Estou há praticamente um mês – mais coisa – em casa com filhos doentes. É certo que fomos tendo um ou outro dia livres em que parecia que íamos ter alguma normalidade, porém tudo não passou de falso alarme. E é nestes dias, em que passamos mais tempo com os nossos filhos, que fico com a sensação que eles ficam ainda mais exigentes de nós, do nosso tempo e da nossa atenção.

Passamos duas horas a brincar que, para eles, não foram mais do que quinze minutos. Abrimos a excepção para dormirem connosco e, a partir daí, já falam do quarto deles como sendo também o da mãe. Viver a maternidade às vezes pode ser uma encruzilhada e pode dar-nos a sensação de que quanto mais fazemos, mais exigente se torna. E como se não bastasse, o papel da mãe é crucial nos momentos mais decisivos. Só há um colo, só há uma pessoa a quem pedem tudo e a quem seguem para todo o lado. Dá vontade de rir não fosse o cansaço a que chegamos – verdade?

Esta ainda não vai ser a nossa semana do regresso à normalidade. A Laura vai ficar em casa até quinta-feira, o que para ela é o pior castigo que lhe podem dar. Já eu, que vou começar com a fisioterapia esta semana, de certa forma ainda não voltei ao meu ritmo normal. É uma desculpa, talvez, mas só agora é que estou a sair do “trauma” que tudo isto tem sido. E já percebi que o tempo é o meu melhor aliado. Nestes dias, as frases que mais se ouvem são “brinca mãe” ou, então, “olha a mim”, de um lado, e, do outro, “mãe, combinamos que vais buscar-me à escola logo a seguir ao lanche?”. E não adianta se a avó vem dar uma ajuda para que se consiga trabalhar.

Se calhar seria tudo mais fácil se saísse da casa para trabalhar. Se arranjasse um escritório ou se, simplesmente, altera-se o meu registo de “teletrabalho”. Mas e depois? Iria perder todos os momentos que tenho tido com os meus filhos? Iria passar a deixa-los com terceiros quando estivessem doentes? Passariam a ser dos últimos a sair da escola? E eu passaria os dias a pensar no tempo que gostava de passar com os meus filhos e que não passo?

Nenhuma escolha é isenta de contras ou de consequências. É preciso ter calma e serenidade! E à medida que o tempo vai passando, há um desmame natural e um desprendimento sucessivo, pois, por um lado, eles crescem e ficam mais independentes e, por outro, a minha vida pessoal começa a ter uma consistência maior.

Quando me tornei mãe a tempo inteiro, a principal pergunta era: o que vais fazer quando os teus filhos crescerem?

Bom… cinco anos e alguns meses depois de ser mãe o que posso eu dizer? Digo que faço aquilo que uma pessoa adulta e com responsabilidades faz, que é trabalhar e criar algo que seja seu. Ao longo deste tempo, a vida continuou a acontecer sem que eu sinta que tenha perdido parte da minha vida, sem que eu tenha que recomeçar do zero. A maternidade foi a minha oportunidade de ser uma pessoa melhor e de ser mais realizada a nível pessoal e profissional. Sabem? A sociedade em que vivemos é castradora da nossa própria felicidade, impede-nos de lutar pelos nossos sonhos tais são os medos que nos impõe. É como se estivesse sempre a vaticinar a desgraça de quem ousa arriscar e enfrentar o desconhecido.

No entanto, abraçar a maternidade desta forma tão profunda foi também perceber o quão duro pode ser o crescimento de uma mãe a partir do momento em que tem o seu filho nos braços. Olhando para trás, rio-me porque obviamente que com o primeiro filho tive dramas que nem sequer foram hipótese com o segundo. Com o primeiro filho senti a minha pressão e a pressão dos outros em cima dos meus ombros. Com o segundo permiti-me ter mais calma comigo mesma, não exigindo de mim o impossível.

Contudo, a maternidade é um universo de clichés, é um lugar comum onde todas nós passamos mais ou menos pelas mesmas situações. A maternidade leva-nos a estado de bipolaridade que só nós entendemos. Ainda assim, uma coisa é certa, mesmo nos momentos mais desgastantes, não trocaríamos por nada a nossa realidade actual.

Passem as imagens da galeria para ficarem a conhecer 7 dos meus Factos da Maternidade:

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Quais são os vossos?

 

Boa noite.

 


Imagens do slideshow retiradas do Pinterest.

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