Sofro de vertigens e mesmo assim desafiei os meus medos ao andar em todas as diversões, mesmo as mais arrojadas, na Isla Mágica, em Sevilha. Era o início do namoro, não ia dar parte fraca! Brincadeira, pois a verdade é que eu me esforço por não me deixar vencer pelos meus medos. Eu vou com medo mesmo! Com o coração a saltar pela boca, mas a repetir constantemente para mim mesma que está tudo bem, que aquilo que eu estou a sentir não é real! E, no fim, acabo por sobreviver ao estado de medo e de ansiedade.

Porém, recentemente, apercebi-me que, para além das vertigens e do desconforto quando sinto quando “o chão” por baixo dos meus pés não é seguro, dou por mim a tentar evitar grandes multidões. No último Nos Alive, estava numa excitação por ir assistir ao vivo ao concerto dos The Weekend, quando, no local e a poucos minutos de começar, o inesperado acontece. Quando, de repente, me apercebo que estou cercada de pessoas, que não tenho um milímetro para me mexer ou mesmo para respirar, as batidas do meu coração aceleram incontroladamente. Em segundos, obrigo o meu marido a sair dali comigo. Mais tarde, quando viajamos em família para Milão, senti o mesmo quando visitamos a Catedral e quando, inconscientemente, dava por mim a evitar ao máximo os transportes públicos.

Haverá uma explicação para tudo isto, mas eu confesso que não me dei conta quando comecei a ficar assim. Posso dizer que, regra geral, sou aquela pessoa que sai de casa com tudo mais ou menos planeado e programado, sei, na maioria das vezes, aquilo que me espera e tenho sempre um plano B caso seja necessário.

E hoje, que vamos ao Rock in Rio, estou num misto de sensações. No primeiro fim-de-semana do festival acompanhei pelas redes sociais e pela comunicação social a aderência e a “mancha” de pessoas já me fazia alguma confusão. Neste tipo de eventos sei que o espírito está para além do concerto em si, porque é impossível estar num sítio que nos permita ter uma boa visibilidade. Ou isso, ou apostamos tudo na linha da frente e somos engolidos pela multidão.

Num festival é suposto andarmos por ali, viver o espírito, ouvir a música das bandas que, à partida, gostamos, conviver, descontrair e dançar. Não é preciso colocarmo-nos no limiar de ter um ataque de pânico, nem ir ao extremo de não sair de casa. Acho que o segredo, é reconhecer como o nosso corpo reage neste tipo de situações e encontrar a melhor forma de lidar com isso. Ter por perto pessoas com quem nos sentimos à vontade, que nos conhecem bem e estão na mesma onda que nós.

Não chego ao ponto de ter que tomar medicação para a ansiedade. No entanto, fisicamente fica desconfortável sentir aquele aperto todo no peito e a respiração a faltar. Não há necessidade de me expor a isso, podendo contornar.

Entretanto, não se preocupem, pois eu prometo tirar a fotografia obrigatória de quem vai ao Rock in Rio, isto é, com a Roda Gigante em plano de fundo. Prometo esmerar-me na roupa que irei vestir, já que, houve em dia tudo se tornou  num momento para ver e ser visto – e nunca se sabe quem vamos encontrar e onde vamos aparecer – e, por fim, obviamente que lá pelo meu Instastories vão poder ver uma ou outra coisa. E tudo isto, independentemente da previsão do tempo ser de chuva!!!! Grrrrrr!

Mais alguém pelo Rock in Rio hoje?

 

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