Vivemos na era da pressa e do fast em tudo e para tudo. Queremos controlar a própria natureza, apressar o que precisa de tempo, queremos mostrar que somos capazes e que somos um exemplo. A pressão social sobre as mulheres talvez seja a responsável, mas a verdade e que também não a contrariamos. Contudo, será que estamos a saber cuidar de nós de verdade?

As mães reais de hoje em dia são mães que, após poucos dias de dar à luz, estão a justificar os quilos que não perderam ainda, a barriga que ficou e a flacidez do tónus muscular. Com a pressa de apressar tudo, há um tempo que não passa duas vezes por nós. E atenção que aceitar o tempo não significa desleixo, muito pelo contrário, significa amar-nos ainda mais numa fase tão complicada para nós.

Cuidar de nós tem que passar por aceitar o nosso tempo, nutrindo o nosso corpo, dando-lhe o nosso melhor, mas aceitando que o processo inverso não pode ser mais rápido que o tempo que levaram todas as alterações do nosso corpo a acontecer. A Laura fez dois anos, e tal como aconteceu com o Vicente, é nesta altura que eu sinto que o meu corpo recuperou por completo. Mas sabem? Já aceitei que a minha barriga vai ficar para sempre mais flácida do que era antes. E desta vez, não lhe impus um timing e nem me “castiguei” porque estava magra e a barriga continuava flácida.

No verão passado, optei pelo fato de banho e não foi por complexos, simplesmente apetecia-me estar o mais confortável possível, não queria que a minha cabeça por algum momento se dispersasse a pensar na barriga que ainda não tinha ido ao lugar ou com aquela flacidez. É que, às vezes, olho à minha volta e apetece-me pedir para temos todas um pouco mais de calma connosco próprias e para que antes de qualquer coisa, aceitemos as nossas imperfeições. Que reconheçamos até onde é que podemos realmente ir e até onde vale a pena ir. Cuidar de nós tem que passar por saber que realmente somos. Para além disso, há todo um histórico que está para trás na nossa vida e que não pode ser esquecido, precisamente pela forma como determina o nosso presente. Pessoas naturalmente activas, que praticam desporto regularmente, que têm uma alimentação cuidada, obviamente que o processo será mais natural e pode-nos parecer mais rápido.

Sabem?

Estou há duas semanas sem ir ao ginásio e tive que parar numa fase em que estava a conseguir manter o meu ritmo, estava motivada, estava a tirar partido dos treinos, tinha voltado a treinar de manhã. E quem treina sabe que conquistar esta rotina, fazê-la acontecer diariamente também não é fácil. Eu treino porque sei que me faz bem, porque gosto de mim e porque quero dar o melhor ao meu corpo. Treino porque para além das mudanças físicas, há todo um bem-estar interior que nenhum comprimido me dá.

Quando este meu problema de saúde aconteceu, pensei em tudo à minha volta e, no final, não quis ceder à pressão! Estou sempre a colocar-me metas e objectivos, sempre a tentar chegar a todo o lado e, às vezes, é preciso parar e aprender com as situações. Tranquiliza-me saber que se isto aconteceu, terá o seu motivo.

Desde então que os meus dias estão organizados de uma outra forma e estão muito mais orientados para me preencher por dentro. Voltei a conseguir adormecer os meus filhos, deixei de ficar até às tantas a trabalhar, tenho ido às mil consultas que tenho tido com paciência e sem pressa, tenho recuperado o trabalho pendente, tenho progredido em novos projectos. Mas sabem qual a diferença? Não sinto a pressão de antes, não estou em esforço. Ao longo destes dias, é normal que, por vezes, me vá a baixo e que pense se está situação, como uma amiga minha lhe chama, será provisória ou se terá consequências para sempre, mas tenho me (re)centrado em mim.

O amor que tenho por mim e pelo meu corpo, nesta fase, mostrou-me se mais importante dormir e alimentar-me de forma saudável. E é isto que é importante, preocuparmo-nos com a nossa saúde, com o vosso estado emocional e com a conexão aqueles que estão à nossa volta. E assim, sem nos darmos conta, a natureza está a cumprir o seu papel e a levar tudo ao seu devido lugar. É quando estamos em paz que melhor sabemos cuidar de nós.

Nestes dez dias, quase quinze, da minha “baixa” forçada apercebi-me, por exemplo, como o Vicente está diferente com cinco anos, as conversas que consigo ter com ele, as coisas que ele me ensina e que me diz. Está tão crescido e tão maduro, é uma fase nova para mim e sei que vou adorar, por isso, também não quero perder pitada destes tempos. A Laurinha está um doce de menina, divertida e cheia de vida e já faz companhia de gente crescida. Ter um de cada lado, de mãos dadas comigo, faz-me sentir plena e preenchida, faz-me perceber que não há muito mais que eu pudesse pedir para ser realmente feliz.

Boa noite.

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