O Vicente está a crescer. É impossível não nos apercebermos disso quando estamos com ele e é ainda mais impossível de ignorar quando os sinais “físicos” acompanham essa sua evolução – como receber a notícia de que tem o primeiro dente a abanar. Mas começo por dizer que estou completamente apaixonada pelo meu filho nesta fase – como se ainda fosse possível uma mãe se perder ainda mais de amores por um filho. Não me perguntem como, contudo, a sensação, à medida que o tempo passa, é de um coração que é elástico e que se vai expandindo sempre um pouco mais e mais.

Tenho uma companhia a sério, alguém com quem partilho uma conversa com princípio, meio e fim, alguém que tem ideias, vontades e até sugestões a fazer. Tenho um filho que precisa de cada vez mais espaço, de mais espaço precisamente para expor essas ideias e expressar essa personalidade que se está a construir. Tenho um filho mais maduro, responsável… e também com mais testosterona, evidentemente! 🙂

Ainda assim, continua com a particularidade de ser um filho da sua mãe, um filho que é muito ligado a mim e que é capaz de me sugar toda a energia do tanto que ele “precisa” e exige de mim e da minha presença. Porém, não há como não ficar babada, não há como negar que fico radiante quando me diz que adora passear comigo e conversar comigo. Olho para a frente e com toda a liberdade que a sua vida vai tendo cada vez mais, espero continuar a ser essa companhia desejada, espero continuar a ser uma presença querida para, por exemplo, um almoço, um passeio ou até passar férias, independentemente da sua idade. Acho que todas nós, mães, desejamos ter essa cumplicidade para a vida com os nossos filhos, verdade?

Contudo, como se tudo isto não fosse já bastante claro para mim, hoje tive novamente mais um “cair de ficha”. O Vicente está crescido e, acima de tudo, o Vicente está feliz por estar a crescer. Ter recebido a notícia hoje de que tem o seu primeiro dente a abanar, fê-lo rejubilar de alegria, os seus olhos esbugalharam-se e fixaram os meus. Não foram precisas palavras para perceber o quão feliz ficou com a notícia. E eu respirei fundo e segurei a minha emoção de mãe. Naquela fracção de segundos passaram-se os últimos cinco anos das nossas vidas pela minha cabeça…

Vais crescer meu amor e vais ser uma pessoa cada vez mais independente. E não sei se aquilo que estou a sentir acontece a todas a mães, mas é como se, por uns instantes, ficasse sem chão, meio perdida. Afinal, como assim vais crescer? Como assim, estás efectivamente a crescer tão rápido? O que é que eu vou fazer sem o meu “bebé”? E, no final, como se não bastasse, ainda me diz que a história da fada dos dentes é uma coisa inventada.

Claro que imediatamente a seguir, apercebo-me do quão maravilhoso é também descobrir esta fase. Claro que eu sei que os filhos crescem, mas só percebemos o impacto real de tudo isso quando somos mães… é como se me tremessem as pernas e até ficasse apreensiva com o que virá a seguir e eu ainda não conheço.

Caramba… passaram-se já cinco anos. E caramba, por não imaginar que receber a notícia de que o meu filho tem o seu primeiro dente a abanar, fosse tão emocional para ele e para mim. Acho que, a partir de agora, vai-me ser cada vez menos estranho imaginá-lo um rapaz crescido com tudo o que isso tem, ao mesmo tempo, de assustador.

E o porquê de tudo isto, perguntam-me vocês? É que hoje, finalmente, ganhei coragem – sim, isso mesmo, EU ganhei coragem – para voltar a levar o Vicente ao dentista. Tínhamos tido uma primeira experiência quando ele tinha três anos que em vez de servir para o familiarizar com o dentista e com os seus instrumentos, teve precisamente o efeito oposto. Esperei dois anos, tive muitas conversas com ele, foi algumas vezes com o pai ao dentista inclusivamente, mas não voltei a pressioná-lo. Mas estava na altura de ter uma consulta a sério, era preciso começar a ter uma rotina de higiene oral e assim foi. Marquei a consulta, falamos sobre o assunto e, mesmo que tenha me pedido para me sentar com ele, aguentou-se estoicamente a uma consulta a sério, com destarterização, fluor para ficar com os dentes mais fortes, limpeza… tudo!

No final, disse-me que não teve medo e que nem doeu nada! Adorei a doutora que o atendeu, a assistente e, portanto, vai ser para manter, o que facilita agora todas as rotinas com os dentes. Em miúda tive sempre muitos problemas com os dentes e se há coisa que me lembro com muita clareza, é do consultório do Dr. Marcão, da sala de espera, da cadeira e dele próprio. E apesar de não ter particular gosto em ir ao dentista – ainda para mais agora… – eu não recordo com trauma essa altura. E espero que com o Vicente seja igual, pelo menos a partir de agora.

Estou muito orgulhosa dele, aquele orgulho de mãe mesmo. Sabem do que estou a falar? Talvez posso estar a tornar-me repetitiva, mas tudo está a ser totalmente novo para mim. Tudo isto é muito mais envolvente e desafiante intelectualmente e psicologicamente do que foi até aqui cuidar dele.… percebem?

A maternidade é, sem dúvida, uma grande viagem e sempre por caminhos desconhecidos e desafiantes. E isso é fascinante.

Entendem, não entendem? Eu, por exemplo, consigo muito mais (e muito melhor) entender a minha mãe agora e, sem dúvida, que isso faz-me dar-lhe um valor gigante.

E, já agora, com que idade caiu o primeiro dente aos vossos filhos e como foi a experiência deste que começou o dente a abanar até, finalmente, cair?

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