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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Trabalhar em casa: continuar ou sair para trabalhar?

18.07.18 | Vera Dias Pinheiro

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Com a altura de férias a chegar, chega também a altura de fazer o balanço do ano "civil", se assim o quisermos chamar. O mês de setembro marca o regresso às rotinas em força, sem mais desculpas e com as férias grandes, à partida terminadas. Confesso que aguardo com alguma ansiedade esse momento, embora queira muito que as férias sejam vividas ao máximo, sem pressas e sem pensar no dia de amanhã. Isso e conseguir sol e calor, como será de esperar de umas férias dignas de verão. Contudo, há coisas importantes a acontecer, em família, e comigo, especialmente no que toca ao tema: trabalhar em casa.

O nosso setembro marca ainda o início da Laura na creche e eu, novamente, volto a ter o meu tempo. Volto a conseguir organizar-me sem sentir que, no dia-a-dia, tudo à minha volta é resolvido como se de uma urgência se tratasse. Actualmente, sinto que ando sempre dispersa a pensar em várias coisas ao mesmo tempo, por exemplo, se vou ao ginásio, já estou a pensar nas horas que me sobram de manhã e como será o resto do dia. É assim: um jogo minucioso (diário) de aproveitamento das horas e do tempo, estudado ao mais ínfimo detalhe, do que há para fazer. Tudo se faz, sem dúvida, mas tudo se faz misturado, a correr e à pressa e sabemos que a pressa é inimiga da perfeição.

Com a possibilidade de gerir o meu dia em função dos horários de ambos os filhos na creche, vou poder andar mais descansada, mais concentrada e mais realizada. Embora saiba que a mãe que eu quero ser seja sempre e, acima de tudo, a mãe presente, a mãe capaz de ir buscar os filhos à escola cedo, estar disponível para actividades, para os ir buscar quando ficam doentes, para os levar a todas as consultas e por aí a fora. Todavia, sinto que tudo isso tem que se acompanhado da minha realização pessoal, aquela que, na minha forma de viver a vida, não procura uma carreira de topo, mas sim um trabalho que me realize no meu todo. Ou seja, que me permita fazer e desenvolver as várias coisas de que gosto e que contribuem para a pessoa que eu sou e para a pessoa que eu sou na sociedade.

Portanto, no meio de tudo isto, é importante que eu tenha um local específico para trabalhar em casa, um espaço que seja propício à minha criatividade, às novas ideias e a muita concentração. No fundo, não mais do que o espaço onde eu consigo lutar pelos meus sonhos, como até aqui tenho feito, mas com um pouco mais de calma à minha volta e menos solicitações a todo o momento. Sei que isso vai fazer com que automaticamente eu consiga, na maioria dos dias, ter uma maior disciplina com os horários e que permita que, quando ao fim da tarde vou buscar os meus filhos, eu deixe de ter tanta necessidade em voltar a ligar o computador ou, então, e aquilo que eu gosto menos, de lhes pedir para esperarem só mais um pouco enquanto termino alguma coisa urgente.

Portanto, quando penso nesta forma de estar que é ser freelancer e não ter um espaço físico definido para trabalhar, não penso necessariamente na necessidade de (eu) sair de casa. Penso mais na necessidade em “mandar” os filhos para fora de casa… eheheheh Porque aquilo que me impede, neste momento, de ser mais produtiva é mesmo partilhar os meus dias com a Laura, mesmo que ela tenha sempre a avó por perto. Contudo, sabemos que a presença da mãe faz com que a mãe acabe por ser precisa e chamada para muita (demasiadas coisas) a toda a hora. Para além disso, eu gosto de ter o meu espaço, com tudo aquilo que eu preciso, sem ter que andar com “a casa as costas”. E seria isso que acabaria por acontecer, pois eu teria que alugar uma secretária ou ir para um local público.

Talvez fosse bom pelo lado do networking, já que o convívio e a socialização que nos faz falta durante o dia, eu encontro nas idas ao ginásio. Felizmente, o ambiente é óptimo, há sempre alguém com quem acabamos por conversar um pouco e eu estou, ao mesmo tempo, a fazer uma coisa que é muito importante para o meu equilíbrio: o exercício físico. E eu, reconheço que, contrariamente à maioria das pessoas, sou bastante organizada e disciplinada quando estou sozinha e a trabalhar em casa. Sei que faço render o tempo, mais do que se estiver com várias pessoas à minha volta. Foco em tarefas e, se acordar cedo que o resto da família, ainda melhor.

Desta forma, não sei se, a partir de setembro, será melhor para mim sair de casa também e encontrar um espaço diferente para trabalhar. E que acho igualmente que nunca me senti tão bem em casa como agora e acho que já fiz um caminho tão longo de aprendizagem de como é trabalhar em casa, que a falta de motivação por esse motivo já não se coloca. Assim, penso que é só necessário reunir as condições à minha volta e esperar que o tempo certo chegue. Esperar que tudo se organize e eu apanhe boleia, tirando partido das circunstâncias.

O espaço de trabalho, esse, está sempre em evolução. Acho que ainda não cheguei ao ideal, mas também já estive mais longe. Com uma divisão em versão escritório, quarto de visitas e de brinquedos, nem sempre é fácil sentir-me bem ali. Agora que foi destralhado, mais uma vez, ficou muito mais arejado e a energia melhorou. Olho à minha volta e já não me sinto engolida pela confusão. Aliás, tinha abandonado a minha secretária e até já regressei. Gosto da sensação boa de trabalhar à secretária, com ambiente de escritório à minha volta.

Vamos ver, por agora, é esperar que chegue agosto, que cheguem as férias, é preciso preparar um início e um novo ano lectivo e voltar a destralhar… essa história interminável da minha vida. Enquanto isso, ficam as inspirações para uma “quiçá” pequena remodelação do meu meio metro de escritório.

 

Encontram estas e outras inspirações para recantos, onde possam trabalhar em casa, nesta página.