A propósito do Dia Internacional da Família, a maturidade é perceber que a pessoa que, ao nosso lado, embarca na aventura de fazer nascer uma família – aconteça o que acontecer – fará sempre parte de nós. A ilusão poderá ser, em contrapartida, pensar que, numa separação, essa racionalidade – ou essa objectividade, se assim lhe quisermos chamar – será sempre mantida.

Bem sei que não é assim. Já vivi de perto histórias de famílias felizes que, no dia em que surgiram as tais incompatibilidades irreversíveis, deixaram de o ser e esqueceram o que foram até ali. Mas não acreditar que isso é a regra. Se quero imaginar que a minha história de família, tal como a vivo hoje em dia, será assim para sempre? Sim, gostava muito. Contudo, por outro lado, também sei que podemos ser felizes de diferentes maneiras e que o conceito de família é, acima de tudo, onde o amor e o respeito uns pelos outros reinar. E sei que a nossa vida está cheia de recomeços e, consequentemente, de novas oportunidades.

Porém, enquanto família, acredito no amor altruísta, acredito inclusivamente que é preciso fazer cedências pelo caminho, e que é preciso equilibrar e colocar numa balança o nosso lado e a perspectiva do todo. Acredito que um homem e uma mulher não podem lutar em caminhos opostos, defendo o equilíbrio e, voltando às cedências, não acho que todas elas devam ser encaradas como um sinal de “submissão” ou de perda de personalidade ou de independência.

Eu já cedi em prol de um bem maior. Cedi para dar uma oportunidade a uma família que estava no seu começo. Não quis ser “mãe solteira” ou ser uma mãe numa relação à distância. E ainda bem que o fiz, sabem porquê? Porque se é tão difícil estando juntos, eu nem quero imaginar como será quando se está à distância. E hoje sei que fiz o que estava certo, porque a minha vida pessoal acompanhou essa mudança e mudou para melhor. Tive a mudança que eu tanto desejava e foi tudo graças à minha cedência.

E ao longo destes sete anos, eu já aprendi que não existem famílias perfeitas e que dificilmente estaremos felizes em todos os momentos das nossas vidas. Eu percebi que discutir faz parte do crescimento da família e que os desentendimentos são oportunidades para nos conhecermos (uns aos outros) mais profundamente. Mas enquanto o amor e o respeito uns pelos outros reinar, estaremos no caminho certo.

Eu também sei que a nossa vida, enquanto família expatriada, nos deu uma força de união muito grande, recordo que já passámos por tanto juntos, lembro o que já sofremos e o que já rimos em conjunto durante aqueles dois primeiros anos, e isso torna tudo o resto muito mais relativo. E, ao mesmo tempo, faz com que, perante cada dificuldade, continuemos a achar que vale a pena lutar por este projecto chamado família.

Afinal, não será este o maior projecto de todos? Não será este projecto um motivo mais do que suficiente para lutar? Não será ele razão mais do que suficiente para escolhermos muito bem as lutas que queremos travar e os motivos pelos quais vamos querer discutir?

Na minha modesta opinião, é um projecto que vale a pena olhar com carinho, no qual vale a pena agir com amor e não com orgulho próprio… afinal, deixamos de ser apenas um para passarmos a ser dois, três, quatro… e se foi, à partida, uma escolha nossa, então vale a pena olhar com amor para essa família e dar-lhe uma oportunidade. Mas até quando? Bom, até quando o amor e o respeito uns pelos outros reinar! 🙂

E, posto isto, que o Dia Internacional da Família seja um pouco como o Natal… quando o homem quiser!

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