Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Acho que a isto se pode chamar: o fim de um ciclo!

23.07.18 | Vera Dias Pinheiro

IMG_2134-1024x683.jpg

Calma, não se assustem! É apenas o fim de mais um ciclo e o início de uma nova etapa para mim e para as nossas viagens e eu quero apenas avisar-vos de que o blog irá deixar de estar alojado no WordPress porque foi acolhido pela família Sapo. Na prática, para vocês, que nos acompanham desse lado, há mais ou menos tempo, nada irá mudar. Do nosso lado, trata-se apenas de mais uma etapa neste caminho de blogger, mas especialmente de escritora de conteúdos e de narrativas.

Aquilo que comecei a desenhar em 2013, quando decidi criar o blog As viagens dos Vs, não era mais do que o reflexo da minha vontade em voltar a exercitar a minha escrita e a minha habilidade na comunicação. O termo viagens, por sua vez, adquiriu um sentido bastante mais lato e abrangente. Tornou-se muito mais um termo que significa viagens ao interior de um ser humano, viagens em torno das muitas reflexões que faço, não apenas sobre os filhos e a maternidade, como e, acima de tudo, viagens em torno do eu. Tantas foram as minhas mudanças nos últimos anos que eu, embora eu seja a mesma pessoa, passei por inúmeras “viagens”, responsáveis por estar onde estou e por ter amadurecido da forma como amadureci.

Quando regressei a Lisboa, a blogosfera estava no auge e quis o destino que a minha vida mudasse – contudo, devo dizer que a sorte representou apenas 10% e os restantes 90% foram essencialmente muito trabalho e muita dedicação. Desde então, o meu principal motivo de orgulho são vocês, as pessoas que nos lêem e que nos acompanham, que se preocupam, que nos ensinam e que aprendem connosco. Orgulho-me por saber que escrevo para pessoas e que, no final, aprendemos todos uns com os outros. Costumo dizer que a minha única vantagem é o tempo que consigo ter para reflectir sobre os assuntos e escrever sobre eles.

Naturalmente que o meu segundo motivo de orgulho é poder ter construído, em torno do que mais gosto de fazer, o meu trabalho. Sim, o meu trabalho resume-se à escrita de muitas páginas em branco de histórias e de narrativas. Tenho uma máxima que é nunca escrever um post publicitário que não parta de algo pessoal, de uma história, que não tente ir ao encontro de algo que tenha a ver connosco, que se insira na nossa vida e forma de estar de forma natural. Mas sim, eu preciso das marcas para poder continuar a usar a minha voz, para poder continuar a fazer as minhas reflexões, os workshops que fizemos com a enfermeira Carmen Ferreira e, depois, o facto de poder assumir a minha relação com entidades com os Centros Comerciais Alegroe o grupo Auchan, assim como, com todas as outras marcas que, de forma transparente, assumo quando determinados posts são pagos para que, nas minhas histórias, eu inclua um determinado produto ou marca.

Neste sentido, acho que o “elogio” que me tocou de uma forma particular e especial, foi precisamente o da seguidora que me disse ler um post comercial com tanta naturalidade como todos os outros. Sabia que isso era a única forma de eu poder continuar a escrever sobre tudo o resto.

Obrigada a si, pois nos dias em que estou mais desanimada, é nessas palavras que vou buscar a força a motivação para continuar.

E, no fundo, é mesmo isso que acontece, não posso ser mais honesta com vocês. Portanto, esta mudança não é mais do que uma evolução do meu trabalho que começou do zero, zerinho, e que foi crescendo aos poucos e de forma gradual. Ao longo desse caminho, muitos foram aqueles que acreditaram em mim, que me deram a motivação e as oportunidades que eu tenho precisado. A partir daqui, não sei o que virá, apenas a mesma vontade de poder continuar a escrever sobre as coisas que me passam pela cabeça, sobre os assuntos que, para mim, são importantes, sabendo quem sou e para onde vou. E, não, não sou e nem pretendo ser uma pessoa de massas, gosto de escrever para vocês que se identificam com cada palavra e que têm paciência para ler os meus posts até ao fim. E quem aposta em mim, comercialmente, sabe isso mesmo!

Assim sendo, a partir de amanhã, estejam tranquilos porque tudo irá acontecer naturalmente, pois o endereço manter-se-á o mesmo, tal como nome do blog, naturalmente!!!! Contudo, para quem subscreve o blog por RSS, terá que actualizar para o novo endereço e esse vou deixá-lo aqui:

http://asviagensdosvs.com/data/rss

Let’s stay together!!!

9 Maneiras de entreter crianças nos arredores de Lisboa

20.07.18 | Vera Dias Pinheiro

ACS_0921-1024x683.jpg

Se forem como eu, haverá muitos dias em que acordam com vontade de fazer algo de diferente. Com vontade de sair do vosso habitual centro geográfico, de cortar a rotina, porém – e muito importante – é que isso também não implique grandes deslocações ou perder muito tempo, com crianças, dentro de um carro em viagem. Por isso, lembrei-me que, tanto para mim, como para vós, seria interessante se fizesse uma rápida pesquisa de programas para entreter crianças nos arredores de Lisboa. E, aproveitando o mote das férias de verão, são sugestões que podem ser aproveitadas, nesta altura, para qualquer dia da semana.

Deste modo e, porque hoje o assunto que me traz aqui é bastante objetivo, ao contrário das últimas “reflexões filosóficas” sobre a vida – ehehe – vou deixar-vos a minha lista. Naturalmente, peço a quem tiver outras ideias que partilhe para que a possamos enriquecer ainda mais. Combinado?

 

9 Programas para fazer com crianças nos arredores da cidade de Lisboa:

 

1. Dino Parque na Lourinhã

Informações para os visitantes nesta página.

 

2. Aldeia Típica de José Franco em Mafra

“(…) a pequena localidade do Sobreiro, entre a Ericeira e Mafra, onde se situa uma das mais reconhecidas aldeias musealizadas do país (…)

 

3. Praia Fluvial dos Olhos d’Água, Alcanena, Santarém

“(…) A Praia Fluvial dos Olhos d’Água é uma praia de águas limpas e tranquilas onde podemos andar livremente pela água e nadar junto com os peixes que por ali abundam. Ali vai encontrar um parque infantil, mesas para fazer os seus piqueniques ou se preferir também pode usufruir do restaurante (…)”

 

4. Badoca Safari Park, um dia em cheio no Alentejo

Podem consultar os preços dos bilhetes neste link.

 

5. Observações de Golfinhos em Tróia

 

6. Visita às Salinas do Samouco

Para mais informações consultem esta página.

 

7. Passeio no Tejo na Moita

“Com vista à salvaguarda do património cultural, a Câmara Municipal desenvolve entre maio e novembro, vários passeios fluviais no varino “O Boa Viagem” que, além da vertente lúdica, têm como objetivo dar a conhecer o concelho da Moita e os concelhos limítrofes numa perspetiva diferente, divulgando igualmente os barcos típicos do Tejo e as suas caraterísticas únicas.”

8. Visitar o Santuário Nacional de Cristo Rei

 

9. Descobrir o Castelo de Almourol em Vila Nova da Barquinha

 


Duas dicas extra:

5 Quintas Pedagógicas onde levar as crianças

Tapada Nacional de Mafra: levar a família à floresta encantada

Visitar: Moinho da Maré Mourisca em Setúbal

 

Bom fim-de-semana!

"Mãe e pai, lembra-te, eu sou apenas uma criança"

19.07.18 | Vera Dias Pinheiro

ACS_0917-1024x683.jpg

Aproveito que estamos em altura das férias e, em que a minha principal preocupação é que os meus filhos se divirtam e que sinta uma maior liberdade por comparação aos dias de rotinas, que reflicto sobre as exigências que colocamos “sem querer” numa criança. Sou uma apologista de regras, mesmo que com a minha segunda filha, as coisas não sejam tão lineares, mas se me perguntarem um truque para educar as crianças é precisamente que eles tenham a noção do que é esperado deles e à medida que vão crescendo, ir acrescendo sempre algo mais ao seu dia-a-dia e ás suas rotinas.

Contudo, reconheço que, a maioria dos pais, são pais “apressados” logo desde a nascença. A verdade é que sinto que não temos muita paciência para vê-los crescer e para lidar com as dificuldades, peripécias, confusões e asneiras inerentes a cada fase etária. Em pequenos, estamos ansiosos para o momento em que começam a interagir, depois, para começarem a andar e a falar, a comer, deixar de dormir a sestas e ansiamos rapidamente por voltar a ter uma vida normal. Orgulhamo-nos que saibam ler, contar e até escrever muito antes da idade em que é suposto adquirirem tais competências, mas, pelo contrário, ficamos completamente passados e aborrecidos por fazerem birras. Enche-nos o peito e arregalamos o olhar para contar aos outros como o nosso filho, de tenra idade, já participa ativamente nas tarefas de casa e que não só guardar o seu pijama na gaveta como ainda faz a cama e ajuda a tirar a loiça da máquina. Porém, exigirem ficar no parque mais tempo sem perceberem que os adultos têm outras obrigações e que para alem de estarem ali, precisam ir a correr para casa para dar banhos e fazer o jantar, isso já é uma dor de cabeça. A mim dava-me jeito que eles acordassem mais tarde aos fins-de-semana e sobretudo, a seguir aqueles dias em que me deito mais tarde. Mas se acho razoável que uma criança tão pequena durma até as 11 horas da manhã? Se calhar não. Eu, em miúda, sempre acordei cedo e lá chegará o tempo em que vou ser eu a ficar à espera que acordem.

O Vicente está a um ano de entrar na escola primária. Sei que a exigência vai aumentar, que a noção das obrigações e das tarefas vai cair em cima dele e especialmente que a vida não é apenas brincar. Não há férias quando se quer e há responsabilidades quando se chega a casa que não apenas tomar banhar e depois ver um pouco de televisão enquanto não chega a hora do jantar. Com a pressa toda que temos e a pressa com que o próprio tempo passa, daqui a nada deixo de ter uma criança para ter um adolescente el, de seguida, uma pessoa adulta que encara como todos nós, as frustrações, pressão e stress da vida adulta.Entretanto, esqueci-me que o tempo de brincar é agora, o tempo de lhes dar liberdade e de os soltar para que explorem, vivam e sintam a sua própria vida com tudo aquilo que têm é agora. É agora que estão a formar o adulto que vão ser, é agora que vão traçar um perfil e isso vai depender muito daquilo que eles vivem e experienciam agora, nestes primeiros anos.

Não sou aquela mãe que diz que vai dar tudo aos filhos. Mas sou, sem dúvida, a mãe que quer e fará de tudo para que eles experimentem e vivam tudo aquilo que têm para viver, que vai acreditar neles e deixá-los ir incentivando, estando lá como rede de segurança, mas sem exigir que sejam os mais bem-sucedidos, os vencedores, os mais que todos os outros. Tudo isto, casa muito bem com a humildade, humildade essa que nos pode escapar mesmo sem querermos e por ter uma sociedade tão virada para o lado material, em que aquilo que somos se prova com as coisas que cada um consegue adquirir.

Portanto, aquilo que eu faço é procurar que se explorem a si mesmos, que descubram as coisas de que gostam e de que não gostem, que percebam que não são de ferro, que podem cair e que o truque é saber como cair e como se levantar a seguir. Em tempo de férias, os dias são deles, têm que ser. Brincam, vão para a rua, recebo os amigos, passeamos, vamos à praia e tudo o que mais faz parte. Todavia, não me esqueço que são crianças e que como tal não se pode nem se deve esperar deles um comportamento de um adulto. É preciso deixá-los serem crianças e ter paciência para isso.

Se é fácil? Ui, não é de todo! As regras ajudam a não perder o norte, mas o papel dos pais não é gostar mais ou menos, é aceitar que temos ao nosso encargo a responsabilidade de educar uma criança e de a acompanhar. E isso é colocar-nos de certa forma, em segundo plano, pelo menos, deixar de lado, os nossos “egoísmos” e deixar de esperar um quadro perfeito das crianças quando os adultos são os primeiros a falhar.Certo?

Trabalhar em casa: continuar ou sair para trabalhar?

18.07.18 | Vera Dias Pinheiro

ACS_0912-1024x683.jpg

Com a altura de férias a chegar, chega também a altura de fazer o balanço do ano "civil", se assim o quisermos chamar. O mês de setembro marca o regresso às rotinas em força, sem mais desculpas e com as férias grandes, à partida terminadas. Confesso que aguardo com alguma ansiedade esse momento, embora queira muito que as férias sejam vividas ao máximo, sem pressas e sem pensar no dia de amanhã. Isso e conseguir sol e calor, como será de esperar de umas férias dignas de verão. Contudo, há coisas importantes a acontecer, em família, e comigo, especialmente no que toca ao tema: trabalhar em casa.

O nosso setembro marca ainda o início da Laura na creche e eu, novamente, volto a ter o meu tempo. Volto a conseguir organizar-me sem sentir que, no dia-a-dia, tudo à minha volta é resolvido como se de uma urgência se tratasse. Actualmente, sinto que ando sempre dispersa a pensar em várias coisas ao mesmo tempo, por exemplo, se vou ao ginásio, já estou a pensar nas horas que me sobram de manhã e como será o resto do dia. É assim: um jogo minucioso (diário) de aproveitamento das horas e do tempo, estudado ao mais ínfimo detalhe, do que há para fazer. Tudo se faz, sem dúvida, mas tudo se faz misturado, a correr e à pressa e sabemos que a pressa é inimiga da perfeição.

Com a possibilidade de gerir o meu dia em função dos horários de ambos os filhos na creche, vou poder andar mais descansada, mais concentrada e mais realizada. Embora saiba que a mãe que eu quero ser seja sempre e, acima de tudo, a mãe presente, a mãe capaz de ir buscar os filhos à escola cedo, estar disponível para actividades, para os ir buscar quando ficam doentes, para os levar a todas as consultas e por aí a fora. Todavia, sinto que tudo isso tem que se acompanhado da minha realização pessoal, aquela que, na minha forma de viver a vida, não procura uma carreira de topo, mas sim um trabalho que me realize no meu todo. Ou seja, que me permita fazer e desenvolver as várias coisas de que gosto e que contribuem para a pessoa que eu sou e para a pessoa que eu sou na sociedade.

Portanto, no meio de tudo isto, é importante que eu tenha um local específico para trabalhar em casa, um espaço que seja propício à minha criatividade, às novas ideias e a muita concentração. No fundo, não mais do que o espaço onde eu consigo lutar pelos meus sonhos, como até aqui tenho feito, mas com um pouco mais de calma à minha volta e menos solicitações a todo o momento. Sei que isso vai fazer com que automaticamente eu consiga, na maioria dos dias, ter uma maior disciplina com os horários e que permita que, quando ao fim da tarde vou buscar os meus filhos, eu deixe de ter tanta necessidade em voltar a ligar o computador ou, então, e aquilo que eu gosto menos, de lhes pedir para esperarem só mais um pouco enquanto termino alguma coisa urgente.

Portanto, quando penso nesta forma de estar que é ser freelancer e não ter um espaço físico definido para trabalhar, não penso necessariamente na necessidade de (eu) sair de casa. Penso mais na necessidade em “mandar” os filhos para fora de casa… eheheheh Porque aquilo que me impede, neste momento, de ser mais produtiva é mesmo partilhar os meus dias com a Laura, mesmo que ela tenha sempre a avó por perto. Contudo, sabemos que a presença da mãe faz com que a mãe acabe por ser precisa e chamada para muita (demasiadas coisas) a toda a hora. Para além disso, eu gosto de ter o meu espaço, com tudo aquilo que eu preciso, sem ter que andar com “a casa as costas”. E seria isso que acabaria por acontecer, pois eu teria que alugar uma secretária ou ir para um local público.

Talvez fosse bom pelo lado do networking, já que o convívio e a socialização que nos faz falta durante o dia, eu encontro nas idas ao ginásio. Felizmente, o ambiente é óptimo, há sempre alguém com quem acabamos por conversar um pouco e eu estou, ao mesmo tempo, a fazer uma coisa que é muito importante para o meu equilíbrio: o exercício físico. E eu, reconheço que, contrariamente à maioria das pessoas, sou bastante organizada e disciplinada quando estou sozinha e a trabalhar em casa. Sei que faço render o tempo, mais do que se estiver com várias pessoas à minha volta. Foco em tarefas e, se acordar cedo que o resto da família, ainda melhor.

Desta forma, não sei se, a partir de setembro, será melhor para mim sair de casa também e encontrar um espaço diferente para trabalhar. E que acho igualmente que nunca me senti tão bem em casa como agora e acho que já fiz um caminho tão longo de aprendizagem de como é trabalhar em casa, que a falta de motivação por esse motivo já não se coloca. Assim, penso que é só necessário reunir as condições à minha volta e esperar que o tempo certo chegue. Esperar que tudo se organize e eu apanhe boleia, tirando partido das circunstâncias.

O espaço de trabalho, esse, está sempre em evolução. Acho que ainda não cheguei ao ideal, mas também já estive mais longe. Com uma divisão em versão escritório, quarto de visitas e de brinquedos, nem sempre é fácil sentir-me bem ali. Agora que foi destralhado, mais uma vez, ficou muito mais arejado e a energia melhorou. Olho à minha volta e já não me sinto engolida pela confusão. Aliás, tinha abandonado a minha secretária e até já regressei. Gosto da sensação boa de trabalhar à secretária, com ambiente de escritório à minha volta.

Vamos ver, por agora, é esperar que chegue agosto, que cheguem as férias, é preciso preparar um início e um novo ano lectivo e voltar a destralhar… essa história interminável da minha vida. Enquanto isso, ficam as inspirações para uma “quiçá” pequena remodelação do meu meio metro de escritório.

 

Encontram estas e outras inspirações para recantos, onde possam trabalhar em casa, nesta página.

Dão-se bem ou são irmãos? | As primeiras brigas

16.07.18 | Vera Dias Pinheiro

ACS_0906-1024x683.jpg

Bom… o melhor é falar das coisas como elas são, não é verdade? Pois, embora seja muito bonito dizer que os irmãos se adoram, que não vivem um sem o outro, que se completam e que entendem a linguagem um do outro, muito melhor do que os pais, por vezes, isto não reflecte o quadro completo da convivência entre os irmãos. Então, sendo assim, quando começam as brigas? E os gritos? Quando é que começam a marcar território e, tudo o que faça parte do mundo de cada um, é motivo para montar um campo de batalha? Quando é que a música que nos embala as manhãs, e as noites, é pautada por…berros, algum choro e que a sensação de “fim do mundo” é demasiado autêntica? Quando?

Admito que, quando este cenário se torna uma constante, sou capaz de ficar desmoralizada. Não raras vezes, quando tento intervir, ainda são capazes de ser virar contra nós como se a culpa fosse dos pais. E o melhor é, sempre que possível, deixá-los, porque é tudo tão intenso como rápido e, daí a minutos, já são novamente os melhores amigos do mundo e o Vicente, mesmo chateado com a irmã, não deixa de tratar a irmão carinhosamente por Laurinha.

Situações que podem levar-nos a um campo de minas, por exemplo, ambos terem talheres idênticos, mesma cor, mesmo formato, etc… e mesmo assim, há um “meu” e o “teu”. Há dois pacotes de leite, iguais, que vão ser abertos ao mesmo tempo, mas mesmo assim, há um “meu” e um “teu”.

Recordam-se da fase de cruzeiro da maternidade? Portanto, essa continua, pois eles crescem (e amadurecem) de dia para dia. E, com isso, as rotinas serenam a cada dia e tudo se torna mais natural e menos programável. Contudo, a relação entre os dois está como seria de esperar... um misto em amor e ódio, afinal, são irmãos. Dão-se bem, mas são irmãos. Gritam muito um com o outro, entram numa espiral de conflito que, muito sinceramente, mais vale esperar que passe. Os ciúmes agudizam-se quando começam a interagir um com o outro, quando cada um começa a marcar o seu território e a impor uma personalidade.

Opto por deixá-los mais vezes revolverem os conflitos os dois, do que opto por interferir. E quando o faço é somente tentando chamar a razão e tentado fazer ver ao meu filho mais velho que um pacote de leite ou um talher da refeição não são motivos para nos fazerem chorar. Que há coisas que certamente ele gosta mais e que, essas sim, são motivos mais do que suficientes para realmente o deixar chateado – por exemplo, a construção de Lego que a irmã resolve, do nada, destruir…

O Vicente “decidiu” entrar de férias mais cedo e eu não contrapus. Afinal, o tempo de criança de verdade está a acabar. Todavia, é verdade que ter os dois juntos o dia todo é de bradar aos céus e que só funciona para todos se eu conseguir desligar o botão, abstraindo-me da confusão.

E esta é apenas mais uma fase. Já tive a fase das cólicas, a fase das fraldas, da privação do sono, das rotinas “desrotinadas” e agora é só mais uma fase, como tantas outras se seguirão. E assim nos apercebemos que um esperançada perfeição nas nossas vidas que alcança precisamente nestas dicotomias, nestes momentos constantes de altos e baixos. No fundo, são o sinal perfeito de que tudo está a funcionar como suposto, de que temos saúde, que estamos juntos e não somos indiferentes uns aos outros. Somos uma família de quatro em constante processo de ajuste e de conhecimento de si mesmo e do outro.

Eu não desejo encontrar soluções nem métodos para não passar por nada disto. Muito pelo contrário, eu acho que tudo isto é do mais saudável que há e que é importante que todas as fases sejam vividas no exacto momento em que devem ser vividas.Mas é assim, numa espécie de “vai e vem”, entre o conflito e momentos de puro amor, que nem nos dão tempo suficiente para nos afeiçoarmos que a uma situação, quer a outra. A velocidade a que se alternam é tão mais rápida do que a minha capacidade de os acompanhar. Neste caso, mais vale não dar demasiada importância e, esperar, pela fase seguinte. Certo?

Como vão, por aí, as relações entre os irmãos? Sentem que há fases mais intensas de conflito e outras mais plenas de amizade? Acham que a diferença de idades entre eles tem interferência? 

Ainda sobre este assunto, recordemos as dicas da Psicóloga Tatiana Louro

Dão-se Bem Ou São Irmãos?! | Colaborações Psicóloga Tatiana Louro

Boa noite.

Perguntam mais pela carreira e menos se somos felizes!

13.07.18 | Vera Dias Pinheiro

ACS_0420-1024x683.jpg

Sinto que nos aprisionamos no que tem que ser. Sinto que, à nossa volta, as pessoas se sentem demasiados pressionadas para aquilo que esperam delas. Orientam-nos (e orientamos as gerações seguintes) para termos sucesso (e se possível, sendo melhor que alguém). Mas, calma, um sucesso que se mede pelos parâmetros socialmente aceites. Um sucesso que se prende com uma carreira profissional de topo, com a necessidade de sermos os melhores numa profissão e, muito importante, termos tirado o curso certo para estarmos ali. Não importa se nem sequer pensamos muito bem se é isso que nos traz a verdadeira realização pessoal – que eu penso andarmos todos à procura.
Houve dois momentos na minha vida que me provaram que as pessoas à nossa volta estão mais preocupadas com uma carreira profissional do que propriamente do facto de sermos felizes.

Já viram que mais facilmente perguntamos a alguém se foi promovido ou se mudou de emprego e, tão raras vezes, nos preocupamos em perguntar se estão felizes?

O primeiro momento, foi quando tive que tomar a decisão de tirar uma licença sem vencimento, abandonar tudo e ir para Bruxelas. Para desgosto de muitos, dedicar-me à maternidade a tempo inteiro era preocupante e o que seria da minha independência financeira, por oposição à minha dependência e fragilidade perante uma outra pessoa. E, depois, o que seria de mim, passando os meus dias “apenas” a cuidar de uma criança?

Ninguém me perguntou como me sentia ou como estava a ser acabar de ser mãe (pela primeira vez) e ter uma relação à distância. Ninguém me perguntou se era assim que tinha imaginado viver aquela fase da minha vida, da mesma forma que ninguém me tranquilizou dizendo que, se tivesse que apostar na minha família, aquele seria o momento. Estávamos no início de tudo e, se uma relação à distancia, por si, já é difícil, com um filho – que transforma a vida a dois e a vida de cada um individualmente – seria ainda mais complicado.

Aquilo que mais ouvi foi  o “jamais tomaria uma decisão dessas” ou “quem me tira a minha independência, tira-me tudo” ou o clássio “e se o casamento falhar?”

E eu sei que a maioria dessas pessoas gostava (e gosta) de mim. Sei que não expressaram a sua opinião por maldade, mas condicionaram e, sobretudo, fizeram-me sentir culpada por querer “partir”. As pessoas tendem a desejar o bem que supostamente deve servir para todos, sem que isso não seja de todo linear. É o fruto da sociedade e não pensado para a pessoa em si. É o produto que temos que ser para sermos aceites e válidos nessa sociedade.

O segundo momento foi quando me despedi. E mesmo antes disso, a pressão que sempre senti para regressar ao trabalho, à minha carreira. Teria sido mesmo necessário passar uma semana a chorar, tendo a certeza de que aquela era a decisão certa, mas com medo de a partilhar ao mundo? Foi mesmo isso que aconteceu. Eu tinha medo de dizer que queria ser feliz porque as pessoas à minha volta só sabem ser felizes com uma carreira de sucesso, um trabalho com um horário definido, com um posto (de trabalho) à sua espera e, muitas vezes, passando os dias sem serem capaz de pensar se serão realmente felizes. Chegarem a casa e, na maioria dos dias, trazer um peso tão grande, não sendo capaz de o largar para dar atenção ao que tem de melhor, para começarem um “novo dia” com a sua família.

A responsabilidade e a identidade de um sujeito não se medem pela sua carreira, assim como outros valores que definam o quanto é profissional, independente e até empreendedor. Talvez isto para mim não seja estranho, os meus amigos de Erasmus – os estrangeiros, não os portugueses – estavam ali a viver uma experiência, a seguir, procuravam correr o mundo, em diversas experiências profissionais antes de regressarem às suas casas. Nós – os portugueses – estávamos ali a fazer carreira, a garantir o lugar na grande empresa que estaria à nossa espera no regresso. Talvez, isso seja exagerado, mas sabemos que ter um fundo de verdade.

Sabemos que avaliamos o sucesso das pessoas que conhecemos pelos empregos que têm e por tudo o que de material têm alcançado. Eu talvez seja um bocadinho de outro mundo, talvez o meu lado aquariano esteja demasiado apurado, talvez seja ingénua e um bocadinho utópica na forma como encaro a vida e o mundo. Contudo, se é graças a isso que a minha vida tem dado tantas voltas e que agora sou feliz, estou grata por sê-lo. Há todo um mundo à nossa espera, há tanta coisa que faz de nós profissionais, tantas formas de descobrirmos talentos e até de sermos bem-sucedidos.

E, no final, esta reaprendizagem de uma nova forma de viver, fez-me compreender que eu preciso de muito pouco para viver e que não tenho medo se a vida der mais umas quantas voltas radicais. Se tiver que recomeçar do zero e reaprender tantas vezes, quantas as que forem precisas, para continuara a ser privilegiada por poder olhar o mundo “do lado fora”, assim farei!

O Vicente tem aulas de skate, para aprender o básico e sentir confiança, são aulas individuais e o houve bastante empatia com o instruto. E, hoje, no final de mais uma aula em que ele conseguiu cativar o Vicente da forma exacta, eu perguntava-lhe se ele era da área de desporto. E a sua resposta, trouxe-me a esta reflexão. Ele dizia-me que, no final do 12º ano, os pais não tinham muitas possibilidades de lhe proporcionar um curso superior. Ele, jogador de futebol a receber “uns trocos” não se importou. Foi trabalhando, quer no futebol, quer com crianças, juntou o seu dinheiro e hoje sim, está a tirar um curso superior.

Não existe uma única formula de sucesso. Não temos que ter todos “berços” de ouro. Nem temos todos que seguir o mesmo caminho. Aquilo que faz de nós bons está aqui… na matéria de que somos feitos e no quanto de nós somos capazes de pôr nas coisas que nos apaixonam.Bom Fim-de-semana.

Diário de um peixe: A chegada dos novos amigos!

12.07.18 | Vera Dias Pinheiro

ACS_0896-1024x683.jpg

Faz hoje uma semana que adoptamos novos amigos cá em casa. Depois de muito pensar e com vontade em querer ter um animal de estimação, mas sem muitas opções, a ideia de ter um peixe não estava fora dos nossos planos. Contudo, não me sentia com grande confiança, dado que eu, tal como muitos de vós, também tive peixinhos em criança e infelizmente nunca sobreviveram durante muito tempo. E confesso que, para ser assim, estava um tanto ou quanto resistente. Não queria lidar com a morte dos pequeninos e com o Vicente e a Laura ao mesmo tempo e também não queria ter um animal de estimação que estivesse de passagem nas nossas vidas.

Um peixe, tal como qualquer outro animal que se queira para estimação, implica uma série de cuidados. Requer sempre tempo, atenção e dedicação. Podem, na prática, dar mais ou menos trabalho, contudo, a ideia é fazer deles nossos companheiros por muito tempo. E foi assim que cheguei até à Tropical Marine Center – aliás, foram eles que me convenceram da ideia de ter em casa um aquário não tão tradicional quanto o que eu estava habituada, mas sim um aquário de água salgada, com um ambiente marinho criado de acordo com as condições certas e que respeitasse as necessidades de um meio marinho adequado, aliado à oportunidade de ter em casa os famosos Peixes-Palhaço – “Nemos” para os amigos –, fazendo as delícias de todos nós, na verdade.

A complexidade inicial – por ser tudo novo para mim - deixou-me um tanto ou quanto nervosa e a espera pelos peixinhos deixou os meninos ansiosos. Todavia, foi um tempo precioso para estudar, perguntar muitas coisas e tirar todas as dúvidas sobre este tema.

Sabiam, por exemplo, que o pior que se pode fazer é ter um peixe nos tradicionais aquários bola?  E que uma das principais causas de morte é o excesso de alimentação?

Nesta primeira semana, enquanto eu ando concentrada em ter em mente todas as tarefas a serem feitas, o Vicente e a Laura andam mais entretidos em falar com os peixes. Nos primeiros dois dias, haviam autênticas peregrinações ao aquário, puxavam uma cadeira e ficavam a observar durante vários minutos, falavam com os peixinhos e tudo. O Vicente, mais crescido, assumiu prontamente a responsabilidade da alimentação. E eu, na primeira noite, tive pesadelos, com coisas tão parvas como ter a sala inundada com a água do aquário. Imaginem só…

ACS_0894-1024x683.jpg

ACS_0893-1024x683.jpg

 

A Tropical Marine Centre disse-me que tenho peixes para três anos e que, com o tempo, iremos aperceber-nos da sua interação connosco. Já percebemos que os “Nemos” são os mais atrevidos e os mais participativos, e temos um casal. Depois, temos ainda um camarão (Lysmata Amboenensis), um peixe branco e vermelho com cauda amarela (Nemateleotris Magnífica), um roxo e amarelo (Gramma Loreto) e alguns caracóis.

ACS_0897-1024x683.jpg

 

Já comecei a pensar como serão as próximas férias e de que forma irei gerir as nossas ausências. Vou ter que “treinar” alguém para vir cá alimentá-los e certificar-se de que estão bem. Tenho a impressão que vai ser mais difícil para mim do que quando passei os primeiros dias longe dos meus filhos. Mas, fora isso, é uma nova companhia que nós temos, que de certa forma nos transmite coisas boas e muita paz.

Hoje já fiz a primeira limpeza do aquário e a mudança da água – mas depois falo-vos em detalhe sobre estas coisas – e quase que se tornam relaxantes aqueles instantes. E eu, que tenho tanta dificuldade em ter momentos em que não penso em nada, acho que encontrei a minha forma de terapia.

Já sei que querem saber detalhes acerca do investimento. O maior é o inicial logicamente, com a compra do aquário e tudo o que isso implica, mas mensalmente não se torna dispendioso. As próprias luzes são de baixo consumo e não precisam de estar 24 horas por dia ligadas.

De resto, ainda me surpreendo, por vezes, quando entro na sala e vejo um aquário destes. Ao mesmo tempo tão bonito e tão irreal, se é que me entendem. Agora é aguardar o desenrolar dos próximos episódios deste “Diário de um Peixe” e não se esqueçam de ir deixando todas as vossas dúvidas e perguntas, que eu partilho convosco tudo o que já aprendi nestes dias.

Para mim, é tudo uma grande novidade também, tanto os peixes, como a aquariofilia, por isso, conto com a vossa ajuda para poder desmitificar o mito em torno dos peixinhos de estimação.Vemo-nos no próximo episódio!

ACS_0895-1024x683.jpg