Começo a semana de baterias carregadas depois de três dias passados em Monsaraz, no Alentejo. O pretexto era aproveitar o aniversário do meu marido e fazer uma escapadinha em família. O destino calhou um pouco à sorte, já que o meu marido ficou convencido “apenas” com as fotografias das piscinas da herdade onde ficamos hospedados – da qual também vos irei falar, sim!

No entanto, rapidamente tornou-se um destino muito desejado por nós. As riquezas históricas e naturais da região deram-nos logo muitas ideias para passeios, a gastronomia prometia momentos bem passados à mesa e iríamos colocar no nosso mapa mais uma descoberta para o Vicente e para a Laura. Contudo, aquilo que eu não estava a espera era de sentir de imediato uma paz e um sossego que já raramente encontro, seja na rotina normal do nosso dia-a-dia, seja em férias. E eu, que ando numa luta renhida contra a falta de tempo, o tal tempo de qualidade que eu achava ser um dado adquirido com a minha mudança de vida, descubro que era ainda um pouco ingénua nessa altura. Não sabia que a falta de tempo era uma “condição” da vida adulta – daí ser extremamente importante a nossa realização pessoal na maior parte do nosso tempo e da nossa vida.

Mas voltando a Monsaraz, a vila pitoresca com as marcas da sua história bem presentes, tal como se o tempo, ali se tivesse demorado mais a passar. As suas influências militares e religiosas preservadas, o xisto e as muralhas que circundam a povoação, numa localização privilegiada no topo de uma colina, que nos absorve por complete com a sua vista sobre o Guadiana e a Fronteira com Espanha, são apenas alguns exemplos.

Hoje em dia, aliás desde 2017, que é reconhecida com um dos lugares a visitar no Alentejo por ter vencido na categoria “Aldeias Monumento” do concurso 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias. No entanto, Monsaraz não deixou que isso a fizesse perder a sua identidade dos tempos antigos. As marcas do tempo estão lá sem que o progresso e a modernidade descaracterizassem a sua alma e a sua essência. É uma vila museu que nos faz viajar no tempo de forma genuína. Monsaraz quer-se visitar sem pressas, a pé e despreocupadamente.

Sem que eu estivesse à espera, deixei-me enamorar por esta vila e foi um amor à primeira vista. Os três dias que lá estivemos souberam a pouco, tal a riqueza intelectual e emocional com que nos brinda. Ficou muito por ver, mas foi o suficiente para me fazer voltar e já muito em breve. Aos meninos, mostramos uma realidade diferente daquela que vivem diariamente. Oferecemos uma porta aberta para que se sentissem livres, para andarem despreocupados, para provarem uma das melhores gastronomias do nosso País, para explorarem e sentirem o tanto que há para descobrir. E para incentivar à curiosidade do Vicente, deixá-lo fazer todas as perguntas que lhe viessem à cabeça.

Sobre Monsaraz…

Entre por uma das quatro portas da muralha que circunda a vila e percorra as ruas e recantos. É absolutamente obrigatório desfrutar da vista esplendida sobre o magnifico espelho de água da Barragem do Alqueva, o maior lago artificial da Europa.

De seguida, caminhe até ao Largo D. Nuno Alvares Pereira e aproveite para visitar a Igreja Matriz da Nossa Senhora da Lagoa. Não se esqueça de lojas de artesanato alentejano e de produtos da região que não descaracterizaram a beleza arquitectónica e histórica dos edifícios da vila.

castelo de monsaraz

Ficaram por ver as praias fluviais, a própria Barragem do Alqueva e tantas outras coisas. Mas em três dias, o nosso tempo abrandou, pois, como alguém comentava nesta fotografia do Instragam, os lugares sem pressa fazem-se notar e eu não podia dizer melhor. Os lugares sem pressa, como Monsaraz, fazem-se notar e fazem com que o nosso espírito encontre o seu lado certo e a sua essência.

castelo de monsaraz

Vivemos num mundo que nos trouxe tantas coisas boas, assim como, muitas descobertas incríveis, um mundo que melhorou a nossa vida material. Contudo, para mim, tem, ao mesmo tempo, nos formatado um pouco para a perda de originalidade e de individualidade. Talvez, muito graças às redes sociais, em que olhamos para alguém e queremos ser os mais parecidos possíveis, vestir as mesmas roupas ou ir aos mesmos sítios. Porém, esquecemo-nos que aquilo que nos torna verdadeiramente únicos e especiais está somente dentro de nós, só assim os outros reconhecerão em nós o valor e a aprovação que tanto procuramos.

 


Próximos posts sobre Monsaraz:

– Onde Ficar

– Onde Comer

Comentários

comentários