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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Cremes facilitadores da minha rotina de beleza

07.06.18 | Vera Dias Pinheiro

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Há e tal, dizem que temos que ter tempo para ir ao ginásio, tempo para fazer uma máscara no cabelo (que leva, em média, vinte minutos), tempo para descansar (porque o sono é fundamental ao nosso equilíbrio), tempo para marcar a manicure (a tempo de não andar com as unhas numa desgraça) e já agora, a depilação… E, no meio de tudo isto, tempo para não esquecer os recados da escola e as rotinas dos filhos, tempo para ter o jantar a horas na mesa e, ainda, tempo para estarmos lindas e maravilhosas para o nosso companheiro, zelando pela saúde da nossa relação, de forma a que a chama não se apaga.

 

Tudo se resume a deveres, incluindo o que supostamente é para nos fazer sentir melhor connosco próprias. Os dias começam e acabam sem margem para contratempos. Afinal, só assim conseguimos cumprir a agenda. Ah! Sem esquecer o tempo para colocar o corrector de olheiras e o rímel, pois uma boa cara é meio caminho andado para que o dia corra bem.

 

Pois é, vivemos com a necessidade de sermos o mais disciplinados possível. E à medida que o tempo avança, sentimos essa pressão (de obedecer à disciplina), pois os sinais do tempo vão aparecendo marcados no rosto, assim como a força da gravidade se acentua em várias partes do nosso corpo.

 

Pela minha experiência, gostava de vos dizer que é fácil ou até partilhar um segredo milagroso para transformar os vossos dias. Porém, eu sou o reflexo dessa disciplina, desse coordenar dos horários, nenhum segundo se desperdiça para que tudo se encaixe sem prejuízo para a família, para o trabalho ou para mim. E essa parte é fundamental: o cuidado e o sentir-me bem comigo mesma. Não tenho problemas em admitir que tive um choque quando me apercebi dos primeiros sinais de envelhecimento e dos primeiros cabelos brancos. A recuperação da segunda gravidez, mesmo com a minha boa preparação física, foi demorada, parecendo que o meu metabolismo já não acompanhava o ritmo dos meus treinos. Mas o truque é a consistência e não desistir mesmo quando achamos que não estamos a progredir para lado nenhum.

 

Os meus horários são muito bem estruturados e alinhados com o do meu marido. Com a minha flexibilidade de horários tento ajustar-me aos horários dos outros, sempre a correr e a aproveitar cada segundo. Pode parecer-vos ridículo, mas ando sempre com o tempo cronometrado. Sei quanto tempo posso estar no ginásio e qual o horário em que melhor se ajusta às restantes obrigações. Para me facilitar a vida, tento ter os meus snacks e o meu almoço sempre em modo “pré-preparado”. É que, a partir das 17h, hora a que vou buscar o Vicente à escola, o meu tempo relativiza-se perante as restantes tarefas (que se tornam mais urgentes).

 

Mas é precisamente essa organização que, agora, me deixa descansada quando vou adormecer os meus filhos. É que se adormecer, o fundamental do dia ficou feito. Se faço menos?! Não é por aí que devemos ver a questão. O importante é termos uma lista de afazeres que seja realista e adequada ao nosso dia.

 

E se querem saber, os dias em que me troco toda e em que, por exemplo, deixo o banho do ginásio para depois, o dia deixa de fluir, mesmo quando eu acho que estou a “poupar tempo”. E, pela mesma ordem de ideias, também não quero adormecer sem ter limpo a cara e ter tratado do meu rosto. Tal como eu me arranjo todos os dias de igual forma, quer tenha compromissos fora de casa, quer não.  Há alguma coisa, no facto de termos algum capricho por nós, que nos ajuda a que os dias corram melhores, a elevar a autoestima e até a sermos mais produtivos. No fundo, é estamos preparadas para qualquer eventualidade (e estar bem!) 😊

 

E com o tempo vamos percebendo o que melhor resulta connosco. Às vezes, é preciso experimentar coisas diferentes e testar novos modelos. Ora, no meu beauty corner, como lhe gosto de chamar, não me faltam cuidados para o rosto – que quanto mais eficientes forem, menos será a probabilidade (ou frequência) com que terei que recorrer a alternativas. Por exemplo, eu já experimentei o Botox e gostei muito do resultado, como devem calcular, porém o meu dermatologista foi muito sábio no conselho que me deu. Encarar como um extra, algo que faço de tempos a tempos e que vai contribuir para retardar os sinais de envelhecimento.  Portanto, muita calma e serenidade, porque há muita coisa que podemos fazer por nós antes de chegarmos a esta fase – e mais em conta também. 😊

 

Neste sentido, decidi reunir neste artigo alguns dos produtos que uso habitualmente e que gosto precisamente porque são facilitadores da minha rotina, e já vão perceber porquê.

 

Máscara de Noite (leave-in) da Uriage

 

Depois de estar a conhecer mais e melhor os produtos de rosto e anti-aging da Uriage, digo-vos que estou a ficar muito agradada com a experiência. E esta máscara é um exemplo, pois é uma mascara de hidratação, enriquecida com as propriedades da água termal e que podem deixar no rosto durante toda a noite. Portanto, podem esquecer os relógios, pois só, no dia seguinte, quando lavarem é que se vão lembrar que tinha a máscara. A nossa pele fica hidratação, descansada e revigorada. A sua textura é bastante leve e é em gel.

 

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Máscara de olhos, Drops of Youth, da The BodyShop

 

Regra geral, conjugo a máscara da Uriage com esta de olhos para um efeito total. A sua textura luida e fresca, é perfeita para acordarmos com a zona do contorno dos olhos descansada e “aliviada” de toda a tensão e até das noites mal dormidas. E, tal como a anterior, esta também é para deixar actuar durante toda a noite.

 

Creme de noite Peeling multi-actions, da Uriage

 

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Este creme pertence à última npovidade da marca, em que eu tive a oportunbidade de estar no lancalmento. Trata-se de uma gama de produtos anti envelhecimento, com tudo aquilo que nós podemos iudealizamos num creme para esse efeito (retinol, acido hialuronico, etc), como também é revolucionária por ter uma protecção contra os efeitos da luz azul.

 

Este creme em particular recomenda-se que seja usada uma a duas vezes na semana precisamente porque ele tem o efeito peeling revelador da luminosidade da pele. Com uma textura muito hidratante e sedosa, vai prevenir e corrigir os sinais de envelhecimento, suaviza a pele e melhora a oxigenação celular. E, no fundo, não é mais do que um creme de noite.

 

Máscara Lifting da Anjelif

 

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Confesso que é o único produto da marca que eu experimentei até agora, mas agradou-se logo o facto de ser “lifting”. E depois de ler o folheto gostei ainda mais: combate os sinais do tempo e nutre intensamente a pele, tem propriedades especificas que combatem as linhas de expressão com um poderoso efeito revitalizador. O recomendado é aplicar uma camada generosa duas vezes por semana apos o produto de limpeza fácil no rosto, pescoço e zona do decote. E não é necessário enxaguar ou remover.

 

Proteccção de rosto, 50+ e com 8h de anti-brilho e controlo de oleosidade, com cor, da Bioderma.

 

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Desde que fiz a minha grande limpeza de pele (podem ler mais neste post) que tenho tido outro tipo de cuidado com o rosto, nomeadamente, só uso base em cerimónias ou eventos muito específicos. O meu objectivo é gostar de mim ao natural, não sentir necessidade de camuflar a pele com camadas de maquilhagem que, com o tempo, vão acumulando resíduos na nossa pele. Passei a adoptar os CC ou BB Creams, vou experimentando até encontrar os que mais gosto, mas com a necessidade de usar protecção solar o ano inteiro, esta novidade da Bioderma tornou-se ideal para o dia a dia. Tem todas as características para que praticamente todas as peles se adaptem e existe em três tons. Estou mesmo contente e desde que o recebi que uso diariamente, bastando só colocar um pouco de pó para dar um pouco mais de cor.

 

Máscara de Pestanas Paradise da L’Oreal

 

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Para mim, uma boa pestana é quase o essencial para estarmos com boa cara. Como sabem, eu já experimentei a extensão de pestanas e, embora tenha adorado o resultado, a manutenção era uma obrigação na agenda e isso a longo prazo não funciona comigo. Daí não ter mantido.

 

Tenho tido como melhores amigos o óleo de rícino, para favorecer o crescimento das pestanas, e uma boa máscara. E, para mim, esta em particular cumpre todos os requisitos: é barata, tem uma boa escova que permite dar corpo e volume às pestanas, sem esquecer a curvatura. Relembro que tenho pestanas curtas e rectas, consequentemente não é qualquer máscara que funciona comigo.

 

Entretanto, descobri que existe uma idêntica à prova de água, que já comprei. E resulta muito bem, porque, meninas, eu passei a pôr rímel para ir ao ginásio e até para ir para a piscina com a Laura. Não borra, fixa e o olhar fica natural – mesmo!!!

 

Termino, reforçando a ideia de que é fundamental o cuidado de limpeza da pele, só aí estamos a fazer muito no combate ao envelhecimento e depois, como podem ver, existe cada vez mais alternativas na área dos cuidados de rosto que procuram ir ao encontro dos mais variados estilos de vida.

 

Espero que tenham gostado. Brevemente, podem contar com um número 2 de artigo.

Ai os dois anos! Os terríveis dois anos!!!

06.06.18 | Vera Dias Pinheiro

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Disclamer: já sei que os três e os quatro anos são bem mais desafiantes em termos de birras que os próprios dois anos e que, aos cinco, temos um período de alguma calma, se bem que começamos a lidar com a afirmação da personalidade do nosso filho.

Lembrava-me da crise dos dois anos. Como esquecer, não é verdade? Já vos disse, aliás, que é nessa idade que eu sinto que já não consigo fazer mais sozinha. Assim, é por volta dos dois anos que os meus filhos ingressam na escola. Contudo, o segundo filho vem mais refinado, é mais espevitado, vem com mais confiança que o primeiro, arrisca mais e, é verdade que, sabe que nós cedemos igualmente mais.


No caso da Laura, bom, acho que já conhecem a sua personalidade e o seu temperamento. Algumas de vós inclusivamente escrevem-me dizendo que têm uma "Laurinha" em suas casas. E não seria preciso uma bola de cristal para adivinhar que quando chegasse a sua vez tudo viesse numa escala muito maior. E é mesmo assim. A Laura é a miúda que não obedece a regras – mas sabe que elas existem – e que tem a subtileza para levar as coisas para onde ela quer, que faz "chantagem" ao ponto do meu marido me pedir para ceder - porque o lado dramático de rapariga e um certo jeito teatral, estão lá.


A Laura é a miúda que ainda não sabe contar, mas que já sabe quais os números dos canais de televisão onde dá os desenhos animados. É a miúda determinada em fazer tudo sozinha e, se assim não for, há um drama instalado cá em casa. É aquele tipo de criança que não se deixa ficar, portanto, é aquele género de criança que é muito bem capaz de me envergonhar por aí com algumas das suas reacções. É a miúda que é mais egoísta que o próprio irmão - e que eu achava ter mais motivos para o ser. Mas não, cá em casa, quem briga porque quer tudo para ela, especialmente se forem as coisas do irmão, é ela. É a miúda que, na hora de dormir, exige que a mão que lhe faz as festinhas seja a mão que está com o irmão. É aquela que só pára quando bem entende.

Às vezes sinto não conseguir ser tão rígida com o segundo quanto fui com o primeiro. Sinto que não lhe digo tantas vezes que não e que cedemos mais vezes do que as necessárias.

O meu marido diz que dar-lhe a volta vai ser o grande desafio da sua vida. Mas vá, eu sei que partimos com um filho que era o oposto de tudo o que estou a descrever. A Laura é aquela que faz por ela e pelo irmão. É que entra em casa e deixa um sapato para cada lado, que pinta e cola autocolantes nas paredes e que até com esta história do desfralde, se torna tão teimosa que a coisa só se irá dar quando ela assim o entender. É a miúda que não se penteia e nem deixa secar o cabelo, que anda suja e cheia de nódoas negras. É a miúda que não podemos perder de vista, pois a cabeça dela só está orientada para o perigo.


Depois, obviamente que juntamos todas estas características às da fase dos terríveis dois anos e o panorama é, por vezes, de simplesmente querer sair de cena! Colocar uma pausa no momento e ir fazer outra coisa qualquer. Por esta idade, as crianças são particularmente egocêntricas e não aceitam um não como resposta. Vivem cheias de desejos e de vontades e tentam naturalmente "sacar" tudo o podem dos pais. Contudo, com dois anos ainda não se conseguem expressar devidamente, por isso, as birras se tornam tão comuns. É a forma que encontram para extravasar a sua frustração e, ao mesmo tempo, para chamar a atenção dos pais.


No entanto, deixem-me que vos diga que, nas últimas semanas, noto uma evolução muito grande na fala da Laura e na forma como ela se expressa. Por exemplo, até há poucos dias, chamava o irmão de "tente" e agora já consegue dizer o nome sem dificuldade. Também aprendeu ali umas palavras que lhe dão muito jeito e que usa até à (nossa) exaustão. Imaginem agora uma criança de dois anos a repetir aos gritos "vá lá, mãe" ou, então, "porquê, mãe?" ou ainda "maiiiiis!". Sem esquecer que há sempre um "não" pronto como resposta. Existem tentativas de boicotar a saída do pai e do irmão todas as manhãs de casa e das idas à casa de banho – momento em que é impossível descontrair. O choro é tão profundo e intenso que não dá para ficar indiferente.


Compensa com a sua boa disposição e o seu carisma. Tem uma personalidade forte e determinada e eu gosto (muito) disso - só espero que use esses trunfos no bom sentido e a seu favor. O Vicente cresce e naturalmente que eu já olho para a Laura e imagino como será a sua evolução e os desafios com que me irei deparar. Por vezes, fico com dúvidas sobre este importante papel que temos que desempenhar: o de educar. E com isso, cresce ainda mais o respeito pelos meus pais, da mesma forma, que conseguimos olhar para as situações da nossa juventude com outros olhos. Conseguimos perceber que nem sempre temos a razão que achamos ter. Mas acho que isso faz parte e que é assim com todos nós, filhos e pais.


Importam-me os meus filhos. Importa-me saber educá-los da forma que nós achamos ser a mais correcta, mas sempre com algo muito presente na minha cabeça: “nunca digas nunca”. Pois, nisto de educar os filhos, a percentagem que nós "controlamos" é muito pequena face aquilo que eles representam no seu todo. Não posso dizer que o meu filho nunca irá fumar, ou que nunca irá apanhar uma bebedeira e o mesmo se aplica a todas as coisas que nos possam passar pela cabeça. Espero somente conseguir orienta-los no caminho certe e deixar as bases certas para que nas encruzilhadas da vida, eles acabem sempre por encontrar o caminho certo, não importa as voltas que tenham que dar. 

 

Caraças! Que isto de ser mãe (e pai) só agora está a começar!  


A foto de capa é do nosso fim-de-semana (com cheirinho a verão) passado no Aquashow Park Hotel.

Lidar com situações de bullying no trabalho

05.06.18 | Vera Dias Pinheiro

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Só conheço a realidade do abuso de poder e do bullying no trabalho, mas acredito que, para todos aqueles que sofrem situações de abuso, seja difícil ultrapassar, esquecer ou até olhar para nós sem nos atribuir alguma culpa.

Levei dois anos até conseguir “classificar” as situações que vivia com a minha chefia. Na minha cabeça, o problema era eu, que personificava a velha máxima de “passar de bestial a besta num ápice”. Mas a verdade é que, após a faculdade e quando tive que me fazer à vida, segui por caminhos que não dominava, mas que para mim eram sempre oportunidades de crescimento pessoal e profissional. Tenho esta facilidade em ver sempre o lado bom em tudo. Afinal, a alternativa era viver frustrada por não ter seguido a área que realmente me apaixona – mal sabia eu que a recompensa viria mais tarde. Nunca disse que não sabia, nunca me recusei e tentei sempre dar mais do que o esperado. Esforçara-me, procurara informação, porque eu tenho brio profissional e quero ser reconhecida pela qualidade do meu trabalho em qualquer que seja a área.

 

Porém, não era esperado que no “auge da minha promissora carreira profissional” – como muitos me tentavam convencer na altura – eu desistisse de tudo sem ter um plano B. Esse foi o preço da minha liberdade, despedir-me e, o dia em que entreguei a carta, foi dos únicos dias em que não senti medo, em que não estava a tremer, em que não me senti numa posição de inferioridade. Senti-me tão leve que era capaz de voar, as lágrimas caíram-me dos olhos de felicidade… pela primeira vez dentro daquela instituição.

Para quem sofre bullying é difícil não se culpar a si mesmo. E com o tempo entramos numa espiral que se vira contra nós. A tristeza muda-nos o humor, o desalento tira-nos a motivação para trabalhar e uma certa vergonha coloca o nosso olhar no chão, como se tentássemos ser invisíveis para todos.

Até hoje é -me difícil encontrar as causas para tudo isto. Perceber de onde veio. E foram precisos dois anos, o tempo que vivi em Bruxelas, para conseguir alguma clarividência e olhar com alguma distância sobre tudo. Revivi as situações mais marcantes na minha cabeça tantas vezes até perceber que a culpa não era minha. E que, mesmo longe e numa licença sem vencimento, eu continuava a ser um problema para aquela chefia e para aquela instituição.

 

Eu, a rapariga que estava há menos tempo na instituição, sem perspetivas de evoluir, sem oportunidades para mudar, com um ordenado inferior aos de todos, a viver num T0 alugado, com um carro herdado da minha mãe, o que eu tinha que pudesse representar um problema para aquelas pessoas? Não sei dar respostas, mas sei que a culpa não estava em mim. Sei agora, porque todos os dias vivi com o medo dentro de mim. Medo quando, ao fim do dia, regressava a casa, e no dia seguinte fosse chamada a atenção. Medo que à mínima falha eu fosse jogada às feras, sem apoio de ninguém.

 

Ouvi muitas atrocidades, desde que teria que lidar com “casco (de cavalo)”, até receber conselhos para mudar a cor do meu cabelo - afinal, uma loira chama muito a atenção - ou ainda um inofensivo “tu não tens culpa da forma como andas e sorris”. Dias, semanas, anos, até que engravidei do Vicente e acharam por bem que seria eu a pessoa indicada para mudar caixas nos arquivos. Eu não prestava, não tinha qualquer valor e senti verdadeiramente que não era suficiente. Não houve auto-estima que resistisse, nem capacidade para encarar as pessoas nos olhos. Era jovem, tinha vinte e cinco anos, “cresci ali” até aos 30. Tentando ser o mais transparente (para os outros) possível, o mais institucional possível, na tentativa que as pessoas não gostassem de mim, para que não tivesse que ouvir mais comentários sobre o meu suposto efeito nos outros.

 

Despedir-me foi de coragem, é verdade, mas era a minha única alternativa. Chorei dias seguidos até pedir a compreensão do meu marido para a única decisão possível, pois eu não queria voltar a ser uma pessoa triste e deprimida. Não tinha sido essa a mãe que os meus filhos tinham conhecido, eu própria tinha-me descoberto, tinha voltado a gostar de mim e acreditar no meu valor.

 

Ainda assim, hoje em dia, as marcas do bullying que sofri estão cá. As fragilidades ficaram e a talvez por isso, eu sinta que tenha que dar sempre 200% em tudo o que faço. Talvez por isso sinta que tenha que provar mais do que os outros. Os efeitos vivo-os no dia-a-dia, quando nas várias relações profissionais que estabeleço, o medo continua lá. O medo de ser chamada a atenção, o medo de não fazer um bom trabalho, o medo de falhar. O medo! Não consigo evitar ficar nervosa com as mensagens e os telefonemas, pois o meu instinto é achar vou ser chamada à atenção por ter feito algo de errado. Há uma vozinha irritante cá dentro que tenta pôr-me para baixo, que me diz que o que tenho já suficiente, para não esperar mais ou que não irei mais longe nem terei mais do que tenho actualmente.

 

Há um trabalho diário de acreditar em mim, de força interior e de motivação porque eu não sei se os efeitos de situações de abuso ou de bullying algum dia serão esquecidos. Mas sei que a cada oportunidade profissional que tenho, ficou uma fraqueza que nem sempre está a meu favor.

 

E não, a chefia não eram homens, mas sim mulheres! Eram as mulheres a mostrar o que pior têm dentro delas e o mal que podem fazem umas às outras. Bullying puro! Contudo, todo o mal que tentaram fazer, foi a força que eu usei para remar num outro sentido. É a força que tenho hoje para fazer o que faço, para conseguir ser independentemente financeiramente e para não desistir dos meus sonhos. A minha carreira profissional não acabou ali, como muitos pensaram, ela estava apenas a começar.

A noção da importância de mim e do meu corpo

04.06.18 | Vera Dias Pinheiro

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Não vivemos na era das máquinas e só temos este corpo e esta vida para viver. Demasiado dramático para começar este post? Realisticamente, acho que não. Sinto (na pele) a pressão da vida adulta, os múltiplos papéis que temos que desempenhar, a exigência da maternidade e a exigência dos filhos, que são coisas bastantes diferentes, as nossas próprias exigências connosco e ainda, aquilo que os outros esperam de nós.

 

Contudo, vivemos bem com tudo isto até um dia em que o nosso corpo, a nossa máquina, começa a acusar pressão. E se não ligarmos a essa pressão, o corpo vai obrigarmos a tomar atenção e vai obrigar-nos a parar. E tenho a certeza que eu fui obrigada a parar quando “apenas fui arrancar um dente do siso”. Desde aí que a minha vida mudou. Era suposto ser só um dente, mas foi muito mais do que isso, foi muito mais abrangente e levou-me à descoberta de outras coisas.

 

Mas convém abrir um parenteses. Acreditem que tem sido muito bom encontrar as respostas, ou melhor, as fontes dos meus problemas. É que faltava já muito pouco para me passar um atestado de “loucura”. Porque o emocional é muito assim, manifesta-se das mais variadas formas, mas sabe disfarçar-se quando é preciso encontrar uma causa. Portanto, progredi muito nos últimos tempos e estou aliviada por finalmente ter chegado até aqui.

Não adiante saltar etapas, não adianta disfarçar as coisas ou procurar alternativas fáceis. Só damos efectivamente o passo seguinte quando descobrimos aquilo que a nos está a perturbar. No fim do ano, senti-me no pico da minha exaustão e sei que eu não me permito falhas, como ainda, exijo-me a dar 150% em tudo. E isto de trabalhar o digital não é o mundo cor-de-rosa que muitas pessoas imaginam. É de uma exigência a todos os segundos da nossa vida, sem férias e sem fins-de-semana.

A pressão do conteúdo diário é grande, mas esse conteúdo é algo que vem de dentro de nós, é algo que exige entrega emocional, exige capacidade de fluidez na escrita e nos sentimentos e ideias que queremos passar. E a verdade é que a nossa cabeça anda, muitas vezes, por tantos outros lugares, menos por onde devia. A disciplina chega a ser cruel. Depois, são as redes sociais, cuja tendência é para acharmos que devemos ser constantes e assíduas. E, por fim, a falta de horários que leva a perda de noção que os dias tem momentos, das horas de dormir, de comer e dos próprios dias da semana.

 

Porém, com tudo isto há igualmente uma vida pessoal e uma vida banalíssima que se pauta por obrigações, problemas, contratempos, cansaço e muito por não querer ser a maluquinha do telefone quando estou a passar tempo com as minhas pessoas. Tenho dois filhos, um marido, os meus hobbies e as coisas que gosto de ver e onde gosto de estar e a verdade é que nem tudo na nossa vida tem que ser “instagramável” ou “insta-diário” ou “insta-momentâneo”. E, neste sentido, sem que eu tenha feito por isso, os momentos em família são vividos cada vez mais em família. São nossos, não são para ser apressados, muito pelo contrário. Quero desfrutar destes tempos que não vão voltar. Também quero sentir que não ando a correr para todo o lado, que tenho uma agenda com mil eventos - que, muitas vezes, apenas acrescem mais trânsito, dinheiro gasto em parques e tempo que vou retirar ao trabalho que realmente me paga as contas e que exige a minha disponibilidade, não só de tempo, mas também emocional e psíquica para criar as histórias que gosto de partilhar. Porque é nesse papel que eu melhor me revejo e para fazê-lo bem não posso andar à pressa. Portanto, naturalmente pode acontecer deixar passar um dia ou dois sem publicar nada no blog.

E assim volto ao início deste texto: não vivemos na era das máquinas e só temos este corpo e esta vida. É que aqui não há ninguém, para além de mim, para fazer a contabilidade, para responder aos e-mails, para tirar as fotografias (e editar), para ser proactiva, para me inspirar, para escrever e para ir a eventos. Há dias em que tudo ao mesmo tempo, não resulta. Ou melhor, resultou até que o meu corpo quis parar e obrigou-me a tal.

Eu percebi que preciso de fins-de-semana fora de tudo, que preciso de me sentar à noite a ver um pouco de televisão, que a rotina do ginásio é sinónimo de saúde para mim e que, por isso, não posso abdicar dela, que tenho que ter um dia para organizar a minha semana, que tenho que colocar os meus interesses à frente do dos outros (lamento, mas temos que ficar todos a ganhar), não me posso esquecer de quem sou e de quem vocês são e que houve um dia na minha vida que fiz a escolha de ser uma mãe presente. E remato dizendo que dois filhos é uma transformação brutal na nossa rotina, é tudo aumentado em dez vezes. E que os dois anos são tramados, mas os cinco também estão cheios de desafios e são uma fase completamente diferente. Sem conseguir ainda explicar muito bem, é como se a minha presença fosse ainda mais exigida, como se eles dos dois, em conjunto, consumissem 80% do meu tempo e daquilo que sou. Em 99% das situações já não dá para deixar passar ou ter uma desculpa, é preciso educar – é isso! E com eles, há uma casa que começa a estar 100’% das vezes em estado caótico e, embora relativize, eu preciso de alguma ordem ao meu redor.

 

E, no meio de tudo isto, vocês percebem que eu não sou uma rapariga de escrever só por escrever. Preciso de tempo, de concentração e, especialmente, de ter a cabeça no sítio certo. E isto não são desculpas, é falar da vida como a vida é! É aceitar que estamos a crescer e aceitar-nos como somos. Quero ser velhinha e acompanhar os meus filhos, quero ter saúde para continuar a fazer as coisas de que gosto e quero a cabeça sã para que tudo isso seja feito com a maior qualidade de vida possível. Saúde é tudo e aquilo que separa a idade adulta da outra idade mais jovem, é precisamente este pensar sobre a vida, ter esta noção da passagem do tempo, saber que queremos cá estar muito tempo, mas que de um dia para outro tudo, mas tudo pode igualmente mudar.

Espero não ter sido muito down para uma segunda-feira, porque a ideia é precisamente pedir-vos que façam também um balanço das vossas vidas e das vossas prioridades. Façam como eu, tirem um dia da vossa semana para organizar a vossa mente e o vosso espírito.

Vencedor Lancheira Ambar x Dia da Criança

04.06.18 | Vera Dias Pinheiro

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O passatempo do Dia da Criança - em parceria com a Ambar - chegou ao fim na passada sexta-feira e hoje revelo finalmente quem foi a "mãe de menina" vencedora. Naturalmente, quero agradecer todas as vossas participações, desta vez foi um miminho, mas se gostarem da marca e quiserem mais passatempo deste genéro, deixem nos comentários. Desta forma, fica mais fácil orientar estes conteúdos no sentido das vossas preferências. Afinal, os presentes são para vocês! :)

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E agora, sem mais demoras, porque o tempo é sempre contado e eu já vos fiz esperar muito, a vencedora, apurada aleatoriamente através do site Random.Org, e que cumpriu todos os requisitos do passatempo, foi: MARTA ALVES!!!

Muitos parabéns, Marta!

Irá receber um e-mail, da minha parte, no endereço deixado no formulário, com o pedido da morada para o envio do seu prémio (que será da responsabilidade da própria Ambar).

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Entretanto, relembro que ainda está a decorrer um passatempo, este apenas no Instagram, para o qual vou deixar o link (https://www.instagram.com/p/BjXmbLKHZQJ/?taken-by=vera_d_pinheiro), que termina no dia 15 de junho. Em "prémio" estão cinco cabazes de pequeno-almoço com alguns dos produtos de cabra da Cabra Palhais. Ainda podem lá ir participar. Fica a dica!

 

Boa semana!

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