E praticamente quatro semanas após a extracção de um dente do siso, que revolucionou a minha vida – e que me deixou, de facto, a pensar na vidinha – faço-vos um ponto de situação. Em primeiro lugar, já não estou assustada. Serenei e habituei-me, especialmente, a sentir-me o mais normal possível, ignorando as parestesias. Mas, entretanto, obviamente que fiz tudo aquilo que achei estar ao meu alcance e agora é ter paciência e dar tempo ao tempo. Não há volta a dar, é o tempo que vai ditar quando recuperarei por completo – porque eu não coloco outra hipótese.

Consultei outros especialistas para uma segunda e terceira opiniões, repeti a ortopantografia vezes sem conta para se certificarem de que o nervo está realmente intacto, não passando de algo apenas temporário e consultei um fisioterapeuta maxila-facial. E esta é, talvez, a parte mais objectiva desta situação e aquela na qual eu consigo sentir melhoras efectivas.

Por um lado, já tenho abertura de boca, o que quer dizer que já consigo comer com menos dificuldade. Fiquei com a certeza que tenho tudo no lugar e que agora cabe-me a mim fazer o trabalho de casa, ou seja, os exercícios que o fisioterapeuta recomendou. E, por fim, deixei de ter dores constantes.

Por outro lado, quanto às parestesias, não consigo dizer se estou melhor ou não. A verdade é que se houve algo unânime entre todos os especialistas, é que esta recuperação é lenta e pode levar, numa boa perspectiva, três meses, mas também pode levar seis, doze… vinte e quatro meses. Acaba por ser algo que me incomoda apenas a mim, pois como não é algo visível, as pessoas esquecem ou acabam por assumir que estou bem. E estou, a verdade é essa. Mas sempre que tenho que falar com alguém me sinto incomodada, esforço-me por me lembrar que ninguém vai reparar, mas eu noto e, às vezes, a nossa mente colocamos entraves e obstáculos. Já senti muitos complexos, embora tente concentrar-me e seguir em frente. Já me habituei e isso, no fundo, ajuda-me a estar mais natural e mais despreocupada. Entretanto, continuo com as minhas injecções e os meus suplementos.

E foi esta barreira que tive que vencer para conseguir voltar à minha vida normal e retomar as minhas rotinas. Mas se temos coisas que nos marcam e que têm o significado de um momento de reflexão na nossa vida, este foi um deles. A vida é muito mais do que, na maioria das vezes, supomos ou esperamos que ela seja. 

Às vezes, precisamos dar um passo atrás e ter serenidade para olhar em perspectiva e perceber o que é que determinado acontecimento, nas nossas vidas, nos está a ensinar. E isso, envolve muita capacidade de aceitação do que está a nossa volta, deixando de lado a revolta e todos os outros sentimentos negativos. Durante estas quase quatro semanas, não fui ao ginásio, não estive em eventos e não sai muito – bom, também é verdade que 90% deste tempo foi passado com as varicelas dos miúdos. Em contrapartida, trabalhei muito, foquei-me e redefini prioridades. E não nos podemos esquecer de uma grande verdade: a vida acontece quando estamos ocupados a fazer outros planos. E assim foi… a vida aconteceu e mudou quando eu estava menos ansiosa, quando eu até tinha deixado de pensar em certas coisas ou até quando eu deixei de esperar ou desejar determinadas coisas.

A vida é justa e muito sábia. A vida permite-nos ter acesso a todas as ferramentas que precisamos para sermos felizes, para nos sentirmos realizados… a vida é aquilo que quisermos fazer dela. Mas atenção, cabe a cada um de nós ter a capacidade para perceber isso e aceitar quando deve aceitar, lutar quando deve lutar, mudar quando se depara com as oportunidades. A vida flui no sentido certo, se assim o permitirmos, com menos ansiedade, é nisto que eu acredito. É isto que a vida me tem ensinado. Olhando em retropectvia, a minha vida mudou (para melhor) quando eu aceitei o que tinha à minha frente, quando deixei de “remar contra a maré” e aceitei o que é meu (com tudo o que isso tem de bom… e de mau).

Não vou dar tempo de antena às más energias, às pessoas tóxicas, a tudo aquilo que vem para me derrubar ou fazer-me desviar do meu caminho. Encontrei o meu lugar na minha vida e na vida dos que me rodeiam, aceitei as minhas imperfeiçoes, e assumo-me como uma pessoa que, consciente disso, se tornou melhor. Não tenho a pretensão de agradar a quem não gosta de mim ou de justificar o que quer que pensem das minhas escolhas. A vida obriga-me a parar – a mim e a vocês – a dar um passo atrás e a reflectir quando eu mais preciso, e eu já aprendi a aceitar – porque isso é bom para mim e para o que virá a seguir.

Portanto, fazendo um ponto da situação, tranquilizo-vos dizendo que sim, em termos gerais, estou melhor de saúde e que, colateralmente, coisas boas aconteceram. Mas para as receber, quem sabe, tive que passar por tudo isto, tive que me habituar a viver com as parestesias e a reaprender uma série de coisas básicas. Está tudo certo… tudo acontece por um motivo, regra geral, um bom motivo. Verdade? 

Obrigada por todas as mensagens. Há pessoas que têm sido verdadeiramente incansáveis, muitas delas nem me conhecem pessoalmente… conheci igualmente pessoas com casos semelhantes ao meu e criou-se até uma boa partilha com algumas delas. Obrigada!

A vida é muito mais do que aquilo que, na maioria das vezes, esperamos dela!

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