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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Vivemos sem redes sociais por dois dias e este foi o resultado

15.05.17 | Vera Dias Pinheiro

 

Estivemos um fim-de-semana inteiro sem telefone, televisão, internet e redes sociais e não sentimos falta do que fazer. O que não estava nos planos era ser um fim-de-semana tão cheio de emoções com a visita do Papa a Fátima e a final do Festival da Eurovisão da Canção, que deu uma vitória emocionante ao "nosso" Salvador Sobral.

 

E ainda que tenha muito para vos contar, começo por dizer que não custou nada passar este fim-de-semana desconectados e, muito menos, voltar a um estilo de vida mais simples, que nos permite um outro desfrutar do tempo - que, aliás, dá a sensação de passar muito mais devagar. Fomos para a zona de Seia, como vos disse. e ficámos alojados no Chão do Rio, na aldeia de Travancinha, um turismo rural composto por algumas, poucas, casinhas em pedra e onde a nossa vida é ao ritmo que nós desejamos.

 

É verdade que não conseguimos o tal "slow living" que tanto desejamos, porque a vida com crianças é tudo menos "slow", é vivida com muitas exigências e com um controlo total por eles, pelas rotinas e pelos seus desejos que se impõem com a força de lei! Ainda assim, consegui mostrar aos meus filhos como se faz o pão, onde as galinhas põem os ovos, o que comem as ovelhas da Serra da Estrela, o som dos grilos, dos sapos e das rãs, de onde vêm as cerejas... Mas, acima de tudo, consegui mostrar-lhes uma coisa que, para mim, não tem preço: a liberdade de brincar na rua e de serem crianças livres e exploradoras. Foi assim que cresci e sei que isso foi bastante importante no meu crescimento.

 

No Chão do Rio, vivemos como queremos pois, nesta propriedade com cerca de oito hectares, há praticamente tudo aquilo que precisamos, o pão quente chega todos os dias à tarde e, à chegada, recebemos uma cesta com mantimentos para os pequenos-almoços, alguns regionais, outros bem fresquinhos. Ainda assim, pegámos nas bicicletas para ir à mercearia mais perto, onde só há o essencial e, por isso, só se gasta o dinheiro estritamente necessário.

 

Os dias pareciam intermináveis e, quando chegava a noite, ainda apetecia o calor da lareira para aquecer a casa - foi preciso fazer cerca de 300 quilómetros para voltar a ter um serão de lareira. E, no dia seguinte, lá estava o galo avisar que eram horas de levantar, ainda que não fosse realmente necessário, pois os "galinhos" cá de casa fazem muito bem o trabalhinho deles.

 

Nestes dias senti que andava a dar muito pouco aos meus filhos, sobretudo daquilo que é verdadeiramente essencial: o estar por inteiro e em exclusivo, a liberdade e as memórias que só estas experiências proporcionam. Por outro lado, senti que andava a dar demasiada importância a coisas supérfluas e, extremismos à parte, é preciso um equilíbrio na nossa vida.

 

Obviamente que, no Chão do Rio, ninguém fica incontactável, pois há televisão, acesso à Internet e os telemóveis têm rede, mas nós optámos por desligar por completo. E sabem que mais? Foi fácil, soube a pouco e quando voltamos a reconectar estava tudo lá à nossa espera e tirando a vontade de saber como tinha sido a passagem do Papa e a vitória do Salvador Sobral, o resto estava tudo na mesma e nem tive vontade de correr atrás da informação perdida. Percebi que os nossos dias são mais curtos, muito por culpa do tempo que inconscientemente passamos nas redes sociais, naquela história de ser "só mais uma coisinha".

 

Foi um fim-de-semana muito cansativo, não vou esconder, mas feliz, leve e tanto assim foi que hoje custou muito mais entrar no ritmo. Fez-me pensar, especialmente neles. E fez-me pensar como foi bom para a nossa família, para a forma como interagimos uns com os outros, para a consciência das responsabilidades e da atenção que temos que dar uns aos outros.

 

Esta experiência, que nos foi proporcionada pelo canal de televisão A&E, é muito semelhante à das três famílias que decidem abandonar a cidade, precisamente para fugir a tudo o que de negativo se vive, muito por culpa das redes sociais. E é no meio rural que vão encontrar a tranquilidade que precisam para recomeçar com um novo estilo de vida. São três histórias que vão poder acompanhar já a partir do dia 17 de Maio, neste canal, na segunda temporada da série "Desconexão Total" - que, agora, até eu tenho curiosidade em acompanhar.

 

Algumas fotografias que vos deixo:

 

Ao longo desta semana ainda vou voltar a falar sobre este fim-de-semana.

 

Boa noite.

Esta é a nossa família e é nela que acreditamos.

15.05.17 | Vera Dias Pinheiro

 

O projecto família é, talvez, dos mais difíceis de fazer vingar. Implementar, eu acredito que é fácil, pois, regra geral, conseguimos reunir todos os ingredientes que consideramos importantes para iniciar uma vida a dois, a três.. a quatro... Porém, o tempo vai passando, os desafios e as dificuldades vão surgindo e percebemos que manter uma família está para além da nossa vontade e até mesmo do amor.

 

Nós passamos um fim-de-semana maravilhoso (sobre o qual ainda vos vou falar) apenas os quatro, longe de tudo e de todos e praticamente sem rede nos telemóveis. Não houve distracções, compromissos, facilitismos (ou seja, as bengalas que os pais usam muitas vezes e que nós sabemos quais são), nada! Estivemos os quatro, como eu digo, na luta para chegarmos ao fim, vivos! :) É que eu estaria a mentir-vos se vos dissesse que vivemos um mar de rosas ou que, eu e o meu marido, somos aquele tipo de casal que nunca discute. Isso não é verdade. Contudo, aquilo que nos une - por mais difícil que seja o momento que atravessemos - é acreditar num projecto de família. Acreditamos que as famílias devem, em primeiro lugar, tudo fazer para se manterem unidas, mas para isso, há que saber até que ponto os problemas e as dificuldades que existem são ou não fracturantes. Felizmente, para nós, eu acho que ainda não chegamos a esse ponto e, por isso, cá estamos nós: na luta!

 

Imagino que cada família terá as suas dificuldades e umas mais do que outras. Nós somos aquela família com dois filhos pequenos, em idades muito exigentes - mas com exigências diferentes - que tem tido um percurso de vida em conjunto também demasiado desafiante e a nível pessoal e profissional também. E, algures pelo meio, estará um casal que tenta voltar a encontrar-se e que deseja voltar ao tempo a sós, ao tempo de namoro, a um maior tempo para conversar ou partilhar um serão a ver um filme ou uma série.

 

Somos um projecto de família com seis anos, com muitos quilómetros feitos, muitas casas onde moramos, mudanças, dificuldades e dois filhos. Não somos a família perfeita, os meus filhos são crianças como todas as outras e nós, somos pais como todos os outros: erramos, acertamos; ora temos paciência, ora apetece-nos fugir. Sei, no entanto, que aquilo que nos move é puro, é amor, é carinho, mesmo quando aquilo que transparece seja outra coisa qualquer. E faria-me muito feliz que os meus filhos crescessem com os pais juntos, mas pais que se  estimam, respeitam e que não perderam o amor e o carinho entre eles. Admito e chamem-me romântica se quiserem - ainda que eu saiba que, hoje em dia, há projectos de famílias tão bonitos e muito pouco convencionais. Conheço de perto algumas histórias que chegam a ser comoventes e inspiradoras... a não desistir do projecto família. Porque isso é o mais importante de tudo. 

 

Nós somos e seremos sempre uma família real e a prova está precisamente nesta tentativa de ter uma fotografia de família:



    • A Laura estava cheia de sono e, embora pareça a mais sossegada, isso não corresponde à realidade;

 

    • O Vicente estava em cima de mim, mas, ao mesmo tempo, a dar palmadas na cabeça do pai;

 

    • Pai, esse que já não estava para muitas brincadeiras, pois tinha tido uma crise de asma na noite anterior, que o deixou mais em baixo e, para além disso, detesta que lhe mexam no cabelo;

 

    • Já tínhamos tido a Laura a espalhar o almoço pelo chão e a mexer no lixo, a subir escadas... o Vicente que não quis almoçar e que já tinha feito birras por tudo e mais alguma coisa;

 

    • E lá pelo meio ainda estou eu que, quando o ambiente está tenso, tento ser o elemento apaziguador entre todos e que mesmo assim, acabo sempre por levar por tabela. Sem referir que acabo por acumular a tensa de todos e a minha.



Estes somos nós! Está é a nossa família, da qual nos orgulhamos muito e da qual nenhuma dos dois se sente preparado para abdicar, por muito problemas que possamos ter no nosso dia-a-dia.


Obrigada à Sofia Serrano pela paciência e compreensão nesta sessão fotografica. A Sofia, vocês já conhecem, porque ela é autora do blog Café, Canela & Cholocate, é obstetra e já conta com dois livros escritos. É que vocês ainda sabem, mas as nossas famílias estiveram desconectadas juntas e foi tão giro!

 

Boa tarde e boa semana!

 

Estamos de volta :)

...

15.05.17 | Vera Dias Pinheiro

Escrevo estas linhas no aconchego do calor de uma lareira e com um copo de vinho ao meu lado. Foi preciso fazer cerca de 300 quilómetros para voltar a sentir-me descansada e relaxada ou, pelo menos, em que o meu estado de espírito e o meu corpo estão predispostos a essa desconexão. Confesso-vos que há muito, muito tempo, que eu só conhecia o modo "too fast" em tudo, os fins-de-semana era insuficientes para quebrar a rotina e as escapadinhas - embora, muito boas e revigorantes - têm sido stressantes, quem tem filhos pequenos sabe perfeitamente do que estou a falar. Sem falar que a comodidade de fica num hotel, retira-nos (aos pais) alguma traquilidade e privacidade. Os dias terminam quando os filhos vão dormir, ou seja, deixa de haver invariavelmente um escape.


Ora foi preciso fazer cerca de 300 quilómetros para não ter dúvidas de que a minha alma precisamente igualmente de calma e de paz. Precisa esquecer os relógios, os telefones, os e-mails e as redes sociais. A minha alma precisa de se nutrir por ela mesma e não através de tudo aquilo que consumimos no exterior diariamente.  A minha alma precisa despuluir-se e reencontrar-se sob pena de entrar em colapso!


Levamos cerca de três horas a chegar ao Chão do Rio, um turismo rural, nosso destino para esta escapadinha de desconexão total, localizado na zona de Seia. Percorrer as montanhas trouxe-me as lemranças de menina. A casa da minha mãe está cehia de fotografias nossos na serra da estrela, em braga, no gerês... nunca me proporcionaram viagens de avião, mas os meus pais mostrraram-nos grande parte daquilo que de mais bonito existe no nosso país. recordo com saudades e sobretudo com trsiteza por achar que no dia-a-dia nos torna-mos demasiado perguiçosos que evitamos - ou arranjamos desculpas - para estas aventuras de fim-de-semana.


No chão do rio sentimo-nos em casa, numa bonita casa, com muito verde e ar puro à nossa volta e com tudo aquilo que precisamos para sobreviver longe da massificação e das grandes superficies. Criamos o nosso ambiente: retiramos algumas coisas da malas, destruibiuomos pelas divisões, olhamos à nossa volta e pedimos com toda a nossa força para que o S. Pedro nos deixe aproveitar tudo o que este turismo rural tão especial no oferece.


Depois, relaxamos e reparamos que não instintivamente não tínhamos voltado a pegar no telefone para mais nada, para além de avisar as repctivas mães que estávamos bem. Tivemos das poucas refeições verdadeiramente em família, a quatro, conversamos e brincamos - mais do que tivemos que chamar a atenção. Andavamos com falta de tempo de qualidade a quatro, os nossos filhos andavam com saudades e eu apercebi-me que está na hora de volta a pensar no casal para além dos filhos.


Desconectamos instintivamente e de forma muito fácil, afinal, cá dentro existe muito essa vontade porque nos snetimos em overdose, mas falta-nos o pertexto ideal.