verão é a única altura do ano em que efectivamente consigo estar junto de pessoas que são importantes para mim, é a única altura em que consigo dar aos meus filhos o que eles precisam: tempo para estarem um com o outro, para se conhecerem, para aprenderem a brincar um com o outro e para construírem a sua cumplicidade e fortalecerem os laços.

 

| Imagens em carrossel | 

 

 

 

O verão é a única altura em que se desculpa o ritmo mais lento, as férias e o bom tempo servem de pretexto, e em que eu posso reciclar-me, renovar-me e encontrar-me. Posso ter tempo para ver outras coisas, descobrir novidades, reflectir e até não pensar em nada. Todavia, para tal, é preciso recuperar o tempo que a internet me rouba, é preciso ganhar aqueles minutos perdidos da companhia dos nossos para partilharmos o que é nosso com o mundo. Mas, em contrapartida, eu também quero algo que seja só meu, também quero ter uma vida privada, quero saber viver sem o telefone e sem as redes sociais. Quero saber o que fazer com as minhas mãos sem ser percorrer os feeds, deixar comentários e likes, só para estarmos activos e pessoas virtualmente presentes e quero adormecer sem ser na companhia “dos desconhecidos que sigo no Instagram”. Quero saber o que dizer e o que brincar nesses instantes em que não tenho o telemóvel na mão e, sobretudo, quero perceber o tempo que tudo isso representa na minha vida diariamente.

 

A partir de setembro irei recuperar o tão esperado tempo só para mim e o desafio vai ser a gestão do meu tempo, porque não quero ter desculpas ao final do dia para não dar atenção aos meus filhos, para andar stressada a pedir-lhes para esperarem ou, então, fazer várias coisas em simultâneo. Eu não preciso de desculpas para a mãe que eu quero ser da mesma forma que isso não tem que anular o meu lado profissional. E acredito que posso conciliar, contudo para tal é importante saber bem até onde é que posso ir, quer para um lado quer para o outro, e não deixar que as redes sociais decidam que somos mais ou menos influentes.

 

Estou numa fase em que redescobri o encanto da maternidade como se estivesse a ser mãe de novo pela primeira vez. Os meus filhos tão numa fase super apetecível em que não me apetece perder pitada do tempo em que estou com eles. O Vicente é um menino conversador e uma grande companhia. Nestas férias, demonstrou o seu lado protector com a sua preocupação com a irmã, especialmente perante a sua loucura e apetência pela aventura. A Laura, por sua vez, é super expressiva e levou-me novamente aos banhos na praia, sorte a minha que a água estava quente… No fundo, completam-se um ao outro, mesmo quando discutem, mesmo quando nos deixam de rastos e quando passam os dias insatisfeitos com tudo e com todos.

 

Foram uns belos dias de férias tão bons quanto é bom o entusiasmo que sinto com o aproximar do regresso às rotinas, com a entrada numa nova fase para mim e sentir-me expectante com as coisas novas que posso fazer e com uma nova gestão da minha vida, mais organizada e com horários. E aqui está a prova de que o importante não é o número de dias, mas sim a forma como se vivem os dias e a intensidade com que nos dedicamos ao presente a cada dia.

 

Espero que as vossas férias tenham sido boas e que se sintam positivos e cheios de energia perante o recomeço do ano agora em setembro.

 

Boa noite!

É preciso ganhar alguma capacidade de sacrifício na nossa vida!

23.08.18 | Vera Dias Pinheiro

A maturidade vem com o tempo, com a idade ou com ambos. E por muitos avisos e conselhos que recebamos por parte dos nossos pais, há coisas que só se aprendem com a idade e nuns determinados momentos. Todos nós – e eu não sou excepção – travamos as nossas lutas. Temos os nossos fantasmas, aquelas coisinhas que gostávamos de mudar e que, embora aparentemente até nos esforcemos muito (achamos nós), os resultados não aparecem. É ai que se aloja a frustração dentro de nós e é precisamente aí que, das duas, uma: ou baixamos os braços e nos resignamos. Tentamos convencer-nos que aquilo não é para nós, é só para os outros. Ou então vamos à luta e abraçamos o sacrifício como o desafio mais importante das nossas vidas.

capacidade de sacríficio na nossa vida

 

E isto é algo que se aplica a praticamente tudo na nossa vida. Já aprendi a não ser tão pessimista com o cancro com uma amiga que não baixou os braços perante o sacrifício e que lutou e agarrou a própria vida com tudo aquilo que tinha e não tinha porque ela queria viver. Já aprendi com grandes lutadoras que lidaram com o excesso de peso que é possível mudar, que é possível perder 20 quilos e ter um aspecto físico fantástico. Uma pessoa que come muito não tem que comer assim a vida toda e nem tem que ter pena de si ou achar que só os outros conseguem. Essas pessoas aceitaram o sacrifício que foi um dia parar de comer tanto e parar de comer tantas porcarias, prosseguindo o objectivo e o sonho de serem mais magras e saudáveis e de terem maior autoestima. Conheci pessoas que largaram o certo pelo incerto profissionalmente porque queriam ser realizadas e achavam-se merecedoras de tal. Pessoas que aceitaram o sacrifício de se privarem de algumas coisas materiais, até de fazerem um certo “downgrade” no estilo de vida ou mesmo de aprender a viver com menos dinheiro, porque acreditavam que isso era apenas passageiro, transitório para um futuro melhor a todos os níveis. Essa “perda” viria mais tarde a ser recuperada… porque não em dobro?!

 

A maioria de nós vive rodeado de desculpas, de pretextos, de obstáculos e todos eles criados pelo próprio individuo. Parece que é mais fácil sabotar o nosso sucesso e a nossa felicidade do que lutar por alcançar os nossos sonhos. E porque será?

 

Ter esta luz própria e esta capacidade de sacrifício sem nos sentirmos uns coitados é tão ou mais difícil, eu percebo! E nós queremos sempre o mais fácil e o que dá menos trabalho mesmo que não seja o melhor para nós…

 

É assim, mas não devia ser!

 

Ah estás tão magra e tão fit! E eu respondo, pois, e ainda bem que estou porque sacrifiquei-me imenso para alcançar os resultados. Pela primeira vez na minha vida posso dizer que mantive o mesmo ritmo de treino o ano inteiro e que não me desculpei com as férias, com o calor, com o cansaço ou com a preguiça. Também desisti de ter a desculpa do dia da asneira e percebi que o melhor que posso fazer por mim é alimentar-me bem e que isso me pode dar tanto prazer como aquele que supostamente só conseguimos associar às refeições mais calóricas.

 

Ah mas para ti é fácil! Não, não é! Não é mais fácil para ninguém, especialmente porque não conhecemos a realidade de cada um nós. Conseguimos ver os resultados que provêm, na maioria das vezes, dos esforços e dos sacrifícios. Mas disso não se faz bandeira e nem interessa nada a quem está de fora. Afinal, devemos mudar por nós. Devemos gostar de nós e fazer por nós. E não, nunca será fácil, não se iludam. Vão precisar de força de vontade para começar e de persistência para não desistir!

 

E aqui estou eu a passar as nossas férias a fazer uma coisa que detesto: correr! Mas não é isso que me fez desistir. Afinal, até sabe bem sair da minha zona de conforto! 

 

 

Boa noite!

 

Os pais ficam loucos mas a culpa não é dos filhos!

21.08.18 | Vera Dias Pinheiro

A maternidade não é uma ciência exacta, até aqui, não vos estou a dizer novidade alguma. E, na maternidade, também não podemos achar que, quando chegar a nossa vez, irá ser diferente ou até que temos habilidades que as outras mães e pais não têm. Lamento, se futuros pais me estão a ler ou pais de primeira viagem com tudo controladíssimo – eu já estive no vosso lugar - se estou a ferir as vossas suscetibilidades, contudo, esta é a mais pura das verdades!  Mas ainda há mais! Sabem quem são os verdadeiros culpados? Não, não os filhos. Os grandes culpados somos nós, as mães e os pais, tal é o nosso nível de insatisfação face ao temos e aquilo que ambicionamos para o cenário perfeito. E mesmo assim, quão ingénuos somos nós e, mais uma vez, insatisfeitos, que mesmo na eventualidade de alcançarmos o suposto cenário perfeito, mesmo assim, esse não é suficiente.

 

Pela minha experiência falo, dois filhos nunca são iguais. Não sei se é uma tendência que continua no terceiro ou quarto filho. Porém, o facto de não ter dois filhos iguais mostra-me precisamente o quão insatisfeitos os pais conseguem ser. 

 

Por exemplo, eu tenho um filho que não gosta de praia, mas que já se habituou à ideia de que, nas férias de verão, as idas à praia são inevitáveis. Lá se vai entretendo e agora descobriu as raquetes e é uma coisa que gosta de fazer na praia – logicamente que se tiver companhia para uma jogatana de bola, o assunto muda de figura! Nestas férias tem aguentado bem as manhãs na praia porque sabe que, à tarde, tem a “recompensa”, a piscina.

 

Ora, durante estes últimos anos, cinco mais concretamente, tenho partilhado com vocês que, durante as férias de verão, nós éramos aquela família super enfadada na praia e aborrecida por não existir harmonia naquele programa tal era o “frete” (de alguns). E eu que adoro praia e que acho importante, sentia até alguma tristeza pois não consigo ser indiferente aos sentimentos do Vicente em relação à praia e porque sei que não o posso obrigar e nem vou! Como também evito que ele se sinta mal por não apreciar estar ali, por não gostar das ondas e nem de se aproximar muito da água do mar. É normal! Tão normal como, pelo contrário, não se gostar de piscina. É aqui que aprendemos à força – se por ventura ainda não o tiverem feito que as pessoas são todas diferentes umas das outras e que isso é que nos torna a todos pessoas interessantes e que faz com que ao longo da vida nos vamos identificando ora com uns ora com outros. 

 

Aceitar a diferença do outro, porque nós também gostamos e apreciamos quando aceitam a nossa própria diferença. Certo?

 

Depois, fui mãe uma segunda vez e, à força, fui dando espaço para o desconhecido e para o facto de eu não conseguir controlar tanto as situações e aprender que há filhos que desafiam a nossa autoridade logo desde que nascem. E, logicamente, que neste aspecto, a Laura tinha que nos surpreender a todos com a sua ousadia natural para enfrentar o mar; com a sua atracção pela adrenalina das ondas e pelas brincadeiras à beira mar. 

 

Bom, e, neste momento, diriam vocês: “Então, queres dizer que agora estão felizes da vida porque têm um filho que adora estar na praia?” e que a Laura seria uma espécie de recompensa para nós. E teriam toda a razão caso os pais não fosse “obrigados” a viver nos extremos comportamentais.

 

férias com filhos

 

 

Os pais vivem entre o tudo e o nada, entre o oito e o oitenta. Se por um lado, um filho faz birra por estar na praia, o outro, por sua vez, faz birra por ter que sair. Os pais têm uma certa tendência para padecerem de uma certa loucura, sabem? Afinal, quem é que entende isto? Não podiam ser mais diferentes. Mais contrastantes. E nós, que em vez de um equilíbrio, damos por nós a andar completamente esmifrados entre dois pólos opostos. 

 

A Laura adora andar na rua, o Vicente prefere estar em casa. A Laura, por ela, passava horas nos carrosséis, o Vicente quanto mais longe deles estiver, melhor. Porém, como se isto não fosse suficiente. Quando nós tentamos tirar uma lição de uma situação ou comportamento, eles unem-se e voltam a trocar-nos as voltas. 

 

Digam-me como é que isto fica a partir do segundo filho? É que eu não consigo imaginar mais um elemento, nesta casa, com exigências e personalidade próprias. 

 

Às vezes - muitas vezes - entro numa bolha e lá fico, à espera que a tempestade à minha volta passe. Espero que resolvam os seus conflitos e que se apercebam dos conflitos que criam connosco. E que, sem nos darmos conta, entramos numa espiral em que tentamos dar-lhes tudo e em que o tudo não é suficiente, em que nos esforçamos para que estejam felizes, mas nunca nada é suficiente. Falta sempre algo ou, então, criam-se desejos e vontades ainda maiores e mais inatingíveis. E os pais, padecendo da sua loucura, privados de sono não raras vezes e com os seus interesses em segundo plano, ficam muitas vezes baralhados e hesitantes quanto ao melhor caminho. 

 

Eu adoro os meus filhos, mas, no verão, permito-me um copo de vinho para aguentar aquele finalzinho do dia que é sempre tão intenso qual seja o local onde estejamos e, já agora, um café a mais porque acordar cedo durante as férias parece que custa sempre um bocadinho mais. Não é? É nas férias e aos domingos…. 😉

 

 

Boa noite!

As férias deles e as minhas férias...

18.08.18 | Vera Dias Pinheiro

Deixamos que o tempo entrasse devagar nestas férias. Permitimos ao corpo descansar sem andar sempre a correr de um lado para o outro. E é desta maneira que temos vivido este mês de agosto, a única altura do ano em que realmente conseguimos tirar férias os quatro.

Começamos mais a Norte do país, e bem, nas Casas do Lupo. Descansamos muito, o suficiente para que a correria dos filhos até passasse despercebida. Regressamos a casa e, depois de cancelar a nossa ida para Monchique, pelas razões óbvias, voltamos agora a quebrar a rotina, desta vez para sul.

E imaginem que sem andar à pressa, conseguimos sair de casa à hora planeada de véspera, sem atrasos e sem birras ou discussões. Foi uma grande vitória. Durante toda a viagem ouvimos os miúdos a perguntar se faltava muito, a combinar brincadeiras e cheios de entusiasmo. São as férias grandes e temos conseguido cumprir o nosso objectivo: o de passarmos tempo de qualidade a quatro. 

Não andamos a correr. Não ficamos presos em filas. Não estivemos no meio de multidões. E tivemos muito tempo para dedicar aos nossos. Sim, o (querido) mês de agosto é sinónimo de matar saudades das nossas pessoas que vivem longe (geograficamente) ou, então, que até moram mais ou menos próximas de nós, mas que as rotinas e exigências diferentes do dia-a-dia acabam por nos afastar. Enfim, acho que não vale muito a pena tentar contrariar algo a que, mais cedo ou mais tarde, todos nos sucumbimos.

Contudo, desde que sou mãe, algo mudou. Há duas pessoas que são uma extensão de mim e que depositam tudo aquilo são e que têm na figura da mãe. É incrível e, ao mesmo tempo, assustador. Eles esperam, de mim, as respostas, a iniciativa, as soluções, a companhia, o abraço, o colo, a paciência e tudo mais que, na sua existência, seja necessário. Às vezes, acho que devem pensar que sou uma máquina. Carregam no botão e sai água, noutro botão têm acesso directo ao pequeno-almoço mal acordam e por aí em diante. Todos os dias, 24 horas por dia.

E é nas férias que me esforço ao máximo para manter a serenidade e a capacidade de lhes praticamente tudo o que eles precisam e desejam na medida em que pedem. São as férias grandes, a única altura em que a mãe e o pai não chegam tarde do trabalho ou, então, que não têm que passar muitas horas longe dos pais. Respiro fundo tantas vezes quanto possível e conto muitas vezes até mil e sabem porquê? Porque enquanto o pai ou a mãe perdem facilmente a paciência e cedem ao comportamento mais óbvio e também mais errado, são eles que nos surpreendem sempre.

O Vicente não precisa que lhe diga quando eu estou mesmo cansada e parte dele a iniciativa para dizer a todos que precisam ajudar a mãe na hora de fazer as malas. Ele já sabe que “há uma condição para...”. Já percebeu que a mãe não é de ferro, que fica exausta e que, embora a culpa não seja deles, eu preciso deles para dar a volta.

Contudo, se fechar os olhos e tentar imaginar a minha vida antes disto, não sei se serei capaz ou se, sequer, eu quero fazer isso. Este presente que eu vivo condiciona-me a mim. Porém, por outro lado, na forma como eu encaro ser mãe e nas escolhas que fizemos, em primeiro lugar está a minha presença junto deles. Está a minha companhia e presença no seu dia-a-dia e permitir-lhes criar memórias felizes nestes anos da infância e, se possível, pela vida fora. Mas especialmente agora que eles dependem de mim e depositam todas as suas expectativas em mim.


São praticamente dois meses com os dois em casa. Houve tempo para aulas de skate, para idas a parques diferentes, para brincadeiras comigo quando lhes apeteceu, foram passeios e foi, acima de tudo, reviver os amigos. E essencialmente foi importante para a convivência dos irmãos.

 

Eu não tenho férias e foi difícil conciliar tudo. Foi difícil não pensar que estava a deixar-me para trás e que estaria a abrir mão da minha profissão, que já de si é tão particular. Contudo, foi precisamente desta pressão que eu quis fugir há um tempo atrás. Foi desta pressão que sociedade nos impõe para esconder que a mãe que queremos ser que eu quis fugir. A mãe que eu quero ser é a mãe capaz de parar tudo para os acompanhar e que dá o litro nesses entretantos para que o resto não fique para trás sem peso na consciência. As habilidades de multitasking aprumam-se é verdade.... 

 

A mãe que sou decorre da mulher em que me estou a tornar todos os dias. Depois da fase complicada, renasce uma Vera plena e segura de si e das suas escolhas. Continuo a ter tanto para melhorar e esforço-me todos os dias para ser uma pessoa melhor. Mas são precisamente os meus pontos fracos que estão a tornar-me mais forte.

 

Aceitar que tenho que parar quando é preciso. Aceitar que posso dormir e permitir-me fazer diariamente as escolhas com base no que é mais importante para mim e não para dar o “jeitinho” aos outros. Continuo sem medo de olhar bem para dentro de mim porque é isso que me diz onde está aminha felicidade.

férias com filhos

 

Vamos a isto Algarve! Estamos prontos para aproveitar tudo aquilo que tens para nos dar. 

 

Boa noite.

Onde Comer: entre o concelho de Nelas e Viseu!

17.08.18 | Vera Dias Pinheiro

Restaurante Zé Pataco, Canas de Senhorim

restaurante zé pataco 

Foi o primeiro restaurante que conhecemos e é a alternativa que recomendo para as refeições de almoço e jantar para quem fica alojado nas Casas do Lupo. A cerca de cinco minutos do alojamento encontram um restaurante familiar, simpático e de boa comida caseira. Não terão dificuldade em encontrar soluções para as crianças e vão ficar agradavelmente surpreendidos com o preço.

O Zé Pataco foi particamente a nossa “cantina” naqueles dias, onde é tudo bom, desde os pratos de peixe aos de carne que provamos, bem como as sobremesas que guardámos para o último dia..! Os miúdos adoram a canja e eu aproveitei para comer peixe. Atenção às doses, que são bem generosas!

restaurante zé pataco

 

 

Restaurante Quinta de Cabriz, Carregal do Sal

Um pouco mais distante, mas mesmo assim perto de Nelas, fomos visitar a Quinta de Cabriz. Visitamos um pouco da quinta, a loja de vinho e o restaurante. Fomos muito bem-recebidos e a comida, mais uma vez, deliciosa e as doses, novamente, generosas. Neste restaurante já sou capaz de vos deixar uma ou duas sugestões: um prato de carne, a vitela e, para sobremesa, a tarte de amêndoa. Levem espaço porque vão comer muito (e) bem!

 

restaurante quinta de cabriz

 

Restaurante Bem-Haja, Nelas

Simpático, acolhedor, boa comida e um buffet de sobremesas a que podem tentar resistir, mas não aconselho, pois são caseiras e muito boas. Este restaurante é uma excelente escolha para quem procura pratos típicos da região. E se quiserem muito uma sugestão, eu posso dar… provem o cabrito, sim? E já agora, não se esqueçam do pudim de bolacha (e tentem não repetir mais do que uma vez). Excelente seleção de vinhos, também.

 

 

 

Brunch no Aromático 54, Viseu

Domingo que é domingo, é dia de Brunch e mesmo em férias, seguimos viagem até Viseu para ir conhecer o Aromático 54. Depois de um passeio pelo centro da cidade, para abrir o apetite, fomos à descoberta deste espaço. Aos feriados, sábados e domingos é servido brunch! 

Moderno, simpático, acolhedor e com um menu em que o difícil é a escolha. Entre as panquecas e os ovos, é preciso é ter vontade para comer. Tem menu infantil simpático e sumos naturais do dia que vale a pena provar.

E, mais uma vez, não se entusiasmem. Para aqueles lados, as doses são generosas e vocês não vão querer desperdiçar nada! Partilhem e abram uma excepção para se permitirem comer de tudo um pouco sem peso na consciência.

 

 

 

Todos estas opções são diferentes e todos elas valem a pena. Repetimos mais vezes o restaurante Zé Pataco pela comodidade de estar apenas a cinco minutos das Casas do Lupo e, com crianças pequenas, permitiu ajustar os horários e rotinas sem grandes problemas.

 

A gastronomia da região é muito boa, o vinho para acompanhar também e ainda bem que o tempo chegou para fazer umas corridas matinais.

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