Vivemos o 25 de abril sempre com muita seriedade e respeito. Cresci a ouvir a histórias que a minha mãe contava sobre o meu avô e como ele viveu este dia há 44 anos atrás. E actualmente, mantemos uma forte ligação, porque já nos habituamos a ter o pai a trabalhar sempre neste dia. Acompanhamos a cerimónia solene e vou explicando ao Vicente o que significa para todos nós o 25 de abril. E a verdade é que assim que se ouve o hino nacional, lá se coloca ele muito sério a cantar. À medida que vai crescendo, o seu interesse vai igualmente sendo maior e, pelo terceiro ano cumprimos a tradição de visitar a Assembleia da República que, neste dia, abre as suas portas a todos os cidadãos.

Bom, este ano, com muita pena minha, fiquei com a Laura em casa por causa da varicela, porém tratei de “encomendar” o passeio da avó com o neto. Ouvi-lo dizer, logo pela manhã, que estava muito entusiasmado por ir ao Parlamento e, no regresso a casa, que tinha adorado, deixou-nos a todos muito felizes – e, talvez, um pouco mais ao pai! 🙂 Cinco anos é um marco enorme de diferença no interesse e na forma como uma criança se expressa e vive as coisas. E perceber a forma ávida como absorve tudo dá-me vontade de o alimentar cada vez mais e mais com coisas diferentes e novas para ele.

Para casa, não se esqueceu de trazer quatro cravos, um para cada um de nós. E explicou-me ainda que tinha viste um senhor a fazer uma jarra em barro, que tinha visto o Primeiro Ministro e cumprimentado o Presidente da Assembleia da República, na verdade, acho que lhe deu um “cinco” com a mão, tal qual um colega da escola. Mas sabem que mais? Viva a liberdade de se ser criança e viva a sua espontaneidade, que felizmente, os adultos não levam a mal e toleram…. Pena é que, quando crescemos, percamos toda a condescendência para com o outro.

Agradeço aos meus pais terem-me passado o respeito pelo 25 de abril, terem-me explicado o valor da nossa liberdade e que, de certa forma, me tenham educado a dar valor aquilo que temos, fazendo questão de me lembrar que nem sempre foi assim. Que os meus filhos, nascidos num mundo tão diferente do que qualquer um de nós imaginaria e que ainda não sabemos bem para onde se dirige, herdem igualmente esses princípios e noção da importância da revolução e do movimento dos homens por um bem maior. Mas claro que isto é um trabalho que depende de nós… O 25 de abril não é apenas mais um feriado, tem um valor, ditou aquilo que somos e temos hoje em dia. Farei questão de o assinalar sempre.

Para além disso, sou de santarém e, no dia de hoje, fico ainda mais orgulhosa de o ser.

E amanhã a vida continua, a semana segue e aposto que já está tudo a pensar no fim-de-semana. Verdade?

Boa noite a todos.

 

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