Podia prender já a vossa atenção dizendo-vos quantos quilos e quantos centímetros de perímetro abdominal perdi nas últimas quatro semanas. Ou até revelar que tenho uma dieta milagrosa. Mas a verdade é que isso não é mesmo o mais importante, acreditem. O importante é perceber o que aconteceu até aí, quais as mudanças que acontecerem, especialmente na minha cabeça.

Todas nós, acredito, andamos à procura do nosso ideal, todas nós temos outras mulheres com as quais nos comparamos e mesmo quando até dizemos que a parte física não nos interessa nada… isso não é bem assim. Todas nós queremos encontrar uma dieta que efectivamente resulte connosco e, acima de tudo, que não nos custe a seguir. Nas últimas quatro semanas é certo que tive um incentivo muito grande e esta é a parte boa do “mau” que me aconteceu.

Partilhei com vocês que, no início deste ano, era meu objectivo cuidar de mim. Tinha decidido marcar todas as rotinas médicas, tinha pedido exames e análises. Queria estar descansada que estava bem, querida certificar-me que não era preciso preocupar-me com nada e tinha também reservado um último recurso: um nutricionista diferente de todos aqueles a quem tinha ido. Andava a passar uma fase muito complicada, constantemente inchada e com dores abdominais. O meu grande problema desde sempre, o mistério mais bem guardado, para o qual parecia não haver resposta. Porém, psicologicamente tinha começado a ser difícil lidar com ele e já não havia dieta que me valesse.

Portanto, no meio de toda esta “situação” menos boa, coisas boas – colaterais – têm acontecido. Lá está, “há males que vêm por bem” ou “encontra o teu equilíbrio nas coisas que te acontecem, mesmo nas menos boas” ou “procura sempre um lado bom em tudo, porque ele existe”. De repente e em poucas semanas fui forçada a parar e, sem me aperceber, entrei numa fase diferente, de maior calma e serenidade psíquica e emocional – o que eu começo a achar ser a chave de muitos problemas. E talvez tenha tido uma importante ajuda nesta nova fase que foi a de não conseguir literalmente abrir a boca e talvez tenha passado o pior de uma dieta ou de uma mudança alimentar impossibilitada de comer, o que ajudou.

Com efeito, houve duas coisas importantes a acontecer na minha vida, uma maior estabilidade emocional e este incentivo forçado a literalmente ter a boca fechada. Mas aquilo que eu acredito mesmo é que a fome e/ou o descontrolo na forma como nos alimentamos são fortemente condicionados pela forma como nos sentimos interiormente. Ia ao ginásio quatro vezes por semana, mas a alimentação estava desajustada ao meu estilo de vida. E, para além disso, não faço uma dieta da moda ou que seja igual para todas as pessoas. Com as minhas análises conseguimos ir ao fundo do problema, percebendo quais os alimentos que são maus para mim e quais aqueles que, pelo contrário, são mais benéficos.

Contudo, sei que este ponto de equilíbrio que encontrei e que me fez encontrar uma paz com o meu corpo, fazendo sentir bem nele, sem nada que me incomode – lá dentro, se é que me faço entender – está fortemente dependente do meu estado emocional. Sei que quanto mais em paz estiver menos compensações exteriores irei precisar e menos difusa me irei sentir.

Gostar de nós é precisamente descobrir como tirar partido das coisas que nos fazem bem e não procurar a compensação em coisas que nos fazem mal, embora, no momento, nos tragam um ilusório prazer. Ora, gostar de nós é ter prazer e sentirmo-nos bem em dar ao nosso corpo os alimentos que precisamos e que nos vão nutrir de dentro para fora. E isto que parece tão básico, é, ao mesmo tempo, tão difícil de alcançar. Nestes últimos tempos não tenho treinado, regressei a semana passada – fui duas vezes ao ginásio e esta semana vou continuar e para a semana espero estar de volta ao meu ritmo normal – mas melhorei significativamente fisicamente. Curioso ou não será assim tanto?!

Não vale a pena dizer-vos o que como ou o que não como, porque efectivamente aquilo que cada uma de nós precisa é descobrir-se, porque os alimentos são a nossa fonte de energia, mas também podem ser o nosso veneno. Tudo depende do equilíbrio e da forma como nos alimentamos. Chegar até aqui não foi fácil, é talvez o culminar de anos de procura de ajuda. Porém, o que conta é que encontrei a ajuda que precisava e que me dei ao trabalho de pegar em mim e fazer todos os exames que me eram pedidos, negando-me a mais uma “prescrição chapa cinco” ou a seguir livros ou modas.

Como de tudo o que gosto, não passo fome, mas também não tenho dificuldades em me habituar a coisas novas, como por exemplo, comer atum ao lanche com cenouras cruas, se for o caso. O mais difícil é encontrar o bem-estar psíquico que nos permite estar em paz, na paz que precisamos para não descompensarmos. E para isso tem sido igualmente fundamental ter mudado alguns dos meus hábitos de vida. Nomeadamente, ter deixado de me obrigar a não adormecer com os miúdos, se adormecer à mesma hora que eles melhor para mim, estabeleci o meu horário de trabalho e voltei a sentar-me no sofá, mantemos um hábito nosso que é muito bom para tudo isto que estou aqui a falar, o de jantarmos às 19h30 e já ninguém me tira a minha marmita. E se querem saber, passamos a poupar no supermercado e estamos a comer todos muito melhor. Tenho sempre comida pré-feita, como legumes, saladas, etc… o que facilita a gestão do dia-a-dia e deixou de sobrar comida que fosse para o lixo.

É bom aceitar as fases da nossa vida e aprender com todas elas. Para chegar até aqui foram precisas as horas que não durmo, foi preciso o stress que passei e tantos outros altos e baixos. Aceitar as fases, passar por elas e sentir que demos a volta é, portanto, o objectivo máximo de todos nós, penso eu. Por isso, não desistam de vocês, é possível dar a volta. Nem sempre é no momento que esperamos até porque, não se esqueçam, “a vida acontece quando andamos ocupados a fazer outros planos”.

Em breve, irei partilhar algumas dicas com vocês a propósito desta questão da alimentação. Mas atenção, será tudo muito geral, muito não fundamentalista e tudo muito acessível a todos. No fundo, serão pequenas coisas que vão fazer a diferença no vosso dia-a-dia. As especificidades, essas ficam à vossa responsabilidade de as descobrirem. Combinado? 🙂

Boa noite.

 

 


Fotografia de capa: Pau Storch Photography

Comentários

comentários